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domingo, 27 de janeiro de 2019

Síndrome mão-pé-boca e greve de mama

Cá em casa, começámos o ano do avesso!
Uns dias antes do aniversário da minha filha mais velha, tive febre associada a dores de garganta. Fui à médica de família e ela receitou-me um antibiótico para a amigdalite.
No dia seguinte à toma, comecei com uma sensação de desconforto nas mãos, em especial na direita. Parecia que tinha frieiras, mas a dor foi aumentando, tornando-se-me quase impossível fazer as tarefas mais básicas, como lavar a loiça, pois parecia que tinha as mãos cravejadas de cortes de papel. Isto com uma festa para preparar!
Associadas a esta dor, foram-se tornando mais visíveis várias pintas vermelhas nas duas mãos.



No dia da festa de anos, uma amiga olhou-me para as mãos e disse:
- Estás com a doença mão-pé-boca! Isso é super contagioso!
Já nem me deu dois beijinhos!
Contudo, nunca tal coisa me passara pela cabeça. Estava convencida de que se tratava de uma reação alérgica ao antibiótico. 

No entanto, nessa mesma tarde, o meu filho começou com um rubor numa das bochechas e umas borbulhitas à volta da boca. E o facto de andar só atrás do colo da mamã era sinal de que estava a ficar adoentado.


No dia seguinte, tinha também febre, fomos os dois às urgências e confirmou-se: síndrome mão-pé-boca. Muito contagioso. Dez dias afastados da escola e do trabalho.

Nesse dia, ele não quis mamar e eu fui apanhada de surpresa. Mal encostou a boca à mama, recuou e começou a abanar a cabeça em negação. Achei estranho, porque, das vezes anteriores em que adoeceu, nada lhe dava mais conforto do que a mama.
Mais estranho foi quando, no dia seguinte, a reação foi a mesma. E no outro. E no outro. Não procurava a maminha e, quando lha oferecia, abanava a cabeça e fugia de mim, como se lhe estivesse a mostrar um prato de ervilhas ou de queijo, alimentos estes de que não gosta.
Comecei a ficar muito triste, pois não estava preparada para uma rutura de maminha de um dia para o outro. Comecei a convencer-me que seria por o meu leite ter um sabor diferente, em resultado do novo antibiótico que o médico me receitara nas urgências.

Mas a mesma amiga que fizera o diagnóstico acertado da doença tranquilizou-me, dizendo que já lera sobre alguns bebés fazerem "greve de mama". Eu nunca tinha ouvido falar, mas fui pesquisar nos grupos de amamentação de que faço parte no Facebook. Encontrei informação sobre isso e o relato de algumas mães que haviam passado pelo mesmo. Só que, salvo raras exceções, os bebés não ficavam mais de dois ou três dias sem mamar. 

Apercebi-me de que tinha uma espécie de aftas na boca, junto à garganta, que poderiam provocar-lhe dor. Inicialmente nem queria comer nada de jeito… Quando começou a comer normalmente, mas manteve a recusa da mama, mais me convenci de que tinha chegado, ainda que abruptamente, o momento do desmame.

Ainda assim, continuei a oferecer-lhe mama, sempre sem forçar. Procurei fazê-lo quando acordava a meio da noite, por estar sonolento, como sugeriam algumas leituras, mas não resultou.
Ao fim de seis dias, ao acordar, aproveitei que estávamos deitados nos miminhos e que a irmã ainda dormia (pois, caso contrário, acabar-se-ia o sossego, tal é a sua energia!) para tirar a camisola e lhe mostrar as maminhas. De início, fugiu, mas depois começou a querer tocar-lhes e acabou por se decidir a provar, ainda que a medo. Foi cedendo aos poucos, até começar a mamar normalmente. O difícil, então, foi fazê-lo largar a mama!

Nesse dia e nos seguintes, continuou a mamar. Até hoje...
Está um pouco mais obsessivo com as suas maminhas... Normalmente não fica satisfeito só com uma, e tal não era habitual. Mama também durante períodos mais prolongados. Talvez esteja a regularizar a produção de leite, não sei…

Atualmente, penso que a greve de mama deve ter começado em resposta à dor que sentiu, que lhe provocou repulsa e medo de que se repetisse. Mas não estou totalmente convencida e ainda paira em mim a hipótese de que tenha tido a ver com o antibiótico...

No que respeita à doença, as borbulhas dele foram-se espalhando pelas mãos e, em menor quantidade, pelos pés e pernas. A minha única área afetada foram as mãos. Ao fim de alguns dias, começaram a secar…


quarta-feira, 21 de março de 2018

Diário de uma Mãe a Tempo Inteiro - Dia 3

DIA 3 - TERÇA-FEIRA



Hoje o Damião acordou com o pai a sair da cama e eu, morta de sono, disse para mim mesma "Nem penses que nos vamos levantar já!"... Então, apesar de ter continuado a tentar despertar-me com as suas vocalizações, fiz-me desentendida, dei-lhe maminha e ali ficámos naquela ronha de mama, dorme, acorda, mama, dorme... Quando finalmente a irmã acordou, pensei que fossem umas 11 da manhã... Engano! Ainda nem eram 9 horas! Mas, enfim, é bom sinal, é sinal de que dormi o suficiente.
Ficámos, como habitualmente, naquele despertar vagaroso, sem sair da cama, e a Elisa lembrou-se de ir ao seu quarto buscar um livro para fazer de conta que ia adormecer o mano. Trouxe um com vários contos de Grimm e foi contando as histórias. Foi tão bom ouvi-la! Primeiro porque me permitiu prolongar aquela mandriice e depois porque confirmei que já consegue contar com muitos pormenores a maioria daqueles contos!
Levantámo-nos, vestimo-nos e a Elisa quis ir brincar para o quintal. O Damião hoje não quis ficar no seu cantinho, pelo que o sentei na cadeira da papa, enquanto preparava o pequeno-almoço. 
Quando estava mesmo a terminar, a Elisa bateu à porta, dizendo-me que estava a começar a chover.
Comemos, com o Damião sempre inquieto e choroso.
De seguida, a Elisa quis ver os seus desenhos. Desta vez, optou por dois episódios da Heidi. Eu não sabia que havia uma versão mais moderna dos mesmos... Não me pareceram maus de todo.
O Damião continuava inquieto e só acalmou na maminha. Aliás, hoje esteve assim: desconfortável e sempre a querer mamar. Com ele mais calmo, ficámos nos mimos e a brincar.
Comecei a dobrar roupa (eu avisei!) e pu-lo no carrinho, para ver se dormia. Os desenhos animados terminaram e a Elisa queria que eu fosse brincar com ela. Quando lhe respondi que nesse momento não podia, pois estava a tentar adormecer o mano e queria dobrar a roupa que estava no cesto, fez birra. Começou a fazer um choro forçado, sentou-se no chão com cara de amuada e ainda atirou com umas peças de borracha. Disse-lhe que entendia perfeitamente que estivesse desapontada e zangada por não me ter como companheira de brincadeira, mas que ter aquele tipo de reação não ia ajudar a resolver nada. Expliquei-lhe que tal como eu não exigi que interrompesse a sua tarefa de ver os desenhos animados para fazer o que quer que fosse, também não era justo ela estar a exigir que eu parasse tudo para ir brincar com ela. Reforcei que entendia que ela se sentisse assim, que também eu queria brincar com ela, mas depois... "Tenho fome!", lembrou-se entretanto, em jeito de exigir a minha atenção, mas mudando de conversa. Fui buscar-lhe um queijinho e duas bolachas de chia. Comecei a andar pela casa, embalando o Damião no carrinho, e ela sempre atrás de mim. Depois, fui para a mesa dobrar a roupa e ela veio pedir-me que afastasse alguma roupa já dobrada para poder comer ali. Assim fiz.
O seu mau estar passou e, de seguida, lembrou-se de ir brincar com balões. Pediu-me que os enchesse e ainda me envolveu um bocadinho na brincadeira, ao mandá-los para junto de mim. Continuei na minha tarefa e ela brincou com a sua Nancy. Quando terminei, perguntei-lhe se me queria ajudar a arrumar a roupa nas gavetas e ela concordou satisfeita.
Depois, fomos brincar com os Playmobil. Estavam todos guardados num balde, pois tinha estado cá em casa uma amiga que é mais pequena e para a qual podiam ser perigosas aquelas peças tão pequenas. Penso que por estarem arrumados, a Elisa nunca mais tinha querido brincar com eles. Então ajudei-a a montar o cenário e, quando o Damião acordou e tive de interromper a brincadeira, ficou tranquilamente a brincar sozinha.
Pensei que ele estaria com fome e fui aquecer a sopa, mas ao fim da terceira colherada começou a chorar sem parar. Peguei nele e mamou. Só depois quis comer a sopa... Hoje esteve assim... Deve ser por causa do dente que rompeu ontem.
Fui fazer o almoço e a Elisa apareceu, como é seu costume, para me ajudar. Deixei que partisse as nozes e as colocasse na frigideira. Comemos hambúrgueres de tofu, com arroz, e espinafres salteados com nozes e canela. Estava delicioso!
O Damião continuava a choramingar e, como esfregava os olhos, pensei que tivesse sono. A Elisa foi lavar os dentes e fazer xixi, para ir dormir a sesta de seguida. Quando cheguei ao quarto, pediu-me para nos deitarmos os três, porque queria dar miminhos ao mano. Pareceu-me boa ideia e que ele adormeceria também. Mas não resultou e, ao fim de um bom bocado no qual ele literalmente lutava contra o sono, decidi trazê-lo para a sala, um pouco chateada com aquilo tudo.
Mamou outra vez e acabou por adormecer nos meus braços. Fiquei derretida a olhar para ele e depois deitei-o ao meu lado, no sofá, e comecei a adiantar o diário.
A Elisa acordou ao fim de um bocado. Ele acordou também. Ficaram os dois no meu colo, enquanto o amamentava novamente.
Depois, sentei-o no seu cantinho e fui brincar com a Elisa. Brincámos com uns bonecos miniatura que tem, jogámos ao jogo de cartas das bruxas e ao Koala Capers (com o Damião sempre a esticar o braço para tentar mexer nas cartas!).
Lanchámos e fomos organizar as coisas para a piscina. Assim, quando o pai chegou do trabalho, ela já tinha feito um desenho, andava a brincar com os balões e a fazer percursos com almofadas, mas já tínhamos tudo pronto e saímos de seguida. O pai ficou com o Damião, e nós duas fomos para a piscina: ela tem aula de natação e eu de hidroginástica. No balneário perguntou-me porque ficávamos com os dedos engelhados. Ficámos de pesquisar num livro de "Porquês" que temos em casa, mas afinal descobrimos que é sobre animais e não esse tipo de questões.
No regresso, passámos na churrasqueira e comprámos um frango para o jantar.
Já em casa, comemos e, em simultâneo, fomos dando a sopa ao Damião, que tinha estado a dormir. Depois, eu e o pai demos-lhe banho. Eu vesti o Damião, e o pai a Elisa. De seguida, fiquei a adormecê-los no meu quarto. Estava tão cansada que adormeci também...

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Este momento 4


{este momento} - Um ritual de sexta-feira. Uma simples foto, sem palavras, capturando um momento da semana. Um momento simples, especial e extraordinário. Um momento que eu quero parar, saborear e recordar.

Ideia original de Soule Mama, embora a minha fonte de inspiração tenham sido dois blogues que sigo já há alguns anos: A Horta Encantada e Colher de Mãe .


segunda-feira, 21 de agosto de 2017

O nascimento do segundo filho

Cá em casa já não somos só três! Somo quatro!
Nasceu o "bebé mano menino", como foi carinhosamente chamado pela mana mais velha durante os meses de gestação.


Foi um bebé planeado e muito desejado por todos, mas devo confessar que ao longo da gravidez tive momentos em que receei não saber amá-lo!
Sentia que a relação que tinha com a minha filha era tão especial e única, tão próxima e intensa, que receava não saber estabelecer uma relação igualmente forte com o bebé que ia nascer. Para além disso, temia que a chegada de um novo membro à família obrigasse a uma menor disponibilidade para a minha filha e que isso mudasse a relação que tínhamos. Acho que cheguei a ter medo que ela pudesse gostar menos de mim!

O facto de ser filha única, que tinha sido determinante na decisão de não querer ter um filho único, estava agora a atrapalhar a minha decisão de querer ter um segundo filho. Devido a essa minha experiência de vida, estava um pouco assustada com a possibilidade de não saber partilhar... Foi aí que uma amiga me fez ver que essa partilha não seria uma divisão mas uma multiplicação!
Não se enganou!

Estou totalmente rendida aos encantos do meu bebé!
E a mana também!

Quer ajudar em tudo...
"O mano boxou! O mano boxou!", grita em alerta vermelho, sempre que ele bolça e eu não estou a olhar. Sabe perfeitamente onde estão as compressas e o soro e traz-mos sempre que solicito, reconhece o creme da cara e o da muda de fralda. Ajuda-nos a dar-lhe banho. Tapa-o com uma fraldinha quando está deitado na espreguiçadeira.
É muito protetora e carinhosa...
Não deixa ninguém mexer na parte de trás da cabeça do mano e informa que têm de ter cuidado com os ossos dele, pois são muito frágeis. "Tudado! Muito tudado!, não se cansa de dizer. Dá-lhe beijinhos a torto e a direito! Logo ela que nunca foi nada beijoqueira e que até mesmo para dar beijos aos avós é só quando está para aí virada!

E, como o mano é um mamão dorminhoco, temos conseguido com alguma facilidade continuar a ter tempo para fazer as nossas atividades a duas. Aproveitamos para brincar na piscina, fazer plasticina, vestir os bonecos, entre outras coisas, durante as sestas do mano, mas também já temos, por exemplo, lido livros, desenhado ou feito puzzles quando ele está no meu colo à maminha!

Pensei que ela tivesse algum ciúme da maminha (que era tão dela!), pois deixou de mamar há cerca de meio ano e, durante a gravidez, às vezes, ainda o pedia, embora eu lhe explicasse que não tinha leite e que só voltaria a ter para o mano. Mas não. Não teve qualquer reação de posse em relação às mesmas. Acho que aceitou que cresceu e que a maminha é para o bebé.
A única situação em que sinto que ficou, até agora, um pouco abalada com a chegada do irmão foi a ida para a cama. Nem sempre consigo deitá-la e contar-lhe a história, pelo que agora esse momento tem sido partilhado com  o pai, mais frequentemente que o habitual. Então, diz meio chorosa que quer que seja mãe a deitá-la, recusa-se a ir para a cama tendo o pai que a convencer em forma de brincadeira e tem demorado mais a adormecer...

Quanto a birras, faz as suas de vez em quando... Acha que é dona da razão e tem dificuldade em aceitar que a contrariemos, mas não acho que isso esteja associado ao nascimento do irmão. Tem uma personalidade forte e...
... dois anos e meio!

domingo, 3 de abril de 2016

Menu diário de uma bebé de 15 meses

Cá em casa, vive uma bebé que (felizmente!!!) não nos dá dores de cabeça às refeições.

 
Aceita quase todos os alimentos com gosto (até agora, recusou-se a comer tomate e beterraba) e sem ser necessário nenhum tipo de confeção especial...

Procuro que tenha uma alimentação saudável, rica em fruta e legumes, e evitando o consumo de produtos industrializados. Aliás, acho que os únicos alimentos processados que consome são as massas sem glúten e o iogurte e, mesmo neste caso, opto por iogurte natural sem açúcar.
Ainda mama pelo menos ao acordar, ao lanche e ao deitar...
Até há bem pouco tempo, acordava várias vezes durante a noite para mamar, mas comecei a dar-lhe apenas colinho e a evitar a mama, no intuito de que acordasse menos vezes... Catorze meses a despertar de 2 em 2 horas e a acordar de manhã "fresquinha" para ir dar aulas a vinte e três "piolhos" de oito/nove anos é obra!

Foi nesta altura que decidi introduzir o iogurte na sua alimentação... E foi também aí que fiquei com receio de as suas necessidades nutricionais pudessem não ficar totalmente satisfeitas. Se mamava menos três ou quatro vezes por dia, que alimentos deveria acrescentar ao seu menu diário para compensar? Aliás, como deveria ser o seu menu diário?
É que entre os seis e os doze meses, há muita informação relativamente às refeições do bebé. No centro de saúde e na consulta de pediatria, entregaram-me inclusivamente um folheto com as "instruções".
Só que, a partir do ano de idade, o bebé deve começar a integrar gradualmente os hábitos alimentares da família...

Talvez porque as famílias têm realmente diferentes hábitos, não encontrei informação concreta acerca deste tema.
Algumas fontes apontam para 4 refeições diárias, mas tal não me faz sentido, porque eu própria sinto necessidade de comer (pelo menos!) 5 vezes.
Encontrei entretanto informação defensora de 5 refeições diárias, mas compostas por alimentos que não se integram na alimentação da nossa bebé. Por exemplo, com pão, que ela não pode comer em resultado da alergia ao trigo e ao glúten, ou sem sopa em todas as refeições, que a mim me parece essencial.

Depois de ler, refletir e fazer alguns ajustes naquilo que era já a sua alimentação diária, decidi partilhar convosco o que come a minha bebé.
 
 
Não quero de forma alguma que isto seja visto como o que é "certo", até porque não sou nutricionista e poderei inclusivamente estar a cometer alguns "erros".
Acredito também que este post ficaria mais rico, se quem tem ou já teve filhos desta idade divulgasse a sua própria experiência. Fico a aguardar os comentários!

sábado, 10 de outubro de 2015

A nossa bebé come que dá gosto!

Cá em casa, temos uma bebé que come muito bem!

Contudo, quem nos tem seguido e leu o que escrevi, quando iniciei a alimentação complementar aos seis meses em BLW, e ao fim de um mês de avanços e recuos, sabe que nem sempre assim foi...
De facto, a nossa bebé começou por não revelar qualquer interesse pela comida, nem em experimentar novos sabores... Fomos alternando entre diferentes estratégias relativamente à forma como lhe disponibilizávamos os alimentos, e tentámos não ficar ansiosos pelo facto de os recusar. Para isso, contribuiu de forma fulcral o facto de eu ter prolongado a minha licença, encontrando-me em casa, a acompanhar esta sua fase de transição alimentar a cem por cento e continuando a amamentá-la em livre demanda.
Apesar de quase não comer, como mamava bastante, a minha filha continuou a aumentar o peso de acordo com o esperado e eu sentia-me tranquila em relação ao facto de ela estar a receber todos os nutrientes de que necessitava.
Na verdade, mamou quase em exclusivo até aos sete meses e meio...

 
Entretanto, começou por aceitar algumas frutas, usando as suas mãos para as comer, ora com ora sem a nossa ajuda. A primeira vez que abriu a boca de forma voluntária para comer uma colherada foi igualmente com fruta, mas cozida. Depois começou a aceitar também as papas e só de seguida as sopas. Quando decidi introduzir carne na sopa, houve uma mudança positiva na sua aceitação. E de três ou quatro colheres passou a cinco ou seis, depois a sete ou oito e assim consecutivamente, sem pressas nem pressões, até ao ponto de comer um boião inteiro dos que uso para armazenar e congelar a sopa.
 
E o que come atualmente, com nove meses? Desisti do BLW?
Ao acordar, mama. Come papa caseira a meio da manhã. Ao almoço, sopa de legumes com carne, e fruta.  Mama novamente a meio da tarde uma ou duas vezes. Janta sopa de legumes com peixe, tendo fruta como sobremesa. Mama outra vez ao deitar e nas vezes em que acorda durante a noite.
Pode-se dizer que desisti do BLW, pois a oferta de alimentos inteiros para serem explorados por ela, apesar de não ter sido eliminada das nossas rotinas, passou a ter um lugar menor. De facto, apenas a fruta lhe é dada inteira e não toda. Manga, pêssego, ameixas, melão são alguns exemplos de frutas que ela gosta de comer sozinha. Para além disso, não come a nossa comida e nem sempre come ao mesmo tempo que nós (ela quer jantar antes das sete da tarde!).
No entanto, é ela que decide quando quer comer e em que quantidade. Ninguém a força quando se mostra satisfeita, nem são usados distratores durante as refeições. Os alimentos não são demasiado triturados e alguns são apenas grosseiramente esmagados (não esquecendo os que lhe são dados inteiros), pelo que a sua capacidade de mastigação continua a ser treinada. Também procuro que conheça o sabor dos alimentos individualmente, pelo que quando introduzi o peixe, por exemplo, dei-lho a provar antes de o inserir na sopa (sendo que não se fez rogada!)...


Quando começar a comer um segundo prato, talvez volte a disponibilizar-lhe mais alimentos inteiros...

Por agora, sinto-me satisfeita com a escolha que fizemos em relação à sua alimentação...
Aliás,  não foi sequer uma escolha! Foi uma adaptação aos seus comportamentos, uma experimentação e uma aprendizagem diárias.
E que resultou (até ver!) numa bebé feliz à mesa! Uma bebé que prova tudo o que lhe damos sem receio e que aprecia todos os alimentos que já conhece sem exceção!

É por isto que defendo que todas as mães deveriam ter a oportunidade de acompanhar os seus bebés neste processo, como eu o fiz. A licença de maternidade não só deveria estender-se até aos seis meses, para que os bebés pudessem mamar em exclusivo até essa altura, como é preconizado pela Organização Mundial de Saúde, mas também alargar-se para além disso, permitindo que a introdução dos alimentos sólidos fosse vivida com serenidade e sem pressas, independentemente do método utilizado!

Se clicar nos links seguintes, terei um pequeno ganho sem nenhum custo adicional para si. Desde já, agradeço!
 

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Despertares noturnos

Cá em casa, a nossa bebé acorda várias vezes durante a noite.
Lembro-me de, nas primeiras consultas de rotina da bebé, a enfermeira perguntar com que regularidade a minha bebé mamava e se, durante a noite, já fazia intervalos maiores... Respondi-lhe que sim, até porque a essa data isso era mesmo verdade! De noite, ela chegava a fazer intervalos de três ou quatro horas, mas de dia era comum mamar a cada duas horas, no máximo.
Na altura, apesar de dar de mamar em livre demanda, acreditava que era normal que, ao fim de pouco tempo, todos os bebés dormissem a noite inteira. Pensava que gradualmente ela iria pedir para mamar menos ao longo da noite, até dormir um sono completo, e que isso aconteceria nos primeiros meses de vida.
Efetivamente, é isso que a maior parte das pessoas espera. Essa é a ideia que está instaurada nas nossas mentes, porque é isso que nos tem sido transmitido...
No meu caso concreto, conta a minha mãe que sempre dormi muito, de dia e de noite. E que, mal cheguei a casa, após uma semana na maternidade (em que os bebés ficavam no berçário durante a noite e não junto das mães), já dormia cerca de sete horas seguidas!

Com a minha bebé isso ainda nunca aconteceu...
Perto dos três meses, chegou a fazer sonos de cinco horas, mas foram a exceção à regra. A seguir, começou a reduzir a duração dos mesmos e passaram a ser mais curtos do que eram ao fim do primeiro mês. Atualmente, com sete meses e meio, o mais comum é acordar a cada duas ou três horas. Mas já teve dias em que desperta ao fim de pouco mais de uma hora...
Estarei à beira de um ataque de nervos? Não...
Acredito agora que o "normal" é os bebés acordarem frequentemente ao longo da noite. Os que não o fazem não têm nada de "anormal", só não são a maioria, como tem sido preconizado.

Porque é que os bebés acordam?
Os motivos vão variando em função das diferentes etapas de desenvolvimento do bebé, uma vez que o sono é um processo evolutivo, que se vai alterando ao longo das nossas vidas. Contudo, fazendo uma abordagem mais geral, destacam-se a necessidade de segurança, de alimento e a adaptação às fases do sono.
Assim, um dos motivos para os seus despertares é a necessidade de saberem que quem cuida deles está por perto. Pensando na carga genética que carregamos, os sobreviventes da nossa espécie foram aqueles que conseguiram manter os seus progenitores por perto para os defender dos perigos.
Também acordam para mamar, estimulando deste modo a produção de leite, já que os níveis se prolactina (hormona responsável pela produção de leite) são mais elevados durante a noite.
Para além disso, os recém-nascidos têm apenas duas fases do sono. Acordam frequentemente na passagem de uma fase para a outra.  Entre os quatro e os sete meses, irão adquirir as cinco fases que caracterizam o sono de um adulto. Passam então por uma etapa de instabilidade, também com vários despertares. Isto explica o porquê de, a dada altura, a minha bebé ter começado a fazer novamente sonos mais curtos, como já referi.
Perguntam-me muitas vezes: "A bebé dá-vos boas noites?" E eu respondo que sim, porque é isso que sinto desde o início.
Deito-a por volta das oito e meia da noite e ela acorda definitivamente perto das nove da manhã. Durante a noite, acorda, mama e adormece. E eu acompanho o seu ritmo! Às vezes mal despertamos. Às vezes, adormeço quando ela ainda está a mamar!
O facto de ter colocado a cama dela, sem uma das grades, encostada à minha facilita muito esta dinâmica.

 

Na maior parte das noites, não me incomoda acordar algumas vezes, nem o sinto como um fator de cansaço. Digo "a maior parte", porque já existiram dias que em que acordei cansada e desejando poder dormir mais de doze horas seguidas! Mas não acontece isso com toda a gente, até mesmo com quem não tem filhos?

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sexta-feira, 10 de julho de 2015

Primeiras experiências em Baby-Led Weaning...

Cá em casa, a nossa bebé começou a explorar novos alimentos.

E quando escrevo "explorar" é mesmo a isso que me refiro...
 
Depois de muito ler em livros e outros blogues, recolher opiniões e experiências em grupos na internet, ver vídeos, ouvir a opinião da pediatra e pensar muito, muito, decidimos que a introdução dos alimentos sólidos se faria através do método Baby-Led Weaning.

Baby-Led Weaning?! O que é isso?
Fazendo uma tradução da expressão, será qualquer coisa como "desmame conduzido pelo bebé". Contudo, tal não significa que é o fim da amamentação. Esta continua a ser a fonte do seu alimento principal, mas o bebé tem um papel ativo na iniciação da alimentação complementar com sólidos. Isto acontece pois, em lugar de lhe serem dadas sopas e papas, à boca com uma colher, nas quantidades definidas pelos adultos (normalmente os pediatras), são lhe disponibilizados os alimentos (sem estarem triturados) para que ele os explore com as mãos. É ele que decide o que quer comer e em que quantidade.

Futuramente, penso escrever sobre as vantagens do Baby-Led Weaning (BLW), bem como do que nos motivou a esta escolha, mas, neste momento, vou me centrar em relatar como foram os primeiros contactos da bebé com a comida e em partilhar os meus pensamentos daí emergentes.

No primeiro dia, cortei a cenoura em palitos e cozi a vapor.
Coloquei um palito sobre o tabuleiro da sua cadeira e, como não estava a dar-lhe atenção, peguei nele e ofereci-lho. Ela agarrou-o e levou-o à boca. Partiu-se ao meio (penso que devia tê-lo cozido um pouco menos e talvez não tivesse sido má ideia cortá-lo mais grosso) e ela ficou a explorar uma parte.  Levou-a à boca, várias vezes, até ficar com uns pedacinhos lá dentro, que começou a mastigar. Cuspiu um desses pedacinhos e tentou engolir o outro.
Foi aqui que o reflexo gag entrou em ação! Ficámos a observá-la, tentando permanecer tranquilos, enquanto puxava o vómito. Ao fim de poucos segundos, conseguiu ver-se livre do bocadinho de cenoura, mas acabou por vomitar um pouco de leite que ainda teria no estômago. Tinha mamado enquanto eu fazia o almoço...
Não ficou assustada, continuou bem disposta, mas não mostrou mais interesse em levar as cenouras à boca... Ainda agarrou nelas, uma ou outra vez, agitando as mãos para cima e para baixo, mas nada mais...
Não foi uma experiência muito positiva, mas deu para percebermos que os mecanismos de defesa do bebé são mesmo acionados de modo a evitar que se engasguem (que era o nosso medo!)...


No segundo dia, tínhamos planeado dar-lhe brócolos, mas ela adormeceu, enquanto eu fazia o almoço.
À hora do lanche, estava desperta, pelo que achámos que seria uma boa altura para a introdução de um novo alimento. Já não havia brócolos, pois eu e o pai tínhamo-los comido, mas eu ia comer um pêssego, que partilhei com ela.
Mostrou-se interessada em agarrá-lo, mas, como era muito suculento, fugiu-lhe muitas vezes entre os dedos, antes que o conseguisse levar à boca. A partir do momento em que provou o seu sabor, não mostrou novamente interesse em colocá-lo na boca.
Fiquei a pensar que talvez não estivesse ainda preparada para novos alimentos. Nunca tinha lido nenhum relato de que as crianças desistissem de pôr a comida na boca, depois de tomarem conhecimento do seu sabor. E, em todos os vídeos que vi, elas não perdiam o interesse como aconteceu com a minha bebé. Tinha uma expetativa diferente, mas tentei não desanimar!


No terceiro dia, novamente à hora do lanche, ofereci-lhe melancia.
De início, pareceu outra vez interessada, pegou no pedaço com alguma dificuldade, mas conseguiu levá-lo à boca. Chupou-o, tendo se soltado um pedacinho, que ela ficou a mastigar. O pedaço era mesmo muito pequenino, mas mesmo assim foi o suficiente para que, mais uma vez, o reflexo gag fosse acionado e ela vomitasse, olhando-me com ar aflito.
Não quis mais colocar a melancia na boca, embora tenha permanecido bem disposta. Obviamente não insisti...
Mas fiquei a pensar que queria fazer BLW para que a hora da refeição fosse algo agradável e o facto de ela vomitar não estava a ser de todo agradável! Para além disso, o meu receio de que ela se engasgasse, em vez de desaparecer com o que ia vendo a cada dia, nesse preciso momento tinha aumentado, porque lhe observava muito menos destreza e interesse do que imaginara.

 
 
Então, conversei com o pai, recolhi opiniões junto de outras mães com mais experiência em Baby-Led Weaning, e tomei a decisão de lhe dar sopa à experiência.
Usando as palavras de uma amiga minha, pusemos a hipótese de que a nossa bebé fosse "mais tradicionalista" e gostasse mais que lhe déssemos a comida à colher...
 
Será que pensámos bem?
A primeira colher ainda lhe entrou na boca (talvez julgasse que era o medicamento das cólicas, de sabor adocicado, que tomava quando era mais pequena!)... Fiquei satisfeita porque não se agoniou, apesar das caretas! Contudo, nas vezes seguintes em que estendia a colher,  virou sempre a cara, fazendo-se desinteressada e eu não quis forçá-la
 
Partindo deste princípio de não usar a força, que é fundamental no BLW, e do qual não pretendíamos abdicar, tomámos nova decisão: em alguns momentos vamos oferecer-lhe os alimentos inteiros, noutros iremos oferecer-lhe sopa para que a explore da mesma maneira.
Haverá quem defenda que isto já não é BLW... Não me importo muito com nomenclaturas, mas com aquilo que acredito resultar melhor com a nossa bebé! E afinal, a sopa pode não fazer parte da dieta das mentoras deste método, mas faz parte da nossa! E a mim tranquiliza-me vê-la provar novos alimentos sem se agoniar ou vomitar!
 
Assim, ao almoço tem brincado com a colher e com a tijela da sopa! Nesta brincadeira, acredito que esteja a aprender...  Mesmo não comendo nada visível aos nossos olhos, vai se habituando aos novos sabores e até já conseguiu levar a colher uma vez ou outra com correção à boca (embora se mostre muito mais fã do cabo!).
 
 
 
Ao lanche, temos lhe oferecido fruta e legumes inteiros. A banana foi a que suscitou maior interesse até agora, mas continua a ficar agoniada e emite o som "aaaa", olhando para mim com alguma aflição...
 
 
Estamos a viver tudo isto com tranquilidade e sem pressas, mas tal só está a ser possível porque eu estou com ela em casa e estarei nos próximos dois meses (pedi Licença Parental Alargada, como relato neste texto). Se tivesse ido trabalhar no mês passado, como estava inicialmente previsto, ela estaria ainda menos preparada e nós estaríamos a querer que toda esta mudança acontecesse mais rapidamente.
E isso, infelizmente, é o que acontece com a grande maioria dos pais. O que me leva a pensar que muitos dos problemas associados à alimentação das crianças advém desta passagem abrupta. E isto conduz-me a outro pensamento, que já tenho tido algumas vezes desde que fui mãe: é extremamente injusto que não disponhamos de mais tempo para estar com os nossos bebés!
 
Não sei se esta estratégia que estamos a utilizar resultará. Mas, neste momento, é a que se nos mostra mais conciliável com as características da nossa bebé. O tempo o dirá...
 

sábado, 4 de julho de 2015

Seis meses de aleitamento materno exclusivo!

Cá em casa, a nossa bebé foi amamentada exclusivamente com leite materno até aos seis meses!
 
Quando engravidei e comecei a interessar-me pelo assunto, tornou-se clara para mim a importância da amamentação. Contudo, muitas das minhas amigas tinham deixado de amamentar ao fim de pouco tempo e eu ainda aceitava como natural que isto poderia acontecer-me (embora não o desejasse!). Não me passava pela cabeça que, com o tempo, com acesso a cada vez mais informação e com a vivência da experiência na primeira pessoa, algumas coisas mudariam no meu pensamento, fazendo-me dar ainda mais valor à amamentação.
 
Quem leu este meu texto, sabe que o início não foi fácil... Embora tenha conseguido manter as minhas convicções relativamente à não introdução de leite artificial (e mais uma vez tenho de partilhar a minha gratidão pela neonatologista que me ajudou!), deixei-me formatar no que toca aos horários para dar de mamar. Evitava dar de mamar se não tivesse decorrido um intervalo de pelo menos duas horas (mas a verdade também é que estava a ser tão doloroso que não sei se o poderia ter feito de outra maneira, mesmo sabendo o que sei hoje...) e cheguei a usar uma aplicação do telemóvel para monitorizar a duração e os intervalos entre as mamadas.
Gradualmente fui me desligando deste tipo de controlo e passei a dar de mamar sem olhar o relógio.
Se nós adultos não comemos exatamente às mesmas horas, nem a mesma quantidade em todas as refeições, e nem sempre sentimos fome ao fim do mesmo espaço de tempo, porque é que achamos que os bebés (que ainda se estão a adaptar a tudo) devem funcionar com tanta regularidade? Não faz muito sentido, pois não? Por esse motivo, o fator tempo desapareceu e bebé passou a mamar totalmente em livre demanda...
 
 
No começo, estava bem ciente da importância da amamentação para a saúde física do bebé e tinha uma ténue ideia de que também contribuiria positivamente para o seu bem estar psicológico, fortalecendo o vínculo afetivo com a mãe... Como referi, esta era uma ideia ténue, à qual não tinha dado especial atenção. Para mim, a função primordial da amamentação era alimentar, fornecendo ao bebé todos os nutrientes necessários para o seu desenvolvimento, mas também importantes anticorpos, que não estariam presentes no leite artificial. E era por isso que queria dar de mamar! Sou uma pessoa naturalmente afetuosa, gosto de mimar os que me rodeiam e achei que, tendo em conta estas minhas características, não era por dar de mamar que seria mais carinhosa com a minha bebé.
Mas volvidos estes seis meses, dar de mamar passou a ter uma dimensão muito mais abrangente do que a de simplesmente alimentar. Alimenta o corpo sim, mas talvez tão ou mais importante seja a forma com alimenta a alma! Minha e da bebé!
Se, de início, ela mamava de olhos fechados ou fixando o vazio, e já assim era tão prazeroso observá-la, mais especial se tornou, quando passou a procurar o meu olhar e a parar nele com amor. Um amor tão puro e doce!... Um amor que eu não conhecia e que até hoje só encontrei na inocência do seu olhar!
Se inicialmente ela abocanhava a minha mama instintiva e desajeitadamente, e já assim me deliciava ao vê-la, mais derretida fiquei, no dia em que conscientemente estendeu a sua mão para me tocar no rosto. Também este foi um toque desengonçado, de quem ainda está a aprender controlar os movimentos, mas carregado de uma ternura que não existe em mais nenhumas mãos!
Rendo-me aos seus encantos, nos dias em que dar de mamar se torna uma brincadeira, quando decide abocanhar e largar a mama, com intervalos de sorrisos e olhar maroto!...
Sirvo-lhe de consolo, nos momentos em que não se sente bem, quando só a minha maminha consegue acalmar-lhe o choro ou o mal-estar, e tranquilizá-la até adormecer...
E já que falo nisso, haverá melhor maneira de entrar num sono tranquilo?...

O facto de ter amamentado exclusivamente até agora, tem-nos proporcionado, a mim e à bebé, momentos únicos de união e partilha, que não teriam sido iguais noutros momentos do dia-a-dia...

Por tudo isto (e pelo que ainda vou descobrir!), continuarei a amamentar. Já não de forma exclusiva, porque a nossa bebé entrou numa nova etapa da sua vida, mas mantendo em mente que, até completar um ano, o leite materno deve continuar a ser o seu alimento principal!

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Livros que recomendo para pais e educadores - Parte 2

Cá em casa, está a aproximar-se o momento em que a bebé deixará de mamar exclusivamente e, naturalmente, tenho procurado informação sobre a introdução dos alimentos sólidos.

A leitura deste livro foi um resultado desta minha busca.
Também desta vez, vou centrar a minha abordagem nos aspetos que foram mais significativos para mim e que ficaram gravados na minha mente, ou seja, nas minhas aprendizagens.

Mi Niño No Me Come, de Carlos González (versão em espanhol)
 
Mais uma vez, o pediatra simplifica o que temos tendência a complicar! Se as crianças não comem mais é porque não precisam... Não há que obrigá-las! E não é por isso que deixam de crescer! O crescimento depende das suas características genéticas e não da quantidade de comida ingerida... Gostei particularmente desta sua afirmação: "Na realidade, não crescemos por termos comido, mas sim comemos porque estamos a crescer".
Achei interessante a sua explicação relativamente à recusa das crianças em comer legumes. Segundo ele, essa recusa não está relacionada com o sabor dos mesmos, mas sim com o facto de ser um alimento pouco calórico. As crianças precisam de alimentos concentrados, ou seja, que tenham muitas calorias em pequenas quantidades, como acontece com o leite materno. A quantidade de verduras que o adulto acha que a criança deve ingerir (pois tem a ideia de que é um alimento saudável, importante na sua dieta) é superior à que ela consegue, pois o seu estômago é bem mais pequeno! Se frequentemente se insiste para que coma mais, é natural que ganhe aversão.
Por volta do primeiro ano de idade, é comum as crianças terem uma perda de apetite ou, pelo menos, não se verificar um aumento da quantidade de comida ingerida até então, contrariamente às expectativas dos pais. Isto acontece pois deixam de crescer ao ritmo avassalador com que estavam a crescer até aí.
O autor também refere que, como qualquer animal, o ser humano não só sabe a quantidade, como o tipo de alimentos de que necessita. Assim, se disponibilizarmos alimentos variados e de qualidade, e dermos liberdade à criança, ela escolherá aqueles de que o seu organismo necessita (podendo haver dias em que se foca num só tipo, mas acabando por variar com o passar do tempo). No fundo, estará só a dar continuidade ao que já fazia quando apenas mamava (em livre demanda, entenda-se!).
E já que falo em amamentação, aproveito para referir que lhe é dada bastante atenção neste livro. Creio que, se o tivessem lido, muitas amigas e mulheres que conheço teriam vivido esta etapa da sua vida com mais tranquilidade e teriam dado de mamar por mais tempo.
González desmistifica ainda a necessidade de respeitar sempre os mesmos horários para as refeições, bem como a permanência no mesmo espaço para as fazer, ou o "problema" de se deixar as crianças petiscarem entre elas...
Também defende que a criança é capaz de comer sozinha, desde que começa a fazê-lo, e que é a falta de autonomia, que na maior parte dos casos lhe é dada, a responsável por, a determinada altura, se desinteressar...
Também neste livro, aponta as condições ideais para o bebé iniciar a alimentação complementar (o leite materno deverá continuar a ser o alimento principal até pelo menos um ano de idade). São elas: conseguir sentar-se sem apoio, ter perdido o reflexo de extrusão (defesa que consiste em expulsar com a língua qualquer objeto estranho), mostrar interesse pela comida dos adultos e ser capaz de mostrar por gestos se tem fome ou está saciado.

Analisando cada uma delas, verifico que... a minha bebé já está pronta! Agora é aguardar que faça seis meses, para começar uma nova aventura: a das texturas, cores e sabores!


domingo, 15 de março de 2015

Chucha - sim ou não?




 
Cá em casa, a bebé usa chucha!

Antes mesmo de nascer, já tinha três chuchas, oferecidas por pessoas amigas.
Na altura, eu não tinha qualquer ideia concebida em relação ao facto de querer ou não que a minha bebé usasse chupeta, não tinha sequer pensado no assunto! Estavam guardadas num armário, à espera de serem necessárias. Como tinha a ideia que se isso acontecesse seria bem mais lá para a frente e que nos primeiros tempos o seu uso podia comprometer a amamentação, nem me passou pela cabeça levá-la para a maternidade, como já ouvi alguns relatos... Ainda bem!

Contudo, logo nos primeiros dias passados em casa, nos momentos em que a bebé chorava e fazia movimentos com a boca, comecei a ouvir conselhos, especialmente vindos das avós, para lhe dar chucha. Comecei por negar, convicta de que isso iria ter repercussões na forma como a bebé fazia a pega da mama, algo que ainda estava em processo de aprendizagem.

Para me sentir mais segura na minha escolha, comecei a fazer pesquisas e dei por mim a pensar que não fazia qualquer sentido usar este objeto! Embora inicialmente não tivesse nada contra chupetas, depois de ler e refletir, concluí que eram algo completamente antinatural oferecido pelos adultos às crianças! Muitas delas, no princípio, nem gostam e recusam-nas, sendo necessária alguma insistência para que as aceitem... Isto tudo para que, uns anos mais tarde quando já desenvolveram um sentimento de habituação relativamente à mesma, esses mesmos adultos andem em conflito com elas para as convencerem que não devem mais chuchar.
Ora, eu não queria ser responsável pela criação do primeiro vício da minha filha!
 
Só que mesmo depois de mamar, ela procurava o consolo da mama. E eu não lho podia dar, por ter os mamilos feridos... Nessa altura só pedia "Intervalos maiores, por favor!"...
Os avós (sim, já não eram só as avós!) insistiam na chucha. Recebemos a visita domiciliar de uma enfermeira do hospital, responsável pelo acompanhamento pós-parto, que também o sugeriu. Uma amiga nossa, enfermeira neonatologista, quando veio cá a casa, acalmou facilmente a bebé, oferecendo-lhe o seu dedo para que chuchasse e também sugeriu o uso de chupeta. Enfim...
O pai foi o primeiro a ficar convencido. E eu acabei por ceder.
Importa referir que isso só aconteceu quando senti que a bebé já fazia uma pega correta e de forma automática.

A bebé aceitou logo a chucha e, de facto, verifiquei a sua utilidade no processo de a acalmar.
Mas aqui passámos a ter um novo problema, que no meu processo de aceitação da chupeta (é claro que não foi imediato!) ainda usei como argumento contra: sempre que a deixava cair da boca (e isso acontecia muitas vezes!), chorava e um de nós tinha de ir lá colocá-la novamente. Acho que aqui o pai vacilou e chegou a questionar se não teria sido melhor fazer o que eu dizia...

Entretanto, rendi-me completamente e deixei de ver a chucha como um "bicho mau". Embora seja algo artificial, dá imenso jeito. Durante ainda bastante tempo, a bebé não conseguia levar as mãos à boca e com a chucha a sua necessidade de sucção foi sendo satisfeita. Agora que já vai conseguindo fazê-lo, é ela própria quem muitas vezes cospe a chucha e procura os dedos.

 
É interessante que não vejo (por agora e espero que no futuro) que a chucha seja para ela um vício. Há dias em que adormece com chucha, outros que a cospe, outros que nem chego a dar-lha. Tem momentos em que acalma o choro usando-a, outros em que não serve de nada. Há situações em que procura pôr as mãos na boca, outras vezes não as quer mesmo que a ajude a alcançá-las...

 
Ontem, fomos almoçar fora. A meio da refeição, ela franziu o sobrolho com "cara de poucos amigos" e ameaçou chorar. O pai esboçou imediatamente um esgar de pânico: "A chucha? Não trouxemos a chucha?! É melhor ir ao carro ver se está lá alguma!!"
Parece-me que, por agora, o vício é mais nosso, adultos!
 
Se me questiono ainda em relação ao uso da chucha? Pouco, mas ainda acontece...
O que penso nessas alturas é se, no seu lugar, nos momentos de desconforto da bebé, deveria oferece-lhe maminha. Porque isso seria o que é natural, que seria feito pelas mulheres antes da invenção das chupetas...
Mas depois tento vivenciar as coisas de uma forma mais prática e adaptada à minha realidade atual. O natural seria andarmos todos a pé e contudo já ninguém dispensa o carro, a bicicleta, o avião e afins! Isto só para dar um de ínfimos exemplos...
Há alturas em que obviamente (e ainda bem!) nada substitui o conforto da maminha. Mas passei a aceitar a chupeta como uma aliada, pois só ganho "macaquinhos no sótão" ao tê-la como uma inimiga!

 

terça-feira, 3 de março de 2015

Amamentação

Cá em casa, a bebé é amamentada exclusivamente com leite materno.
 

E eu andava, já há algum tempo, a pensar se havia ou não de escrever sobre este tema.
 
Entretanto fui a um almoço com umas amigas (já todas com filhos mais crescidos que a minha) e o tema da amamentação veio à baila. Todas elas (e também eu!), num ou noutro momento, tinham sentido constrangimentos associados ao dar de mamar. Constrangimentos estes provocados por pessoas em seu redor, ou seja, familiares, amigas e até profissionais de saúde, que certamente queriam o seu bem e que, partindo da sua experiência e conhecimentos, tentaram aconselhá-las. Estes conselhos surgiram depois de, por uma ou outra razão, essas pessoas concluírem que os bebés tinham fome. Daqui as conversas rapidamente se focaram na quantidade (insuficiente) de leite produzido, passando pela qualidade (fraca) do mesmo e terminando no... (milagroso) suplemento!
 
Esta conversa, juntamente com o facto de uma grande amiga minha ainda hoje sofrer por ter deixado de amamentar precocemente (quando o desejava tanto!), aliado a outros relatos de amigas que também passaram por dificuldades e aos imensos testemunhos de outras mães que tenho lido aqui e ali, fez com que decidisse partilhar a minha experiência.

Quero, no entanto, referir que não considero que o facto de amamentarmos ou não seja o que faz de nós melhores ou piores mães. Quem opta por não o fazer, ou é conduzido a tal pelas mais diversas justificações, poderá ainda assim desempenhar de uma forma fantástica o seu papel de mãe! O amor, esse sim é determinante! E a forma como cada um ama não é medida, no meu entender, pela quantidade de leite materno que disponibiliza ao seu bebé...

Assim, o que me leva a abordar este tema não é o querer convencer ninguém de que deve dar de mamar. É antes verificar que muitas pessoas queriam amamentar e não foram apoiadas para o fazer.

Como é que tudo se passou comigo?


A minha bebé mamou ainda na primeira hora de vida, durante o recobro (esse era um dos pontos do meu plano de parto). Acontece que fui aconselhada pela enfermeira a segurar a mama como na primeira imagem e, embora tivesse aprendido no curso de preparação para o parto que o deveria fazer como está representado na segunda, naquele momento não tive capacidade de pôr em prática estes conhecimentos e confiei no que me foi dito pela profissional de saúde que me estava a acompanhar. Coincidência ou não, a verdade é que a minha bebé não fez uma boa pega e fiquei com o mamilo direito magoado logo aí.

Durante o dia que se seguiu (ela nasceu de madrugada), assim que outra das enfermeiras se apercebeu de como eu tinha a mama, aconselhou-me a usar um bico de silicone. Eu assim o fiz, sem ter na altura muita noção de que tal poderia comprometer a pega que a minha bebé faria do peito.
A bebé foi mamando alternadamente de uma e de outra mama e, provavelmente porque continuei a segurar o peito com os dedos em forma de pinça, o mamilo esquerdo acabou por ficar igualmente com fissuras. 
Nessa altura, eu não sentia isso como um problema. Achei que era algo normal, que estava a acontecer porque a pele dos mamilos é sensível e que entretanto curaria. Estava imensamente feliz e não me sentia nada preocupada com quaisquer questões ligadas à amamentação!
 
Mas entretanto, à medida que as horas iam passando, vários enfermeiros iam passando pelo quarto para nos observar e  colocar as questões que lhes competem, nas quais se incluíam "há quanto tempo mamou?" e "durante quanto tempo?". Isto porque a bebé não poderia estar mais de três horas sem mamar e, se fosse necessário, teria de a acordar... Enfiada num quarto de hospital, quase sem dormir, completamente apaixonada por aquele novo ser e sem qualquer noção do tempo, como queriam que soubesse há quanto tempo e durante quanto tempo tinha mamado?! Tinha mamado na última vez em que acordara a choramingar e enquanto o desejou! A dada altura, dei por mim a tomar notas no telemóvel para não me esquecer... E aqui, sim, comecei a ficar stressada!

Para piorar a situação, à medida que as horas iam passando, mesmo depois de mamar, a bebé continuava com a boca à procura da mama. E, embora lhe oferecesse uma mama depois da outra, continuava a choramingar. Inicialmente eu achava que tal se devia ao facto de estar inquieta por ter recebido muitas visitas ao longo do dia e fiz ouvidos moucos aos comentários das mesmas, de que teria fome... Mas, nessa noite, a situação não teve melhorias, ela não parava de chorar, e uma outra enfermeira sugeriu que lhe dessemos suplemento até que ocorresse a descida do leite, alegando que o meu colostro não estaria a satisfazer a bebé. Comecei por negar (consciente do que tinha aprendido ainda durante a gravidez), mas, ao ver que a bebé continuava insatisfeita e com as normais inseguranças de quem acabou de ser mãe, acabei por ceder. Uma maminha, depois a outra e, se necessário, biberão no final!

E teria saído do hospital neste registo, comprometendo provavelmente todo o processo de amamentação, se não tivesse, na manhã em que tive alta, recebido a visita da neonatologista responsável pela alta da bebé. Se já então acreditava que nada acontece por coincidência, o aparecimento desta médica só veio reforçar a minha crença, pois foi portadora de uma mensagem que alterou de forma crucial o rumo dos acontecimentos.
Deu-me segurança ao relembrar-me que não existem leites fracos, que o colostro que estava a produzir era única e exclusivamente aquilo de que a bebé precisava... Se a bebé se mostrava insatisfeita, era porque não estava a obter todo o leite de que necessitava, em resultado de uma má pega. Quanto ao mamilo de silicone, não nos estava, a mim e à bebé, a ajudar em nada...
Ofereceu-se para me ajudar na mamada seguinte e eu, mesmo já tendo tido alta, permaneci no hospital para que tal acontecesse.
 
 
Ela ensinou-me a agarrar a bebé como na imagem, colocando o seu rabo na parte interior do meu cotovelo (dobrado num ângulo de 90°) e a sua cara apoiada na minha mão. O meu dedo polegar deveria ficar na parte de trás do pescoço da bebé, pronto para o empurrar no momento em que ela estivesse de boca bem aberta, de modo a abocanhar assim toda a auréola da mama. A outra mão seguraria a mama com os dedos polegar e indicador em forma de C.
 
 
Logo nesse momento, a bebé agarrou a mama corretamente. 

Já em casa, usei sempre esta estratégia, até o gesto de dar de mamar se tornar automático quer para mim quer para a bebé. Não voltei a usar o bico de silicone ou a oferecer suplemento à bebé. Ela fica satisfeita depois de mamar e está a crescer bem! As feridas nos mamilos demoraram cerca de três semanas a sarar totalmente (e consegui-o usando uma pomada aconselhada por uma amiga, Cicamel, num número de vezes ao dia superior ao recomendado, admito!). Foi doloroso, mas valeu a pena o esforço.
 
Agora já posso dizer algo que me parecia impossível de início: Adoro dar de mamar!
 
 
 
 

 
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