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sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Quer fazer tudo à sua maneira e acaba por dar asneira!

Cá em casa, a nossa filha de 3 anos e meio é muito decidida e frequentemente quer fazer as coisas à sua maneira. Mesmo em situações em que lhe dizemos que não o faça, insiste e, se acaba por o fazer, é bem provável que "dê asneira"!

Às vezes, ficamos irritados, pois "bem que avisámos!". E lá vem a conversa de que tem de escutar o que lhe dizemos, de que se os pais lhe dizem para fazer algo de determinada maneira ou para não o fazer de todo é porque conseguem prever o que vai acontecer e querem o melhor para ela, blá blá blá blá blá blá... Ou então, num momento em que estamos com menos paciência, acabamos mesmo por elevar a voz perante essa teimosia e definimos uma "consequência" qualquer para que aprenda a não ser tão teimosa.

Mas... dei por mim a pensar há instantes, porque será que nos irrita tanto que queiram fazer tudo sozinhos e à sua maneira?

Não queremos filhos autónomos? Decididos? Proativos? Persistentes? Capazes de encontrar soluções?
Queremos... Eu, pelo menos, quero!
Então que contrassenso é este?


Dei por mim nestes pensamentos, enquanto embalava o mano no carrinho e olhava pela janela. Vi a coberta da piscina estendida e lembrei-me do que se passou de manhã. Estávamos no quintal e a minha filha lembrou-se de que queria tapar a piscina, pois queria que a água estivesse quentinha da parte da tarde. Eu disse-lhe que era boa ideia e que a ia ajudar. 
"Eu consigo sozinha!"
"Não consegues não, pois é preciso ter braços mais compridos. Eu vou ajudar-te."
E nisto dirigi-me à piscina, para retirar de lá as boias. Quando me virei, lá vinha ela com a coberta a arrastar pelo chão.
"Eu disse que te ajudava! Vens com isso a arrastar pelo chão e agora não dá para pôr na piscina, se não vai ficar toda suja! Porque é que não esperaste por mim?", disse chateada. Penso que controlei o tom de voz, mas lá veio a "consequência" e o sermão: "Agora a coberta vai ficar aqui na corda a secar, para podermos sacudir a terra mais tarde. Se tivesses tido calma e feito com te disse já tínhamos a piscina tapada!"
Consigo agora, que me encontro emocionalmente distante do momento descrito, perceber que não fiz mais do que castigar a minha filha por ter tido a iniciativa de fazer algo que era importante para ela, mas que infelizmente não correu como desejava. Poderia ter feito a observação de que a coberta estava suja, de que poderia ter tido calma, esperando pela minha ajuda, e de seguida ir buscar a mangueira para a limpar, colocando-a sobre a piscina.
Porque é que não o fiz? Talvez porque há uma tendência inconsciente de repetir padrões e provavelmente foi isto que vi fazer toda a vida... Nem sei se terá sido no meu seio familiar, mas não duvido de que é o que acontece na sociedade em geral. Ela não me obedeceu e isso mexeu com os meus sentimentos e o meu orgulho.
Teria dado mais trabalho limpar a coberta, pois teria... Mas transmitir-lhe-ia a ideia de que estou cá para ajudá-la mesmo quando toma decisões menos acertadas. Ensinar-lhe-ia que perante os problemas, há que encontrar soluções em vez de nos focarmos no lado negativo. Ter-lhe-ia mostrado que errar não faz mal, mas que é importante termos humildade para escutar os conselhos dos outros, pois estes também têm humildade para nos ajudar, mesmo quando vamos contra as suas opiniões e juízos.

Ontem, quando já estava escuro, lembrou-se de ir apanhar um tomate à horta que tinha visto estar já vermelho. Embora lhe dissesse que não era boa ideia, pois já era de noite e poderia fazê-lo no dia seguinte, insistiu, pegou na boneca luminosa e lá foi. Voltou cabisbaixa com um tomate verdíssimo e pediu-me desculpa.
Anteontem, insistiu em ir para a piscina de manhã. Expliquei-lhe que a piscina estava à sombra e que a água estava fria, que talvez fosse melhor ir só depois do almoço. Tanto insistiu que acedi. Entrou dentro de água, arrepiou-se toda, nem chegou a molhar o tronco e ao fim de uns minutos quis sair.
Já insistiu em colocar a água no copo, quando o jarro era demasiado pesado, tendo entornado tudo. Já insistiu em colocar mais cereais no iogurte, apesar dos avisos de que seriam demais para a sua necessidade, não sendo depois capaz de terminar a refeição. Já encharcou completamente a casa de banho por decidir lavar as mãos no lavatório com o sabonete líquido novo, embora eu lhe tivesse dito (várias vezes!) que fosse lavar as mãos no bidé. Já sujou os ténis que dão luz, arriscando-se a que ficassem estragados na lavagem, por ter decidido ir brincar com eles para a terra, apesar dos meus avisos em contrário. Já insistiu em comer ameixa, apesar das minhas recomendações para que não o fizesse por não estar madura, sendo depois incapaz de o fazer de tão azeda que estava.
E nestas e noutras situações semelhantes, vou reagindo, ora com mais calma e flexibilidade, ora com maior exacerbação e intolerância.

O facto de hoje ter parado para refletir, tornou-me mais consciente e ajudar-me-á certamente a reagir mais adequadamente nas situações futuras.
Quando a minha filha toma a iniciativa de fazer algo à sua maneira está apenas a querer experimentar o que resulta ou não na sua relação com o mundo. Nem sempre está a querer contrariar-me, confrontar-me, pôr-me à prova (embora às vezes também o faça!)... Alguns dos meus conselhos serão escutados, mas em muitas situações ela terá de passar à ação e contactar diretamente com as consequências das suas escolhas. Outras vezes, estará tão entusiasmada com a sua ideia que não haverá tempo para a reflexão, fará as coisas sem pensar!
E eu estou cá para dar umas mangueiradas na coberta da piscina, lavar os ténis cuidadosamente à mão, dar uma risada quando a sua cara faz mil expressões de desagrado ao mastigar a ameixa!

sábado, 24 de março de 2018

Diário de uma Mãe a Tempo Inteiro - Dia 7

DIA 7 - SÁBADO


Hoje só nos levantámos às 10 horas!!!!! Nem me lembro da última vez que tal aconteceu! A verdade é que ontem já viemos tarde da festa de anos, pelo que os miúdos adormeceram mais tarde, mas ainda assim foi uma surpresa! O Damião acordou às oito e meia, mas dei-lhe maminha e consegui que adormecesse outra vez. Levantei-me para espreitar como estava o tempo, pois tínhamos pensado ir ao Jardim Zoológico ver uma peça de teatro gratuita. Contudo, estava a chover e, com todos a dormir tão bem, decidi enfiar-me na cama outra vez. Foi o bem que fiz!
A Elisa hoje quis papa para o pequeno-almoço, em vez do habitual iogurte com fruta. Eu e o pai verificámos que não tínhamos mais café, pelo que fomos todos vestir-nos para ir à rua com urgência!
Enquanto tratávamos dos últimos pormenores, a Elisa colocou uma manta pelas costas e andou pela casa a fazer de Capuchinho Vermelho. Eu tive de ser o lobo, a avó, a mãe, e só me escapei de ser o caçador pois mandei-a ir ter com o pai!
Decidimos ir a uma pastelaria de que gostamos e aproveitámos para comer pastéis de nata. Compramos também umas amêndoas, que a Elisa comeu pela primeira vez. Eu quis daquelas de licor, em forma de bebé, que a minha avó costumava dar-me mundo eu era criança.
No regresso, passámos pelo supermercado. Aí, o pai encontrou uma amiga e ficou um pouco a conversar. A Elisa subiu para a roda do carrinho do mano, de forma a ficar mais ao alcance deles dois e começou a emitir palavras sem significado, só com o objetivo de perturbar a conversa e chamar a atenção para si. Ultimamente isto tem acontecido com muita frequência, e já tivemos várias conversas com ela sobre isso, mas não está a ser fácil que este seu comportamento se altere. Peguei nela, afastei-a um pouco do local, agachei-me ao seu nível e disse em tom firme: "Eu não permito que estejas interromper a conversa do teu pai com a amiga. Se tens coisas para dizer, esperas que eles acabem de falar.". "Eu não tenho nada para dizer...", respondeu-me ela honestamente. "Então, essa é mais uma razão para ficares em silêncio e escutares o que os outros dizem.", concluí eu. O pai, entretanto terminara a conversa e seguimos às compras. Foi a primeira vez que usei esta abordagem, direta e de poucas palavras, recorrendo à expressão "não permito que...". Vamos ver se resulta...
Já em casa, o Damião dormia, eu fui publicar o diário de ontem, pois ainda não tinha conseguido fazê-lo, e o pai esteve a ler jornais online. A Elisa sentou-se na mesa dos Playmobil e esteve bastante tempo no seu mundo imaginário a brincar com os bonequinhos. Depois, pediu-me para que me juntasse a ela e eu assim fiz.
O Damião acordou e fomos todos almoçar.
Quando terminámos, ela sentou-se junto dele a contar-lhe histórias. Fiquei a escutá-la, sem que se desse conta, cada vez mais maravilhada com a forma como já consegue encadear as ideias e com as expressões que utiliza...
Depois, chegou a hora da sua sesta. Ela queria que eu lhe lesse uma história. Então, como ando interessada no Gato das Botas, fui procurar um livro que sabia ter com este título, embora já não me recordasse do seu conteúdo. Não é a história original, mas gostei muito de o ler. Fiquei um pouco a aconchegá-la e depois vim para a sala.
O Damião, que tinha ficado a brincar com o pai, estava a começar a choramingar. Deite-me no sofá, junto à janela, dei-lhe maminha e fiquei a relaxar olhando as nuvens e os ramos floridos das árvores. Depois de umas trocas de sorrisos safados, adormeceu e eu mudei-o para o carrinho.
Dei um avanço na escrita do diário e fui dobrar roupa.
Quando a Elisa acordou, vinha muito rosada e transpirada. Agarrei-a no meu colo, no sofá, envolvia-a com uma manta e ali ficamos a usufruir do momento. Perguntei-lhe se tinha sonhado e ela respondeu-me, parecendo-me já tão crescida: "Tu sabes que eu não sonho de dia.". De facto, ela já mo tinha dito antes... Depois, lembrou-se do livro do Gato das Botas e foi buscá-lo para que lho lesse novamente. Como sempre, fez imensas perguntas sobre a história e sobre as ilustrações.
Um pouco despois, o mano também despertou.
Ela foi à casa de banho, mas demorou imenso. Percebi porquê quando apareceu com um cachecol e um gorro na cabeça, lançando outro gorro ao ar. "Mãe, não estou a conseguir fazer a magia!". Uma vez, há já bastante tempo, brinquei com ela trocando, sem que se desse conta, o gorro que mandava ao ar por outro, várias vezes seguidas. Estivemos então outra vez nessa brincadeira. Ainda não percebi se ela já sabe como faço ou não...
Depois, esteve a brincar com o seu ursinho, tratando-o como a um bebé e colocando-o inclusivamente no ovo do irmão.
Tínhamos combinado que fazíamos um bolo. Decidi que faríamos um bolo de cenoura e tâmaras. Então, ela descascou as cenouras e eu pu-las a cozer. Enquanto cozinhavam, pediu-me para ver televisão, desta vez um episódio da Princesa Sofia. A seguir, lanchámos e fizemos o resto do bolo.
O pai esteve com o mano e acabou por o adormecer. A Elisa foi brincar com os Playmobil e fazer um desenho. Eu dobrei e arrumei mais alguma roupa, e fiz o jantar.
Depois do jantar, as crianças tomaram banho, outra vez juntas na banheira grande. Adormecemo-las e regressámos à sala. Deixámos o cão entrar um bocado...
Terminando este, que será o último dia deste diário, vou ler um bocadinho, nunca muito porque o sono espreita logo!...
Adorei esta reflexão diária, com a respetiva compilação de fotos... Talvez a venha a repetir...

quinta-feira, 22 de março de 2018

Diário de uma Mãe a Tempo Inteiro - Dia 5

DIA 5 - QUINTA-FEIRA

Mais uma vez, acordámos ainda com o pai em casa, ou seja, cedo. Ficámos naquele despertar vagaroso, levantámo-nos e vestimo-nos. O Damião estava outra vez molhado. Tem mamado tanto durante a noite, que não há fralda que aguente!
A Elisa quis novamente ir logo para a rua. Esteve a brincar com o cão às corridas e andou de baloiço.
Depois de comermos o habitual pequeno-almoço, composto por fruta, iogurte natural e cereais, eu fiquei a fazer algumas tarefas domésticas. O Damião esteve a explorar os seus brinquedos, com a mana à sua volta a brincar ao faz-de-conta, recriando uns desenhos animados da Barbie e de uma sereia. A seguir, quis desenhar e fez outra árvore, desta vez acompanhada de um sol, um rio e um barco.
Depois, pediu-me para ver a Elena de Avalor na televisão, mas eu queria adormecer o mano. Então sugeri-lhe que pintássemos uns desenhos de um livro de colorir que tem, enquanto eu o embalava no carrinho e lhe cantava canções. Concordou.
Terminada essa atividade, pus-lhe os desenhos que me pediu e aproveitei que o Damião dormia para continuar nas minhas tarefas, que envolviam, claro está, dobrar roupa! Fui interrompida, ao fim de pouco tempo, pois atualmente ele faz sonos muito curtos, pelo que estas tarefas foram sendo feitas em curtos espaços de tempo ao longo do dia.
Brinquei com ele e trocámos mimos.
Depois lembrei-me que gostava de fazer uns hambúrgueres de lentilhas para o almoço e fui procurar uma receita. Segui as primeiras indicações e, enquanto as lentilhas ficaram a cozinhar, convidei a Elisa a irmos lá fora, semear as restantes flores e os tomateiros que comprámos. O Damião esteve no carrinho, mas esteve choroso. Então, vim para dentro, terminar o almoço e, com o barulho do exaustor e das minhas canções, ele adormeceu num instantinho. A Elisa ficou a brincar no quintal. Quando voltou, teve de mudar de roupa, pois estava molhada e cheia de terra. 
O Damião acordou quando íamos sentar-nos à mesa, pelo que fiz também a papa dele e dei-lha. A Elisa quis comer o que sobrou como sobremesa.
Depois, fiquei a arrumar a cozinha e pedi-lhe que fosse lavar os dentes, como habitualmente, para ir fazer a sesta de seguida. Só que, quando cheguei à casa de banho, o bidé estava cheio de água com espuma e ela estava a mergulhar a escova no bidé, algo tanto eu como o pai já lhe explicámos que não se faz. Voltei a explicar-lhe que aquela água estava suja, que não era o sítio ideal para pôr a escova que depois irá colocar dentro da boca. Disse-lhe que confiava no facto de que ela era capaz de lavar os dentes sozinha, mas que aquilo não o demonstrava. Acrescentei que havia outros momentos para brincar com água, como por exemplo quando o fez antes do almoço no quintal, mas que aquele momento era para uma tarefa específica: escovar os dentes. Em jeito de acabar com a conversa, disse-me: "Tenho as mangas molhadas! Ajuda-me a tirar a camisola...". E eu respondi-lhe que essa era uma consequência da sua escolha, que não ia dar-lhe outra roupa para vestir. Ainda fez aquele choramingar forçado, mas eu fui continuando a falar e ela acedeu. Veio deitar-se na cama, junto a mim e do mano, e eu fui lhe explicando todas as nossas escolhas têm consequências, e que estas, por sua vez, podem ser boas ou más. Quis exemplos. Muitos. Dei-lhe alguns, mas agora só me lembro deste: "Posso escolher ir para a rua sem casaco. Se estiver frio, sinto-me desconfortável (consequência má), se estiver calor, sinto-me bem (consequência boa)."
Não estava muito inspirada (tinha gasto toda a inspiração em consequências!), por isso em vez de contar uma história de memória, escolhi ler-lhe alguns contos de Grimm.
Vim com o Damião para a sala, brinquei algum tempo com ele e depois deixei-o entretido com os seus brinquedos e comecei a adiantar o diário.
O momento em que se chateou e quis mamar coincidiu com o momento em que a Elisa também acordou. Então, mais uma vez fiquei com os dois aninhados no meu colo. Ele adormeceu e eu fui deitá-lo na sua cama.
Fiquei com a Elisa a jogar às cartas das bruxas - o jogo do momento! Entretanto, ela lembrou-se que há muito tempo não fazia um puzzle que tem sobre a reprodução dos animais. Estivemos a fazê-lo e depois ajudei-a a separar os animais por classes: mamíferos, peixes, aves, répteis e insetos. Começou a dizer-me que a joaninha se ia transformar em borboleta e então aproveitei para lhe mostrar um livro com umas ilustrações lindíssimas que comprei há uns dias: A butterfly is patient. Traduzi-lhe algumas páginas e guardámos o resto para outro dia.
O Damião acordou, lanchámos e fomos preparar-nos para sair, pois hoje a Elisa tinha aula de ballet. Só que o Damião teve uma crise de choro. Não parava de chorar e eu não estava conseguir acalmá-lo. Mama não era, porque já tinha mamado e até estava a bolsar-se. Talvez fosse má disposição por ter mamado de mais... Eu segurava-o ao colo, tentava aconchegá-lo junto mim, ou distraí-lo, dar-lhe algum brinquedo, pôr-lhe a chucha... Nada estava a resultar! Cada vez chorava mais, muito enervado! E o Damião é um bebé calmo... Isto é algo que não costuma acontecer... Decidi levá-lo para o quintal e acabou por acalmar, mas assim que voltámos para dentro e tentei colocá-lo no ovo, pois íamos de carro, começou novamente a choradeira. Eu já estava nervosa também, apesar de não querer sentir-me assim... Quando saímos definitivamente de casa, acalmou. Fiquei sem ter a certeza do que era realmente, mas senti-me muito desgastada, após esse momento.
Antes da aula de ballet, a Elisa aproveitou para brincar com as amigas. Tentamos ir sempre com alguma antecedência, para ela ter oportunidade de estar com elas. Levou um livro com puzzles, mas não queria que a amiga os montasse com ela. Então, chamei-a ao pé de mim e disse-lhe que ela tinha o direito de não emprestar os seus brinquedos, mas que se tinha levado aquele livro de propósito para mostrar às amigas, não fazia muito sentido que não o partilhasse, que assim sendo mais valia tê-lo deixado em casa... A mãe dessa menina estendeu-lhe uma boneca da filha, ela agarrou-a e já não deu mais importância ao livro, tendo a menina ficado entretida com o mesmo. Estava resolvido o assunto!
Chegados a casa, já o pai cá estava. Foi a rotina do costume: tratar do jantar, banhos e cama da pequenada. Enquanto fiz o jantar, a Elisa ainda esteve ajudar-me a arrumar os talheres na gaveta... Ao jantar, o mano comeu a sopa toda e ainda repetiu. Ela comeu tudo com custo. Depois, a Elisa pediu-nos para tomarem banho juntos e estiveram felicíssimos a brincar na banheira! Eu adormeci o Damião, o pai adormeceu-a a ela. Agora, vim finalizar o diário e não deve faltar muito para também me ir deitar.

quarta-feira, 21 de março de 2018

Diário de uma Mãe a Tempo Inteiro - Dia 3

DIA 3 - TERÇA-FEIRA



Hoje o Damião acordou com o pai a sair da cama e eu, morta de sono, disse para mim mesma "Nem penses que nos vamos levantar já!"... Então, apesar de ter continuado a tentar despertar-me com as suas vocalizações, fiz-me desentendida, dei-lhe maminha e ali ficámos naquela ronha de mama, dorme, acorda, mama, dorme... Quando finalmente a irmã acordou, pensei que fossem umas 11 da manhã... Engano! Ainda nem eram 9 horas! Mas, enfim, é bom sinal, é sinal de que dormi o suficiente.
Ficámos, como habitualmente, naquele despertar vagaroso, sem sair da cama, e a Elisa lembrou-se de ir ao seu quarto buscar um livro para fazer de conta que ia adormecer o mano. Trouxe um com vários contos de Grimm e foi contando as histórias. Foi tão bom ouvi-la! Primeiro porque me permitiu prolongar aquela mandriice e depois porque confirmei que já consegue contar com muitos pormenores a maioria daqueles contos!
Levantámo-nos, vestimo-nos e a Elisa quis ir brincar para o quintal. O Damião hoje não quis ficar no seu cantinho, pelo que o sentei na cadeira da papa, enquanto preparava o pequeno-almoço. 
Quando estava mesmo a terminar, a Elisa bateu à porta, dizendo-me que estava a começar a chover.
Comemos, com o Damião sempre inquieto e choroso.
De seguida, a Elisa quis ver os seus desenhos. Desta vez, optou por dois episódios da Heidi. Eu não sabia que havia uma versão mais moderna dos mesmos... Não me pareceram maus de todo.
O Damião continuava inquieto e só acalmou na maminha. Aliás, hoje esteve assim: desconfortável e sempre a querer mamar. Com ele mais calmo, ficámos nos mimos e a brincar.
Comecei a dobrar roupa (eu avisei!) e pu-lo no carrinho, para ver se dormia. Os desenhos animados terminaram e a Elisa queria que eu fosse brincar com ela. Quando lhe respondi que nesse momento não podia, pois estava a tentar adormecer o mano e queria dobrar a roupa que estava no cesto, fez birra. Começou a fazer um choro forçado, sentou-se no chão com cara de amuada e ainda atirou com umas peças de borracha. Disse-lhe que entendia perfeitamente que estivesse desapontada e zangada por não me ter como companheira de brincadeira, mas que ter aquele tipo de reação não ia ajudar a resolver nada. Expliquei-lhe que tal como eu não exigi que interrompesse a sua tarefa de ver os desenhos animados para fazer o que quer que fosse, também não era justo ela estar a exigir que eu parasse tudo para ir brincar com ela. Reforcei que entendia que ela se sentisse assim, que também eu queria brincar com ela, mas depois... "Tenho fome!", lembrou-se entretanto, em jeito de exigir a minha atenção, mas mudando de conversa. Fui buscar-lhe um queijinho e duas bolachas de chia. Comecei a andar pela casa, embalando o Damião no carrinho, e ela sempre atrás de mim. Depois, fui para a mesa dobrar a roupa e ela veio pedir-me que afastasse alguma roupa já dobrada para poder comer ali. Assim fiz.
O seu mau estar passou e, de seguida, lembrou-se de ir brincar com balões. Pediu-me que os enchesse e ainda me envolveu um bocadinho na brincadeira, ao mandá-los para junto de mim. Continuei na minha tarefa e ela brincou com a sua Nancy. Quando terminei, perguntei-lhe se me queria ajudar a arrumar a roupa nas gavetas e ela concordou satisfeita.
Depois, fomos brincar com os Playmobil. Estavam todos guardados num balde, pois tinha estado cá em casa uma amiga que é mais pequena e para a qual podiam ser perigosas aquelas peças tão pequenas. Penso que por estarem arrumados, a Elisa nunca mais tinha querido brincar com eles. Então ajudei-a a montar o cenário e, quando o Damião acordou e tive de interromper a brincadeira, ficou tranquilamente a brincar sozinha.
Pensei que ele estaria com fome e fui aquecer a sopa, mas ao fim da terceira colherada começou a chorar sem parar. Peguei nele e mamou. Só depois quis comer a sopa... Hoje esteve assim... Deve ser por causa do dente que rompeu ontem.
Fui fazer o almoço e a Elisa apareceu, como é seu costume, para me ajudar. Deixei que partisse as nozes e as colocasse na frigideira. Comemos hambúrgueres de tofu, com arroz, e espinafres salteados com nozes e canela. Estava delicioso!
O Damião continuava a choramingar e, como esfregava os olhos, pensei que tivesse sono. A Elisa foi lavar os dentes e fazer xixi, para ir dormir a sesta de seguida. Quando cheguei ao quarto, pediu-me para nos deitarmos os três, porque queria dar miminhos ao mano. Pareceu-me boa ideia e que ele adormeceria também. Mas não resultou e, ao fim de um bom bocado no qual ele literalmente lutava contra o sono, decidi trazê-lo para a sala, um pouco chateada com aquilo tudo.
Mamou outra vez e acabou por adormecer nos meus braços. Fiquei derretida a olhar para ele e depois deitei-o ao meu lado, no sofá, e comecei a adiantar o diário.
A Elisa acordou ao fim de um bocado. Ele acordou também. Ficaram os dois no meu colo, enquanto o amamentava novamente.
Depois, sentei-o no seu cantinho e fui brincar com a Elisa. Brincámos com uns bonecos miniatura que tem, jogámos ao jogo de cartas das bruxas e ao Koala Capers (com o Damião sempre a esticar o braço para tentar mexer nas cartas!).
Lanchámos e fomos organizar as coisas para a piscina. Assim, quando o pai chegou do trabalho, ela já tinha feito um desenho, andava a brincar com os balões e a fazer percursos com almofadas, mas já tínhamos tudo pronto e saímos de seguida. O pai ficou com o Damião, e nós duas fomos para a piscina: ela tem aula de natação e eu de hidroginástica. No balneário perguntou-me porque ficávamos com os dedos engelhados. Ficámos de pesquisar num livro de "Porquês" que temos em casa, mas afinal descobrimos que é sobre animais e não esse tipo de questões.
No regresso, passámos na churrasqueira e comprámos um frango para o jantar.
Já em casa, comemos e, em simultâneo, fomos dando a sopa ao Damião, que tinha estado a dormir. Depois, eu e o pai demos-lhe banho. Eu vesti o Damião, e o pai a Elisa. De seguida, fiquei a adormecê-los no meu quarto. Estava tão cansada que adormeci também...

terça-feira, 20 de março de 2018

Diário de uma Mãe a Tempo Inteiro - Dia 2

DIA 2 - SEGUNDA-FEIRA


O pai hoje foi trabalhar e por isso foi o primeiro a levantar-se. O Damião contudo já estava inquieto, mas puxei-o para a minha cama, dei-lhe maminha e adormecemos os dois novamente. Passado um bocado, acordei com a Elisa a sair da sua cama e a passar por cima de mim, para se ir deitar  junto ao irmão. Ele também acordou e ficámos ali a despertar e a trocar mimos. A Elisa percebeu pelos barulhos que o pai ainda estava em casa, foi dar-lhe os bons dias e pedir-lhe bolachinhas. Depois voltou e eu perguntei-lhe se lhe tinha desejado um feliz Dia do Pai. Não tinha e, por isso, foi lá dar-lhe um abraço e repetir tipo papagaia o que eu tinha dito.Voltou para a cama e entretanto o pai veio despedir-se de nós e saiu.
Reparei que o Damião estava molhado de xixi. Então, fui ao quarto deles buscar roupa para ambos, vesti-o e ajudei-a no que precisou.
Viemos para a sala e sentei-o no seu cantinho. Hoje, a Elisa optou por ficar a brincar com o irmão, enquanto eu preparava o nosso pequeno-almoço. Tem um livro com músicas de Mozart, que ia pondo a tocar, à medida que inventava histórias de acordo com as ilustrações de cada página.
Comemos o nosso iogurte com manga e cereais, enquanto o Damião, sentado na sua cadeira da papa, nos observava e mordiscava uma daquelas pegas de silicone em forma de luva. Descobri que gosta muito mais dela do que de qualquer mordedor!
A Elisa quis, como habitual, ver os seus desenhos animados. Hoje escolheu ver quatro episódios de "Festa das Palavras".
O Damião quis mamar e acabou por adormecer. Decidi levá-lo para o quarto, mas ele acordou quase de seguida. Fui ter com ele e quis morder o meu dedo. Então, percebi que já tem o segundo dente a romper. A Elisa apareceu entretanto e começou a mostrar a sua dentadura. Decidimos contar os seus dentes: 20!
De novo na sala, sugeri-lhe que fizesse um desenho numa folha para embrulharmos a prenda do pai. Achei interessante observá-la a contar os lápis de cera. Agora conta tudo e mais alguma coisa e já o faz com correção até ao 10. 
Fiquei a brincar com o Damião, mas ele estava rabugento porque tinha dormido pouco. A Elisa acabou o desenho e quis brincar comigo ao faz-de-conta. Ainda fomos sereias por um bocadinho, mas cansei-me e perguntei-lhe se gostaria que lhe lesse algum livro. Foi buscar um da lebre e da tartaruga e sentámo-nos os três no sofá.
Depois, decidi embalar o Damião no carrinho, porque ele continuava a mostrar sinais de sono. Em simultâneo, fui pondo a loiça do pequeno-almoço numa máquina e roupa a lavar na outra.A Elisa andava só atrás de nós, até que disse que estava aflita para fazer xixi e correu para a casa de banho. Como demorava a regressar, fui ver o que se passava. Estava no quarto a mudar de cuecas, pois diz que ficaram um bocadinho molhadas. O que vale é que é independente! 
Quando o Damião adormeceu finalmente, eu e ela fomos ver como tinham ficado, após secar, as molduras que fizemos para os nossos pais. Já as fizemos na semana passada, mas guardámo-las para que fossem surpresa. Tinham ambas uns pauzinhos descolados e estive a pôr cola nesses locais. Não pudemos, portanto, pôr as fotografias nem embrulhá-las, tarefa que ficou para a tarde.
De seguida, aspirei a sala e a cozinha. A Elisa foi buscar a bicicleta e começou a andar pela casa, insistindo em passar sempre no sítio onde eu estava com o aspirador. Estive com as palavras na ponta da língua, para lhe chamar à atenção de como me estava a incomodar, mas depois percebi que a piada de andar bicicleta era exatamente a de me ter como obstáculo. Sorri para mim mesma e continuei a desviar-me a cada uma das suas passagens.
Quando terminei a minha tarefa, perguntei-lhe se queria jogar comigo a alguma coisa. Escolheu o jogo de cartas das bruxas (do qual hei de falar noutro texto). Comecei a achar estranho encontrar tantas cartas iguais de seguida, até que ela me explicou que tinha estado a organizar o baralho dessa forma propositadamente. Ri-me e disse-lhe que a ideia nos jogos de cartas é exatamente a contrária. Ganhou esse jogo e ainda fizemos outro (com as cartas bem baralhadas!) a seguir.
Depois falei ao telefone com a minha amiga Sara. Como o Quico fez anos ontem e hoje fez a festa na creche, convidou-nos para irmos lá cantar os parabéns.
Dado que queríamos despachar-nos cedo, achei melhor ir tratar do almoço. A Elisa quis ajudar-me a pôr as conchas de sopa nas tigelas e a carregar no botão do microondas. Para o segundo prato, fiz salada e aqueci restos que tinha no frigorífico (normalmente é assim que faço ao almoço).
Achei que o Damião já estava a dormir há algum tempo e resolvi ir espreitá-lo pé ante pé... Disparate o meu! Acordou passados uns segundos! Trouxe-o para junto de nós e, assim que acabei de comer, aqueci também a sua sopa e dei-lha. A Elisa quis comer tangerinas da nossa árvore como sobremesa.
Depois, pedi-lhe que fosse lavar os dentes e fazer xixi, que eu já ia ter com ela ao meu quarto.
Com ela já aconchegada na minha cama, contei-lhe a história do Gato das Botas. Foi a primeira vez, pelo que ainda tenho de melhorar alguns pormenores, mas ela disse que gostou. Dei-lhe um beijo e vim com o irmão para a sala.
Ele ficou entretido com os seus brinquedos bastante tempo e eu aproveitei para começar a escrever o diário e tratar de alguns assuntos meus. Quando percebi que ele estava cansado, peguei-o ao colo, dei-lhe maminha e ele deixou-se dormir assim. Ficámos assim até a Elisa acordar e aí coloquei-o no carrinho e começámos a despachar-nos para ir ter com os nossos amigos.
Por sorte, apesar de ter amanhecido a chover, nesse momento estava muito sol!
A viagem até à creche ainda demorou uns 20 minutos de carro. A Elisa pediu-me que cantasse algumas canções, hábito este já antigo quando viajamos... Cantámos Linda Falua, Era Uma Vez um Cavalo, As Pombinhas da Catrina, entre outras.
Ao chegarmos, esperei pela minha amiga e entrámos juntas. A Elisa foi ter com os meninos e eu fiquei com o Damião a ajudar a Sara a fazer os saquinhos com doces para os colegas do filho. Depois fomos também para o refeitório, cantar os parabéns e comer o bolo. O Quico parecia muito feliz e satisfeito com os dinossauros do seu bolo!
Ainda fomos ao parque e um pouco a casa deles. A Elisa e o Quico ficaram na sala a brincar e a ver desenhos animados, enquanto eu e a Sara ficámos na cozinha a pôr a conversa em dia.
Regressámos a casa, mas demorámos mais do que me apetecia, por causa do trânsito. O Damião adormeceu e a Elisa só dizia que não queria ir para casa. Anda numa fase em que nunca se quer vir embora... Então, viemos numa longa conversa, onde mais uma vez lhe expliquei que era normal que ela não quisesse que um momento que está a ser bom terminasse, mas que todos os acontecimentos têm um princípio e um fim, que o que podemos fazer é repeti-los na maioria dos casos. E que provavelmente iríamos estar com o Quico outra vez brevemente! Só sossegou quando a lembrei de que, ao chegar a casa, poderia embrulhar a prenda do pai. Aí rematou com "Acho que é uma boa ideia!" (parecia que me estava a ouvir!) e acabou a conversa.
Depois de ter o embrulho feito, pedi-lhe que fosse brincar com as suas coisas e deixasse o irmão sossegado a brincar com as dele, enquanto eu arrumava a cozinha e punha a roupa na máquina de secar. Parecia que lhe tinha dito exatamente o contrário pois, numa histeria enorme, começou a correr em direção a ele e para o lado contrário vezes sem conta, espalhou os brinquedos todos no chão à volta dele, e começou a aproximar e a afastar umas peças de borracha da cara dele, a tal ponto que ele começou a chorar. Estava a sentir um crescendo de irritação em mim e, nesse instante, explodi e zanguei-me com ela. Mandei-a arrumar todos os brinquedos e ir brincar com as suas coisas. Devia estar mesmo zangada, porque ela nem argumentou, arrumou tudo e foi fazer um desenho.
Quando o pai chegou, ela deu-lhe a prenda toda orgulhosa.
Jantámos e fui deitar o Damião. Ela ficou a brincar com o pai na sala. Quando voltei, li-lhe um pouco de um livro de princesas, jogámos ao tal jogo de cartas com o pai e ainda fomos ao canal de YouTube, que referi ontem, ler alguns livros em inglês.
O Damião choramingou e fui ter com ele ao quarto. O pai foi deitar a Elisa.
Vim arrumar a cozinha e acabar o diário. Vou deitar-me de seguida...

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Porque é que lhe estão sempre a falar do irmão?

Cá em casa,  a mana mais velha está farta que toda a gente lhe fale do irmão!

E eu decidi escrever este texto apenas como forma de alerta, pois certamente não é ela a única nesta situação. Haverá por esse mundo muitos "manos mais velhos" a sofrer do mesmo mal! Os responsáveis? Nós, adultos, que inconscientemente e provavelmente por desejarmos que haja uma boa aceitação do bebé por parte da criança, nos pomos todos com o mesmo tipo de conversa. Nas primeiras vezes a criança ainda responde entusiasmada, nas vezes seguintes já mostra alguma saturação, e ao fim de um tempo tem atitudes desadequadas como virar a cara, fazer expressão zangada ou grunhir! Pelo menos, foi o que aconteceu com a minha filha!



Não pensem que ela não está a aceitar bem o irmão. É super protetora, ternurenta e atenciosa com ele... E se alguém mete conversa com ela, mas não repara nele, é bem possível que pergunte: "Tu já viste o meu mano?". Mas nessa situação é ela que o quer mostrar. Não é algo que é impingido à força na conversa!

"Gostas do mano?" Que pergunta... É claro que gosta!
"Posso levar o mano para casa?" Que absurdo! Ela sabe que o bebé precisa dos pais e que estes não deixarão ninguém levá-lo para onde quer que seja. Ainda assim, consegue irritar-se com esta pergunta e responder "NÃO!" com cara de pouco amigos.
"O mano porta-se bem?" Ela ainda nem tem bem construído o conceito de comportar-se bem em relação a si, quanto mais em relação ao mano! Ele dorme, mama e chora... Estará a portar-se bem? Eu própria me questiono, como é que um bebé de um mês se comporta mal?!
"Ajudas a mamã a tratar do mano?" Sim, ajuda, e gosta muito...

Mas também gosta que lhe perguntem: "Tens ido ao parque?", "Quais são os teus desenhos animados favoritos?", "Como se chamam os teus amigos?", "Este ano vais para a natação?", "Gostas de livros?"... E isto só para dar alguns exemplos do que se pode perguntar a uma criança sobre... ela própria!

No outro dia, fui com os meus filhos ao mini mercado da avó. Quase toda a gente que lá vai conhece bem a minha filha, pois a avó tem tomado conta dela quando estou a trabalhar. Inevitavelmente toda a gente quis ver o bebé e toda a gente ficou contente por a rever, mas as conversas não fugiram muito dos exemplos que dei acima, com as reações menos simpáticas por parte dela que também já descrevi.
No caminho para casa, diz-me: "Tou dandada!", isto é, "Estou zangada!".
"Estás zangada com quem?", pergunto eu.
"Com as pessoas..."
No seu discurso ainda pouco claro, explica-me que queria falar do seu recente interesse pela dança à última senhora que se meteu com ela. Esta colocou-lhe questões acerca do irmão sem perceber que ela não estava a responder-lhe mas a querer falar de outro assunto.
E foi nesse instante que me consciencializei do que a minha filha andava a sentir.
"Estás zangada com as pessoas porque só te falam do mano e tu querias falar sobre as tuas coisas. É isso?", continuei, tentando ajudá-la a clarificar os seus próprios sentimentos.
"Sim."
Simples. E no entanto, nem sempre óbvio...

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