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sexta-feira, 11 de maio de 2018

Bolo de Cenoura e Tâmaras (sem açúcar)

Cá em casa, faz já algumas semanas que fizemos um bolo.


Como tem sido cada vez mais difícil fugir ao açúcar (são os bolos de anos, os saquinhos de guloseimas que traz das festas, os chupa-chupas que a senhora da churrasqueira oferece, as bolachas que as amigas do ballet partilham, só para dar alguns exemplos), decidi que iríamos fazer um bolo sim, mas sem este ingrediente.


A nossa filhota adorou, não só o bolo depois de cozinhado, como a massa ainda crua! E eu também!
Mas acho que, para ela, o melhor de tudo foi ser a cozinheira!


Ingredientes
3 cenouras grandes
400 g de água
12 tâmaras
Sumo de 1 laranja
3 ovos
150 g de farinha de trigo espelta´
50 g de farinha de milho
60 g de azeite
4 colheres de sobremesa de fermento
Canela q.b.

Preparação
Cozer as cenouras em 400 g de água, 20 min / 100º / col. inv. 1.
Pré-aquecer o forno a 180º.
Escorrer a água, juntar as tâmaras e picar, vel 3/5/7. Descer com ajuda da espátula o que ficar agarrado à paredes do copo e repetir a operação o número de vezes necessárias, até obter uma pasta cremosa.
Adicionar todos os ingredientes, com exceção do fermento, e misturar bem, 2 min / col. inv. 5.
Juntar o fermento e misturar 15 seg / col. inv. 5.
Untar uma forma de silicone com manteiga.
Deitar a massa na forma e levar ao forno entre 20 a 30 minutos, confirmando com um palito.

sábado, 24 de março de 2018

Diário de uma Mãe a Tempo Inteiro - Dia 7

DIA 7 - SÁBADO


Hoje só nos levantámos às 10 horas!!!!! Nem me lembro da última vez que tal aconteceu! A verdade é que ontem já viemos tarde da festa de anos, pelo que os miúdos adormeceram mais tarde, mas ainda assim foi uma surpresa! O Damião acordou às oito e meia, mas dei-lhe maminha e consegui que adormecesse outra vez. Levantei-me para espreitar como estava o tempo, pois tínhamos pensado ir ao Jardim Zoológico ver uma peça de teatro gratuita. Contudo, estava a chover e, com todos a dormir tão bem, decidi enfiar-me na cama outra vez. Foi o bem que fiz!
A Elisa hoje quis papa para o pequeno-almoço, em vez do habitual iogurte com fruta. Eu e o pai verificámos que não tínhamos mais café, pelo que fomos todos vestir-nos para ir à rua com urgência!
Enquanto tratávamos dos últimos pormenores, a Elisa colocou uma manta pelas costas e andou pela casa a fazer de Capuchinho Vermelho. Eu tive de ser o lobo, a avó, a mãe, e só me escapei de ser o caçador pois mandei-a ir ter com o pai!
Decidimos ir a uma pastelaria de que gostamos e aproveitámos para comer pastéis de nata. Compramos também umas amêndoas, que a Elisa comeu pela primeira vez. Eu quis daquelas de licor, em forma de bebé, que a minha avó costumava dar-me mundo eu era criança.
No regresso, passámos pelo supermercado. Aí, o pai encontrou uma amiga e ficou um pouco a conversar. A Elisa subiu para a roda do carrinho do mano, de forma a ficar mais ao alcance deles dois e começou a emitir palavras sem significado, só com o objetivo de perturbar a conversa e chamar a atenção para si. Ultimamente isto tem acontecido com muita frequência, e já tivemos várias conversas com ela sobre isso, mas não está a ser fácil que este seu comportamento se altere. Peguei nela, afastei-a um pouco do local, agachei-me ao seu nível e disse em tom firme: "Eu não permito que estejas interromper a conversa do teu pai com a amiga. Se tens coisas para dizer, esperas que eles acabem de falar.". "Eu não tenho nada para dizer...", respondeu-me ela honestamente. "Então, essa é mais uma razão para ficares em silêncio e escutares o que os outros dizem.", concluí eu. O pai, entretanto terminara a conversa e seguimos às compras. Foi a primeira vez que usei esta abordagem, direta e de poucas palavras, recorrendo à expressão "não permito que...". Vamos ver se resulta...
Já em casa, o Damião dormia, eu fui publicar o diário de ontem, pois ainda não tinha conseguido fazê-lo, e o pai esteve a ler jornais online. A Elisa sentou-se na mesa dos Playmobil e esteve bastante tempo no seu mundo imaginário a brincar com os bonequinhos. Depois, pediu-me para que me juntasse a ela e eu assim fiz.
O Damião acordou e fomos todos almoçar.
Quando terminámos, ela sentou-se junto dele a contar-lhe histórias. Fiquei a escutá-la, sem que se desse conta, cada vez mais maravilhada com a forma como já consegue encadear as ideias e com as expressões que utiliza...
Depois, chegou a hora da sua sesta. Ela queria que eu lhe lesse uma história. Então, como ando interessada no Gato das Botas, fui procurar um livro que sabia ter com este título, embora já não me recordasse do seu conteúdo. Não é a história original, mas gostei muito de o ler. Fiquei um pouco a aconchegá-la e depois vim para a sala.
O Damião, que tinha ficado a brincar com o pai, estava a começar a choramingar. Deite-me no sofá, junto à janela, dei-lhe maminha e fiquei a relaxar olhando as nuvens e os ramos floridos das árvores. Depois de umas trocas de sorrisos safados, adormeceu e eu mudei-o para o carrinho.
Dei um avanço na escrita do diário e fui dobrar roupa.
Quando a Elisa acordou, vinha muito rosada e transpirada. Agarrei-a no meu colo, no sofá, envolvia-a com uma manta e ali ficamos a usufruir do momento. Perguntei-lhe se tinha sonhado e ela respondeu-me, parecendo-me já tão crescida: "Tu sabes que eu não sonho de dia.". De facto, ela já mo tinha dito antes... Depois, lembrou-se do livro do Gato das Botas e foi buscá-lo para que lho lesse novamente. Como sempre, fez imensas perguntas sobre a história e sobre as ilustrações.
Um pouco despois, o mano também despertou.
Ela foi à casa de banho, mas demorou imenso. Percebi porquê quando apareceu com um cachecol e um gorro na cabeça, lançando outro gorro ao ar. "Mãe, não estou a conseguir fazer a magia!". Uma vez, há já bastante tempo, brinquei com ela trocando, sem que se desse conta, o gorro que mandava ao ar por outro, várias vezes seguidas. Estivemos então outra vez nessa brincadeira. Ainda não percebi se ela já sabe como faço ou não...
Depois, esteve a brincar com o seu ursinho, tratando-o como a um bebé e colocando-o inclusivamente no ovo do irmão.
Tínhamos combinado que fazíamos um bolo. Decidi que faríamos um bolo de cenoura e tâmaras. Então, ela descascou as cenouras e eu pu-las a cozer. Enquanto cozinhavam, pediu-me para ver televisão, desta vez um episódio da Princesa Sofia. A seguir, lanchámos e fizemos o resto do bolo.
O pai esteve com o mano e acabou por o adormecer. A Elisa foi brincar com os Playmobil e fazer um desenho. Eu dobrei e arrumei mais alguma roupa, e fiz o jantar.
Depois do jantar, as crianças tomaram banho, outra vez juntas na banheira grande. Adormecemo-las e regressámos à sala. Deixámos o cão entrar um bocado...
Terminando este, que será o último dia deste diário, vou ler um bocadinho, nunca muito porque o sono espreita logo!...
Adorei esta reflexão diária, com a respetiva compilação de fotos... Talvez a venha a repetir...

domingo, 4 de março de 2018

Papas caseiras - Parte 5

Cá em casa, voltámos à confeção de papas caseiras.
O nosso filhote está com sete meses e há um mês retomámos esta rotina. A mana, que tinha deixado de comer papas nem sei bem porquê (acho que porque nunca fui muito fã deste alimento e, sem pensar muito nisso, deixei de o cozinhar...), quer sempre comer um bocado e adora!!! Só que (que engraçado!) não se lembra que há pouquíssimo tempo atrás também as comia!

Partilho então a receita de algumas papas feitas por aqui... Cada receita dá duas doses de papa.

Papa de dióspiro e maçã


  • 4 colheres de sopa de farinha de trigo integral
  • 1 colher de sopa de farinha de alfarroba
  • 1 maçã
  • 1/2 dióspiro
  • 200 g de água
Cozinhar todos os ingredientes 8 min / 90 ° / vel colher inversa.
Triturar 30 seg / vel 3, 5, 7.

Papa de ameixa e maçã bravo esmolfe



  • 4 colheres de sopa de farinha de arroz
  • 1 colher de sopa de farinha de milho
  • 1 ameixa
  • 1 maçã bravo esmolfe
  • 200 g de água
Cozinhar todos os ingredientes 8 min / 90 ° / vel colher inversa.
Triturar 30 seg / vel 3, 5, 7.

Papa de maçã e pera


4 colheres de sopa de farinha de centeio integral
  • 1 colher de sopa de farinha de alfarroba
  • 1 maçã
  • 1 pera
  • 200 g de água
Cozinhar todos os ingredientes 8 min / 90 ° / vel colher inversa.
Triturar 30 seg / vel 3, 5, 7.


terça-feira, 10 de janeiro de 2017

O bolo do segundo aniversário!


Cá em casa, já somos três há dois anos!
A sério?! Já passou tanto tempo?! Quase não dá para acreditar... 


Este ano, decidi fazer um bolo, ainda sem açúcar, mas com mel. Como a nossa filha já não é intolerante ao trigo e ao glúten, esta já não foi uma preocupação. 
O recheio surgiu do improviso... Tinha feito espuma de frutos na Bimby, com morango e banana, para que houvesse mais uma sobremesa sem açúcar para os mais pequenos, e acabei por usá-la também no bolo. 

O bolo cozeu um bocadinho de mais, mas, ainda assim, toda a gente gostou! Espero que também gostem!


Bolo de mel e laranja

Massa

3 chávenas de farinha de trigo espelta
5 ovos
150 ml de sumo de laranja
1 chávena de mel
1 pacote de fermento sem glúten (apenas porque era este que tinha cá em casa)
2 colheres de sobremesa de bicarbonato de sódio

Juntar todos os ingredientes na Bimby e programar 1min30seg /vel. 4.
Se tiverem ficado ingredientes nas paredes do copo, descê-los com a ajuda de uma espátula e programar mais uns segundos na mesma velocidade.
Dividir a massa por duas formas (neste caso, usei uma em forma de urso e outra redonda).
Levar ao forno pré-aquecido a 180º, durante cerca de meia hora ou até que o palito saia seco.

Cobertura

300g de morangos congelados
2 bananas
umas gotas de sumo de limão
1 clara de ovo

Juntar os morangos, as bananas e o sumo de limão na Bimby e programar 40 seg /vel. 5.
Inserir a borboleta, juntar a clara de ovo e programar 3 min / vel. 3.5.
Deixar arrefecer o bolo e cobrir a parte circular com a espuma de frutos. Colocar a outra parte do bolo (o urso) em cima e decorar a gosto.

sábado, 10 de dezembro de 2016

Bolo de castanha sem açúcar

Cá em casa, foi dia de fazer um bolo a pensar na bebé!

Apesar de ela já estar quase a completar dois anos, continuamos a optar por não lhe dar produtos com açúcar, o que causa estranheza em algumas pessoas. Para uma maioria, continua a ser aceitável que os bebés comam bolachas maria e iogurtes de fruta açucarados ao lanche, e gelados, queques ou um bolo de arroz quando vão ao café.
Eu acredito que quanto mais tarde ela começar a consumir este tipo de produtos e quanto menor a quantidade consumida dos mesmos melhor! Mas para isso há que criar alternativas... No verão, fiz muitas vezes gelados de fruta na Bimby e ela adorou! Agora, que o frio aperta, sabe bem um bolo quentinho acabado de sair do forno!



Ingredientes

Casca de 1 limão
3 ovos
50 g de xarope de tâmaras
100 g de farinha de trigo espelta
100 g de farinha de castanha
1 iogurte natural não açucarado
80 g de margarina vegetal
1 pitada de sal
1 pacote de fermento sem glúten (10 g)

Preparação

Pré-aquecer o forno a 180º C e untar uma forma com um pouco de margarina.
Colocar a casca de limão no copo da Bimby e pulverizar 10 seg/vel 10.
Juntar os ovos e o xarope de tâmaras e bater 30 seg/vel 3.
Adicionar os dois tipos de farinha, o iogurte, a margarina e o sal e bater 1 mi/vel 5.
Juntar o fermento e misturar 15 seg/vel 5.
Deitar na forma e levar ao forno por cerca de 30 minutos.

Já tinha feito um ou outro bolo com pasta de tâmaras, mas confesso que, pela sua consistência, era um ingrediente que sentia alguma dificuldade em usar...  Ter descoberto tâmaras em xarope encheu-me de entusiasmo! Vou já começar a pensar num ou noutro docinho para o Natal...

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Papas caseiras - Parte 4 (com legumes)

Cá em casa, começou a guerra aos legumes!

Pois é... Quem diria que uma bebé que comia tão bem de tudo também passaria por esta fase? Eu pensava que me tinha escapado a esta dificuldade mas, como tal não aconteceu, há que encontrar soluções.
Uma delas tem sido a introdução de legumes nas papas, que ela continua a adorar e que habitualmente come uma vez por dia num dos lanches ou pequeno almoço.

Apresento três soluções que têm sido do seu agrado.

 
Papa com abóbora
 
  • 1 pêssego
  • 1 fatia de abóbora
  • 2 colheres de sopa de farinha de espelta
  • 2 colheres de sopa de farinha de alfarroba
  • 200 g de água
 
 

 
Papa com brócolos
 
  • 1 pêssego
  • 40 g de brócolos
  • 2 colheres de sopa de mandioca
  • 2 colheres de sopa de millet
  • 200 g de água
 
 

 
Papa com feijão verde
 
  • 1 pêssego
  • 1 ameixa 
  • Feijão verde 
  • 2 colheres de sopa de farinha de lentilhas 
  • 2 colheres de sopa de mandioca 
  • 200 g de água
 
 
 
 
Em qualquer uma das situações, cozinhar durante 8 min/ 90º/ vel 1. Triturar 3/5/7.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

O fim da reação alérgica ao trigo!

Cá em casa, acabaram-se as alergias!


Foi com uma enorme satisfação e alívio que recebemos os resultados dos últimos testes.
Fizemo-los no Hospital Lusíadas, onde a bebé foi seguida desde que detetamos a primeira reação cutânea ao consumo de trigo.
Nessa primeira consulta, foi nos transmitida a importância de eliminar por completo este cereal da sua alimentação, bem como todos os produtos com glúten, conforme relatei nesta publicação.
Passámos a ter consultas semestrais, para avaliar a evolução da situação, sempre na esperança (que nos foi dada pela médica assistente) de que o sistema imunitário (ainda imaturo) deixasse de reagir de forma exagerada ao contacto com esta substância. Ou seja, que a reação alérgica deixasse de se manifestar. Para tal, era fundamental a evicção total do trigo e do glúten, algo que fomos extremamente rigorosos em cumprir.

Nunca me tinha dado conta, até então, de que uma tão grande quantidade de produtos tem estes elementos na sua composição. Pão, bolos, croissants, bolachas, massas, pizzas, quiches, lasanhas, rissóis, empadas, panados... Enfim, produtos que, na sua maioria, não entram na dieta de um bebé, mas que com o seu crescimento se revelariam mais difíceis de evitar (ainda mais quando a criança em questão gosta de comer!).
 
Nos últimos testes feitos com as picadinhas no braço, não houve qualquer reação alérgica. Nesse sentido, a médica que acompanhou o caso desde o início transferiu-o para o Hospital de Santa Maria, onde também dá consultas, para que aí fosse feita a reintrodução do trigo na alimentação da bebé, mas em meio hospitalar.
Tivemos aí uma nova consulta, onde ficou agendada uma data para ser feita esta reintrodução.
 
A manhã avizinhava-se difícil pois, embora eu tivesse levado jogos, livros e um boneco da bebé, não sabia como é que ela, sendo uma criança tão ativa, que quer andar constantemente de um lado para o outro e explorar tudo à sua volta, reagiria ao facto de estar confinada a um espaço tão reduzido durante tantas horas.
Contudo, as duas médicas e a enfermeira que a acompanharam durante essa manhã foram muito simpáticas, disponíveis e tornaram a "estadia" mais agradável. Como ainda por cima, por coincidência, nessa manhã não havia mais crianças no gabinete, as atenções recaíram todas sobre ela. Por sua vez, ela é um bebé comunicativa e sociável, cativando habitualmente quem a conhece, pelo que, depois de ter brincado com os seus brinquedos e com os do hospital que lhe foram disponibilizados, acabou a manhã ao colo de uma das médicas a escolher os vídeos de música do YouTube que queria ver! Foi uma festa!

No que toca à reintrodução do trigo na sua alimentação, tudo se passou assim:
A enfermeira começou por barrar um pouco de papa de trigo nos lábios da bebé. Esperámos alguns minutos e, como não fez reação cutânea, passou-se à etapa seguinte.
Esta consistiu na ingestão de uma pequena porção de papa (cerca de 3 colheres), seguida de uma espera de quinze minutos.
Mais uma vez, nada aconteceu, pelo que se repetiu a ingestão de papa por várias vezes, com determinados intervalos de tempo e aumentando entretanto a quantidade ingerida.
Ao fim de cerca de quatro horas, a reação alérgica ao trigo foi dada como ultrapassada!
Viemos para casa com a indicação de que, na primeira semana, só poderia comer trigo na papa, mas que a partir daí, poder-se-iam introduzir gradualmente outros alimentos com trigo e glúten na sua alimentação.

Atualmente a bebé está verdadeiramente viciada em "pum pum", termo que rapidamente passou a utilizar para denominar o pão!
Não a podemos censurar por querer recuperar o tempo perdido, pois não?
Cá em casa, há também quem aprecie bastante esta iguaria e tenha ficado a ganhar com este seu novo hábito!

 

domingo, 3 de abril de 2016

Menu diário de uma bebé de 15 meses

Cá em casa, vive uma bebé que (felizmente!!!) não nos dá dores de cabeça às refeições.

 
Aceita quase todos os alimentos com gosto (até agora, recusou-se a comer tomate e beterraba) e sem ser necessário nenhum tipo de confeção especial...

Procuro que tenha uma alimentação saudável, rica em fruta e legumes, e evitando o consumo de produtos industrializados. Aliás, acho que os únicos alimentos processados que consome são as massas sem glúten e o iogurte e, mesmo neste caso, opto por iogurte natural sem açúcar.
Ainda mama pelo menos ao acordar, ao lanche e ao deitar...
Até há bem pouco tempo, acordava várias vezes durante a noite para mamar, mas comecei a dar-lhe apenas colinho e a evitar a mama, no intuito de que acordasse menos vezes... Catorze meses a despertar de 2 em 2 horas e a acordar de manhã "fresquinha" para ir dar aulas a vinte e três "piolhos" de oito/nove anos é obra!

Foi nesta altura que decidi introduzir o iogurte na sua alimentação... E foi também aí que fiquei com receio de as suas necessidades nutricionais pudessem não ficar totalmente satisfeitas. Se mamava menos três ou quatro vezes por dia, que alimentos deveria acrescentar ao seu menu diário para compensar? Aliás, como deveria ser o seu menu diário?
É que entre os seis e os doze meses, há muita informação relativamente às refeições do bebé. No centro de saúde e na consulta de pediatria, entregaram-me inclusivamente um folheto com as "instruções".
Só que, a partir do ano de idade, o bebé deve começar a integrar gradualmente os hábitos alimentares da família...

Talvez porque as famílias têm realmente diferentes hábitos, não encontrei informação concreta acerca deste tema.
Algumas fontes apontam para 4 refeições diárias, mas tal não me faz sentido, porque eu própria sinto necessidade de comer (pelo menos!) 5 vezes.
Encontrei entretanto informação defensora de 5 refeições diárias, mas compostas por alimentos que não se integram na alimentação da nossa bebé. Por exemplo, com pão, que ela não pode comer em resultado da alergia ao trigo e ao glúten, ou sem sopa em todas as refeições, que a mim me parece essencial.

Depois de ler, refletir e fazer alguns ajustes naquilo que era já a sua alimentação diária, decidi partilhar convosco o que come a minha bebé.
 
 
Não quero de forma alguma que isto seja visto como o que é "certo", até porque não sou nutricionista e poderei inclusivamente estar a cometer alguns "erros".
Acredito também que este post ficaria mais rico, se quem tem ou já teve filhos desta idade divulgasse a sua própria experiência. Fico a aguardar os comentários!

sábado, 26 de março de 2016

Papas caseiras - Parte 3

Cá em casa, continuamos a inventar todos os dias novos sabores de papas.

Vou partilhando aqui algumas das experiências, quando tenho tempo de escrever e me lembro de fotografar os pratos, mas de facto as receitas que divulgo são apenas uma pequena parte do que é possível criar. Basta respeitar as quantidades aproximadas dos ingredientes e ir variando os tipos de farinha e fruta. O sucesso é garantido!


Papa de teff integral, maçã reineta e canela (sem glúten)

  • 4 colheres de sopa de farinha de teff
  • 2 maçãs reineta
  • 200 g de água
  • Canela em pó
Juntar a água, a farinha e as maçã cortadas aos pedaços e cozinhar 8 min / 90 ° / vel colher inversa.
Triturar 30 seg / vel 3, 5, 7.
Polvilhar com canela.

A bebé adorou esta papa! Raspou o prato com a colher tanto quanto pôde e depois ainda lá foi com os dedos apanhar os últimos bocadinhos! Eu não gosto de papas, por causa da textura, mas provei um pouco desta e fiquei agradada com o sabor.


Papa de farinhas 3 A's e manga (sem glúten)

  • 4 colheres de sopa de farinha 3 A's
  • 1/2 manga
  • 200 g de água
Cozinhar todos os ingredientes 8 min / 90 ° / vel colher inversa.
Triturar 30 seg / vel 3, 5, 7.
 
Confesso que esta não foi de todo uma das minhas melhores papas! Ao prová-la, pus a hipótese de que a minha filha se recusasse a comê-la... E tudo porquê? Porque a manga era extremamente fibrosa e, depois de cozinhada e triturada, fez com que cada colherada da papa viesse carregada de fiozinhos... Segundo conta a minha mãe, para uma bebé como eu, que tive de comer tudo triturado e passado até bem tarde, era impensável uma papa com esta textura. Mas, mais uma vez, tive a prova de que a minha bebé é "uma ótima boca", pois comeu tudo sem hesitações!


Papa de quinoa, millet (milho miúdo castanho integral) e maçã bravo esmolfe (sem glúten)

  • 2 colheres de sopa de farinha de quinoa
  • 2 colheres de sopa de farinha de millet
  • 2 maçãs bravo esmolfe
  • 200 g de água
Cozinhar todos os ingredientes 8 min / 90 ° / vel colher inversa.
Triturar 30 seg / vel 3, 5, 7.

Esta papa ficou com uma textura grossa agradável e, para não variar, a bebé adorou! A maçã bravo esmolfe, além de ser deliciosa e docinha, traz vários benefícios para a saúde, entre os quais a prevenção do cancro e de doenças cardiovasculares.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

O bolo do primeiro aniversário!


Cá em casa, a bebé completou o seu primeiro ano de vida!


E, como não podia deixar de ser, juntámos a família para o celebrar.
Quis fazer um bolo que a bebé pudesse comer, mesmo que não ficasse tanto ao gosto das outras pessoas... Afinal, ela era a aniversariante e nunca tinha comido nada semelhante!
Para isso, o bolo não poderia conter açúcar, nem trigo, nem glúten.
Fiz algumas pesquisas e não encontrei nenhuma receita que obedecesse a todos estes critérios. Então, fiz uma combinação de diferentes receitas encontradas e consegui um bolo fantástico, que a bebé devorou, mas que também deliciou toda a família!
 

 
 
Partilho, então, a receita para a Bimby:
 
 
Bolo de alfarroba e arroz (sem trigo, glúten ou açúcar)


Massa 
  • 2 xícaras (chá) de farinha de arroz integral
  • 1 xícara (chá) de farinha de alfarroba
  • 1 saqueta de fermento em pó sem glúten
  • 4 ovos
  • 1 xícara (chá) de pasta de tâmaras
  • 1/2 xícara (chá) de óleo de coco
  • 1 xícara (chá) de água quente
  • Óleo de coco q.b.  
Colocar as farinhas e o fermento no copo e programar 30 seg. vel. 3. Reservar num recipiente à parte.
Colocar a borboleta, adicionar os ovos  e programar 4 minutos, vel. 4.
Retirar a borboleta, juntar a pasta de tâmaras e programar 2 minutos, vel. 4.
Adicionar o óleo de coco e programar 10 seg, vel 4.
Adicionar a farinha e o fermento e envolver 5 seg. na vel. 4. Juntar a água e programar mais 5 seg. na vel. 4.
Untar uma forma com óleo de coco e polvilhar com farinha de alfarroba. Colocar a massa na forma.
Levar ao forno, pré-aquecido a 180°, durante cerca de 30 minutos.
 
 
Cobertura 
  • 200 g de bebida vegetal de arroz
  • 1 colher (chá) de farinha de arroz integral
  • 1 colher (chá) de farinha de coco
  • 3 colheres (sopa) de farinha de alfarroba
  • 1 colher (sopa) de pasta de tâmaras
Colocar todos os ingredientes no copo e programar 5 min, 90°, vel. colher inversa.
Verter sobre o bolo e deixar arrefecer antes de servir.

sábado, 2 de janeiro de 2016

Alergia ao trigo

Cá em casa, já desconfiávamos que a bebé era alérgica ao trigo... Os testes vieram confirmá-lo.


Pouco tempo depois de ter feito seis meses, ao oferecer-lhe um pedaço de pão para morder, apercebi-me de umas manchinhas vermelhas em torno da boca. Não liguei muito, pois pensei que se tivesse arranhado com a côdea. Nessa época, ela não se mostrava minimamente interessada nos alimentos sólidos, mas revelou de imediato grande motivação para experimentar o pão, pelo que fiquei toda entusiasmada e nem me passou pela cabeça que essas manchas fossem algum tipo de reação.

Contudo, à terceira ou quarta vez em que lhe oferecemos pão, a minha atenção foi despertada. Isto porque as manchinhas apareceram uns cinco minutos depois de ela ter largado o pão e eu, que tinha estado a observá-la, sabia que não se tinha arranhado. Constatei também que tinha algumas manchas no peito e barriga.
Ao ligar para a Saúde 24, depois de me colocarem uma série de questões, encaminharam-me para as urgências do hospital.
Entre o tempo de deslocação e de espera no hospital, passou-se mais de uma hora e, quando ela foi atendida, as manchas já tinham desaparecido. Tinha tirado fotos que mostrei à médica...
Perguntei se poderia ser uma reação ao glúten, mas a médica era da opinião que não, pois os sintomas desta intolerância estão mais frequentemente associados a questões intestinais.
Aconselhou-nos a marcar consulta de imunoalergologia e assim o fizemos. Mas, mesmo num hospital privado, só consegui consulta para mais de três meses depois!

Entretanto, com a diversificação alimentar, comecei a inserir as papas na sua alimentação.
Sempre fiz todas as papas em casa, pelo que sei os ingredientes que as compõem...
E foi num dia em que fiz papa de trigo espelta com sêmola de milho que a reação cutânea voltou a ocorrer. Fiquei alerta, mas sem perceber qual dos ingredientes fora o causador, até porque já tinha usado ambos noutras papas (provavelmente em menor quantidade) sem me ter apercebido de nada!
Nos dias seguintes, fiz novas papas, usando estas farinhas em separado e verifiquei que era o trigo o causador das manchas.

No mês passado, fomos finalmente à consulta de imunoalergologia.
Fizeram-lhe os testes habituais, com umas pequenas picadas em ambos os braços e um quarto de hora à espera que as substâncias reagissem. Após 15 minutos a andar com ela, segurando-lhe as mãos de braços esticados, para um lado e para o outro do consultório (felizmente andava toda entusiasmada a querer dar os primeiros passos!), consegui fazer com que tolerasse todo esse tempo sem tocar nas tais substâncias. É claro que sai de lá com uma enorme dor de costas!
Como já esperava, fez uma reação grande ao trigo, mas também de forma mais ligeira ao glúten, à gema e à clara de ovo. A médica aconselhou-me a excluir totalmente o glúten da sua alimentação, para ver se o organismo se "esquece" e deixa de reagir perante a sua presença. Quanto ao ovo, aconselhou-me a fazer a sua introdução gradual, primeiro da gema e depois da clara, como já são as diretrizes dadas a todos os bebés, pois ao ano levará a vacina do sarampo, que pode provocar reações aos bebés alérgicos a este alimento.

Entretanto fez também análises ao sangue e à urina, o que é algo extremamente difícil de se conseguir com uma bebé pequena.
Sofri imenso ao ver como chorava e se contorcia de dores, enquanto a enfermeira lhe espetava a agulha no braço e escarafunchava à procura da veia. E mais sofri ao aperceber-me de que aquele momento seria mais demorado do que eu imaginara, pois para aquela panóplia de exames eram necessárias três seringas cheias!
Depois foram mais quase duas horas na sala de espera do hospital, até que se decidisse a fazer xixi, para o saquinho que trazia colado à pele, por baixo da fralda. Devia estar tão aterrorizada com o que lhe tinham feito que nem xixi fazia! Só quando nos lembrámos de lhe molhar as mãos com água corrente se resolveu!

Na passada semana, tivemos novamente consulta de imunoalergologia.
Os resultados das análises ao sangue não acusam nada. Segundo nos explicou a médica, os testes feitos com as picadas na pele são mais sensíveis, daí ela ter feito as referidas reações. O facto de não se detetar nada nos testes sanguíneos é um bom sinal... É possível que deixe de fazer alergia com o passar do tempo. A evicção total de produtos com trigo e glúten é fundamental para o sucesso deste processo.
Voltaremos a meio deste novo ano, para fazer novos testes e na esperança de que tudo esteja ultrapassado. Até lá, nada de trigo ou glúten!

domingo, 27 de dezembro de 2015

Papas caseiras - Parte 2

Cá em casa, continuamos a apostar na confeção de papas caseiras.

Confesso que, sem a Bimby, não seria tão fácil levar avante esta decisão de dar à nossa bebé uma alimentação mais saudável, sem açúcar, sal e outros aditivos, presentes nas papas industriais. Mas foi maioritariamente a pensar nela que decidimos fazer este (grande!) investimento quando nasceu. E só pela utilização quase diária que dou à Bimby devido às papas, já sinto que compensa.

Hoje partilho mais algumas receitas de papas que a bebé tem comido. Normalmente, cada receita dá para duas doses, pelo que num dia come a papa ainda morna e a restante guardo no frigorífico para o dia seguinte. Ela gosta igualmente de a comer assim fresca.

Tivemos de eliminar o trigo da sua alimentação, pois descobrimos que fazia uma reação alérgica cutânea sempre que o consumia. O mesmo aconteceu com o glúten.


Papa de arroz, pera e dióspiro (sem glúten)

  • 4 colheres de sopa de arroz integral
  • 210 g de água
  • 1 pera
  • 1/2 dióspiro
Colocar o arroz no copo e pulverizar 20 seg / vel 9.
Juntar os restantes ingredientes e cozinhá-los 16 min / 90° / colher inversa.
Triturar 30 seg / vel 3, 5 , 7.
 
Papa de quinoa, alfarroba e maçã reineta (sem glúten)

  • 2 colheres de sopa de farinha de quinoa
  • 2 colheres de sopa de farinha de alfarroba
  • 200 g de água
  • 1 maçã reineta
Cozinhar todos os ingredientes 16 min / 90° / colher inversa.
Triturar 30 seg / vel 3, 5 , 7.


 
 
Papa de farinha 3 ÁS * com pera e maçã (sem glúten)

  • 4 colheres de sopa de farinha 3 ÁS
  • 200 g de água
  • 1 maçã
  • 1 pera
Cozinhar todos os ingredientes 16 min / 90° / colher inversa.
Triturar 30 seg / vel 3, 5 , 7.

* farinha de arroz, alfarroba e araruta (comprei no Celeiro)

Atualmente, após sugestão de uma leitora, cozinho as papas todas a 8 min / 90 ° / colher inversa. Fiz esta alteração porque percebi que este tempo de cozedura é suficiente para dar a consistência necessária às papas.

sábado, 10 de outubro de 2015

A nossa bebé come que dá gosto!

Cá em casa, temos uma bebé que come muito bem!

Contudo, quem nos tem seguido e leu o que escrevi, quando iniciei a alimentação complementar aos seis meses em BLW, e ao fim de um mês de avanços e recuos, sabe que nem sempre assim foi...
De facto, a nossa bebé começou por não revelar qualquer interesse pela comida, nem em experimentar novos sabores... Fomos alternando entre diferentes estratégias relativamente à forma como lhe disponibilizávamos os alimentos, e tentámos não ficar ansiosos pelo facto de os recusar. Para isso, contribuiu de forma fulcral o facto de eu ter prolongado a minha licença, encontrando-me em casa, a acompanhar esta sua fase de transição alimentar a cem por cento e continuando a amamentá-la em livre demanda.
Apesar de quase não comer, como mamava bastante, a minha filha continuou a aumentar o peso de acordo com o esperado e eu sentia-me tranquila em relação ao facto de ela estar a receber todos os nutrientes de que necessitava.
Na verdade, mamou quase em exclusivo até aos sete meses e meio...

 
Entretanto, começou por aceitar algumas frutas, usando as suas mãos para as comer, ora com ora sem a nossa ajuda. A primeira vez que abriu a boca de forma voluntária para comer uma colherada foi igualmente com fruta, mas cozida. Depois começou a aceitar também as papas e só de seguida as sopas. Quando decidi introduzir carne na sopa, houve uma mudança positiva na sua aceitação. E de três ou quatro colheres passou a cinco ou seis, depois a sete ou oito e assim consecutivamente, sem pressas nem pressões, até ao ponto de comer um boião inteiro dos que uso para armazenar e congelar a sopa.
 
E o que come atualmente, com nove meses? Desisti do BLW?
Ao acordar, mama. Come papa caseira a meio da manhã. Ao almoço, sopa de legumes com carne, e fruta.  Mama novamente a meio da tarde uma ou duas vezes. Janta sopa de legumes com peixe, tendo fruta como sobremesa. Mama outra vez ao deitar e nas vezes em que acorda durante a noite.
Pode-se dizer que desisti do BLW, pois a oferta de alimentos inteiros para serem explorados por ela, apesar de não ter sido eliminada das nossas rotinas, passou a ter um lugar menor. De facto, apenas a fruta lhe é dada inteira e não toda. Manga, pêssego, ameixas, melão são alguns exemplos de frutas que ela gosta de comer sozinha. Para além disso, não come a nossa comida e nem sempre come ao mesmo tempo que nós (ela quer jantar antes das sete da tarde!).
No entanto, é ela que decide quando quer comer e em que quantidade. Ninguém a força quando se mostra satisfeita, nem são usados distratores durante as refeições. Os alimentos não são demasiado triturados e alguns são apenas grosseiramente esmagados (não esquecendo os que lhe são dados inteiros), pelo que a sua capacidade de mastigação continua a ser treinada. Também procuro que conheça o sabor dos alimentos individualmente, pelo que quando introduzi o peixe, por exemplo, dei-lho a provar antes de o inserir na sopa (sendo que não se fez rogada!)...


Quando começar a comer um segundo prato, talvez volte a disponibilizar-lhe mais alimentos inteiros...

Por agora, sinto-me satisfeita com a escolha que fizemos em relação à sua alimentação...
Aliás,  não foi sequer uma escolha! Foi uma adaptação aos seus comportamentos, uma experimentação e uma aprendizagem diárias.
E que resultou (até ver!) numa bebé feliz à mesa! Uma bebé que prova tudo o que lhe damos sem receio e que aprecia todos os alimentos que já conhece sem exceção!

É por isto que defendo que todas as mães deveriam ter a oportunidade de acompanhar os seus bebés neste processo, como eu o fiz. A licença de maternidade não só deveria estender-se até aos seis meses, para que os bebés pudessem mamar em exclusivo até essa altura, como é preconizado pela Organização Mundial de Saúde, mas também alargar-se para além disso, permitindo que a introdução dos alimentos sólidos fosse vivida com serenidade e sem pressas, independentemente do método utilizado!

Se clicar nos links seguintes, terei um pequeno ganho sem nenhum custo adicional para si. Desde já, agradeço!
 

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Papas caseiras - Parte 1

Cá em casa, oferecemos papas caseiras à bebé.
Ultimamente são cada vez mais os alertas dados quanto aos malefícios do consumo de açúcar, em especial por parte das crianças. Contudo e surpreendentemente, muitos dos produtos comercializados como sendo adequados para esta faixa etária continuam a incluir açúcar na sua composição. É o caso das papas!
Algumas incluem também sal. No entanto, os rins dos bebés não estão ainda suficientemente desenvolvidos para conseguirem fazer a sua correta filtragem...
Por isso, porque acredito que quanto menos produtos processados a minha bebé consumir melhor, e porque preparar uma papa em casa é mais fácil do que parece à primeira vista, tomei esta decisão!

Introduzi as papas depois dos sete meses, um pouco mais tarde do que o aconselhado pelos médicos, porque queria que a minha filha se habituasse primeiro ao sabor das sopas e dos diversos vegetais e  isso parecia nunca mais acontecer... Como tal tendia a demorar, dadas as dificuldades que já relatei, acabei por decidir dar-lhe papa antes mesmo de ela revelar algum prazer em consumir os referidos alimentos.

Nessa altura, ao fazer as minhas pesquisas, aprendi que era importante que as crianças tivessem contacto com alimentos contendo glúten antes dos sete meses (e depois dos três). Se isso não acontecer (se existir uma predisposição para tal), há uma maior probabilidade de poderem desenvolver a doença celíaca.
A doença celíaca é uma doença auto-imune que se caracteriza por uma intolerância ao glúten. Ao ser consumido, o sistema imunológico é ativado, atacando o intestino delgado. Este fica com lesões que não permitem que seja feita uma correta absorção dos nutrientes.
A minha bebé estava com sete meses e meio, quando soube disto. Por isso, apressei-me a fazer a passagem das papas sem glúten para as com glúten.
Até agora, nenhuma reação negativa! Contudo, os primeiros sinais da doença podem aparecer até aos vinte meses. Há que estar atento a diarreia, barriga inchada, perda de apetite e de peso e irritabilidade, pois são estes os principais sintomas.
Partilho então algumas papas que a bebé já experimentou. Fiz todas elas usando a Bimby, mas podem ser cozinhadas de forma tradicional.

Papa de alfarroba, quinoa e pera (sem glúten)
  • 1 colher de sopa de farinha de alfarroba
  • 1 colher de sopa de quinoa
  • 1 pera
  • 120 g de água


Cozinhar todos os ingredientes 8 min / 90° / vel 1.
Triturar 30 seg / vel 3, 5 , 7.


Esta papa foi a primeira que fiz e teve muito boa aceitação por parte da bebé. Eu, que nunca fui grande fã de papas, também gostei. Penso que, até no caso de crianças mais velhas, pode ser servida como uma sobremesa saudável, pois o seu aspeto é muito semelhante ao de uma mousse de chocolate e o seu sabor é muito adocicado.

Papa de arroz branco, pera e pêssego (sem glúten)
  • 2 colheres (sopa) de arroz branco
  • 1 pera
  • 1/2 pêssego
  • 150 g de água

Pulverizar o arroz 15 s / vel 9.
Juntar a pera e a água, e cozinhar 8 min / 90° / vel 1.
Adicionar o pêssego.
Triturar 30 seg / vel 3, 5 , 7.
Apesar de ter triturado os grãos de arroz, para fazer farinha, houve um ou outro que escapou e ficou maior. Por isso, em algumas colheradas, foi acionando o reflexo gag e, julgo que por esse motivo, ela não gostou tanto desta papa como da anterior.
Mas foi só no primeiro dia, pois já a fiz novamente e ela não se fez rogada!

Papa de aveia, abóbora e pêssego (com glúten)
  • 2 colheres (sopa) de flocos de aveia
  • 125 g de abóbora
  • 1 pêssego
  • 120 g de água

Colocar a água e a abóbora no copo e cozinhar 6 min / 100° / vel 1.
Juntar a aveia e cozinhar mais 8 min / 90° / vel 1.
Adicionar o pêssego.
Triturar 30 seg / vel 3, 5 , 7.

Acabada de regressar a casa de férias, queria fazer uma papa com glúten, para a minha bebé provar. Pensei usar maçã, mas a única fruta que tinha era pêssego. No frigorífico, encontrei um resto de abóbora e decidi arriscar. Quem diria que pela primeira vez a bebé iria comer mais de sete colheres? Surpreendentemente, a tigela ficou vazia! No dia seguinte, comeu outra porção semelhante (tenho dividido a quantidade de cada receita em duas doses, porque ela ainda come muito pouco), desta vez fria, com igual entusiasmo!

E eu também ando entusiasmada com as papas! Tenho percebido que não há limites à criação... Basta pôr a imaginação a funcionar e mãos à obra! Hei de partilhar mais receitas...

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Baby-Led Weaning e Introdução Alimentar Tradicional - avanços e recuos

Cá em casa, não tem sido fácil a introdução de alimentos sólidos.

Quem acompanhou esta publicação, sabe que tínhamos decidido fazer esta iniciação seguindo o método Baby-Led Weaning, mas que fomos surpreendidos pela falta de interesse da nossa bebé em explorar os alimentos...

O que nos motivou a experimentar este método foi o facto de tanto eu como o pai (tal como grande parte das pessoas!) termos tido grandes lutas às refeições, quando éramos crianças. Lembro-me de ficar tempos sem fim em frente ao prato, no refeitório vazio da escola, enquanto os meus amigos brincavam no pátio. Contam-me que tirei o pio a um canário por bater na gaiola, enquanto a minha avó tentava distrair-me para que comesse um pouco mais. E hoje sou uma pessoa gulosa, que na maior parte das vezes come para além daquilo que precisa efetivamente. No que toca ao pai, não come muito, mas come com pouca qualidade e tem muita dificuldade em aceitar novos sabores.

No Baby-Led Weaning, a criança come sozinha. Assim sendo, habitua-se desde sempre a comer quando tem fome e parar quando está saciada, sendo menos provável que, mais tarde, venha a sofrer de distúrbios alimentares.
As lutas às refeições também deixam de existir, bem como a necessidade de entreter a criança com aviõezinhos ou com desenhos animados. Ninguém vai dar-lhe comida diretamente e muito menos obrigá-la a comer, por isso estas situações deixam de acontecer.
A criança aprende ainda a distinguir o sabor de cada um dos alimentos e desenvolve um paladar mais abrangente. Sabe também que se não gostar de algum alimento, não tem de o comer. Deste modo, mostra maior predisposição para provar novos alimentos ao longo da vida.


Mas as vantagens não ficariam por aqui.
Rapidamente o bebé passa a comer o mesmo que toda a família (sem ser necessário preparar refeições especiais para ele).
O facto de ser o bebé a conduzir a comida à sua boca ajuda ao desenvolvimento da coordenação motora olho-mão.
Como os alimentos não são triturados, também a capacidade de mastigação é desde cedo trabalhada, com repercussões positivas no desenvolvimento da fala.

A maior vantagem, contudo, seria a passagem de um tipo de alimentação para outro, de forma natural, sem traumas associados, mas sim com a alegria e o entusiasmo que caracterizam todos os processos de aprendizagem vividos pelo bebé.

Contudo, a nossa bebé mostrou ser uma bebé atípica! Embora seja muito atenta a tudo o que a rodeia, revele curiosidade e mostre interesse em explorar tudo aquilo com que contacta, os alimentos mostraram ser uma exceção. Depois de os colocar na boca uma primeira vez, a alegria desvanecia-se... Ao fim de alguns dias nisto, o entusiasmo esfumava-se de tal forma, que fazia de conta que nem estava a ver os alimentos em cima do tabuleiro!
Provavelmente não estava ainda preparada para iniciar a alimentação complementar... Mas só tínhamos até ao início de setembro para fazer esta transição (mesmo assim mais tempo do que a maioria dos casos), altura em que regresso ao trabalho.

Numa tentativa de perceber o que se adaptava melhor a ela, fomos alternando entre disponibilizar-lhe os alimentos, tentar dar-lhe sopa à colher e deixá-la explorar a sopa com a colher e com as mãos.

Se de início a banana até lhe suscitou um ligeiro interesse, ao fim de uns dias nem olhava para ela, quanto mais segurá-la! O mesmo aconteceu com a cenoura, na qual se recusa a pegar. Quanto aos brócolos e à couve-flor, por exemplo, desfá-los completamente com as mãos mas não chega a prová-los.
Se num dia ou outro até permitia que lhe colocássemos duas colherzinhas de sopa na boca, no dia seguinte começava a chorar ao fim da primeira tentativa e nós não insistíamos...
Se, nas primeiras vezes em que a deixámos brincar com a colher e com a tigela, ainda comia alguma sopa, passado pouco tempo, começou a atirar as colheres para o chão, mexendo na sopa com as mãos, mas nunca as levando à boca.


Quase um mês depois, estava a ficar verdadeiramente desanimada... Nada estava a resultar! E o que parecia que até tinha resultado ligeiramente num dia rapidamente deixava de ser eficaz!
Mantive sempre a calma exterior em todas as refeições falhadas, mas confesso que interiormente estava a começar a sentir-me desgastada e um pouco perdida.
Deveria obrigá-la a comer? Não acreditava que tal fosse a decisão acertada... Mas se ela também não pegava nos alimentos sozinha, que outras opções existiam?

Ao longo deste tempo e das referidas tentativas, acabei por utilizar à experiências um utensílio, que me foi oferecido por um amigo, quando a bebé nasceu. Chama-se ClevaFeed e é uma espécie de chucha, mas como uma tetina de silicone um pouco maior, perfurada e em cujo interior se colocam os alimentos. À medida que o bebé vai chupando, pedaços dos alimentos vão sendo libertados, passando por esses pequenos furos.


A primeira vez que o usei, disponibilizara um pedaço de pêssego à minha bebé e, assim que ela lhe tocara com os dedos, tinha o ignorado completamente. Então coloquei o mesmo pedaço no ClevaFeed e ela sugou-o com gosto.
Fiquei com a ideia de que, apesar de gostar do sabor, não gostava de sentir sua a textura. Mais tarde, ao vê-la desfazer outros pedaços pêssego com as mãos, percebi que afinal o que ela não queria era despender esforço a agarrar aquela coisa escorregadia!

Tenho feito esta experiência uma ou outra vez, para perceber se ela gosta dos alimentos (e para que ela também o descubra). Contudo, não quero que este instrumento esteja presente em todas as refeições, porque não é um objeto que nós adultos usemos, como a colher ou o garfo, e que ela tenha de aprender a manipular. Para além disso, no caso de alimentos mais fibrosos como é o pêssego, ela só consegue obter o sumo, pois a polpa fica no interior da tetina.

Em alternativa, quando vejo que se desinteressa dos alimentos porque tem dificuldade em segurá-los, agarro-os eu, ela coloca as mãos em volta e aproxima-os da boca a seu gosto.


Neste momento, passou mais de um mês e meio e ela vai petiscando, com as suas mãos, pêssego, melão, melancia, pera, ameixas, abrunhos...
Estava muito recetiva ao pão, mas fez uma reação alérgica e vamos ter de esperar pela consulta de alergologia para o poder voltar a comer.
Também revelou gostar de frango. Há dias, ficou cerca de um quarto de hora com um pedaço na boca! Tanta volta deu que conseguiu desfazê-lo e engoli-lo!

E, surpreendentemente, na semana passada, abriu pela primeira vez a boca com gosto para comer uma colherada de pera cozida! Depois disso, já o fez para comer maçã cozida, pêssego esmagado, papas... Enfim, tudo o que seja doce!


Neste momento faz-me sentido que também coma alguma sopa. Será a avó quem ficará com ela durante o dia, quando eu regressar ao trabalho, e sei que não está muito à vontade para a deixar comer os alimentos inteiros. Para além disso, sem que eu esteja presente para que possa mamar, acredito que a quantidade de alimentos ingerida em BLW não seja suficiente. E como apenas petisca frutas e carne, recusando os legumes inteiros, esta é a forma que encontro de os ir incluindo na sua alimentação.
Assim, tenho lhe dado sopa à colher alternada com fruta, ou misturando as duas na mesma colher. Faz umas caretas, mas vai engolindo... Não vai muito além das seis ou sete colheres (pequeninas!), mas já é um grande progresso!

Que aprendizagens retiro de tudo isto?
Que mais importante do que escolher um método de introdução alimentar, há que iniciar esse processo tranquilamente e ciente de que é possível que nem tudo corra bem à primeira. O mais provável é que seja um longo percurso, cheio de avanços e recuos.
Há que vivenciar os momentos de desinteresse ou recusa do bebé em relação aos novos alimentos de forma paciente, mas não deixando de insistir e acreditando que, mais cedo ou mais tarde, ele há de dar sinais de interesse e aceitação relativamente a algo.
Também acho que não há nada de errado em ir experimentando diferentes formas de dar comida ao bebé, mesmo que em algumas ele tenha um papel mais passivo, ou que difiram um pouco do modo como esse alimento é habitualmente consumido. Para além disso, comidas trituradas fazem tanto parte da nossa dieta alimentar como alimentos inteiros, pelo que não vejo necessidade de excluir totalmente sopas e papas deste processo.

Cá em casa, não estamos portanto a seguir de forma pura o Baby-Led Weaning, embora continuemos a acreditar nos seus benefícios. Em vez disso, estamos a ler os sinais que a nossa bebé nos vai dando diariamente e a articulá-los com aquilo que nós vamos sentindo.
Caramba! Apesar das evidências, nunca me tinha apercebido de que alimentar alguém está de facto  impregnado de uma grande carga sentimental... Não admira que as avós queiram sempre que comamos só mais um bocadinho!

 
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