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sábado, 24 de março de 2018

Diário de uma Mãe a Tempo Inteiro - Dia 6

DIA 6 - SEXTA-FEIRA


Hoje começámos o dia a brincar aos médicos ainda na cama! O Damião teve tratamento completo, desde auscultação, a medição da tensão, xarope, penso, verificação da febre e injeção!
Viemos depois para a sala, tomar o pequeno-almoço.
A Elisa ficou a ver os seus desenhos - uns episódios de Daniel Tigre -, enquanto eu tomei o meu banho, com o Damião no carrinho fazendo de espectador. Quem é mãe sabe que até tomar banho não é tarefa fácil!
Hoje tivemos de nos despachar para sair, pois fomos à escola onde trabalho, matricular a Elisa. Ela começará a frequentá-la já no próximo mês, aquando do meu regresso. Ainda andámos mais de meia hora de carro, o que deu para muitas conversas. Ela queria perceber o que era a Páscoa, e quem tinha sido Jesus, e porque o mataram e quem o matou... Enfim, uma pergunta atrás da outra!
Lá na escola, foi uma animação, teve conversa e brincadeira para toda a gente! Vimos feijões a germinar, na sala de uma colega minha. Então, como também andamos de volta das sementes, decidimos que vamos fazer a mesma experiência cá em casa (depois partilho...). A dada altura, decidiu que queria "ler-nos" um livro e foi procurar na biblioteca dessa sala. A escolha dos livros é que não foi a mais favorável, digamos assim... Começou por uma enciclopédia, passou por um livro pop-up meio destruído e terminou num livrinho de banda desenhada. Não existiriam por lá contos de fadas comuns?! A minha colega deu-lhe uma folha com um ovo da Páscoa, igual aos que os meninos mais crescidos tinham colorido e exposto na parede, que ela começou a pintar na sala e trouxe para casa para concluir.
Depois, fomos buscar a minha mãe ao trabalho e viemos para casa almoçar.
A seguir, fiquei a arrumar a loiça do almoço e a avó foi com os netos para o quarto, mudar a fralda ao Damião e ver como a Elisa já consegue lavar muito bem os dentes sozinha.
A Elisa quis fazer um jogo das bruxas comigo e com a avó e, de seguida, contei-lhe Os Sete Cabritinhos e ela foi dormir.
O Damião ficou a brincar no seu cantinho, muito independente e satisfeito, durante bastante tempo. Depois dormiu um bocadinho.
Eu andei a aspirar e, como é frequente, a avó ajudou-me bastante nas limpezas.
Quando a Elisa acordou, fez sumo das laranjas do nosso quintal e comeu tostas com manteiga.
De seguida, ilustrou um postal para a prima, que hoje fez 19 anos, e eu escrevi uma dedicatória no interior do mesmo. 
O pai entretanto chegou e nós saímos. A prima ainda mora longe e havia jantar lá em casa.
Foi uma noite muito animada, pois para além da família, estava presente uma amiga de infância, que eu não via desde essa altura. Coincidentemente também foi mãe de um menino há uns meses, pelo que encontrámos muito em comum e conversámos imenso a noite toda! Foi muito giro! A Elisa recebeu muitas cartas de dinossauros e um brinquedo parecido ao Lego, que é um unicórnio com uma fada. Ela e o irmão andaram entretidos, recebendo atenção e fazendo as delícias de toda a gente.
Tal como faço sempre que juntamos fora, em casa de familiares, levei os pijamas da Elisa e do Damião. Assim, quando regressámos a casa, já vinham a dormir e não tiveram que despertar... Apenas os transferimos do carro para a cama.
Eu vim escrever o diário... Tem sido muito positivo fazer esta revisão dos meus dias!

terça-feira, 20 de março de 2018

Diário de uma Mãe a Tempo Inteiro - Dia 2

DIA 2 - SEGUNDA-FEIRA


O pai hoje foi trabalhar e por isso foi o primeiro a levantar-se. O Damião contudo já estava inquieto, mas puxei-o para a minha cama, dei-lhe maminha e adormecemos os dois novamente. Passado um bocado, acordei com a Elisa a sair da sua cama e a passar por cima de mim, para se ir deitar  junto ao irmão. Ele também acordou e ficámos ali a despertar e a trocar mimos. A Elisa percebeu pelos barulhos que o pai ainda estava em casa, foi dar-lhe os bons dias e pedir-lhe bolachinhas. Depois voltou e eu perguntei-lhe se lhe tinha desejado um feliz Dia do Pai. Não tinha e, por isso, foi lá dar-lhe um abraço e repetir tipo papagaia o que eu tinha dito.Voltou para a cama e entretanto o pai veio despedir-se de nós e saiu.
Reparei que o Damião estava molhado de xixi. Então, fui ao quarto deles buscar roupa para ambos, vesti-o e ajudei-a no que precisou.
Viemos para a sala e sentei-o no seu cantinho. Hoje, a Elisa optou por ficar a brincar com o irmão, enquanto eu preparava o nosso pequeno-almoço. Tem um livro com músicas de Mozart, que ia pondo a tocar, à medida que inventava histórias de acordo com as ilustrações de cada página.
Comemos o nosso iogurte com manga e cereais, enquanto o Damião, sentado na sua cadeira da papa, nos observava e mordiscava uma daquelas pegas de silicone em forma de luva. Descobri que gosta muito mais dela do que de qualquer mordedor!
A Elisa quis, como habitual, ver os seus desenhos animados. Hoje escolheu ver quatro episódios de "Festa das Palavras".
O Damião quis mamar e acabou por adormecer. Decidi levá-lo para o quarto, mas ele acordou quase de seguida. Fui ter com ele e quis morder o meu dedo. Então, percebi que já tem o segundo dente a romper. A Elisa apareceu entretanto e começou a mostrar a sua dentadura. Decidimos contar os seus dentes: 20!
De novo na sala, sugeri-lhe que fizesse um desenho numa folha para embrulharmos a prenda do pai. Achei interessante observá-la a contar os lápis de cera. Agora conta tudo e mais alguma coisa e já o faz com correção até ao 10. 
Fiquei a brincar com o Damião, mas ele estava rabugento porque tinha dormido pouco. A Elisa acabou o desenho e quis brincar comigo ao faz-de-conta. Ainda fomos sereias por um bocadinho, mas cansei-me e perguntei-lhe se gostaria que lhe lesse algum livro. Foi buscar um da lebre e da tartaruga e sentámo-nos os três no sofá.
Depois, decidi embalar o Damião no carrinho, porque ele continuava a mostrar sinais de sono. Em simultâneo, fui pondo a loiça do pequeno-almoço numa máquina e roupa a lavar na outra.A Elisa andava só atrás de nós, até que disse que estava aflita para fazer xixi e correu para a casa de banho. Como demorava a regressar, fui ver o que se passava. Estava no quarto a mudar de cuecas, pois diz que ficaram um bocadinho molhadas. O que vale é que é independente! 
Quando o Damião adormeceu finalmente, eu e ela fomos ver como tinham ficado, após secar, as molduras que fizemos para os nossos pais. Já as fizemos na semana passada, mas guardámo-las para que fossem surpresa. Tinham ambas uns pauzinhos descolados e estive a pôr cola nesses locais. Não pudemos, portanto, pôr as fotografias nem embrulhá-las, tarefa que ficou para a tarde.
De seguida, aspirei a sala e a cozinha. A Elisa foi buscar a bicicleta e começou a andar pela casa, insistindo em passar sempre no sítio onde eu estava com o aspirador. Estive com as palavras na ponta da língua, para lhe chamar à atenção de como me estava a incomodar, mas depois percebi que a piada de andar bicicleta era exatamente a de me ter como obstáculo. Sorri para mim mesma e continuei a desviar-me a cada uma das suas passagens.
Quando terminei a minha tarefa, perguntei-lhe se queria jogar comigo a alguma coisa. Escolheu o jogo de cartas das bruxas (do qual hei de falar noutro texto). Comecei a achar estranho encontrar tantas cartas iguais de seguida, até que ela me explicou que tinha estado a organizar o baralho dessa forma propositadamente. Ri-me e disse-lhe que a ideia nos jogos de cartas é exatamente a contrária. Ganhou esse jogo e ainda fizemos outro (com as cartas bem baralhadas!) a seguir.
Depois falei ao telefone com a minha amiga Sara. Como o Quico fez anos ontem e hoje fez a festa na creche, convidou-nos para irmos lá cantar os parabéns.
Dado que queríamos despachar-nos cedo, achei melhor ir tratar do almoço. A Elisa quis ajudar-me a pôr as conchas de sopa nas tigelas e a carregar no botão do microondas. Para o segundo prato, fiz salada e aqueci restos que tinha no frigorífico (normalmente é assim que faço ao almoço).
Achei que o Damião já estava a dormir há algum tempo e resolvi ir espreitá-lo pé ante pé... Disparate o meu! Acordou passados uns segundos! Trouxe-o para junto de nós e, assim que acabei de comer, aqueci também a sua sopa e dei-lha. A Elisa quis comer tangerinas da nossa árvore como sobremesa.
Depois, pedi-lhe que fosse lavar os dentes e fazer xixi, que eu já ia ter com ela ao meu quarto.
Com ela já aconchegada na minha cama, contei-lhe a história do Gato das Botas. Foi a primeira vez, pelo que ainda tenho de melhorar alguns pormenores, mas ela disse que gostou. Dei-lhe um beijo e vim com o irmão para a sala.
Ele ficou entretido com os seus brinquedos bastante tempo e eu aproveitei para começar a escrever o diário e tratar de alguns assuntos meus. Quando percebi que ele estava cansado, peguei-o ao colo, dei-lhe maminha e ele deixou-se dormir assim. Ficámos assim até a Elisa acordar e aí coloquei-o no carrinho e começámos a despachar-nos para ir ter com os nossos amigos.
Por sorte, apesar de ter amanhecido a chover, nesse momento estava muito sol!
A viagem até à creche ainda demorou uns 20 minutos de carro. A Elisa pediu-me que cantasse algumas canções, hábito este já antigo quando viajamos... Cantámos Linda Falua, Era Uma Vez um Cavalo, As Pombinhas da Catrina, entre outras.
Ao chegarmos, esperei pela minha amiga e entrámos juntas. A Elisa foi ter com os meninos e eu fiquei com o Damião a ajudar a Sara a fazer os saquinhos com doces para os colegas do filho. Depois fomos também para o refeitório, cantar os parabéns e comer o bolo. O Quico parecia muito feliz e satisfeito com os dinossauros do seu bolo!
Ainda fomos ao parque e um pouco a casa deles. A Elisa e o Quico ficaram na sala a brincar e a ver desenhos animados, enquanto eu e a Sara ficámos na cozinha a pôr a conversa em dia.
Regressámos a casa, mas demorámos mais do que me apetecia, por causa do trânsito. O Damião adormeceu e a Elisa só dizia que não queria ir para casa. Anda numa fase em que nunca se quer vir embora... Então, viemos numa longa conversa, onde mais uma vez lhe expliquei que era normal que ela não quisesse que um momento que está a ser bom terminasse, mas que todos os acontecimentos têm um princípio e um fim, que o que podemos fazer é repeti-los na maioria dos casos. E que provavelmente iríamos estar com o Quico outra vez brevemente! Só sossegou quando a lembrei de que, ao chegar a casa, poderia embrulhar a prenda do pai. Aí rematou com "Acho que é uma boa ideia!" (parecia que me estava a ouvir!) e acabou a conversa.
Depois de ter o embrulho feito, pedi-lhe que fosse brincar com as suas coisas e deixasse o irmão sossegado a brincar com as dele, enquanto eu arrumava a cozinha e punha a roupa na máquina de secar. Parecia que lhe tinha dito exatamente o contrário pois, numa histeria enorme, começou a correr em direção a ele e para o lado contrário vezes sem conta, espalhou os brinquedos todos no chão à volta dele, e começou a aproximar e a afastar umas peças de borracha da cara dele, a tal ponto que ele começou a chorar. Estava a sentir um crescendo de irritação em mim e, nesse instante, explodi e zanguei-me com ela. Mandei-a arrumar todos os brinquedos e ir brincar com as suas coisas. Devia estar mesmo zangada, porque ela nem argumentou, arrumou tudo e foi fazer um desenho.
Quando o pai chegou, ela deu-lhe a prenda toda orgulhosa.
Jantámos e fui deitar o Damião. Ela ficou a brincar com o pai na sala. Quando voltei, li-lhe um pouco de um livro de princesas, jogámos ao tal jogo de cartas com o pai e ainda fomos ao canal de YouTube, que referi ontem, ler alguns livros em inglês.
O Damião choramingou e fui ter com ele ao quarto. O pai foi deitar a Elisa.
Vim arrumar a cozinha e acabar o diário. Vou deitar-me de seguida...

segunda-feira, 19 de março de 2018

Diário de uma Mãe a Tempo Inteiro - Dia 1

Nos últimos dias, tenho seguido curiosa e entusiasticamente alguns diários de famílias que praticam Ensino Doméstico, num grupo do Facebook de que faço parte. Tenho refletido e saído enriquecida destas leituras, ainda mais consciente do que quero construir com a minha família...
Então, fiquei cheia de vontade de registar e partilhar também com o mundo como é o dia-a-dia cá em casa! Vou fazê-lo ao longo de uma semana.
Estou quase há um ano como mãe a tempo inteiro e (infelizmente) falta pouco mais de um mês para que regresse ao trabalho. Estes tempos têm sido verdadeiramente maravilhosos, no que toca à ligação afetiva com os meus filhos, presença e envolvimento total no seu desenvolvimento, e meu crescimento enquanto pessoa.
Penso que vou adorar reler estas memórias daqui a uns anos! E talvez assim consiga explicar, aos que frequentemente me perguntam como consigo estar com duas crianças em casa todos os dias, o quão encantador isso é!
Nas publicações anteriores do blogue, tenho optado por não referir o nome dos meus filhos, mas neste tipo de relato tal tornar-se-á difícil. Então decidi optar por pseudónimos. Ela será a Elisa e ele o Damião.

DIA 1 - DOMINGO




O Damião foi o primeiro a acordar. Ultimamente tem sido assim. Puxei-o para a minha cama, dei-lhe maminha e ficámos nos mimos, mas como não parava de emitir sons, cheio de energia para o novo dia, a mana acabou por acordar também. Ao fim de um bocado, saímos os três da cama e deixámos o pai a dormir mais um tempo.
Sentei o Damião no cantinho da sala com chão de borracha, onde brinca habitualmente, e a Elisa aproximou-se com uns livros que trouxe do seu quarto. Um deles era de animais selvagens e ela foi perguntando onde vivia cada um deles.
De seguida, vim para a cozinha preparar o meu pequeno almoço e da Elisa. Gostamos de comer fruta com iogurte e cereais e hoje não foi exceção. A Elisa queria ajudar-me, pois é frequente ajudar-me a cortar a fruta em pedaços, mas a cozinha estava uma enorme desarrumação, já que ontem jantámos muito tarde e tanto eu como o pai não tivemos vontade de arrumar nada. Então, disse-lhe que não e expliquei porquê. Começou a argumentar a seu favor e pensei que, tal como tem acontecido nos últimos dias, íamos entrar numa discussão em que não aceita o que lhe digo, faz apenas o que lhe apetece, acabo por me zangar ou então ela começa a chorar. Mas não, continuou apenas a argumentar, dizendo que "é tão injusto" e que estava triste. Eu continuei a responder-lhe, dizendo que compreendia que se sentisse assim porque gosta muito de me ajudar, mas que ela também tinha de compreender que eu só podia deixá-la se as condições estivessem reunidas para tal, que injusto seria se eu nunca a deixasse colaborar comigo independentemente do estado em que estava a cozinha. E embora contrariada e cabisbaixa, aceitou a minha decisão e foi brincar com o mano. Senti-me feliz por ver aqui uma evolução no seu comportamento.
Durante a refeição, o Damião ficou a brincar sozinho no tapete e eu ia espreitando de vez em quando. É muito bom ver como explora autonomamente os brinquedos durante períodos de tempo consideráveis.
Depois, a Elisa pediu-me para ver desenhos animados. Temos esta regra de que vê desenhos animados uma vez por dia e ela normalmente opta por fazê-lo logo de manhã. Quis ver a Branca de Neve e encontrei uns desenhos dos anos 80 com vários contos tradicionais. Viu um episódio, mas como a história ficou a meio, combinei que veria o resto à tarde.
O Damião entretanto estava impaciente e choroso, penso que por causa de um dente que deve estar quase a romper. Não estava bem no colo, nem a brincar, mas também não queria dormir.
O pai levantou-se entretanto e depois de cuidar de si e do cão, começou a arrumar a cozinha.
A Elisa sentou-se na sua mesinha, de volta dos trabalhos manuais. Desde que fizemos o dinossauro com rolos de papel higiénico, tem feito várias colagens com outros rolos, pedaços de papel e cartões. Pinta com canetas, com lápis e diz que está a fazer as coisas para a festa.
Quando reparei, estava com as mãos todas riscadas de caneta e marcadores. Há dois ou três dias atrás, fez a mesma coisa. Achei graça, pois foi fazê-lo escondida debaixo da mesa, o que significa que tinha alguma noção de que não era uma ideia muito boa, mas não dei muita importância ao que se passara. Apenas lhe disse que lhe ia ser certamente difícil lavar as mãos e, quando foi lavá-las, acabei por a ajudar pois não conseguia sozinha. Fiquei surpreendida por hoje repetir a experiência. "Para quê?", perguntei. "Para ficar com as mãos mais bonitas.", explicou-me. Na verdade, gostos não se discutem e seu eu própria tenho tatuagens porque é que ela não pode usar uns gatafunhos nas mãos?! Fui ajudá-la a lavar novamente as mãos, estive a mostrar-lhe que temos poros para a pele respirar e que cobrir as mãos com tinta podia ser prejudicial e causar-lhe até algum tipo de reação alérgica... Vamos lá a ver se a minha explicação foi suficientemente dissuasiva...
De seguida, dei maminha ao Damião e ele acabou por adormecer. A Elisa veio sentar-se junto a mim e ficámos os três abraçados por um bocado. Depois, fui deitar o Damião na sua cama e regressei à sala, começando a dobrar roupa. Devo já avisar que esta é uma tarefa que me ocupa muito tempo cá em casa... Nem imagino como seria se a passasse a ferro!
A Elisa apareceu ao pé de mim com um pauzinho de madeira que tem atadas duas fitas compridas de tecido, e ficou a rodopiar durante um tempo incansável, a cantar, a cantar... Ia inventando canções que falavam de coisas da sua vida, como da amiga que esteve muito tempo sem ver mas que agora está presente novamente, ou de como deve fazer o que os pais dizem, ou de como fica com calor por andar à roda... Admito que já estava a ficar cansada de a ouvir e que me incomoda um pouco esta mania que tem de andar à roda, mas ao mesmo tempo estava a achar tão interessante aquela análise que ela estava a fazer de si própria, quase como se em transe, que fiquei apenas a observar (e a dobrar roupa!).
O Damião acordou entretanto e ficaram ambos com o pai, enquanto eu me sentei no sofá, aproveitando para fazer alguma divulgação do blogue. A Elisa mascarou o pai de fada e a si própria de princesa. De repente, dei por mim já no meio da brincadeira, sendo a mãe da princesa e tentando defendê-la dos poderes da fada.
Já estava a ficar com fome e fui para a cozinha, tratar da papa do Damião, aquecer sopa e fazer uns rissóis com arroz e espinafres para nós. A Elisa ajudou dando a papa ao mano e eu continuei de volta da comida. Quando ela se cansou, terminei eu a tarefa de dar a papa e depois sentámo-nos todos à mesa para comer.
A seguir ao almoço, fomos os quatro para a nossa cama, o pai numa ponta, a mãe noutra, e o Damião e a Elisa no meio. Trocamos mimos e eles foram acalmando. Ainda passei pelas brasas uns minutos, mas quando eu e o pai nos apercebemos de que eles estavam mesmo a dormir, saímos do quarto pé ante pé.
Aproveitei para começar a escrever o diário e o pai esteve a ver uma corrida de motas na televisão. Não passou nem meia hora até que o Damião acordasse, mas a Elisa voltou a adormecer e ficou a dormir durante bastante mais tempo. Eu e o pai fomos dividindo a atenção entre o bebé e algumas tarefas domésticas. Também estivemos os três na brincadeira e nos carinhos no sofá!
Quando a Elisa acordou, tínhamos colocado o irmão no carrinho e eu embalava-o na tentativa que adormecesse. Falámos acerca do que haveríamos de fazer em família e ela sugeriu que fizéssemos um vitral da família. Para contextualizar, há um episódio da Princesa Sofia, em que o rei oferece um vitral com a imagem da família à rainha, e eu creio que a sua ideia veio daí. Expliquei-lhe que não tinha em casa tintas próprias para pintar vidros, mas que poderíamos deixar esse projeto para outra altura e limitar-nos a pintar com aguarelas. Achou a ideia fantástica e preparou tudo no chão da sala - trouxe folhas, as aguarelas, três pincéis e até encheu um tacho de brincar com água, mas esse eu pedi-lhe para trocamos por um copo que me pareceu ter menos probabilidades de verter para o chão.
Já quase me esquecia que uns instantes antes do almoço, a Elisa se lembrou de encher esse mesmo tacho com água do biberão do mano e entornou imensa água no chão da sala. Não vi, porque andava ocupada, mas o pai zangou-se com ela. À mesa, falámos sobre isso e afinal ela "apenas" queria encher uns copinhos de borracha de um brinquedo do Damião "com chá para a festa".
O pai entretanto teve a ideia de fazer gambas no forno para o jantar. Andou a pesquisar receitas e depois saiu para comprar os ingredientes em falta.
Ambas sentimos fome e lanchámos.
Depois, ela quis ir brincar para o quintal. Vestiu uma camisola e calçou as galochas e saiu. Ficou muito tempo sozinha, a andar de baloiço, a cantarolar e a falar coisas que eu não conseguia ouvir, no seu mundo pessoal. Estava sol e parecia estar agradável na rua, mas eu aproveitei para dobrar mais alguma roupa e conversar um pouco com o pai, que entretanto regressara e estava a tratar da marinada. Dei também uma arrumação geral à casa...
A Elisa chateou o irmão, fez um puzzle de madeira e andou de bicicleta pela casa.
Mais tarde, vieram os avós paternos. A avó ficou a dar atenção ao Damião e o avô sentou-se com a neta a ver a segunda parte dos desenhos animados da Branca de Neve. No fim, jogaram todos a um jogo de cartas. Eu e o pai aproveitámos para começar a tratar das refeições. Fiz sopa para o Damião e, enquanto o pai lha dava, fui adiantando lulas para amanhã.
Optámos por dar banho aos miúdos antes do nosso jantar e os avós aproveitaram o momento para se despedir. Quando estava a secar o Damião, ele fez cocó na toalha (nunca tal tinha acontecido!)... Ainda estava a tentar perceber o que fazer, e começou a fazer xixi. Decididamente, voltou para a banheira!
Adormeceu facilmente a seguir.
Eu, a Elisa e o pai jantámos então.
Antes de ir dormir, a Elisa pediu-me para lhe mostrar no tablet alguns livros. Descobri há uns dias, um canal de YouTube que tem muitos livros infantis em inglês. Ela vai escutando as histórias e a minha tradução. Gostamos muito de "Because of an Acorn" e de "Bear and Hare - Where's Bear?", mas ainda só conhecemos alguns dos livros...
Normalmente é o pai que a deita, mas ela pediu-me para ser eu e assim foi. Tapei-a com o edredão, dei-lhe um beijinho e relembrei-a do quanto gosto dela. Fiquei no sofá do seu quarto à espera que adormecesse e depois vim para a sala terminar o diário. Até nos deitarmos, eu e o pai aproveitaremos este tempo para nós. Ele está a ver um documentário na televisão. Eu sou capaz de ir ler um pouco ou escrever...
Ups! O Damião está a chorar, está na hora da maminha!...

quinta-feira, 8 de março de 2018

Quarto familiar!

Cá em casa, temos um quarto familiar!
O que é isso?
É isso mesmo! Um quarto onde dorme toda a família!


A nossa filha dormiu no nosso quarto todas as noites até aos vinte e dois meses. Inicialmente num berço de grades que me emprestaram (se soubesse o que sei hoje teria investido logo num berço co-sleeping) e a partir dos 5 ou 6 meses na cama de grades, encostada à nossa cama (sem uma das grades), o que facilitou muito mais a amamentação, o contacto com ela e a troca de mimos.
Depois, o avô fez-lhe uma cama aos estilo Montessori, rente ao chão, que lhe permitia entrar e sair autonomamente, e começámos a adormecê-la no seu quarto.
Continuou, durante muito tempo, a acordar a meio da noite, algumas vezes com pesadelos... Às vezes, parecia que não chegava a despertar de tão embrenhada que estava naquele terror... Provavelmente, os tão falados "terrores noturnos"... Nessas alturas, optávamos por trazê-la para o nosso quarto, de onde a sua cama de grades nunca foi retirada, ou ela própria revelava essa vontade. A determinada altura, acordava sem choros começou até a mudar-se sozinha, sem termos de nos levantar (ótimo!)...
Com quase dois anos e meio, finalmente, começaram a ser raras as noites em que acordava e pensei que se tinha tornado independente no sono, que já não precisava mais da nossa presença para se sentir segura.
Só que, entretanto mudámos para uma casa nova, o seu quarto ainda não estava concluído, e ela teve de adormecer (e dormir) novamente no nosso quarto.
Quinze dias depois, nasceu o irmão, que passou a dormir num berço co-sleeping no nosso quarto.
Conseguimos voltar a adormecê-la no seu quarto, mas quem é que a convence, quando acorda a meio da noite (ou às vezes quando eu e o pai nos deitamos) a não vir para o nosso? Afinal, estamos lá todos e ela não quer sentir-se excluída! Podemos criticá-la? Acho que não!
Com sete meses, o mano começa a ficar apertado no seu berço e a minha única preocupação é: "Como é que eu vou pôr outra cama de grades naquele quarto? Não temos espaço!!"
Alguma solução se há de arranjar... Surgirá do improviso, como todas até agora.
A verdade é que nunca tinha imaginado um quarto assim, mas por agora é o que melhor serve a nossa família!
Consigo amamentar facilmente o nosso filho, sem quase despertar e sem que o pai desperte a maior parte das vezes... A nossa filha sente-se segura porque não lhe foi retirado o seu espaço em prol do irmão...
E certamente não vão ficar a dormir connosco a vida toda! Aliás, ela já fala no beliche que o avô fará e de como não precisará mais de vir para o nosso quarto quando o irmão dormir com ela no seu quarto, pois já não se sentirá sozinha.
Vai haver uma altura em que provavelmente sentiremos até saudades da sua presença... Por isso, se isso lhes faz falta agora (e a mim!, ou acham que eu queria levantar-me a meio da noite para ir, cheia de frio, dar mama ao meu filho no outro quarto?), porquê complicar?
Como em tudo na vida, temos de seguir o nosso coração!
E adaptar-nos...

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Muito se entende antes de se falar!

Cá em casa, sempre falámos muito com a nossa bebé.
 
Há dias, uma amiga minha, que também foi mamã há alguns meses, falou-me que lera ou fora aconselhada, não me recordo bem, a falar frequentemente com o seu bebé, para estimular o desenvolvimento da fala. Respondi-lhe satisfeita que, de forma ora mais ora menos consciente, sempre o fizera desde que a minha filha nasceu.
 
Enquanto faço as tarefas domésticas, sempre andei com ela atrás de mim pela casa, deitada na espreguiçadeira quando era mais pequena, sentada na cadeira da papa ou na cadeirinha de passeio agora que está maior. E habituei-me a ir descrevendo o que estou a fazer... "A mamã agora está a dobrar a tua roupa" ou "Estou a acabar de arrumar a loiça e a seguir vou dar-te miminhos" são apenas dois exemplos do tipo de afirmações que profiro ao longo dos dias...
Ao vesti-la, por exemplo, também criei o hábito de ir falando, pedindo-lhe que me dê o braço para o passar pela manga, ou dizendo-lhe que vou enfiar um pé e depois outro nas pernas das calças.
E, às vezes, ao brincarmos com os peluches, também aproveito para os descrever...
 
Também falo diretamente para ela, não só agora que já reage com sorrisos e respondendo-me na sua linguagem própria, mas também quando era mais pequenina e apenas ficava a olhar para mim
Chamo-lhe nomes fofinhos, alguns inventados por mim (o pai inventa-lhe canções!)... 
Repito os sons do seu palrar ou respondo-lhe com um novo som, fomentando assim o desenrolar de deliciosas conversas só nossas.
De há uns tempos para cá, repito frequentemente determinadas brincadeiras de palavras. "Como é que faz o gato? Miau, miau!", digo enquanto me olha séria. "E como é que faz o cão?", que a faz soltar a primeira gargalhada. "Uoff, uoff, uoffff!!!", e aqui ri, ri...

 
Não sei o que é que ela compreende do que eu digo e quando comecei a falar-lhe não o fiz racionalmente, esperando que entendesse o que quer que fosse. Tendo em conta que passamos todo o dia juntas, fui sentindo necessidade de falar com ela e foi isso que fiz...
Depois comecei a pensar que, se ela aprende através da experiência, ajudá-la-ia a desenvolver a linguagem, se ouvisse frequentemente falar. E então começaram a surgir alguns momentos em que uso a fala mais deliberadamente.
 
Há estudos que indicam que aos seis meses os bebés já são capazes de entender um grande número de palavras, mas há também quem acredite, mesmo que apenas com base empírica, que eles nos entendem desde sempre.
E estas ideias remetem-me para um pensamento que vai um pouco ao encontro do meu último texto, sobre os rótulos que colocamos às crianças. Até que ponto é que aquilo que dizemos sobre os nossos bebés, diante deles, não está a ser captado e processado, mesmo que com algumas limitações, influenciando o decorrer dos acontecimentos?
 
Ou seja, pegando em exemplos práticos...
Porque é que, no fim de semana passado, a minha bebé, que estava tão bem disposta, desatou a chorar ao ir para o colo de uma pessoa amiga, que começou por perguntar se ela iria estranhá-la?
E será que o facto de já ter dito algumas vezes que a minha bebé não está muito entusiasmada com os novos alimentos tem repercussões reais neste seu desinteresse?
E é possível que, por já ter ouvido vários elementos da família dizerem que, quando chora, só a mãe a faz parar, isto se tenha tornado mesmo verdade?
Não sei... Fica aqui a ideia para refletir...

De qualquer modo, acho que a maioria de nós adultos tem este péssimo hábito de falar das crianças como se elas não ouvissem... E isso é algo que quero melhorar!
Falar dela não, falar para ela!
 
 

terça-feira, 9 de junho de 2015

E quando a bebé chora?


Cá em casa, não acreditamos na velha máxima de que "chorar é bom para os pulmões" (há com cada ideia!).
 
E, por isso, respondemos ao choro da nossa bebé com amor, prontidão e (mais ou menos) paciência (pois somos humanos e nem sempre temos a disponibilidade mental e emocional que gostaríamos!).
Não será isso que qualquer pai faz? Não será o choro do bebé biologicamente programado para ser tão difícil de suportar que qualquer pessoa se sente impelida a reagir de imediato?
 
A verdade é que há muita literatura, alguma de autores pouco conhecidos, outra de pediatras de renome mundial, que defende que não podemos responder sempre aos "caprichos" dos bebés, ensinando até métodos para treinar o seu choro.
E eu decidi escrever este texto há uns dias atrás, quando uma amiga, que está grávida, me falou entusiasmada de um destes métodos. Seria qualquer coisa deste tipo: de cada vez que o bebé chorasse, dever-se-ia aumentar o tempo de resposta e gradualmente o bebé deixaria de chorar "sem razão" e aprenderia a autocontrolar-se.

E porque é que não concordo com isto?

Em primeiro, porque não acredito que um bebé chore sem razão.  O choro é a sua forma de nos comunicar as suas necessidades, por vezes, depois de já ter tentado fazê-lo através de outros sinais, sem ter sido compreendido ou correspondido. E, por necessidades entenda-se fome, fralda suja, sono, ou qualquer outra coisa (igualmente importante) de que sinta falta ou que o esteja a incomodar.
Quantas vezes a minha bebé chora com verdadeiras lágrimas a escorrerem-lhe pela cara, parando de imediato e substituindo-as por um rasgado sorriso quando a seguro ao colo? Algumas! Chorava sem razão? Não! Chorava porque sentia saudades do meu abraço, ou queria sentir o meu calor, ou estava farta de estar na espreguiçadeira e queria ver o mundo da minha perspetiva, ou porque tinha uma dor qualquer que desapareceu quando se distraiu, ou porque... Enfim, na maior parte dos casos não o saberei. Mas sei que alguma coisa foi e, mesmo que a mim não me pareça importante, para ela sê-lo-á certamente e merece ser respeitado.

Em segundo lugar, não acredito que um bebé aprenda a autocontrolar-se. Acredito sim que deixe de chorar por cansaço e para não despender mais energia num comportamento que não está a ter resposta.
No caso especifico da minha bebé, se não houver resposta ao seu choro, este tem tendência a aumentar. Penso que com os outros bebés seja semelhante... Para um método desses resultar, creio que será necessário muito sofrimento por parte do bebé.
Conseguem imaginar-se na pele de um bebé sentindo-se desconfortáveis, e não sabendo quanto tempo esse mal estar durará (ou se será para sempre!), pois estão dependentes de outra pessoa para lhe pôr termo? Deve ser terrível!

Então mas a minha bebé nunca chora? Isso era o sonho de qualquer pai (ou vendo bem, talvez não, pois seria sinónimo de que algo não estava bem na capacidade de comunicação do bebé)... Chora.
E eu consigo sempre evitar que o faça? Não. Há situações, em que pela força das circunstâncias, é inevitável.
Se a coloco no ovinho e não vou logo para a rua, chora. Contudo, eu tenho de fazer aquelas coisas necessárias antes de sair de casa, que não me são possíveis com ela ao colo.
Se estamos a jantar e ela chora, comemos num ápice, levantamo-nos à vez para tentar distraí-la, mas ainda assim durante esses instantes ela chora. Estou desejosa que se possa sentar numa cadeira da papa para nos acompanhar nas refeições, pois esta é uma situação muito recorrente...
Quando lhe coloco a fralda, às vezes, ela sente-se incomodada e chora. Mas eu não posso (ou pelo menos ainda não me convém!) deixá-la andar de rabo ao léu!

Tal como já escrevi anteriormente, neste texto sobre o colo, acredito que respondendo às suas necessidades, estou a criar uma criança mais confiante. Confiante na sua forma de comunicar com os outros (e se for compreendida antes do choro tanto melhor), o que terá impacto na forma como estabelecerá relações... Confiante no mundo que a rodeia, sentindo-o como um lugar bom, o que terá repercussões na sua curiosidade e capacidade para atuar sobre ele...
E uma criança confiante tem já meio caminho percorrido para ser uma criança feliz! Não é isso que todos queremos?...

 

segunda-feira, 4 de maio de 2015

É bom andar ao colo!

colo

Cá em casa, damos muito colo à nossa bebé!

No outro dia, fui beber café com uma amiga que também foi mãe há pouco tempo e, a dada altura, ela comentou que o seu bebé era muito tranquilo, não dava trabalho nenhum, mas que não lhe dava muito colo para não o habituar mal. Não querendo de algum modo julgar a forma de pensar da minha amiga (até porque cada mãe faz o que acredita ser melhor para o seu bebé e o que funciona melhor no seu seio familiar), não pude deixar de ficar a matutar no assunto.
Até porque, verdade seja dita, é isto que me lembro de ouvir toda a vida, não especificamente por parte da minha família, mas ao nível da sociedade em geral.

Contudo, a nossa bebé nasceu e o desejo de a segurar, sentir, abraçar, cheirar foi imediato! Ainda na maternidade, passou muito tempo no nosso colo... E também no colo dos familiares e amigos que nos visitaram... De que é que (quase) toda a gente tem vontade, quando vai conhecer um recém nascido? De lhe pegar!

Já em casa, continuamos a dar-lhe colo sempre que chora, para adormecer ou pura e simplesmente porque queremos dar-lhe mimos, interagir com ela (e ela connosco!).

Ficam guardadas na memória (e no coração) as tardes de chuva e de frio, em que fiquei à lareira com ela, de corpinho tão pequenino, a dormir enroladinha no meu peito!

Ficam guardados no seu inconsciente, acredito que tornando-a mais confiante e tranquila, os momentos em que acorro ao seu choro e a conforto no meu colo. Ou os momentos em que a seguro entre os braços e a levo a passear ao nosso quintal, a encho de beijos, repito os sons do seu palrar ou lhe retribuo o sorriso. O meu colo, acredito, fá-la sentir-se amada e correspondida!

Gostaria de usar mais o sling e o pano que me emprestaram, mas tenho problemas graves de coluna e não aguento muito tempo (até porque ela está cada vez mais pesada!)...
Não é contudo, por isso, que lhe é alguma vez negado o colo. Se me doem as costas por estar de pé, há sempre a opção de lho dar sentada ou de chamar reforços (leia-se pai!).

Se acredito no vício do colo? Não...
A minha bebé é certamente uma criança mais exigente, mas, se o é, é porque sabe que o mundo é um local bom, no qual pode confiar. Sente que nele existem pessoas constantemente preocupadas com o seu bem estar, dispostas a dedicar-lhe atenção e a minorar o seu desconforto (quando é o caso).
O que pode haver de negativo nisto? Porque é que existe o mito de que o excesso de colo (qual é a unidade de medida utilizada?!) pode ser prejudicial?
É preciso que da nossa parte, pais, exista uma grande disponibilidade, é um facto. Mas quando decidi ser mãe, fi-lo no meu todo, de corpo, coração e alma. Foi por isso que não fui mãe mais cedo, quando o meu ser estava ainda demasiado disperso em tantas outras coisas da vida...

Vai haver um dia em que a minha bebé não será mais bebé. Vai haver um dia em que não quererá mais colo... Até lá vou aproveitar!

domingo, 15 de março de 2015

Chucha - sim ou não?




 
Cá em casa, a bebé usa chucha!

Antes mesmo de nascer, já tinha três chuchas, oferecidas por pessoas amigas.
Na altura, eu não tinha qualquer ideia concebida em relação ao facto de querer ou não que a minha bebé usasse chupeta, não tinha sequer pensado no assunto! Estavam guardadas num armário, à espera de serem necessárias. Como tinha a ideia que se isso acontecesse seria bem mais lá para a frente e que nos primeiros tempos o seu uso podia comprometer a amamentação, nem me passou pela cabeça levá-la para a maternidade, como já ouvi alguns relatos... Ainda bem!

Contudo, logo nos primeiros dias passados em casa, nos momentos em que a bebé chorava e fazia movimentos com a boca, comecei a ouvir conselhos, especialmente vindos das avós, para lhe dar chucha. Comecei por negar, convicta de que isso iria ter repercussões na forma como a bebé fazia a pega da mama, algo que ainda estava em processo de aprendizagem.

Para me sentir mais segura na minha escolha, comecei a fazer pesquisas e dei por mim a pensar que não fazia qualquer sentido usar este objeto! Embora inicialmente não tivesse nada contra chupetas, depois de ler e refletir, concluí que eram algo completamente antinatural oferecido pelos adultos às crianças! Muitas delas, no princípio, nem gostam e recusam-nas, sendo necessária alguma insistência para que as aceitem... Isto tudo para que, uns anos mais tarde quando já desenvolveram um sentimento de habituação relativamente à mesma, esses mesmos adultos andem em conflito com elas para as convencerem que não devem mais chuchar.
Ora, eu não queria ser responsável pela criação do primeiro vício da minha filha!
 
Só que mesmo depois de mamar, ela procurava o consolo da mama. E eu não lho podia dar, por ter os mamilos feridos... Nessa altura só pedia "Intervalos maiores, por favor!"...
Os avós (sim, já não eram só as avós!) insistiam na chucha. Recebemos a visita domiciliar de uma enfermeira do hospital, responsável pelo acompanhamento pós-parto, que também o sugeriu. Uma amiga nossa, enfermeira neonatologista, quando veio cá a casa, acalmou facilmente a bebé, oferecendo-lhe o seu dedo para que chuchasse e também sugeriu o uso de chupeta. Enfim...
O pai foi o primeiro a ficar convencido. E eu acabei por ceder.
Importa referir que isso só aconteceu quando senti que a bebé já fazia uma pega correta e de forma automática.

A bebé aceitou logo a chucha e, de facto, verifiquei a sua utilidade no processo de a acalmar.
Mas aqui passámos a ter um novo problema, que no meu processo de aceitação da chupeta (é claro que não foi imediato!) ainda usei como argumento contra: sempre que a deixava cair da boca (e isso acontecia muitas vezes!), chorava e um de nós tinha de ir lá colocá-la novamente. Acho que aqui o pai vacilou e chegou a questionar se não teria sido melhor fazer o que eu dizia...

Entretanto, rendi-me completamente e deixei de ver a chucha como um "bicho mau". Embora seja algo artificial, dá imenso jeito. Durante ainda bastante tempo, a bebé não conseguia levar as mãos à boca e com a chucha a sua necessidade de sucção foi sendo satisfeita. Agora que já vai conseguindo fazê-lo, é ela própria quem muitas vezes cospe a chucha e procura os dedos.

 
É interessante que não vejo (por agora e espero que no futuro) que a chucha seja para ela um vício. Há dias em que adormece com chucha, outros que a cospe, outros que nem chego a dar-lha. Tem momentos em que acalma o choro usando-a, outros em que não serve de nada. Há situações em que procura pôr as mãos na boca, outras vezes não as quer mesmo que a ajude a alcançá-las...

 
Ontem, fomos almoçar fora. A meio da refeição, ela franziu o sobrolho com "cara de poucos amigos" e ameaçou chorar. O pai esboçou imediatamente um esgar de pânico: "A chucha? Não trouxemos a chucha?! É melhor ir ao carro ver se está lá alguma!!"
Parece-me que, por agora, o vício é mais nosso, adultos!
 
Se me questiono ainda em relação ao uso da chucha? Pouco, mas ainda acontece...
O que penso nessas alturas é se, no seu lugar, nos momentos de desconforto da bebé, deveria oferece-lhe maminha. Porque isso seria o que é natural, que seria feito pelas mulheres antes da invenção das chupetas...
Mas depois tento vivenciar as coisas de uma forma mais prática e adaptada à minha realidade atual. O natural seria andarmos todos a pé e contudo já ninguém dispensa o carro, a bicicleta, o avião e afins! Isto só para dar um de ínfimos exemplos...
Há alturas em que obviamente (e ainda bem!) nada substitui o conforto da maminha. Mas passei a aceitar a chupeta como uma aliada, pois só ganho "macaquinhos no sótão" ao tê-la como uma inimiga!

 
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