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quarta-feira, 7 de junho de 2017

Não há olhar mais atento que o de uma criança...

Cá em casa, andávamos já há algum tempo a planear uma ida ao Zoo.
A nossa filha vira umas fotos nossas com macacos, tiradas na Índia, e andava desejosa de os conhecer, os avós tinham também já mostrado interesse em levá-la ao Jardim Zoológico, e o pai não metia lá os pés (literalmente) desde o século passado! Quanto a mim, com uma enorme barriga de sete meses (pois é, vem aí um mano!), ou era agora ou, muito provavelmente, só na próxima Primavera...
Depois de termos determinado o dia da visita e de lho termos comunicado, passou a acordar diariamente com uma pergunta debaixo da língua: "É hoje que vamos ver macacos?"... Isto no seu dialeto muito próprio, de quem começou a falar há pouco tempo, e só percetível por aqueles que a conhecem muito bem, claro!

Chegado finalmente o grande o dia, entrámos no Zoo pouco tempo antes do show dos golfinhos e, por isso, foi para lá que nos dirigimos.
Vejo agora que deveríamos ter ficado para a sessão da tarde... Afinal, ela não queria ver golfinhos, ela queria ver macacos!


Ainda assim, começou o espetáculo e ela parecia entusiasmada com a enorme piscina azul. Só que...
"Olha aquele golfinho a saltar daquele lado!", dizia a avó apontando numa direção.
"Olha ali um golfinho a empurrar os pés da menina!", continuava o pai tentando chamar a sua atenção noutro sentido.
"Olha uma foca!", "Olha outra!", olha isto, olha aquilo... E ela, um pouco zangada, sem ligar muito ao que lhe diziam, parecia que não estava a aproveitar o momento e que ia começar uma birra a qualquer instante. A determinada altura, já nem queria ver nada e só queria sentar-se e levantar-se e esfregar-se no meu colo e...

Logo aqui comecei a perceber que o excesso de informação lhe estava a causar desconforto.
Tentei pedir que parassem de lhe dizer para onde olhar, que a deixassem absorver o que a rodeava respeitando o seu ritmo e espontaneidade...

Mas percebi que não era fácil, até porque nunca tinham pensado no assunto da forma que eu já tinha e o que mais desejavam naquele momento era partilhar com ela a beleza de tudo o que estavam a ver. Não queriam que lhe escapasse nada!
E, por isso, o "olha aqui", "olha ali" continuou...


Já no Templo dos Primatas...
"Olha o orangotango a andar ali em cima!" e ela olhava para outro lado qualquer.
"Deixa-me pegar-te ao colo para veres os chimpanzés ali ao fundo" e ela resmungava que queria o meu colo.
"Olha o papá gorila deitado daquele lado! Olha a mamã com o bebé aqui à frente!"
Olha, olha, olha...
E finalmente ficamos só as duas a olhar os gorilas, eu permaneço em silêncio e ela diz: "Os macacos estão em cima da palha!". "Pois estão...", respondo com um sorriso... E percebo que nenhum de nós, adultos, iria dar importância a esse aspeto. Contudo, no meio de tudo aquilo que nos parecia interessante, foi aí que ela encontrou algo com sentido.



Nos primeiros anos das crianças, o mundo é um lugar totalmente novo para elas. No seu dia a dia, mas especialmente quando saem do seu ambiente familiar, é para nós inimaginável a quantidade de estímulos que recebem pela primeira vez... Instantes em que estão a ver algo que nunca antes observaram, a ouvir um som que nunca anteriormente escutaram, a sentir um cheiro até então desconhecido...

E a forma como recolhem e processam estes elementos da realidade é certamente diferente da nossa.

Para começar, acredito que têm uma capacidade de assimilação superior à nossa, como esponjas superabsorventes... Numa primeira instância, fazem-no de forma espontânea e abarcando o todo.
A título de exemplo, penso que se uma criança, que ainda não fala, está a ouvir-nos falar e não percebe algumas palavras, não fica a matutar no que aquilo quererá dizer ou preocupada por não estar a perceber, como nos acontece a nós adultos se ouvimos alguém a falar numa língua que não dominamos completamente... Limita-se, sem julgamento, a continuar a assimilar a conversa e o seu significado vai-se interiorizando de forma natural. Já muitos de nós, na situação descrita, ficaríamos bloqueados naquele ponto específico do discurso e tal limitaria o entendimento do seu conteúdo global. Creio que as crianças estão também muito mais recetivas a todo o tipo de sinais simultâneos ao discurso oral, sem segmentarem a realidade. Assim, inconscientemente vão perceber a mensagem não só pelas palavras ditas, mas pelo tom de voz, pelas expressões faciais, pelos movimentos corporais...
Nos outros aspetos da realidade, o processo deve ser semelhante.
Assim, julgo que a forma como a nossa filha recebeu a experiência de estar no Zoo vai muito mais além do que aquilo  que eu consigo entender ou explicar, pois, à medida que cresci, fui perdendo esta espontaneidade e ligação com o todo.

Depois, numa segunda instância, julgo que, tal como acontece connosco, a sua atenção é canalizada em função dos seus conhecimentos prévios. Contudo, como são em menor quantidade que os nossos, é natural que os seus pontos de interesse difiram bastante dos nossos. Os pormenores a que dão atenção estão certamente associados àquilo que já assimilaram, e que ou se repete ou é inesperado. 
No primeiro caso, reparam nesse aspeto, pois vai dar mais consistência àquilo que já compreenderam do mundo. Por exemplo, a nossa filha deu atenção ao facto de os macacos estarem a comer bananas, porque tal veio confirmar o seu conhecimento prévio de que os macacos gostam de bananas.
No segundo caso, a sua atenção é atraída para esse aspeto, pois como é algo que lhes causa surpresa, que não vai totalmente ao encontro do que esperavam ou do que têm como certo no mundo, sentem curiosidade e querem compreendê-lo. Por exemplo, ao ver um canguru pequeno sozinho, ela perguntou pela sua mamã, pois tem um livro onde o canguru bebé está na bolsa da mãe e sabe que há alguns animais que não precisam das progenitoras, mas que aquele especificamente precisa. Essa situação suscitou a sua atenção porque ela esperava vê-lo com a mãe, então quis compreender porque é que tal não se verificava, se tal era algo também comum, uma exceção, ou se o conhecimento adquirido anteriormente estava incorreto.

Para além disso, nós adultos conseguimos fácil e rapidamente localizar um "ali ao fundo" ou um "ao pé daquela árvore" emitido por alguém, regressando àquilo que estávamos a ver, sem que tal comprometa por aí além a nossa perceção do que observávamos. No caso de uma criança pequena, estes conceitos espaciais só aí começam a ser adquiridos. Logo, este percurso não é assim automático e, na maioria dos casos, nem é possível. Então para quê estar a perturbar a sua contemplação do mundo com ruído?


Eu gostava de deixar claro que isto são apenas algumas reflexões minhas... Certamente baseadas em informação que fui recolhendo aqui e ali, embora já nem eu saiba bem onde... Ainda assim, é com base nelas que vejo a minha filha e que procuro educá-la.
Daqui para a frente, quero ser ainda mais cuidadosa no que toca a dar-lhe liberdade para percecionar o mundo à sua maneira... Quero estar mais atenta aos seus sinais e ser capaz de esperar em silêncio pelas suas palavras, em vez de a ocupar com informação que provavelmente não lhe faz falta. É que, por vezes, esta nossa necessidade partilha, em lugar de enriquecer, bloqueia...


Porque é que a pirueta do golfinho tem mais beleza e interesse que o borbulhar da água da piscina?
O que é que o pescoço comprido da girafa, lá ao fundo, tem de mais especial que as flores coloridas, que estão mesmo aqui?
Porque é que no Jardim Zoológico tenho de estar atenta aos animais, se o que despertou o meu interesse foi um muro que acho ser capaz de escalar ou umas bagas que me apetece recolher?

O mundo é um lugar novo para mim e tudo é mágico!

segunda-feira, 22 de maio de 2017

A importância de contar histórias

Cá em casa, contamos muitas histórias à nossa filha.
Mais eu, confesso, que sempre fui fã de livros e contos, mas o pai também não se sai nada mal...

Os livros têm estado presentes na vida da nossa filha quase desde que nasceu e ela mostrou desde logo muita curiosidade pelos mesmos. Contudo, estes livros eram maioritariamente de exploração de imagens, vocabulário e texturas, com abas ou sons.


O primeiro livro de histórias que lhe despertou verdadeiramente a atenção nem era (supostamente) adequado para a sua faixa etária e entrou na sua vida por acaso... A ovelhinha que veio para o jantar de Steve Smalllman e Joelle Dreidemy, um dos muitos livros infantis que possuo, ficou por arrumar num qualquer lugar da sala de estar. A nossa filha deu com ele e, perante o seu interesse, acabei por lhe ler a história. Tinha pouco mais de um ano e meio e, nos tempos seguintes, folheou-o e analisou-o vezes sem conta, do princípio ao fim, de trás para a frente e salteado! Pediu-nos o mesmo número de vezes para lho lermos e, com o pouquíssimo vocabulário que possuía na altura, mas com a enorme expressividade que sempre a caracterizou, ia já antecipando algumas partes da história.

Foi então que, por ter o texto tão presente na minha cabeça, decidi contar-lho com as minhas próprias palavras, numa das noites em que a fui adormecer, em substituição da habitual canção de embalar. Resultou... Ela adormeceu poucos instantes após ter terminado o reconto...E é isto que se quer, não é?
Nas noites e sestas seguintes, a estratégia foi-se repetindo. Eu entusiasmada a descobrir o meu novo talento de contadora de histórias, e ela a adormecer rápida e tranquilamente...
Gradualmente fui variando e experimentando outros contos mais tradicionais, de que me recordava, como a Branca de Neve, os três porquinhos, o lobo e os sete cabritinhos, Caracolinhos Dourados e os três ursos, etc.
Fui igualmente pondo mais livros infantis à sua disposição e, a partir deles, passou também ela a indicar-me frequentemente a história que queria ouvir antes de adormecer.


E assim se criou um hábito valioso, do qual hoje, aos 28 meses, dificilmente estará disposta a abdicar! Andamos agora numa fase de Capuchinho Vermelho e de o patinho feio, depois de um breve reinado de Cinderela... Conto-os com palavras minhas, mas também já aconteceu uma ou outra vez ler-lhe mesmo o livro, como no caso de O casamento da Gata, de Luísa Ducla Soares, que é todo em verso e perderia a essência se fosse contado de outra forma, e que (ainda!) não sei totalmente de cor (mas estou quase lá!!).

Porque é que acredito tanto no valor desses momentos diários?
Antes de mais, são momento de entretenimento e partilha, em que eu ou o pai estamos exclusivamente dedicados a ela, sem distrações de ordem alguma. Sentados na poltrona do seu quarto, com a luz apagada, somos só nós, ela e as personagens dessa história. Nos tempos que correm, entre dias acelerados com as mais variadas solicitações e com a interferência que as tecnologias têm nas nossas vidas, parece-me essencial a criação destes momentos de entrega total aos nossos filhos.
Acredito também que o facto de lhe contarmos histórias (e de, noutros momentos, lhe lermos livros) contribui para o aumento do seu vocabulário, para que desenvolva a capacidade de encadeamento de ideias (tão importante no seu raciocínio e discurso oral e que o será também um dia na aprendizagem da escrita), fomenta o seu gosto por livros e futuramente pela leitura, desenvolve a sua imaginação, permite-lhe ampliar o seu conhecimento do mundo...


Os contos são também fundamentais para o seu crescimento emocional. É fácil verificar que lhe transmitem valores....  Com os três porquinhos aprendemos que o esforço compensa, com a Caracolinhos Dourados que não devemos mexer no que não é nosso sem autorização, com a Capuchinho Vermelho que devemos ouvir os conselhos dos pais... Ao longo das histórias, a criança é também confrontada com os vários sentimentos das personagens, revendo-se muitas vezes nesse sentir, o que a ajudará a lidar melhor com as suas emoções. Apreende  o bem e mal, e, como é regra que as histórias tenham um final feliz, ganha confiança no mundo, pois percebe que, apesar das adversidades da vida, é possível que o primeiro prevaleça!

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Muito se entende antes de se falar!

Cá em casa, sempre falámos muito com a nossa bebé.
 
Há dias, uma amiga minha, que também foi mamã há alguns meses, falou-me que lera ou fora aconselhada, não me recordo bem, a falar frequentemente com o seu bebé, para estimular o desenvolvimento da fala. Respondi-lhe satisfeita que, de forma ora mais ora menos consciente, sempre o fizera desde que a minha filha nasceu.
 
Enquanto faço as tarefas domésticas, sempre andei com ela atrás de mim pela casa, deitada na espreguiçadeira quando era mais pequena, sentada na cadeira da papa ou na cadeirinha de passeio agora que está maior. E habituei-me a ir descrevendo o que estou a fazer... "A mamã agora está a dobrar a tua roupa" ou "Estou a acabar de arrumar a loiça e a seguir vou dar-te miminhos" são apenas dois exemplos do tipo de afirmações que profiro ao longo dos dias...
Ao vesti-la, por exemplo, também criei o hábito de ir falando, pedindo-lhe que me dê o braço para o passar pela manga, ou dizendo-lhe que vou enfiar um pé e depois outro nas pernas das calças.
E, às vezes, ao brincarmos com os peluches, também aproveito para os descrever...
 
Também falo diretamente para ela, não só agora que já reage com sorrisos e respondendo-me na sua linguagem própria, mas também quando era mais pequenina e apenas ficava a olhar para mim
Chamo-lhe nomes fofinhos, alguns inventados por mim (o pai inventa-lhe canções!)... 
Repito os sons do seu palrar ou respondo-lhe com um novo som, fomentando assim o desenrolar de deliciosas conversas só nossas.
De há uns tempos para cá, repito frequentemente determinadas brincadeiras de palavras. "Como é que faz o gato? Miau, miau!", digo enquanto me olha séria. "E como é que faz o cão?", que a faz soltar a primeira gargalhada. "Uoff, uoff, uoffff!!!", e aqui ri, ri...

 
Não sei o que é que ela compreende do que eu digo e quando comecei a falar-lhe não o fiz racionalmente, esperando que entendesse o que quer que fosse. Tendo em conta que passamos todo o dia juntas, fui sentindo necessidade de falar com ela e foi isso que fiz...
Depois comecei a pensar que, se ela aprende através da experiência, ajudá-la-ia a desenvolver a linguagem, se ouvisse frequentemente falar. E então começaram a surgir alguns momentos em que uso a fala mais deliberadamente.
 
Há estudos que indicam que aos seis meses os bebés já são capazes de entender um grande número de palavras, mas há também quem acredite, mesmo que apenas com base empírica, que eles nos entendem desde sempre.
E estas ideias remetem-me para um pensamento que vai um pouco ao encontro do meu último texto, sobre os rótulos que colocamos às crianças. Até que ponto é que aquilo que dizemos sobre os nossos bebés, diante deles, não está a ser captado e processado, mesmo que com algumas limitações, influenciando o decorrer dos acontecimentos?
 
Ou seja, pegando em exemplos práticos...
Porque é que, no fim de semana passado, a minha bebé, que estava tão bem disposta, desatou a chorar ao ir para o colo de uma pessoa amiga, que começou por perguntar se ela iria estranhá-la?
E será que o facto de já ter dito algumas vezes que a minha bebé não está muito entusiasmada com os novos alimentos tem repercussões reais neste seu desinteresse?
E é possível que, por já ter ouvido vários elementos da família dizerem que, quando chora, só a mãe a faz parar, isto se tenha tornado mesmo verdade?
Não sei... Fica aqui a ideia para refletir...

De qualquer modo, acho que a maioria de nós adultos tem este péssimo hábito de falar das crianças como se elas não ouvissem... E isso é algo que quero melhorar!
Falar dela não, falar para ela!
 
 

terça-feira, 9 de junho de 2015

E quando a bebé chora?


Cá em casa, não acreditamos na velha máxima de que "chorar é bom para os pulmões" (há com cada ideia!).
 
E, por isso, respondemos ao choro da nossa bebé com amor, prontidão e (mais ou menos) paciência (pois somos humanos e nem sempre temos a disponibilidade mental e emocional que gostaríamos!).
Não será isso que qualquer pai faz? Não será o choro do bebé biologicamente programado para ser tão difícil de suportar que qualquer pessoa se sente impelida a reagir de imediato?
 
A verdade é que há muita literatura, alguma de autores pouco conhecidos, outra de pediatras de renome mundial, que defende que não podemos responder sempre aos "caprichos" dos bebés, ensinando até métodos para treinar o seu choro.
E eu decidi escrever este texto há uns dias atrás, quando uma amiga, que está grávida, me falou entusiasmada de um destes métodos. Seria qualquer coisa deste tipo: de cada vez que o bebé chorasse, dever-se-ia aumentar o tempo de resposta e gradualmente o bebé deixaria de chorar "sem razão" e aprenderia a autocontrolar-se.

E porque é que não concordo com isto?

Em primeiro, porque não acredito que um bebé chore sem razão.  O choro é a sua forma de nos comunicar as suas necessidades, por vezes, depois de já ter tentado fazê-lo através de outros sinais, sem ter sido compreendido ou correspondido. E, por necessidades entenda-se fome, fralda suja, sono, ou qualquer outra coisa (igualmente importante) de que sinta falta ou que o esteja a incomodar.
Quantas vezes a minha bebé chora com verdadeiras lágrimas a escorrerem-lhe pela cara, parando de imediato e substituindo-as por um rasgado sorriso quando a seguro ao colo? Algumas! Chorava sem razão? Não! Chorava porque sentia saudades do meu abraço, ou queria sentir o meu calor, ou estava farta de estar na espreguiçadeira e queria ver o mundo da minha perspetiva, ou porque tinha uma dor qualquer que desapareceu quando se distraiu, ou porque... Enfim, na maior parte dos casos não o saberei. Mas sei que alguma coisa foi e, mesmo que a mim não me pareça importante, para ela sê-lo-á certamente e merece ser respeitado.

Em segundo lugar, não acredito que um bebé aprenda a autocontrolar-se. Acredito sim que deixe de chorar por cansaço e para não despender mais energia num comportamento que não está a ter resposta.
No caso especifico da minha bebé, se não houver resposta ao seu choro, este tem tendência a aumentar. Penso que com os outros bebés seja semelhante... Para um método desses resultar, creio que será necessário muito sofrimento por parte do bebé.
Conseguem imaginar-se na pele de um bebé sentindo-se desconfortáveis, e não sabendo quanto tempo esse mal estar durará (ou se será para sempre!), pois estão dependentes de outra pessoa para lhe pôr termo? Deve ser terrível!

Então mas a minha bebé nunca chora? Isso era o sonho de qualquer pai (ou vendo bem, talvez não, pois seria sinónimo de que algo não estava bem na capacidade de comunicação do bebé)... Chora.
E eu consigo sempre evitar que o faça? Não. Há situações, em que pela força das circunstâncias, é inevitável.
Se a coloco no ovinho e não vou logo para a rua, chora. Contudo, eu tenho de fazer aquelas coisas necessárias antes de sair de casa, que não me são possíveis com ela ao colo.
Se estamos a jantar e ela chora, comemos num ápice, levantamo-nos à vez para tentar distraí-la, mas ainda assim durante esses instantes ela chora. Estou desejosa que se possa sentar numa cadeira da papa para nos acompanhar nas refeições, pois esta é uma situação muito recorrente...
Quando lhe coloco a fralda, às vezes, ela sente-se incomodada e chora. Mas eu não posso (ou pelo menos ainda não me convém!) deixá-la andar de rabo ao léu!

Tal como já escrevi anteriormente, neste texto sobre o colo, acredito que respondendo às suas necessidades, estou a criar uma criança mais confiante. Confiante na sua forma de comunicar com os outros (e se for compreendida antes do choro tanto melhor), o que terá impacto na forma como estabelecerá relações... Confiante no mundo que a rodeia, sentindo-o como um lugar bom, o que terá repercussões na sua curiosidade e capacidade para atuar sobre ele...
E uma criança confiante tem já meio caminho percorrido para ser uma criança feliz! Não é isso que todos queremos?...

 
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