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sábado, 24 de março de 2018

Diário de uma Mãe a Tempo Inteiro - Dia 7

DIA 7 - SÁBADO


Hoje só nos levantámos às 10 horas!!!!! Nem me lembro da última vez que tal aconteceu! A verdade é que ontem já viemos tarde da festa de anos, pelo que os miúdos adormeceram mais tarde, mas ainda assim foi uma surpresa! O Damião acordou às oito e meia, mas dei-lhe maminha e consegui que adormecesse outra vez. Levantei-me para espreitar como estava o tempo, pois tínhamos pensado ir ao Jardim Zoológico ver uma peça de teatro gratuita. Contudo, estava a chover e, com todos a dormir tão bem, decidi enfiar-me na cama outra vez. Foi o bem que fiz!
A Elisa hoje quis papa para o pequeno-almoço, em vez do habitual iogurte com fruta. Eu e o pai verificámos que não tínhamos mais café, pelo que fomos todos vestir-nos para ir à rua com urgência!
Enquanto tratávamos dos últimos pormenores, a Elisa colocou uma manta pelas costas e andou pela casa a fazer de Capuchinho Vermelho. Eu tive de ser o lobo, a avó, a mãe, e só me escapei de ser o caçador pois mandei-a ir ter com o pai!
Decidimos ir a uma pastelaria de que gostamos e aproveitámos para comer pastéis de nata. Compramos também umas amêndoas, que a Elisa comeu pela primeira vez. Eu quis daquelas de licor, em forma de bebé, que a minha avó costumava dar-me mundo eu era criança.
No regresso, passámos pelo supermercado. Aí, o pai encontrou uma amiga e ficou um pouco a conversar. A Elisa subiu para a roda do carrinho do mano, de forma a ficar mais ao alcance deles dois e começou a emitir palavras sem significado, só com o objetivo de perturbar a conversa e chamar a atenção para si. Ultimamente isto tem acontecido com muita frequência, e já tivemos várias conversas com ela sobre isso, mas não está a ser fácil que este seu comportamento se altere. Peguei nela, afastei-a um pouco do local, agachei-me ao seu nível e disse em tom firme: "Eu não permito que estejas interromper a conversa do teu pai com a amiga. Se tens coisas para dizer, esperas que eles acabem de falar.". "Eu não tenho nada para dizer...", respondeu-me ela honestamente. "Então, essa é mais uma razão para ficares em silêncio e escutares o que os outros dizem.", concluí eu. O pai, entretanto terminara a conversa e seguimos às compras. Foi a primeira vez que usei esta abordagem, direta e de poucas palavras, recorrendo à expressão "não permito que...". Vamos ver se resulta...
Já em casa, o Damião dormia, eu fui publicar o diário de ontem, pois ainda não tinha conseguido fazê-lo, e o pai esteve a ler jornais online. A Elisa sentou-se na mesa dos Playmobil e esteve bastante tempo no seu mundo imaginário a brincar com os bonequinhos. Depois, pediu-me para que me juntasse a ela e eu assim fiz.
O Damião acordou e fomos todos almoçar.
Quando terminámos, ela sentou-se junto dele a contar-lhe histórias. Fiquei a escutá-la, sem que se desse conta, cada vez mais maravilhada com a forma como já consegue encadear as ideias e com as expressões que utiliza...
Depois, chegou a hora da sua sesta. Ela queria que eu lhe lesse uma história. Então, como ando interessada no Gato das Botas, fui procurar um livro que sabia ter com este título, embora já não me recordasse do seu conteúdo. Não é a história original, mas gostei muito de o ler. Fiquei um pouco a aconchegá-la e depois vim para a sala.
O Damião, que tinha ficado a brincar com o pai, estava a começar a choramingar. Deite-me no sofá, junto à janela, dei-lhe maminha e fiquei a relaxar olhando as nuvens e os ramos floridos das árvores. Depois de umas trocas de sorrisos safados, adormeceu e eu mudei-o para o carrinho.
Dei um avanço na escrita do diário e fui dobrar roupa.
Quando a Elisa acordou, vinha muito rosada e transpirada. Agarrei-a no meu colo, no sofá, envolvia-a com uma manta e ali ficamos a usufruir do momento. Perguntei-lhe se tinha sonhado e ela respondeu-me, parecendo-me já tão crescida: "Tu sabes que eu não sonho de dia.". De facto, ela já mo tinha dito antes... Depois, lembrou-se do livro do Gato das Botas e foi buscá-lo para que lho lesse novamente. Como sempre, fez imensas perguntas sobre a história e sobre as ilustrações.
Um pouco despois, o mano também despertou.
Ela foi à casa de banho, mas demorou imenso. Percebi porquê quando apareceu com um cachecol e um gorro na cabeça, lançando outro gorro ao ar. "Mãe, não estou a conseguir fazer a magia!". Uma vez, há já bastante tempo, brinquei com ela trocando, sem que se desse conta, o gorro que mandava ao ar por outro, várias vezes seguidas. Estivemos então outra vez nessa brincadeira. Ainda não percebi se ela já sabe como faço ou não...
Depois, esteve a brincar com o seu ursinho, tratando-o como a um bebé e colocando-o inclusivamente no ovo do irmão.
Tínhamos combinado que fazíamos um bolo. Decidi que faríamos um bolo de cenoura e tâmaras. Então, ela descascou as cenouras e eu pu-las a cozer. Enquanto cozinhavam, pediu-me para ver televisão, desta vez um episódio da Princesa Sofia. A seguir, lanchámos e fizemos o resto do bolo.
O pai esteve com o mano e acabou por o adormecer. A Elisa foi brincar com os Playmobil e fazer um desenho. Eu dobrei e arrumei mais alguma roupa, e fiz o jantar.
Depois do jantar, as crianças tomaram banho, outra vez juntas na banheira grande. Adormecemo-las e regressámos à sala. Deixámos o cão entrar um bocado...
Terminando este, que será o último dia deste diário, vou ler um bocadinho, nunca muito porque o sono espreita logo!...
Adorei esta reflexão diária, com a respetiva compilação de fotos... Talvez a venha a repetir...

terça-feira, 20 de março de 2018

Diário de uma Mãe a Tempo Inteiro - Dia 2

DIA 2 - SEGUNDA-FEIRA


O pai hoje foi trabalhar e por isso foi o primeiro a levantar-se. O Damião contudo já estava inquieto, mas puxei-o para a minha cama, dei-lhe maminha e adormecemos os dois novamente. Passado um bocado, acordei com a Elisa a sair da sua cama e a passar por cima de mim, para se ir deitar  junto ao irmão. Ele também acordou e ficámos ali a despertar e a trocar mimos. A Elisa percebeu pelos barulhos que o pai ainda estava em casa, foi dar-lhe os bons dias e pedir-lhe bolachinhas. Depois voltou e eu perguntei-lhe se lhe tinha desejado um feliz Dia do Pai. Não tinha e, por isso, foi lá dar-lhe um abraço e repetir tipo papagaia o que eu tinha dito.Voltou para a cama e entretanto o pai veio despedir-se de nós e saiu.
Reparei que o Damião estava molhado de xixi. Então, fui ao quarto deles buscar roupa para ambos, vesti-o e ajudei-a no que precisou.
Viemos para a sala e sentei-o no seu cantinho. Hoje, a Elisa optou por ficar a brincar com o irmão, enquanto eu preparava o nosso pequeno-almoço. Tem um livro com músicas de Mozart, que ia pondo a tocar, à medida que inventava histórias de acordo com as ilustrações de cada página.
Comemos o nosso iogurte com manga e cereais, enquanto o Damião, sentado na sua cadeira da papa, nos observava e mordiscava uma daquelas pegas de silicone em forma de luva. Descobri que gosta muito mais dela do que de qualquer mordedor!
A Elisa quis, como habitual, ver os seus desenhos animados. Hoje escolheu ver quatro episódios de "Festa das Palavras".
O Damião quis mamar e acabou por adormecer. Decidi levá-lo para o quarto, mas ele acordou quase de seguida. Fui ter com ele e quis morder o meu dedo. Então, percebi que já tem o segundo dente a romper. A Elisa apareceu entretanto e começou a mostrar a sua dentadura. Decidimos contar os seus dentes: 20!
De novo na sala, sugeri-lhe que fizesse um desenho numa folha para embrulharmos a prenda do pai. Achei interessante observá-la a contar os lápis de cera. Agora conta tudo e mais alguma coisa e já o faz com correção até ao 10. 
Fiquei a brincar com o Damião, mas ele estava rabugento porque tinha dormido pouco. A Elisa acabou o desenho e quis brincar comigo ao faz-de-conta. Ainda fomos sereias por um bocadinho, mas cansei-me e perguntei-lhe se gostaria que lhe lesse algum livro. Foi buscar um da lebre e da tartaruga e sentámo-nos os três no sofá.
Depois, decidi embalar o Damião no carrinho, porque ele continuava a mostrar sinais de sono. Em simultâneo, fui pondo a loiça do pequeno-almoço numa máquina e roupa a lavar na outra.A Elisa andava só atrás de nós, até que disse que estava aflita para fazer xixi e correu para a casa de banho. Como demorava a regressar, fui ver o que se passava. Estava no quarto a mudar de cuecas, pois diz que ficaram um bocadinho molhadas. O que vale é que é independente! 
Quando o Damião adormeceu finalmente, eu e ela fomos ver como tinham ficado, após secar, as molduras que fizemos para os nossos pais. Já as fizemos na semana passada, mas guardámo-las para que fossem surpresa. Tinham ambas uns pauzinhos descolados e estive a pôr cola nesses locais. Não pudemos, portanto, pôr as fotografias nem embrulhá-las, tarefa que ficou para a tarde.
De seguida, aspirei a sala e a cozinha. A Elisa foi buscar a bicicleta e começou a andar pela casa, insistindo em passar sempre no sítio onde eu estava com o aspirador. Estive com as palavras na ponta da língua, para lhe chamar à atenção de como me estava a incomodar, mas depois percebi que a piada de andar bicicleta era exatamente a de me ter como obstáculo. Sorri para mim mesma e continuei a desviar-me a cada uma das suas passagens.
Quando terminei a minha tarefa, perguntei-lhe se queria jogar comigo a alguma coisa. Escolheu o jogo de cartas das bruxas (do qual hei de falar noutro texto). Comecei a achar estranho encontrar tantas cartas iguais de seguida, até que ela me explicou que tinha estado a organizar o baralho dessa forma propositadamente. Ri-me e disse-lhe que a ideia nos jogos de cartas é exatamente a contrária. Ganhou esse jogo e ainda fizemos outro (com as cartas bem baralhadas!) a seguir.
Depois falei ao telefone com a minha amiga Sara. Como o Quico fez anos ontem e hoje fez a festa na creche, convidou-nos para irmos lá cantar os parabéns.
Dado que queríamos despachar-nos cedo, achei melhor ir tratar do almoço. A Elisa quis ajudar-me a pôr as conchas de sopa nas tigelas e a carregar no botão do microondas. Para o segundo prato, fiz salada e aqueci restos que tinha no frigorífico (normalmente é assim que faço ao almoço).
Achei que o Damião já estava a dormir há algum tempo e resolvi ir espreitá-lo pé ante pé... Disparate o meu! Acordou passados uns segundos! Trouxe-o para junto de nós e, assim que acabei de comer, aqueci também a sua sopa e dei-lha. A Elisa quis comer tangerinas da nossa árvore como sobremesa.
Depois, pedi-lhe que fosse lavar os dentes e fazer xixi, que eu já ia ter com ela ao meu quarto.
Com ela já aconchegada na minha cama, contei-lhe a história do Gato das Botas. Foi a primeira vez, pelo que ainda tenho de melhorar alguns pormenores, mas ela disse que gostou. Dei-lhe um beijo e vim com o irmão para a sala.
Ele ficou entretido com os seus brinquedos bastante tempo e eu aproveitei para começar a escrever o diário e tratar de alguns assuntos meus. Quando percebi que ele estava cansado, peguei-o ao colo, dei-lhe maminha e ele deixou-se dormir assim. Ficámos assim até a Elisa acordar e aí coloquei-o no carrinho e começámos a despachar-nos para ir ter com os nossos amigos.
Por sorte, apesar de ter amanhecido a chover, nesse momento estava muito sol!
A viagem até à creche ainda demorou uns 20 minutos de carro. A Elisa pediu-me que cantasse algumas canções, hábito este já antigo quando viajamos... Cantámos Linda Falua, Era Uma Vez um Cavalo, As Pombinhas da Catrina, entre outras.
Ao chegarmos, esperei pela minha amiga e entrámos juntas. A Elisa foi ter com os meninos e eu fiquei com o Damião a ajudar a Sara a fazer os saquinhos com doces para os colegas do filho. Depois fomos também para o refeitório, cantar os parabéns e comer o bolo. O Quico parecia muito feliz e satisfeito com os dinossauros do seu bolo!
Ainda fomos ao parque e um pouco a casa deles. A Elisa e o Quico ficaram na sala a brincar e a ver desenhos animados, enquanto eu e a Sara ficámos na cozinha a pôr a conversa em dia.
Regressámos a casa, mas demorámos mais do que me apetecia, por causa do trânsito. O Damião adormeceu e a Elisa só dizia que não queria ir para casa. Anda numa fase em que nunca se quer vir embora... Então, viemos numa longa conversa, onde mais uma vez lhe expliquei que era normal que ela não quisesse que um momento que está a ser bom terminasse, mas que todos os acontecimentos têm um princípio e um fim, que o que podemos fazer é repeti-los na maioria dos casos. E que provavelmente iríamos estar com o Quico outra vez brevemente! Só sossegou quando a lembrei de que, ao chegar a casa, poderia embrulhar a prenda do pai. Aí rematou com "Acho que é uma boa ideia!" (parecia que me estava a ouvir!) e acabou a conversa.
Depois de ter o embrulho feito, pedi-lhe que fosse brincar com as suas coisas e deixasse o irmão sossegado a brincar com as dele, enquanto eu arrumava a cozinha e punha a roupa na máquina de secar. Parecia que lhe tinha dito exatamente o contrário pois, numa histeria enorme, começou a correr em direção a ele e para o lado contrário vezes sem conta, espalhou os brinquedos todos no chão à volta dele, e começou a aproximar e a afastar umas peças de borracha da cara dele, a tal ponto que ele começou a chorar. Estava a sentir um crescendo de irritação em mim e, nesse instante, explodi e zanguei-me com ela. Mandei-a arrumar todos os brinquedos e ir brincar com as suas coisas. Devia estar mesmo zangada, porque ela nem argumentou, arrumou tudo e foi fazer um desenho.
Quando o pai chegou, ela deu-lhe a prenda toda orgulhosa.
Jantámos e fui deitar o Damião. Ela ficou a brincar com o pai na sala. Quando voltei, li-lhe um pouco de um livro de princesas, jogámos ao tal jogo de cartas com o pai e ainda fomos ao canal de YouTube, que referi ontem, ler alguns livros em inglês.
O Damião choramingou e fui ter com ele ao quarto. O pai foi deitar a Elisa.
Vim arrumar a cozinha e acabar o diário. Vou deitar-me de seguida...

segunda-feira, 19 de março de 2018

Diário de uma Mãe a Tempo Inteiro - Dia 1

Nos últimos dias, tenho seguido curiosa e entusiasticamente alguns diários de famílias que praticam Ensino Doméstico, num grupo do Facebook de que faço parte. Tenho refletido e saído enriquecida destas leituras, ainda mais consciente do que quero construir com a minha família...
Então, fiquei cheia de vontade de registar e partilhar também com o mundo como é o dia-a-dia cá em casa! Vou fazê-lo ao longo de uma semana.
Estou quase há um ano como mãe a tempo inteiro e (infelizmente) falta pouco mais de um mês para que regresse ao trabalho. Estes tempos têm sido verdadeiramente maravilhosos, no que toca à ligação afetiva com os meus filhos, presença e envolvimento total no seu desenvolvimento, e meu crescimento enquanto pessoa.
Penso que vou adorar reler estas memórias daqui a uns anos! E talvez assim consiga explicar, aos que frequentemente me perguntam como consigo estar com duas crianças em casa todos os dias, o quão encantador isso é!
Nas publicações anteriores do blogue, tenho optado por não referir o nome dos meus filhos, mas neste tipo de relato tal tornar-se-á difícil. Então decidi optar por pseudónimos. Ela será a Elisa e ele o Damião.

DIA 1 - DOMINGO




O Damião foi o primeiro a acordar. Ultimamente tem sido assim. Puxei-o para a minha cama, dei-lhe maminha e ficámos nos mimos, mas como não parava de emitir sons, cheio de energia para o novo dia, a mana acabou por acordar também. Ao fim de um bocado, saímos os três da cama e deixámos o pai a dormir mais um tempo.
Sentei o Damião no cantinho da sala com chão de borracha, onde brinca habitualmente, e a Elisa aproximou-se com uns livros que trouxe do seu quarto. Um deles era de animais selvagens e ela foi perguntando onde vivia cada um deles.
De seguida, vim para a cozinha preparar o meu pequeno almoço e da Elisa. Gostamos de comer fruta com iogurte e cereais e hoje não foi exceção. A Elisa queria ajudar-me, pois é frequente ajudar-me a cortar a fruta em pedaços, mas a cozinha estava uma enorme desarrumação, já que ontem jantámos muito tarde e tanto eu como o pai não tivemos vontade de arrumar nada. Então, disse-lhe que não e expliquei porquê. Começou a argumentar a seu favor e pensei que, tal como tem acontecido nos últimos dias, íamos entrar numa discussão em que não aceita o que lhe digo, faz apenas o que lhe apetece, acabo por me zangar ou então ela começa a chorar. Mas não, continuou apenas a argumentar, dizendo que "é tão injusto" e que estava triste. Eu continuei a responder-lhe, dizendo que compreendia que se sentisse assim porque gosta muito de me ajudar, mas que ela também tinha de compreender que eu só podia deixá-la se as condições estivessem reunidas para tal, que injusto seria se eu nunca a deixasse colaborar comigo independentemente do estado em que estava a cozinha. E embora contrariada e cabisbaixa, aceitou a minha decisão e foi brincar com o mano. Senti-me feliz por ver aqui uma evolução no seu comportamento.
Durante a refeição, o Damião ficou a brincar sozinho no tapete e eu ia espreitando de vez em quando. É muito bom ver como explora autonomamente os brinquedos durante períodos de tempo consideráveis.
Depois, a Elisa pediu-me para ver desenhos animados. Temos esta regra de que vê desenhos animados uma vez por dia e ela normalmente opta por fazê-lo logo de manhã. Quis ver a Branca de Neve e encontrei uns desenhos dos anos 80 com vários contos tradicionais. Viu um episódio, mas como a história ficou a meio, combinei que veria o resto à tarde.
O Damião entretanto estava impaciente e choroso, penso que por causa de um dente que deve estar quase a romper. Não estava bem no colo, nem a brincar, mas também não queria dormir.
O pai levantou-se entretanto e depois de cuidar de si e do cão, começou a arrumar a cozinha.
A Elisa sentou-se na sua mesinha, de volta dos trabalhos manuais. Desde que fizemos o dinossauro com rolos de papel higiénico, tem feito várias colagens com outros rolos, pedaços de papel e cartões. Pinta com canetas, com lápis e diz que está a fazer as coisas para a festa.
Quando reparei, estava com as mãos todas riscadas de caneta e marcadores. Há dois ou três dias atrás, fez a mesma coisa. Achei graça, pois foi fazê-lo escondida debaixo da mesa, o que significa que tinha alguma noção de que não era uma ideia muito boa, mas não dei muita importância ao que se passara. Apenas lhe disse que lhe ia ser certamente difícil lavar as mãos e, quando foi lavá-las, acabei por a ajudar pois não conseguia sozinha. Fiquei surpreendida por hoje repetir a experiência. "Para quê?", perguntei. "Para ficar com as mãos mais bonitas.", explicou-me. Na verdade, gostos não se discutem e seu eu própria tenho tatuagens porque é que ela não pode usar uns gatafunhos nas mãos?! Fui ajudá-la a lavar novamente as mãos, estive a mostrar-lhe que temos poros para a pele respirar e que cobrir as mãos com tinta podia ser prejudicial e causar-lhe até algum tipo de reação alérgica... Vamos lá a ver se a minha explicação foi suficientemente dissuasiva...
De seguida, dei maminha ao Damião e ele acabou por adormecer. A Elisa veio sentar-se junto a mim e ficámos os três abraçados por um bocado. Depois, fui deitar o Damião na sua cama e regressei à sala, começando a dobrar roupa. Devo já avisar que esta é uma tarefa que me ocupa muito tempo cá em casa... Nem imagino como seria se a passasse a ferro!
A Elisa apareceu ao pé de mim com um pauzinho de madeira que tem atadas duas fitas compridas de tecido, e ficou a rodopiar durante um tempo incansável, a cantar, a cantar... Ia inventando canções que falavam de coisas da sua vida, como da amiga que esteve muito tempo sem ver mas que agora está presente novamente, ou de como deve fazer o que os pais dizem, ou de como fica com calor por andar à roda... Admito que já estava a ficar cansada de a ouvir e que me incomoda um pouco esta mania que tem de andar à roda, mas ao mesmo tempo estava a achar tão interessante aquela análise que ela estava a fazer de si própria, quase como se em transe, que fiquei apenas a observar (e a dobrar roupa!).
O Damião acordou entretanto e ficaram ambos com o pai, enquanto eu me sentei no sofá, aproveitando para fazer alguma divulgação do blogue. A Elisa mascarou o pai de fada e a si própria de princesa. De repente, dei por mim já no meio da brincadeira, sendo a mãe da princesa e tentando defendê-la dos poderes da fada.
Já estava a ficar com fome e fui para a cozinha, tratar da papa do Damião, aquecer sopa e fazer uns rissóis com arroz e espinafres para nós. A Elisa ajudou dando a papa ao mano e eu continuei de volta da comida. Quando ela se cansou, terminei eu a tarefa de dar a papa e depois sentámo-nos todos à mesa para comer.
A seguir ao almoço, fomos os quatro para a nossa cama, o pai numa ponta, a mãe noutra, e o Damião e a Elisa no meio. Trocamos mimos e eles foram acalmando. Ainda passei pelas brasas uns minutos, mas quando eu e o pai nos apercebemos de que eles estavam mesmo a dormir, saímos do quarto pé ante pé.
Aproveitei para começar a escrever o diário e o pai esteve a ver uma corrida de motas na televisão. Não passou nem meia hora até que o Damião acordasse, mas a Elisa voltou a adormecer e ficou a dormir durante bastante mais tempo. Eu e o pai fomos dividindo a atenção entre o bebé e algumas tarefas domésticas. Também estivemos os três na brincadeira e nos carinhos no sofá!
Quando a Elisa acordou, tínhamos colocado o irmão no carrinho e eu embalava-o na tentativa que adormecesse. Falámos acerca do que haveríamos de fazer em família e ela sugeriu que fizéssemos um vitral da família. Para contextualizar, há um episódio da Princesa Sofia, em que o rei oferece um vitral com a imagem da família à rainha, e eu creio que a sua ideia veio daí. Expliquei-lhe que não tinha em casa tintas próprias para pintar vidros, mas que poderíamos deixar esse projeto para outra altura e limitar-nos a pintar com aguarelas. Achou a ideia fantástica e preparou tudo no chão da sala - trouxe folhas, as aguarelas, três pincéis e até encheu um tacho de brincar com água, mas esse eu pedi-lhe para trocamos por um copo que me pareceu ter menos probabilidades de verter para o chão.
Já quase me esquecia que uns instantes antes do almoço, a Elisa se lembrou de encher esse mesmo tacho com água do biberão do mano e entornou imensa água no chão da sala. Não vi, porque andava ocupada, mas o pai zangou-se com ela. À mesa, falámos sobre isso e afinal ela "apenas" queria encher uns copinhos de borracha de um brinquedo do Damião "com chá para a festa".
O pai entretanto teve a ideia de fazer gambas no forno para o jantar. Andou a pesquisar receitas e depois saiu para comprar os ingredientes em falta.
Ambas sentimos fome e lanchámos.
Depois, ela quis ir brincar para o quintal. Vestiu uma camisola e calçou as galochas e saiu. Ficou muito tempo sozinha, a andar de baloiço, a cantarolar e a falar coisas que eu não conseguia ouvir, no seu mundo pessoal. Estava sol e parecia estar agradável na rua, mas eu aproveitei para dobrar mais alguma roupa e conversar um pouco com o pai, que entretanto regressara e estava a tratar da marinada. Dei também uma arrumação geral à casa...
A Elisa chateou o irmão, fez um puzzle de madeira e andou de bicicleta pela casa.
Mais tarde, vieram os avós paternos. A avó ficou a dar atenção ao Damião e o avô sentou-se com a neta a ver a segunda parte dos desenhos animados da Branca de Neve. No fim, jogaram todos a um jogo de cartas. Eu e o pai aproveitámos para começar a tratar das refeições. Fiz sopa para o Damião e, enquanto o pai lha dava, fui adiantando lulas para amanhã.
Optámos por dar banho aos miúdos antes do nosso jantar e os avós aproveitaram o momento para se despedir. Quando estava a secar o Damião, ele fez cocó na toalha (nunca tal tinha acontecido!)... Ainda estava a tentar perceber o que fazer, e começou a fazer xixi. Decididamente, voltou para a banheira!
Adormeceu facilmente a seguir.
Eu, a Elisa e o pai jantámos então.
Antes de ir dormir, a Elisa pediu-me para lhe mostrar no tablet alguns livros. Descobri há uns dias, um canal de YouTube que tem muitos livros infantis em inglês. Ela vai escutando as histórias e a minha tradução. Gostamos muito de "Because of an Acorn" e de "Bear and Hare - Where's Bear?", mas ainda só conhecemos alguns dos livros...
Normalmente é o pai que a deita, mas ela pediu-me para ser eu e assim foi. Tapei-a com o edredão, dei-lhe um beijinho e relembrei-a do quanto gosto dela. Fiquei no sofá do seu quarto à espera que adormecesse e depois vim para a sala terminar o diário. Até nos deitarmos, eu e o pai aproveitaremos este tempo para nós. Ele está a ver um documentário na televisão. Eu sou capaz de ir ler um pouco ou escrever...
Ups! O Damião está a chorar, está na hora da maminha!...

segunda-feira, 22 de maio de 2017

A importância de contar histórias

Cá em casa, contamos muitas histórias à nossa filha.
Mais eu, confesso, que sempre fui fã de livros e contos, mas o pai também não se sai nada mal...

Os livros têm estado presentes na vida da nossa filha quase desde que nasceu e ela mostrou desde logo muita curiosidade pelos mesmos. Contudo, estes livros eram maioritariamente de exploração de imagens, vocabulário e texturas, com abas ou sons.


O primeiro livro de histórias que lhe despertou verdadeiramente a atenção nem era (supostamente) adequado para a sua faixa etária e entrou na sua vida por acaso... A ovelhinha que veio para o jantar de Steve Smalllman e Joelle Dreidemy, um dos muitos livros infantis que possuo, ficou por arrumar num qualquer lugar da sala de estar. A nossa filha deu com ele e, perante o seu interesse, acabei por lhe ler a história. Tinha pouco mais de um ano e meio e, nos tempos seguintes, folheou-o e analisou-o vezes sem conta, do princípio ao fim, de trás para a frente e salteado! Pediu-nos o mesmo número de vezes para lho lermos e, com o pouquíssimo vocabulário que possuía na altura, mas com a enorme expressividade que sempre a caracterizou, ia já antecipando algumas partes da história.

Foi então que, por ter o texto tão presente na minha cabeça, decidi contar-lho com as minhas próprias palavras, numa das noites em que a fui adormecer, em substituição da habitual canção de embalar. Resultou... Ela adormeceu poucos instantes após ter terminado o reconto...E é isto que se quer, não é?
Nas noites e sestas seguintes, a estratégia foi-se repetindo. Eu entusiasmada a descobrir o meu novo talento de contadora de histórias, e ela a adormecer rápida e tranquilamente...
Gradualmente fui variando e experimentando outros contos mais tradicionais, de que me recordava, como a Branca de Neve, os três porquinhos, o lobo e os sete cabritinhos, Caracolinhos Dourados e os três ursos, etc.
Fui igualmente pondo mais livros infantis à sua disposição e, a partir deles, passou também ela a indicar-me frequentemente a história que queria ouvir antes de adormecer.


E assim se criou um hábito valioso, do qual hoje, aos 28 meses, dificilmente estará disposta a abdicar! Andamos agora numa fase de Capuchinho Vermelho e de o patinho feio, depois de um breve reinado de Cinderela... Conto-os com palavras minhas, mas também já aconteceu uma ou outra vez ler-lhe mesmo o livro, como no caso de O casamento da Gata, de Luísa Ducla Soares, que é todo em verso e perderia a essência se fosse contado de outra forma, e que (ainda!) não sei totalmente de cor (mas estou quase lá!!).

Porque é que acredito tanto no valor desses momentos diários?
Antes de mais, são momento de entretenimento e partilha, em que eu ou o pai estamos exclusivamente dedicados a ela, sem distrações de ordem alguma. Sentados na poltrona do seu quarto, com a luz apagada, somos só nós, ela e as personagens dessa história. Nos tempos que correm, entre dias acelerados com as mais variadas solicitações e com a interferência que as tecnologias têm nas nossas vidas, parece-me essencial a criação destes momentos de entrega total aos nossos filhos.
Acredito também que o facto de lhe contarmos histórias (e de, noutros momentos, lhe lermos livros) contribui para o aumento do seu vocabulário, para que desenvolva a capacidade de encadeamento de ideias (tão importante no seu raciocínio e discurso oral e que o será também um dia na aprendizagem da escrita), fomenta o seu gosto por livros e futuramente pela leitura, desenvolve a sua imaginação, permite-lhe ampliar o seu conhecimento do mundo...


Os contos são também fundamentais para o seu crescimento emocional. É fácil verificar que lhe transmitem valores....  Com os três porquinhos aprendemos que o esforço compensa, com a Caracolinhos Dourados que não devemos mexer no que não é nosso sem autorização, com a Capuchinho Vermelho que devemos ouvir os conselhos dos pais... Ao longo das histórias, a criança é também confrontada com os vários sentimentos das personagens, revendo-se muitas vezes nesse sentir, o que a ajudará a lidar melhor com as suas emoções. Apreende  o bem e mal, e, como é regra que as histórias tenham um final feliz, ganha confiança no mundo, pois percebe que, apesar das adversidades da vida, é possível que o primeiro prevaleça!

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Muito se entende antes de se falar!

Cá em casa, sempre falámos muito com a nossa bebé.
 
Há dias, uma amiga minha, que também foi mamã há alguns meses, falou-me que lera ou fora aconselhada, não me recordo bem, a falar frequentemente com o seu bebé, para estimular o desenvolvimento da fala. Respondi-lhe satisfeita que, de forma ora mais ora menos consciente, sempre o fizera desde que a minha filha nasceu.
 
Enquanto faço as tarefas domésticas, sempre andei com ela atrás de mim pela casa, deitada na espreguiçadeira quando era mais pequena, sentada na cadeira da papa ou na cadeirinha de passeio agora que está maior. E habituei-me a ir descrevendo o que estou a fazer... "A mamã agora está a dobrar a tua roupa" ou "Estou a acabar de arrumar a loiça e a seguir vou dar-te miminhos" são apenas dois exemplos do tipo de afirmações que profiro ao longo dos dias...
Ao vesti-la, por exemplo, também criei o hábito de ir falando, pedindo-lhe que me dê o braço para o passar pela manga, ou dizendo-lhe que vou enfiar um pé e depois outro nas pernas das calças.
E, às vezes, ao brincarmos com os peluches, também aproveito para os descrever...
 
Também falo diretamente para ela, não só agora que já reage com sorrisos e respondendo-me na sua linguagem própria, mas também quando era mais pequenina e apenas ficava a olhar para mim
Chamo-lhe nomes fofinhos, alguns inventados por mim (o pai inventa-lhe canções!)... 
Repito os sons do seu palrar ou respondo-lhe com um novo som, fomentando assim o desenrolar de deliciosas conversas só nossas.
De há uns tempos para cá, repito frequentemente determinadas brincadeiras de palavras. "Como é que faz o gato? Miau, miau!", digo enquanto me olha séria. "E como é que faz o cão?", que a faz soltar a primeira gargalhada. "Uoff, uoff, uoffff!!!", e aqui ri, ri...

 
Não sei o que é que ela compreende do que eu digo e quando comecei a falar-lhe não o fiz racionalmente, esperando que entendesse o que quer que fosse. Tendo em conta que passamos todo o dia juntas, fui sentindo necessidade de falar com ela e foi isso que fiz...
Depois comecei a pensar que, se ela aprende através da experiência, ajudá-la-ia a desenvolver a linguagem, se ouvisse frequentemente falar. E então começaram a surgir alguns momentos em que uso a fala mais deliberadamente.
 
Há estudos que indicam que aos seis meses os bebés já são capazes de entender um grande número de palavras, mas há também quem acredite, mesmo que apenas com base empírica, que eles nos entendem desde sempre.
E estas ideias remetem-me para um pensamento que vai um pouco ao encontro do meu último texto, sobre os rótulos que colocamos às crianças. Até que ponto é que aquilo que dizemos sobre os nossos bebés, diante deles, não está a ser captado e processado, mesmo que com algumas limitações, influenciando o decorrer dos acontecimentos?
 
Ou seja, pegando em exemplos práticos...
Porque é que, no fim de semana passado, a minha bebé, que estava tão bem disposta, desatou a chorar ao ir para o colo de uma pessoa amiga, que começou por perguntar se ela iria estranhá-la?
E será que o facto de já ter dito algumas vezes que a minha bebé não está muito entusiasmada com os novos alimentos tem repercussões reais neste seu desinteresse?
E é possível que, por já ter ouvido vários elementos da família dizerem que, quando chora, só a mãe a faz parar, isto se tenha tornado mesmo verdade?
Não sei... Fica aqui a ideia para refletir...

De qualquer modo, acho que a maioria de nós adultos tem este péssimo hábito de falar das crianças como se elas não ouvissem... E isso é algo que quero melhorar!
Falar dela não, falar para ela!
 
 

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Dia Mundial da Criança

Cá em casa, celebra-se pela primeira vez o Dia Mundial da Criança!
 
Mas esta criança não o sabe, pois para ela todos os instantes vividos são de celebração! Está tão maravilhada com este mundo novo, que não reconhece ainda a necessidade de dias festivos ou especiais... Todas as suas vivências são especiais!
 
Vê-se este entusiasmo no brilho dos seus olhos arregalados, quando tenta manipular um dos seus brinquedos, ao ouvir tocar a caixinha de música, ou quando a seguramos para que fique de pé...
 
Percebe-se a sua alegria no momento em que esboça um sorriso rasgado, em resposta a uma qualquer palhaçada do pai, ao ver o nosso reflexo no espelho, ou quando sente cócegas porque lhe damos beijinhos na barriga...
 
Delicia-nos a sua expressão curiosa, quando se estica para tocar no pelo da gata com a mão, ao ver os patinhos no parque, ou quando nos vê deitar água para um copo...
 
Olhar de uma criança
 
Sente-se a sua excitação ao abanar os braços e as pernas com gritinhos, se a pomos em cima do cavalinho de brincar, nos baloiçamos na rede do jardim, ou quando me vê aproximar...
 
E até quando choraminga numa luta contra o sono ou porque quer que a peguemos ao colo, fá-lo porque está demasiado deslumbrada pelo mundo e não quer perder pitada!
 
Nestes quase cinco meses da sua existência, tenho dado comigo, em vários momentos, a percecionar o mundo de uma forma mágica outrora tão natural mas que, com o passar dos anos, foi sendo esquecida...
A primeira vez que tal aconteceu, a sua atenção estava totalmente focada nas sombras das árvores, cujo movimento era projetado no nosso sofá. Eu consegui andar para trás no tempo e imaginar o que sentiria se estivesse a viver aquela situação pela primeira vez. E consegui ver a beleza transcendente de um momento, que habitualmente me passaria despercebido por ser já algo tão banal!
Voltou a acontecer quando a levei à beira-mar pela primeira vez e não desviava o olhar das pequenas ondas que me cobriam os pés. Também aqui consegui superar os meus sentidos e sentir a magia do bailado daquela água cintilante!
 
Poderia partilhar mais uma ou outra situação, mas penso que já ficou claro aquilo que quero transmitir. Ser mãe tem sido um processo de crescimento e transformação a vários níveis... O que mais me surpreende e maravilha, neste em particular, é a recuperação da capacidade, perdida no tempo, de percecionar o mundo através dos olhos de uma criança!
 
Feliz Dia da Criança!... Para todas as crianças que ainda não cresceram, mas também para aquelas que continuam escondidas dentro de cada um de nós!

domingo, 17 de maio de 2015

Os nossos animais

Cá em casa, somos três humanos e três animais de quatro patas!

E, numa casa com tantos animais, acontecem frequentemente peripécias que tem a sua graça partilhar... Tem graça agora, porque no momento em que acontecem nem sempre se pode dizer o mesmo!

Um dos nossos quadrúpedes é uma gatinha, que apareceu no nosso quintal, estava eu grávida.
Deitava-se muitas vezes sobre a minha barriga gigante a fazer ronrom e, hoje em dia, gosta de se aninhar junto à bebé quando ela está a mamar ou a dormir.
 
Os nossos animais

E estava tudo muito bem se ficasse por aqui... Mas não! Quem a quer ver é enfiada no berço da bebé, escondida na caixa das roupas sujas dela ou até mesmo dentro do roupeiro! Leva ralhetes e mais ralhetes (pequeninos, admito, porque acabamos por lhe achar uma certa piada), mas não troca por nada o conforto de estar aninhada no meio das coisas da dona pequenina.
 
Gato
 
Zangámo-nos com a gata mais a sério uma vez, no Dia dos Namorados. Tínhamos reservado uma mesa num restaurante distante da nossa casa, chovia bastante e já estávamos atrasados (a bebé tinha pouco mais de um mês e ainda nos estávamos a adaptar à logística das saídas). Tal não foi o nosso espanto quando vamos colocar a bebé no ovinho e verificamos que... estava ensopado de chichi!!! Teria sido o cão? Impossível! O ovo estava em cima da mesa da casa de jantar e a gata era a única que conseguia lá chegar. Mas o que teria passado pela cabeça da gata?! Não dizem que os gatos são super asseados? Felizmente, tinham nos dado um ovo em segunda mão, que usámos nesse dia para transportar a bebé no carro. Mas não era compatível com o carrinho... Como é que a levávamos para o restaurante? Lá fomos procurar a cadeira para mais de 9 kg, que estava guardada nem nos lembrávamos onde, dado que só seria usada daí a muitos meses. Depois, foi preciso ajustá-la para as menores dimensões, incliná-la horizontalmente o mais possível e verificar se era possível aí transportar a bebé em segurança. Concluímos que sim e saímos de casa com uma hora de atraso. As pessoas no restaurante devem ter estranhado, não tanto o nosso atraso, mas o porquê de uma bebé tão pequena ser transportada numa cadeira tão grande!

Outro dos nossos animais é um cão, que apesar de já ter três anos comporta-se (e penso que se comportará sempre!) como um cachorro, especialmente no que toca a fazer disparates.
Passado poucos dias de termos regressado da maternidade, deu-me logo um grande desgosto, pois roeu um gorro de lã de recém nascido que a minha mãe tinha feito... Algumas semanas depois repetiu a proeza com um gorro oferecido por uma pessoa amiga, mas, como foi só numa pontinha e a minha mãe é muito habilidosa, conseguiu remendá-lo e ficou como novo! Só gostava de compreender porque é que ele escolheu duas peças artesanais e, por isso, com um valor sentimental associado, quando o que não falta cá em casa são peças de roupa industrial com as quais me importaria muito menos!...
No que toca a destruição de coisas, deu também conta de duas chuchas e (por agora) é só...
 
Os nossos animais
 
De início, passava pela bebé, deitada na espreguiçadeira e, se não estivéssemos atentos, ousava tirar-lha da boca! Foi por um triz que tal não aconteceu umas duas ou três vezes!
Tal como a gata, gosta da bebé, ou pelo menos é o que demonstra com as lambidelas que lhe dá assim que nos distraímos. Ela encolhe-se e depois sorri bem disposta!
Sempre que me vê colocá-la no carrinho, fica convencido que o vou levar a passear, e salta eufórico à nossa frente.
No outro dia, o passeio correu menos bem. Felizmente tinha deixado a cadela em casa, porque estava coxa, se não a confusão teria sido ainda maior...
Sinto-me bastante cómica quando levo um cão de cada lado e o carrinho ao centro...
 
Os nossos animais
 
Só com um, a volta ao bairro tinha tudo para ser mais tranquila. Só que, de repente, o cão começou a ganir e a recusar-se a andar. Apercebi-me que tinha espetado um espinho na pata, pois estávamos mesmo ao pé de um cato gigante. Eu tentei tirar-lhe o espinho, mas ele não deixava, deitava-se no chão e recusava-se a andar. Agora imaginem-me com um carrinho de bebé, parado no meio da rua, de joelhos no alcatrão a tentar ajudar o cão. Vizinhos nem vê-los! Não passavam carros! O que é que eu havia de fazer? Não podia ficar ali ao calor... Não podia obrigar o cão a caminhar até casa... Não podia deixá-lo ali... Entretanto, uma amiga ligou-me, pedi-lhe socorro e ela pôs se a caminho (ainda eram uns quilómetros de carro!). Felizmente, o cão conseguiu ver se livre do pico com a ajuda dos dentes e voltámos todos para casa...

A cadela já é velhota e nunca teve paciência para crianças. Por agora mantém uma certa distância, mas acho que no fundo já percebeu que a bebé é o nosso tesouro e está também ela secretamente apaixonada!
 
A nossa bebé terá a sorte de crescer rodeada de bichos (não referi as andorinhas que regressam todas as primaveras, os melros que passeiam no nosso quintal, nem o gato e a cadela dos avós...). Com eles estabelecerá laços únicos e viverá momentos especiais.  Experienciará uma cumplicidade, sentirá um amor e um aprenderá um respeito, só conhecidos por quem teve a oportunidade de viver entre animais!

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