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sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Quer fazer tudo à sua maneira e acaba por dar asneira!

Cá em casa, a nossa filha de 3 anos e meio é muito decidida e frequentemente quer fazer as coisas à sua maneira. Mesmo em situações em que lhe dizemos que não o faça, insiste e, se acaba por o fazer, é bem provável que "dê asneira"!

Às vezes, ficamos irritados, pois "bem que avisámos!". E lá vem a conversa de que tem de escutar o que lhe dizemos, de que se os pais lhe dizem para fazer algo de determinada maneira ou para não o fazer de todo é porque conseguem prever o que vai acontecer e querem o melhor para ela, blá blá blá blá blá blá... Ou então, num momento em que estamos com menos paciência, acabamos mesmo por elevar a voz perante essa teimosia e definimos uma "consequência" qualquer para que aprenda a não ser tão teimosa.

Mas... dei por mim a pensar há instantes, porque será que nos irrita tanto que queiram fazer tudo sozinhos e à sua maneira?

Não queremos filhos autónomos? Decididos? Proativos? Persistentes? Capazes de encontrar soluções?
Queremos... Eu, pelo menos, quero!
Então que contrassenso é este?


Dei por mim nestes pensamentos, enquanto embalava o mano no carrinho e olhava pela janela. Vi a coberta da piscina estendida e lembrei-me do que se passou de manhã. Estávamos no quintal e a minha filha lembrou-se de que queria tapar a piscina, pois queria que a água estivesse quentinha da parte da tarde. Eu disse-lhe que era boa ideia e que a ia ajudar. 
"Eu consigo sozinha!"
"Não consegues não, pois é preciso ter braços mais compridos. Eu vou ajudar-te."
E nisto dirigi-me à piscina, para retirar de lá as boias. Quando me virei, lá vinha ela com a coberta a arrastar pelo chão.
"Eu disse que te ajudava! Vens com isso a arrastar pelo chão e agora não dá para pôr na piscina, se não vai ficar toda suja! Porque é que não esperaste por mim?", disse chateada. Penso que controlei o tom de voz, mas lá veio a "consequência" e o sermão: "Agora a coberta vai ficar aqui na corda a secar, para podermos sacudir a terra mais tarde. Se tivesses tido calma e feito com te disse já tínhamos a piscina tapada!"
Consigo agora, que me encontro emocionalmente distante do momento descrito, perceber que não fiz mais do que castigar a minha filha por ter tido a iniciativa de fazer algo que era importante para ela, mas que infelizmente não correu como desejava. Poderia ter feito a observação de que a coberta estava suja, de que poderia ter tido calma, esperando pela minha ajuda, e de seguida ir buscar a mangueira para a limpar, colocando-a sobre a piscina.
Porque é que não o fiz? Talvez porque há uma tendência inconsciente de repetir padrões e provavelmente foi isto que vi fazer toda a vida... Nem sei se terá sido no meu seio familiar, mas não duvido de que é o que acontece na sociedade em geral. Ela não me obedeceu e isso mexeu com os meus sentimentos e o meu orgulho.
Teria dado mais trabalho limpar a coberta, pois teria... Mas transmitir-lhe-ia a ideia de que estou cá para ajudá-la mesmo quando toma decisões menos acertadas. Ensinar-lhe-ia que perante os problemas, há que encontrar soluções em vez de nos focarmos no lado negativo. Ter-lhe-ia mostrado que errar não faz mal, mas que é importante termos humildade para escutar os conselhos dos outros, pois estes também têm humildade para nos ajudar, mesmo quando vamos contra as suas opiniões e juízos.

Ontem, quando já estava escuro, lembrou-se de ir apanhar um tomate à horta que tinha visto estar já vermelho. Embora lhe dissesse que não era boa ideia, pois já era de noite e poderia fazê-lo no dia seguinte, insistiu, pegou na boneca luminosa e lá foi. Voltou cabisbaixa com um tomate verdíssimo e pediu-me desculpa.
Anteontem, insistiu em ir para a piscina de manhã. Expliquei-lhe que a piscina estava à sombra e que a água estava fria, que talvez fosse melhor ir só depois do almoço. Tanto insistiu que acedi. Entrou dentro de água, arrepiou-se toda, nem chegou a molhar o tronco e ao fim de uns minutos quis sair.
Já insistiu em colocar a água no copo, quando o jarro era demasiado pesado, tendo entornado tudo. Já insistiu em colocar mais cereais no iogurte, apesar dos avisos de que seriam demais para a sua necessidade, não sendo depois capaz de terminar a refeição. Já encharcou completamente a casa de banho por decidir lavar as mãos no lavatório com o sabonete líquido novo, embora eu lhe tivesse dito (várias vezes!) que fosse lavar as mãos no bidé. Já sujou os ténis que dão luz, arriscando-se a que ficassem estragados na lavagem, por ter decidido ir brincar com eles para a terra, apesar dos meus avisos em contrário. Já insistiu em comer ameixa, apesar das minhas recomendações para que não o fizesse por não estar madura, sendo depois incapaz de o fazer de tão azeda que estava.
E nestas e noutras situações semelhantes, vou reagindo, ora com mais calma e flexibilidade, ora com maior exacerbação e intolerância.

O facto de hoje ter parado para refletir, tornou-me mais consciente e ajudar-me-á certamente a reagir mais adequadamente nas situações futuras.
Quando a minha filha toma a iniciativa de fazer algo à sua maneira está apenas a querer experimentar o que resulta ou não na sua relação com o mundo. Nem sempre está a querer contrariar-me, confrontar-me, pôr-me à prova (embora às vezes também o faça!)... Alguns dos meus conselhos serão escutados, mas em muitas situações ela terá de passar à ação e contactar diretamente com as consequências das suas escolhas. Outras vezes, estará tão entusiasmada com a sua ideia que não haverá tempo para a reflexão, fará as coisas sem pensar!
E eu estou cá para dar umas mangueiradas na coberta da piscina, lavar os ténis cuidadosamente à mão, dar uma risada quando a sua cara faz mil expressões de desagrado ao mastigar a ameixa!

domingo, 6 de maio de 2018

Mãos à Obra 2

Já regressei ao trabalho e a nossa filha começou a frequentar o jardim de infância.
Como uma das prendas do Dia da Mãe, trouxe um postal lindíssimo em que desenhou o meu corpo numa folha onde estava colada a fotografia da minha cara.
Então, ontem propus-lhe que fizéssemos criações semelhantes, mas com recortes de revista. De manhã, desenhámos o corpo de uma senhora (sim, eu também fiz o meu!). À tarde, fizemos árvores com frutas. Comentou que as suas frutas não estavam tão bem cortadas como as minhas. Então, depois de lhe explicar que era normal que ela, que está a começar a aprender, não cortasse tão bem como eu, mas que com o treino cortará tão bem ou melhor, acrescentei que as maçãs dela poderiam ter sido comidas por um passarinho. Achou boa ideia e desenhou também um.

E já agora...

                   ... Feliz Dia da Mãe a todas as mães fantásticas que andam por aí!

quinta-feira, 22 de março de 2018

Diário de uma Mãe a Tempo Inteiro - Dia 5

DIA 5 - QUINTA-FEIRA

Mais uma vez, acordámos ainda com o pai em casa, ou seja, cedo. Ficámos naquele despertar vagaroso, levantámo-nos e vestimo-nos. O Damião estava outra vez molhado. Tem mamado tanto durante a noite, que não há fralda que aguente!
A Elisa quis novamente ir logo para a rua. Esteve a brincar com o cão às corridas e andou de baloiço.
Depois de comermos o habitual pequeno-almoço, composto por fruta, iogurte natural e cereais, eu fiquei a fazer algumas tarefas domésticas. O Damião esteve a explorar os seus brinquedos, com a mana à sua volta a brincar ao faz-de-conta, recriando uns desenhos animados da Barbie e de uma sereia. A seguir, quis desenhar e fez outra árvore, desta vez acompanhada de um sol, um rio e um barco.
Depois, pediu-me para ver a Elena de Avalor na televisão, mas eu queria adormecer o mano. Então sugeri-lhe que pintássemos uns desenhos de um livro de colorir que tem, enquanto eu o embalava no carrinho e lhe cantava canções. Concordou.
Terminada essa atividade, pus-lhe os desenhos que me pediu e aproveitei que o Damião dormia para continuar nas minhas tarefas, que envolviam, claro está, dobrar roupa! Fui interrompida, ao fim de pouco tempo, pois atualmente ele faz sonos muito curtos, pelo que estas tarefas foram sendo feitas em curtos espaços de tempo ao longo do dia.
Brinquei com ele e trocámos mimos.
Depois lembrei-me que gostava de fazer uns hambúrgueres de lentilhas para o almoço e fui procurar uma receita. Segui as primeiras indicações e, enquanto as lentilhas ficaram a cozinhar, convidei a Elisa a irmos lá fora, semear as restantes flores e os tomateiros que comprámos. O Damião esteve no carrinho, mas esteve choroso. Então, vim para dentro, terminar o almoço e, com o barulho do exaustor e das minhas canções, ele adormeceu num instantinho. A Elisa ficou a brincar no quintal. Quando voltou, teve de mudar de roupa, pois estava molhada e cheia de terra. 
O Damião acordou quando íamos sentar-nos à mesa, pelo que fiz também a papa dele e dei-lha. A Elisa quis comer o que sobrou como sobremesa.
Depois, fiquei a arrumar a cozinha e pedi-lhe que fosse lavar os dentes, como habitualmente, para ir fazer a sesta de seguida. Só que, quando cheguei à casa de banho, o bidé estava cheio de água com espuma e ela estava a mergulhar a escova no bidé, algo tanto eu como o pai já lhe explicámos que não se faz. Voltei a explicar-lhe que aquela água estava suja, que não era o sítio ideal para pôr a escova que depois irá colocar dentro da boca. Disse-lhe que confiava no facto de que ela era capaz de lavar os dentes sozinha, mas que aquilo não o demonstrava. Acrescentei que havia outros momentos para brincar com água, como por exemplo quando o fez antes do almoço no quintal, mas que aquele momento era para uma tarefa específica: escovar os dentes. Em jeito de acabar com a conversa, disse-me: "Tenho as mangas molhadas! Ajuda-me a tirar a camisola...". E eu respondi-lhe que essa era uma consequência da sua escolha, que não ia dar-lhe outra roupa para vestir. Ainda fez aquele choramingar forçado, mas eu fui continuando a falar e ela acedeu. Veio deitar-se na cama, junto a mim e do mano, e eu fui lhe explicando todas as nossas escolhas têm consequências, e que estas, por sua vez, podem ser boas ou más. Quis exemplos. Muitos. Dei-lhe alguns, mas agora só me lembro deste: "Posso escolher ir para a rua sem casaco. Se estiver frio, sinto-me desconfortável (consequência má), se estiver calor, sinto-me bem (consequência boa)."
Não estava muito inspirada (tinha gasto toda a inspiração em consequências!), por isso em vez de contar uma história de memória, escolhi ler-lhe alguns contos de Grimm.
Vim com o Damião para a sala, brinquei algum tempo com ele e depois deixei-o entretido com os seus brinquedos e comecei a adiantar o diário.
O momento em que se chateou e quis mamar coincidiu com o momento em que a Elisa também acordou. Então, mais uma vez fiquei com os dois aninhados no meu colo. Ele adormeceu e eu fui deitá-lo na sua cama.
Fiquei com a Elisa a jogar às cartas das bruxas - o jogo do momento! Entretanto, ela lembrou-se que há muito tempo não fazia um puzzle que tem sobre a reprodução dos animais. Estivemos a fazê-lo e depois ajudei-a a separar os animais por classes: mamíferos, peixes, aves, répteis e insetos. Começou a dizer-me que a joaninha se ia transformar em borboleta e então aproveitei para lhe mostrar um livro com umas ilustrações lindíssimas que comprei há uns dias: A butterfly is patient. Traduzi-lhe algumas páginas e guardámos o resto para outro dia.
O Damião acordou, lanchámos e fomos preparar-nos para sair, pois hoje a Elisa tinha aula de ballet. Só que o Damião teve uma crise de choro. Não parava de chorar e eu não estava conseguir acalmá-lo. Mama não era, porque já tinha mamado e até estava a bolsar-se. Talvez fosse má disposição por ter mamado de mais... Eu segurava-o ao colo, tentava aconchegá-lo junto mim, ou distraí-lo, dar-lhe algum brinquedo, pôr-lhe a chucha... Nada estava a resultar! Cada vez chorava mais, muito enervado! E o Damião é um bebé calmo... Isto é algo que não costuma acontecer... Decidi levá-lo para o quintal e acabou por acalmar, mas assim que voltámos para dentro e tentei colocá-lo no ovo, pois íamos de carro, começou novamente a choradeira. Eu já estava nervosa também, apesar de não querer sentir-me assim... Quando saímos definitivamente de casa, acalmou. Fiquei sem ter a certeza do que era realmente, mas senti-me muito desgastada, após esse momento.
Antes da aula de ballet, a Elisa aproveitou para brincar com as amigas. Tentamos ir sempre com alguma antecedência, para ela ter oportunidade de estar com elas. Levou um livro com puzzles, mas não queria que a amiga os montasse com ela. Então, chamei-a ao pé de mim e disse-lhe que ela tinha o direito de não emprestar os seus brinquedos, mas que se tinha levado aquele livro de propósito para mostrar às amigas, não fazia muito sentido que não o partilhasse, que assim sendo mais valia tê-lo deixado em casa... A mãe dessa menina estendeu-lhe uma boneca da filha, ela agarrou-a e já não deu mais importância ao livro, tendo a menina ficado entretida com o mesmo. Estava resolvido o assunto!
Chegados a casa, já o pai cá estava. Foi a rotina do costume: tratar do jantar, banhos e cama da pequenada. Enquanto fiz o jantar, a Elisa ainda esteve ajudar-me a arrumar os talheres na gaveta... Ao jantar, o mano comeu a sopa toda e ainda repetiu. Ela comeu tudo com custo. Depois, a Elisa pediu-nos para tomarem banho juntos e estiveram felicíssimos a brincar na banheira! Eu adormeci o Damião, o pai adormeceu-a a ela. Agora, vim finalizar o diário e não deve faltar muito para também me ir deitar.

quarta-feira, 14 de março de 2018

Matemática aos 3 anos? Porque não?

Cá em casa, a nossa filha de 3 anos vai aprendendo conteúdos de Matemática sem se dar conta.

Decidi escrever este texto, pois sendo professora de 1º ciclo, estou certamente mais desperta para uma quantidade de situações do dia-a-dia em que nós, pais, podemos abordar a Matemática de uma forma divertida e natural. Se converso com ela acerca das mudanças que vão surgindo com as diferentes estações do ano, nomeio os diferentes ingredientes usados na refeição quando me pergunta "o que é hoje a papinha?", ou faço questão de referir os nomes das cores quando escolhemos a roupa ou pintamos com lápis, porque não havemos de falar de números, de conceitos geométricos e até resolver problemas?
Temos um ou outro livro que incita a que façamos contagens.
Também contamos os dedos das mãos e dos pés, quando em jeito de brincadeira lhe perguntamos: "Quantos dedos tens hoje? Parece-me que já não tens todos os que tinhas ontem!".
Contamos as cenouras que pomos no saco no minimercado.
Contamos as moedas que o avô lhe dá para pôr no mealheiro.
Contamos as bolachas e as passas que tiramos do pacote.
Contamos o número de casas a avançar nos jogos de tabuleiro.
Contamos os passarinhos que estão pousados na árvore do nosso quintal.

No outro dia, fui surpreendida por ela, pois, ao entrarmos em casa, reconheceu os algarismos do número da nossa porta. Nunca fiz nenhuma atividade específica de reconhecimento de números, nem tentei "ensiná-los" de forma nenhuma, mas, pelo simples contacto com os livros onde eles aparecem, ela associou os símbolos e identificou-os.

Contudo, ensino-lhe lengalengas, que a vão ajudando a desenvolver o conceito de número e que, mais tarde, lhe serão úteis na capacidade de realizar cálculos mentais.
É o caso da seguinte, que é feita com mímica, e que termina sempre com uma enorme gargalhada. Adivinhem porquê!
"Um mais um igual a dois,
Nesta quinta havia bois.
Dois mais dois igual a quatro,
E também havia um pato.
Três mais três igual a seis,
Os seus donos eram reis,
Quatro mais quatro igual a oito,
Que gostavam de biscoito.
Cinco mais cinco igual a dez,
E cheiravam mal dos pés!"
Há um livro fantástico da Manuela Castro Neves (professora maravilhosa em cuja sala tive a felicidade de estagiar!), que ensina muitas lengalengas deste género: Tantos animais e outras lengalengas de contar.

 
Quando saímos o portão de casa, de acordo com o local onde deixei o carro estacionado, digo-lhe sempre "agora viras à esquerda" ou "agora viras à direita" e surpreendentemente já sabe identificá-las em diferentes situações, nomeadamente no reconhecimento das mãos e dos pés.
Já sabe algumas formas geométricas, devido a um jogo que jogamos habitualmente.
E gosto de chamar as coisas pelos nomes. Se uns calções não são umas calças e uma tangerina não é uma laranja, porque é que um círculo há de ser uma bola? Se ela me questiona em relação à forma das moedas ou dos sinais de trânsito, como já aconteceu, digo-lhe que são círculos. Quando brincamos com um jogo de madeira que tem cilindros de diferentes cores, faço questão de lhes chamar cilindros. Quando me refiro a um brinquedo do mano em forma de prisma triangular, chamo-lhe prisma.
Já alguma vez questionaram porque é que as crianças no 1º ciclo (e até mesmo os adultos!) identificam mais facilmente o cubo do que os outros sólidos geométricos? Eu acredito que é pelo facto de toda a vida terem ouvido os cubos serem chamados de cubos! "Já arrumaste os teus cubos?" e "Gostas desse puzzle de cubos?" são só dois exemplos de frases que ouvem com frequência.
Não exerço qualquer tipo de pressão para que a minha filha use estas palavras, apenas as uso eu própria, em contexto, para que ela se familiarize com elas.

E quanto aos problemas matemáticos? É aproveitar as situações do dia a dia, não dar respostas imediatas e pôr as crianças a pensar.
No outro dia, dei-lhe um iogurte ao lanche e ela perguntou-me quantos estavam no frigorífico. Em vez de lhe responder logo, criei uma situação problemática. Agarrei em seis pares meias que estavam enrolados mas ainda por arrumar, e disse-lhe para imaginarmos que eram os seis iogurtes que tínhamos comprado na véspera. Depois pedi-lhe que tirasse aquele que estava a comer e que contasse os restantes. "Um... dois... três... quatro,.. cinco!", contou devagarinho. "Então quantos iogurtes estão no frigorífico?", perguntei eu. "CINCO!"


Quando jogamos aos pares, no final, temos de contar quantos conjuntos cada uma tem para saber quem ganhou. Então, aproveito sempre para fazer a correspondência entre os meus e os dela. Os que sobram são os que estão a mais e que dão a vitória a uma de nós. Ontem, foi ela que tomou a iniciativa de fazer isso e a brincar, a brincar, vai ganhando a consciência da correspondência entre elementos de dois grupos.

'Bora lá pôr as nossas crianças a brincar com a Matemática! É divertido! E vai ajudá-las aquando da entrada para a escola...

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Mãos à obra! 1

Depois de uma visita à Exposição Dinossauros Alive na Cordoaria Nacional, descobrimos por acaso uns desenhos animados fantásticos na Netflix, que nos ensinam muitas coisas sobre... dinossauros! - O Comboio dos Dinossauros. Até eu, que sempre lhes troquei os nomes todos, tenho aprendido imenso nestes últimos dias!
Como ela anda tão entusiasmada com estes seres, decidimos pôr mãos à obra...

Apresentei-lhe uns quantos rolos de papel, cola branca, uns pedaços de feltro, rolhas de cortiça, marcadores, brilhantes e ajudei-a a criar este magnífico dinossauro. Desde então, os rolos de papel têm sido todos reutilizados nas suas criações artísticas (e há brilhantes espalhados em todos os cantos da casa)!

O que acham deste terópode?

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Jogos de tabuleiro que recomendo para crianças - Parte 1

Cá em casa, a nossa menina já gosta muito de jogos de tabuleiro.
Sorte a minha, pois o pai, ao contrário de mim, não tem prazer nenhum nesta atividade, e eu precisava há algum tempo de um companheiro para as minhas jogatanas! É claro que ela ainda não joga um Catan ou um Carcassone, mas há de chegar o dia!
É certo que os gostos também se transmitem e que, se não fosse eu, muito provavelmente a minha filha ainda não se interessava por estas coisas. Mas como ainda por cima é uma atividade que traz benefícios a muitos níveis, ainda bem que a influenciei. Aprende-se muito a brincar!


Memória


O primeiro jogo a dois que despertou o seu interesse foi o jogo da memória. No móvel temático do Outono disponibilizei-lhe um e ela gostou muito de jogar, tendo me surpreendido pela sua capacidade de memorização.
Depois desse, já jogou a um jogo da memória da Princesa Sofia, que eu tinha adquirido num mercado de trocas, a outro do Grufalão, que imprimi a propósito da sua festa de anos, e ao meu preferido, que é um de madeira com desenhos de animais.
Este jogo desenvolve a capacidade de observação, de concentração e de memorização.
Também com este jogo, a minha filha aprendeu a esperar pelo seu turno e a respeitar regras sem as quais o jogo não funcionaria (por exemplo, não pode virar mais do que duas peças mesmo que não acerte).


Cores e Formas


Tinha este jogo cá em casa há mais de um ano, à espera que ela tivesse idade para o jogar, e tinha inclusivamente oferecido um igual à filha de uma amiga, no seu aniversário, por achar que era didático e divertido. Não me enganei!
Neste jogo, cada jogador fica com um ou dois cartões (dependendo do número de jogadores), tendo cada um deles imagens com figuras geométricas em falta. Na sua vez de jogar, o jogador lança dois dados, correspondendo um à forma e outro à cor. Deve então verificar se tem essa forma geométrica em falta nos seus cartões e se assim for vai buscar o bloco de plástico que a completa. Ganha quem primeiro completar os cartões com os blocos.
É um jogo rápido, com o qual a criança aprende a combinar a informação de dois dados, bem como a reconhecer e identificar cores e formas geométricas.
A brincar, a brincar, já sabe o que é um triângulo, um quadrado e um círculo! E não se engana a fazer a leitura dos dados!


Quando percebi que ela gostava de jogos, não resisti a fazer uma pesquisa mais aprofundada e encomendei dois jogos numa loja online: Koala Capers e Funny Bunny.


Koala Capers


O primeiro que lhe ofereci foi o Koala Capers, por verificar que, tal como o Cores e Formas, se jogava com dois dados, cuja informação de devia combinar. Então, achei que não teria dificuldade em integrar as regras.
Este jogo trata de koalas que viajam pelo mundo. Na área de jogo, colocam-se voltadas para cima todas as cartas com roupas/trajes e cenários, correspondentes a diferentes pontos do mundo (traje de explorador no Egito, de esquimó no Ártico ou de tirolês na Áustria, só para dar alguns exemplos). Depois, cada jogador recebe uma carta com um koala de face tridimensional, que deverá vestir com os referidos trajes. Um dos dados refere-se ao padrão e o outro à peça de roupa e, combinando esta informação, o jogador deve procurar uma carta que se adeque. Por vezes, sai "cuecas" no dado correspondente à peça de roupa e o koala perde todas as cartas obtidas até então. Ganha quem mais rapidamente obtiver cinco cartas. Como os jogos são muito rápidos, decidimos aumentar de cinco para oito o número de cartas necessárias para vencer.
Ela adora este jogo, que combina sorte com atenção, capacidade de observação e discriminação visual, para além da já referida, no jogo anterior, capacidade combinatória de informação. Tenho também aproveitado para despertar o seu interesse por outros locais do mundo, comentando algumas características das cartas. Ela já sabe, por exemplo, que uma das cartas representa uma ponte parecida com a que passamos quando vamos a Lisboa, mas que fica em "Quico", querendo referir-se a S. Francisco, já que é assim que chama o seu amigo com o mesmo nome.


Funny Bunny


O seu jogo favorito do momento é, sem dúvida alguma, este! Não há dia que passemos sem que me peça para jogar pelo menos uma vez! Os avós, os tios (ou quem cá vier a casa) também não se livram de jogar!
E não é de admirar, pois o jogo tem um tabuleiro extremamente apelativo e é muito imprevisível! Podemos estar a pouquíssimas casas do fim e perder o jogo inesperadamente...
O objetivo do mesmo é alcançar a cenoura no fim do percurso com um dos nossos quatro coelhos. Para tal, em cada jogada, devemos retirar uma carta que nos dá a indicação dos saltos que o coelho dará (entre um e três). Contudo, existem também cartas com o desenho de uma cenoura. Quando uma delas é retirada, devemos rodar a cenoura no centro do tabuleiro e isto altera o mesmo: buracos mudam de lugar (o que pode dar origem à perda de coelhos), uma toupeira sai do buraco (empurrando para fora do tabuleiro o coelho que estiver nessa casa), uma cancela abre-se (obrigando o coelho que aí se encontre a recuar várias casas, através de num escorrega) e uma ponte sobe ou desce (o que bloqueia ou não a passagem dos coelhos).
Com este jogo, ela aprendeu a percorrer o tabuleiro, avançando o número de casas indicado nas cartas na direção certa. Ao observar asa cartas, está a desenvolver a capacidade de subitizing, ainda que só até ao número três. Esta capacidade é a mesma que usamos ao fazer a leitura de dados de pintas e que consiste no facto de que não precisamos de as contar para saber o número representado. Tem vindo a desenvolver as suas estratégias de jogo, decidindo que coelho avançar. E, mais uma vez, respeita as regras do jogo, sendo inclusivamente capaz de as explicar.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Móvel temático - Natal

Cá em casa, os móveis temáticos têm sido um sucesso!
E, como não podia deixar de ser, criei um alusivo ao Natal!
Nele podemos encontrar...


Cartões com sequências temporais

Usando o Pinterest, procurei imagens com sequências temporais, selecionei as que tinham a ver com o Natal e com o Inverno, imprimi-as, plastifiquei-as e... voilá! estava criado um jogo que tem despertado muito o interesse da nossa filha mais velha.
Na primeira vez que jogou, precisou da minha ajuda para perceber algumas sequências, como por exemplo, para compreender que com o sol fazia com que o boneco de neve derretesse. Contudo, nas vezes seguintes, tem mostrado muita facilidade em perceber o encadeamento de acontecimentos.
Tenho aproveitado para lhe explicar a importância de ordenar os cartões da esquerda para a direita, pois é neste sentido que lemos.



Puzzle de combinações de diferentes partes do corpo

Encontrei este puzzle em itsi bitsy fun, imprimi-o, plastifiquei-o e cortei-o.
Tal como outro puzzle deste site que partilhei aqui, também este  permite misturar as peças das várias personagens natalícias. Contudo, a nossa filha prefere tudo muito organizado e monta-as sempre "corretamente". Enquanto isso (e porque está numa fase extremamente imaginativa em que tudo serve para fazer de conta), vai estabelecendo diálogos e relações de amizade  entre as diferentes personagens. Uma delícia!



Jogo de alinhavo

Já no móvel do Outono, tinha feito um jogo semelhante. Gosto de costurar, de croché, de criar bijutarias e por isso sou suspeita ao colocar à disposição da nossa filhota este tipo de atividades. A verdade é que a imaginava a passar o fio para a frente e para trás, buraco após buraco, incessantemente até rodear toda a figura. Mas não, é claro que tal não aconteceu! Às vezes, esqueço-me de que ela ainda não tem três anos!
E, se no jogo do Outono, a acompanhei, indicando-lhe em que buraco deveria passar a lã, neste não lhe disse nada e ela tem brincado de forma totalmente espontânea. Então, passa os fios por três ou quatro buracos de forma desordenada e depois vem oferecer-me a prenda ou a árvore de Natal para que a abra ou desmonte, isto é, para que retire os fios.
"Gostaste da p'enda?"
"A á'vo'e é pró mano!"
E assim tem repetido esta brincadeira uma e outra vez, sempre acompanhada de muita imaginação.
Encontrei estas imagens em RED TED Art . Depois de impressas e plastificadas, furei-as com um furador que faz buracos com várias formas. Escolhi estrelas e chapéus de chuva.



Jogo de pompons e pinça

A nossa filha não gosta de alface, mas sempre que há salada quer colocá-la no prato de toda a gente para poder usar a pinça. Então, achei que estava na altura de criar uma brincadeira em que a pudesse usar à vontade. Foi assim que surgiu este jogo.
Imprimi um desenho de árvore de Natal, colei-o numa caixa e fiz furos no sítio de algumas das bolas. Depois juntei-lhe alguns pompons de diferentes tamanhos e cores e a pinça.
Quis usá-la uma ou outra vez, mas agora prefere colocar os pompons nos buracos com a mão... É mais fácil, pois claro!



Pedras de histórias

Há já muitos anos que ando com a ideia de fazer estas pedras de histórias e tenho uma grande coleção de pedras, apanhadas na praia, à espera de ser transformadas... Selecionei algumas imagens relacionadas com o Natal de que gostei, imprimi-as e colei-as nas pedras com cola branca. Adorei o resultado final!
Por agora, ela tem brincado com elas livremente, inventando histórias e situações. Quando for mais crescida, penso que poderemos usá-las de forma mais estruturada. Por exemplo, retirando uma pedra do saco ao acaso e inventando uma história para a mesma, ou jogando à vez e ir completando a história de acordo com as personagens que vão saindo.



Livro de autocolantes

Encontrei, por acaso, este livro à venda, e achei que se adequava mesmo a este móvel. É um livro de autocolantes...
Gostei dele, pois vi-o como um recurso divertido para desenvolver a motricidade fina. Os desenhos são amorosos e as páginas do livro são plastificadas, o que permite colar e descolar os autocolantes vezes sem conta!
Hoje de manhã, estava dar-se ao trabalho de os colocar novamente na folha original, tentando descobrir o seu lugar pela forma da silhueta. Interessantes as coisas de que eles se lembram...



No móvel, coloquei ainda dois livros de Natal, que lhe tenho lido frequentemente...


sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Móvel temático - Outono

Cá em casa, tivemos um móvel dedicado ao Outono.
Na semana passada, acabei por trocar o seu conteúdo por materiais de artes plásticas, sendo esse o móvel que temos atualmente, mas só hoje tive oportunidade de publicar. E como, na verdade, só agora o Outono começa a mostrar-se realmente, espero que esta publicação possa ser útil a quem desejar seguir algumas ideias.
Para além da questão inicial que me levou a criar o móvel temático e que se prendia com o desejo de que a nossa filha se interessasse mais por brincar, libertando-me um pouco mais quando tenho menos disponibilidade, começo a sentir que gosto de o usar também por outro motivo. Como a nossa filha não frequenta a creche, estando por agora comigo e com o irmão em casa, parece-me importante dar-lhe a oportunidade de explorar diferentes materiais e jogos. E esta é uma forma de o fazer, sem estar a impor nada. Tendo os materiais à disposição, ela escolhe se os quer ou não o usar.

O que tivemos neste móvel?


Caixa de tesouros da Natureza


Esta foi, sem dúvida, a proposta de exploração do móvel de Outono que ela mais gostou!
Apanhei algumas folhas, bolotas e outros frutos secos, e juntei-lhes uma lupa. 
Fiquei surpreendida, pois pegou nela e muito contente disse: "É uma lupa!". "Mas como é que sabes o que é uma lupa?", perguntei eu, surpresa. ""Vi no Ruca!". Ah! Não gosto (nem permito) que veja muita televisão, mas tenho de admitir que, se usada de forma moderada e selecionando o tipo de conteúdos, pode também ser bastante didática.
Esta caixa proporcionou entretenimento por muito tempo, pois a nossa menina não só observou os seus tesouros ao longo de vários dias (constatando, por exemplo, que os frutos iam ficando mais escuros e secos), como usou a lupa para explorar outros objetos cá de casa. Para além disso, quis apanhar várias vezes outras bolotas e folhas que via no chão, quando estávamos na rua.


Puzzle de abóboras


Encontrei este puzzle em School Time Snippets. São várias abóboras cortadas ao meio, que devem ser agrupadas aos pares, tendo em conta as formas geométricas ou os desenhos que as compõem.
De início, a nossa filhota não mostrou muito interesse pelo jogo e pensei que fosse muito complexo para a sua idade, mas disponibilizei-me a jogar com ela e fiquei surpreendida com o facto de conseguir emparelhar a maior parte dos cartões.
Entretanto revelou gostar bastante dele, mas preferindo jogar comigo. 
E, em jeito de brincadeira, fomos identificando as formas geométricas. Não quero que fixe nada, apenas que se vá habituando às denominações... Tal como "coração" ou "estrela", "triângulo" e "círculo" são vocabulário que pode ir escutando e aprendendo a usar de forma espontânea e em contexto.


Imagens para carimbar ponto a ponto


Retirei estas imagens com frutos e folhas de Outono de The Resourceful Mama.
Já tinha cá em casa umas canetas carimbo, que coloquei no tabuleiro.
Pensei que  ela iria gostar muito desta atividade, pois habitualmente gosta muito de usar carimbos, mas depois de preencher a primeira folha não mostrou grande interesse em carimbar as outras. Não é fácil conseguir que a imagem fique bem carimbada, devido à qualidade das canetas, e creio que tal pode ter tido influência na sua desmotivação.


Jogo de correspondência entre folhas e sua sombra


Para criar este jogo, consultei o Guia Ilustrado das 25 Árvores de Lisboa, com o intuito de escolher seis árvores de folha caduca, que seja habitual vermos.
Depois, procurei imagens das folhas destas árvores, copiei-as para um documento word e imprimi-o a cores. Recortei as folhas e plastifiquei-as, criando assim as peças do jogo.
Para fazer a base do mesmo, transformei as imagens do documento word, mudando a sua cor para preto e branco, e escrevi junto delas o nome das árvores a que pertenciam. Imprimi e plastifiquei a folha A4.
Após jogar uma vez, creio que achou o jogo demasiado fácil e só voltou a procurá-lo se incentivada por mim, fazendo a correspondência entre folhas e sombra rapidamente e sem qualquer dificuldade. Talvez pudesse ter tornado o jogo mais desafiante se criasse um tabuleiro A3, com o dobro das folhas.


Jogo dos pares


Este foi o primeiro jogo social jogado pela nossa filha. Encontrei-o em Life Over C's.
Conseguiu interiorizar que as jogadas se fazem por turnos, sendo capaz de esperar pela sua vez quando o outro está a virar as cartas. Percebeu facilmente o objetivo de encontrar pares, revelando uma excelente memória relativamente ao local onde as cartas se encontram.
Como se mostrou tão interessada por este jogo, aproveitei para lhe oferecer um semelhante, com peças de madeira, que já tinha comprado há algum tempo, mas que se encontrava guardado à espera do momento certo. Tem mais peças e é por isso  mais complexo. Ela adora!


Frutos de Outono para cortar e colar

Tendo iniciado a aprendizagem do uso da tesoura e da cola há muito pouco tempo, estes objetos não poderiam ter deixado de estar presentes neste móvel. 
Foi assim uma atividade pela qual revelou muito gosto!
Quando já não havia mais frutos de Outono para cortar, entreteve-se a cortar outros papéis que foi encontrando. Quando já não encontrou mais papéis, lembrou-se de cortar pincéis! Ficámos com uns quantos estragados e pelos pequeninos por toda a parte! Mas, vá lá, não se lembrou de cortar cabelos ou roupa!... por enquanto...


 Jogo de alinhavo


Para fazer este jogo, apanhei duas folhas secas, que plastifiquei e posteriormente furei com um furador. Numa das pontas das lãs, colei fita cola, de modo a torná-las mais firmes e facilitar a passagem pelos buracos.
Embora tenha conseguido com facilidade fazer a lã passar pelos buracos, pois tem boa destreza manual para a sua idade, revelou alguma dificuldade em saber qual o buraco onde deveria inserir o fio. Precisou por isso do meu apoio.
Depois de ter passado a lã a toda a volta, quer numa folha quer na outra, ficou satisfeita com os seus colares de folhas e não quis mais desmanchá-los para repetir a tarefa.


No móvel, coloquei ainda dois livros, cujas histórias se passam no Outono: O senhor mago e a folha e  O esquilo cinzento, um clássico de Gilbert Delahaye. Como ela adora livros e histórias, já lhos li, reli e espero continuar a reler.

domingo, 17 de setembro de 2017

Móvel temático - Animais Selvagens

Cá em casa, vive uma menina que gosta mais de ajudar e participar nas tarefas dos adultos do que propriamente de brincar (especialmente sozinha).
E se tal poderá ser uma mais valia, uma vez que já sabe fazer muitas coisas que alguns meninos da sua idade não sabem (tirar cafés na máquina - a sua preferida atualmente! -, lavar roupa à mão, estendê-la, despejar e lavar o penico, entre outras referidas nesta publicação), há momentos em que tê-la à minha volta me atrapalha... Ou pela atenção que tenho de lhe dar na consecução da tarefa em questão ou pelo facto de (como é óbvio!) não a fazer com a rapidez, destreza e correção com que eu a faço, demoro muito mais tempo e, então agora com o pequenito, nem sempre tenho disponibilidade para tal.

Neste sentido, e especialmente desde que nos mudámos para uma nova casa, há cerca de dois meses, tenho procurado encontrar estratégias que a ajudem (e a mim!) a interessar-se mais por brincar sozinha.

Acreditando que o excesso de brinquedos é um obstáculo a tal, comecei por aproveitar as mudanças para guardar um grande número de brinquedos.
Os peluches desapareceram quase todos, pois limitava-se a espalhá-los pela casa. Ficaram alguns que usa para dormir e, agora sim, em algumas brincadeiras de faz-de-conta.
Outros brinquedos que já não se adequavam à sua faixa etária foram também guardados para futuramente serem usados pelo irmão.
E aquele tipo de bugigangas, que às vezes lhe ofereciam ou que saíam nas bolas (que os avós tinham o hábito de lhe comprar), mas que não têm interesse nenhum ao fim de cinco minutos da primeira utilização, levaram também um sumiço!

Comprei um móvel de prateleiras e uma mesinha com duas cadeiras que coloquei nas sala de estar, para que pudesse estar próxima de nós nas suas brincadeiras.
Depois de ter conversado com ela sobre a minha ideia (inspirada em muito que tenho lido sobre o método Montessori), optei por ir colocando de forma organizada nas prateleiras os seus jogos e brinquedos, fazendo uma rotatividade dos mesmos ao fim de alguns dias. Contudo, não senti que resultasse, pois na maior parte das vezes nem sequer chegava a tocar nos mesmos. Para além disso, algumas vezes pedia-me brinquedos que estavam guardados.

Na passada semana, decidi então manter aqueles brinquedos que suscitam mais o seu interesse sempre disponíveis no seu quarto e criar um móvel temático, onde disponibilizo jogos e atividades novas, bem como alguns brinquedos seus que se enquadram no tema.


Quando acordou e viu o móvel que lhe tinha preparado, sobre os animais selvagens, ficou muito entusiasmada e, em conjunto, estivemos a brincar. Nesse momento, expliquei-lhe como funcionavam as atividades ou jogos que não conhecia.
Ao longo da semana, recorreu mais vezes do que o habitual aos brinquedos do móvel como fonte de brincadeira, ora autonomamente, ora solicitando a minha companhia. E assim sendo parece-me que cumpriram o seu propósito!

O que compõe o móvel?


Puzzle de tiras numerado


Este puzzle foi retirado de 3 Dinosaurs. Imprimi-o e plastifiquei-o.
Quando brincámos em conjunto, depois do puzzle montado, alertei-a para o facto de cada tira ter um número de 1 a 10 e pedi-lhe que me mostrasse o número dos seus anos. Também lhe pedi que apontasse para os animais que eu dizia e, de seguida, que fosse ela a dizer-me o nome dos animais que queria que eu apontasse.


Jogo de combinações de madeira


Já temos este jogo há algum tempo e já jogámos muito com ele. Optei por o colocar no móvel, pois as cinco cabeças de seres que o compõem pertencem a animais selvagens.
Achei interessante que quando quis brincar com ele, começou por categorizar as "roupas de menino e de menina" e só depois "vestiu" os animais.


Labirinto de  madeira


Também já temos este jogo há muito tempo, mas nunca lhe deu grande atenção. Curiosamente, esta semana, foi dos mais procurados. Talvez ainda não tivesse maturidade suficiente para ele e agora tenha começado a compreender o seu sentido. O objetivo é colocar as cabeças dos animais no local correto, sendo que para tal por vezes é necessário encontrar estratégias de movimento das diferentes peças.


Puzzle de animais



Encontrei este puzzle em itsy bitsy fun. Imprimi-o e colei-o numa caixa de cereais de cartão para que ficasse mais resistente.
É um puzzle engraçado, pois para além de permitir a montagem de alguns animais selvagens, permite também criar animais imaginários. Basta para isso misturar diferentes partes destes mesmos animais, já que as peças são compatíveis.


Miniaturas de animais e cartões de identificação


Esta atividade é inspirada no método Montessori, mais especificamente nos cartões de três partes. Estes cartões são compostos por um primeiro contendo uma imagem e a sua denominação (o que usei), um segundo contendo só a imagem e um terceiro apenas com a denominação. Optei por não usar para já o segundo e o terceiro cartão, pois dada a idade da minha filha (e ainda que mostre muito interesse pela leitura e pela escrita) não pretendo ainda fazer um trabalho tão específico de alfabetização.
Usámos os cartões para fazer correspondência com as miniaturas dos animais, falámos acerca do nome de cada um e de algumas características suas, como o facto de o leão ter juba, de a girafa ter um pescoço comprido para conseguir alimentar-se de folhas de árvores e de o tigre ter o pelo riscado.
Mais tarde, por sua iniciativa, ela recorreu aos cartões e às miniaturas fazendo a correspondência destes com os animais do labirinto de madeira. Achei interessante!


Escantilhão com desenhos de animais selvagens


Embora obviamente ela ainda tenha dificuldade em usar o escantilhão (pois ainda nem domina a forma correta de agarrar o lápis), como tinha comprado um conjunto de escantilhões onde este estava incluído, decidi pô-lo à sua disposição.
Divertiu-se a usá-lo como conseguiu e divertimo-nos a colorir alguns animais desenhados por mim.


Tiras de animais para cortar


Já tinha posto anteriormente à sua disposição tiras de papel para cortar com tesoura. Nessa altura, ensinei-a a agarrá-la corretamente e a usá-la e ela cortou as tiras livremente.
Entretanto, tinha lhe dado novas tiras, só que com linhas, para as cortasse nesse sítio. No entanto, ela não quis saber da minha indicação e continuou a cortar onde lhe apetecia e eu obviamente não insisti.
Então, pensei que se arranjasse tiras com imagens ela não quereria estragá-las e iria esforçar-se por as cortar no sítio certo. Como estava a criar este móvel temático, ia criar as tiras, mas encontrei estas em Living Montessori Now.
Não me enganei: ela tentou cortar pelo sítio indicado e, uma vez que foi uma atividade que a interessou bastante, evoluiu muito e já o faz com bastante correção.
Quando já não tinha cortado tudo, aproveitei para a deixar usar cola pela primeira vez.



No móvel, coloquei ainda dois livros da sua coleção: Vamos brincar, senhor Croc? de Jo Lodge, e Animais Selvagens de Seb Braun. São ambos livros pop-up fantásticos com animais selvagens!

Nesse móvel, está também sempre disponível um jarro com água e um copo, para que beba sempre que tem sede, de forma autónoma.

O que acharam? Alguém faz algo semelhante?



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