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quarta-feira, 14 de março de 2018

Matemática aos 3 anos? Porque não?

Cá em casa, a nossa filha de 3 anos vai aprendendo conteúdos de Matemática sem se dar conta.

Decidi escrever este texto, pois sendo professora de 1º ciclo, estou certamente mais desperta para uma quantidade de situações do dia-a-dia em que nós, pais, podemos abordar a Matemática de uma forma divertida e natural. Se converso com ela acerca das mudanças que vão surgindo com as diferentes estações do ano, nomeio os diferentes ingredientes usados na refeição quando me pergunta "o que é hoje a papinha?", ou faço questão de referir os nomes das cores quando escolhemos a roupa ou pintamos com lápis, porque não havemos de falar de números, de conceitos geométricos e até resolver problemas?
Temos um ou outro livro que incita a que façamos contagens.
Também contamos os dedos das mãos e dos pés, quando em jeito de brincadeira lhe perguntamos: "Quantos dedos tens hoje? Parece-me que já não tens todos os que tinhas ontem!".
Contamos as cenouras que pomos no saco no minimercado.
Contamos as moedas que o avô lhe dá para pôr no mealheiro.
Contamos as bolachas e as passas que tiramos do pacote.
Contamos o número de casas a avançar nos jogos de tabuleiro.
Contamos os passarinhos que estão pousados na árvore do nosso quintal.

No outro dia, fui surpreendida por ela, pois, ao entrarmos em casa, reconheceu os algarismos do número da nossa porta. Nunca fiz nenhuma atividade específica de reconhecimento de números, nem tentei "ensiná-los" de forma nenhuma, mas, pelo simples contacto com os livros onde eles aparecem, ela associou os símbolos e identificou-os.

Contudo, ensino-lhe lengalengas, que a vão ajudando a desenvolver o conceito de número e que, mais tarde, lhe serão úteis na capacidade de realizar cálculos mentais.
É o caso da seguinte, que é feita com mímica, e que termina sempre com uma enorme gargalhada. Adivinhem porquê!
"Um mais um igual a dois,
Nesta quinta havia bois.
Dois mais dois igual a quatro,
E também havia um pato.
Três mais três igual a seis,
Os seus donos eram reis,
Quatro mais quatro igual a oito,
Que gostavam de biscoito.
Cinco mais cinco igual a dez,
E cheiravam mal dos pés!"
Há um livro fantástico da Manuela Castro Neves (professora maravilhosa em cuja sala tive a felicidade de estagiar!), que ensina muitas lengalengas deste género: Tantos animais e outras lengalengas de contar.

 
Quando saímos o portão de casa, de acordo com o local onde deixei o carro estacionado, digo-lhe sempre "agora viras à esquerda" ou "agora viras à direita" e surpreendentemente já sabe identificá-las em diferentes situações, nomeadamente no reconhecimento das mãos e dos pés.
Já sabe algumas formas geométricas, devido a um jogo que jogamos habitualmente.
E gosto de chamar as coisas pelos nomes. Se uns calções não são umas calças e uma tangerina não é uma laranja, porque é que um círculo há de ser uma bola? Se ela me questiona em relação à forma das moedas ou dos sinais de trânsito, como já aconteceu, digo-lhe que são círculos. Quando brincamos com um jogo de madeira que tem cilindros de diferentes cores, faço questão de lhes chamar cilindros. Quando me refiro a um brinquedo do mano em forma de prisma triangular, chamo-lhe prisma.
Já alguma vez questionaram porque é que as crianças no 1º ciclo (e até mesmo os adultos!) identificam mais facilmente o cubo do que os outros sólidos geométricos? Eu acredito que é pelo facto de toda a vida terem ouvido os cubos serem chamados de cubos! "Já arrumaste os teus cubos?" e "Gostas desse puzzle de cubos?" são só dois exemplos de frases que ouvem com frequência.
Não exerço qualquer tipo de pressão para que a minha filha use estas palavras, apenas as uso eu própria, em contexto, para que ela se familiarize com elas.

E quanto aos problemas matemáticos? É aproveitar as situações do dia a dia, não dar respostas imediatas e pôr as crianças a pensar.
No outro dia, dei-lhe um iogurte ao lanche e ela perguntou-me quantos estavam no frigorífico. Em vez de lhe responder logo, criei uma situação problemática. Agarrei em seis pares meias que estavam enrolados mas ainda por arrumar, e disse-lhe para imaginarmos que eram os seis iogurtes que tínhamos comprado na véspera. Depois pedi-lhe que tirasse aquele que estava a comer e que contasse os restantes. "Um... dois... três... quatro,.. cinco!", contou devagarinho. "Então quantos iogurtes estão no frigorífico?", perguntei eu. "CINCO!"


Quando jogamos aos pares, no final, temos de contar quantos conjuntos cada uma tem para saber quem ganhou. Então, aproveito sempre para fazer a correspondência entre os meus e os dela. Os que sobram são os que estão a mais e que dão a vitória a uma de nós. Ontem, foi ela que tomou a iniciativa de fazer isso e a brincar, a brincar, vai ganhando a consciência da correspondência entre elementos de dois grupos.

'Bora lá pôr as nossas crianças a brincar com a Matemática! É divertido! E vai ajudá-las aquando da entrada para a escola...

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Móvel temático - Natal

Cá em casa, os móveis temáticos têm sido um sucesso!
E, como não podia deixar de ser, criei um alusivo ao Natal!
Nele podemos encontrar...


Cartões com sequências temporais

Usando o Pinterest, procurei imagens com sequências temporais, selecionei as que tinham a ver com o Natal e com o Inverno, imprimi-as, plastifiquei-as e... voilá! estava criado um jogo que tem despertado muito o interesse da nossa filha mais velha.
Na primeira vez que jogou, precisou da minha ajuda para perceber algumas sequências, como por exemplo, para compreender que com o sol fazia com que o boneco de neve derretesse. Contudo, nas vezes seguintes, tem mostrado muita facilidade em perceber o encadeamento de acontecimentos.
Tenho aproveitado para lhe explicar a importância de ordenar os cartões da esquerda para a direita, pois é neste sentido que lemos.



Puzzle de combinações de diferentes partes do corpo

Encontrei este puzzle em itsi bitsy fun, imprimi-o, plastifiquei-o e cortei-o.
Tal como outro puzzle deste site que partilhei aqui, também este  permite misturar as peças das várias personagens natalícias. Contudo, a nossa filha prefere tudo muito organizado e monta-as sempre "corretamente". Enquanto isso (e porque está numa fase extremamente imaginativa em que tudo serve para fazer de conta), vai estabelecendo diálogos e relações de amizade  entre as diferentes personagens. Uma delícia!



Jogo de alinhavo

Já no móvel do Outono, tinha feito um jogo semelhante. Gosto de costurar, de croché, de criar bijutarias e por isso sou suspeita ao colocar à disposição da nossa filhota este tipo de atividades. A verdade é que a imaginava a passar o fio para a frente e para trás, buraco após buraco, incessantemente até rodear toda a figura. Mas não, é claro que tal não aconteceu! Às vezes, esqueço-me de que ela ainda não tem três anos!
E, se no jogo do Outono, a acompanhei, indicando-lhe em que buraco deveria passar a lã, neste não lhe disse nada e ela tem brincado de forma totalmente espontânea. Então, passa os fios por três ou quatro buracos de forma desordenada e depois vem oferecer-me a prenda ou a árvore de Natal para que a abra ou desmonte, isto é, para que retire os fios.
"Gostaste da p'enda?"
"A á'vo'e é pró mano!"
E assim tem repetido esta brincadeira uma e outra vez, sempre acompanhada de muita imaginação.
Encontrei estas imagens em RED TED Art . Depois de impressas e plastificadas, furei-as com um furador que faz buracos com várias formas. Escolhi estrelas e chapéus de chuva.



Jogo de pompons e pinça

A nossa filha não gosta de alface, mas sempre que há salada quer colocá-la no prato de toda a gente para poder usar a pinça. Então, achei que estava na altura de criar uma brincadeira em que a pudesse usar à vontade. Foi assim que surgiu este jogo.
Imprimi um desenho de árvore de Natal, colei-o numa caixa e fiz furos no sítio de algumas das bolas. Depois juntei-lhe alguns pompons de diferentes tamanhos e cores e a pinça.
Quis usá-la uma ou outra vez, mas agora prefere colocar os pompons nos buracos com a mão... É mais fácil, pois claro!



Pedras de histórias

Há já muitos anos que ando com a ideia de fazer estas pedras de histórias e tenho uma grande coleção de pedras, apanhadas na praia, à espera de ser transformadas... Selecionei algumas imagens relacionadas com o Natal de que gostei, imprimi-as e colei-as nas pedras com cola branca. Adorei o resultado final!
Por agora, ela tem brincado com elas livremente, inventando histórias e situações. Quando for mais crescida, penso que poderemos usá-las de forma mais estruturada. Por exemplo, retirando uma pedra do saco ao acaso e inventando uma história para a mesma, ou jogando à vez e ir completando a história de acordo com as personagens que vão saindo.



Livro de autocolantes

Encontrei, por acaso, este livro à venda, e achei que se adequava mesmo a este móvel. É um livro de autocolantes...
Gostei dele, pois vi-o como um recurso divertido para desenvolver a motricidade fina. Os desenhos são amorosos e as páginas do livro são plastificadas, o que permite colar e descolar os autocolantes vezes sem conta!
Hoje de manhã, estava dar-se ao trabalho de os colocar novamente na folha original, tentando descobrir o seu lugar pela forma da silhueta. Interessantes as coisas de que eles se lembram...



No móvel, coloquei ainda dois livros de Natal, que lhe tenho lido frequentemente...


sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Móvel temático - Outono

Cá em casa, tivemos um móvel dedicado ao Outono.
Na semana passada, acabei por trocar o seu conteúdo por materiais de artes plásticas, sendo esse o móvel que temos atualmente, mas só hoje tive oportunidade de publicar. E como, na verdade, só agora o Outono começa a mostrar-se realmente, espero que esta publicação possa ser útil a quem desejar seguir algumas ideias.
Para além da questão inicial que me levou a criar o móvel temático e que se prendia com o desejo de que a nossa filha se interessasse mais por brincar, libertando-me um pouco mais quando tenho menos disponibilidade, começo a sentir que gosto de o usar também por outro motivo. Como a nossa filha não frequenta a creche, estando por agora comigo e com o irmão em casa, parece-me importante dar-lhe a oportunidade de explorar diferentes materiais e jogos. E esta é uma forma de o fazer, sem estar a impor nada. Tendo os materiais à disposição, ela escolhe se os quer ou não o usar.

O que tivemos neste móvel?


Caixa de tesouros da Natureza


Esta foi, sem dúvida, a proposta de exploração do móvel de Outono que ela mais gostou!
Apanhei algumas folhas, bolotas e outros frutos secos, e juntei-lhes uma lupa. 
Fiquei surpreendida, pois pegou nela e muito contente disse: "É uma lupa!". "Mas como é que sabes o que é uma lupa?", perguntei eu, surpresa. ""Vi no Ruca!". Ah! Não gosto (nem permito) que veja muita televisão, mas tenho de admitir que, se usada de forma moderada e selecionando o tipo de conteúdos, pode também ser bastante didática.
Esta caixa proporcionou entretenimento por muito tempo, pois a nossa menina não só observou os seus tesouros ao longo de vários dias (constatando, por exemplo, que os frutos iam ficando mais escuros e secos), como usou a lupa para explorar outros objetos cá de casa. Para além disso, quis apanhar várias vezes outras bolotas e folhas que via no chão, quando estávamos na rua.


Puzzle de abóboras


Encontrei este puzzle em School Time Snippets. São várias abóboras cortadas ao meio, que devem ser agrupadas aos pares, tendo em conta as formas geométricas ou os desenhos que as compõem.
De início, a nossa filhota não mostrou muito interesse pelo jogo e pensei que fosse muito complexo para a sua idade, mas disponibilizei-me a jogar com ela e fiquei surpreendida com o facto de conseguir emparelhar a maior parte dos cartões.
Entretanto revelou gostar bastante dele, mas preferindo jogar comigo. 
E, em jeito de brincadeira, fomos identificando as formas geométricas. Não quero que fixe nada, apenas que se vá habituando às denominações... Tal como "coração" ou "estrela", "triângulo" e "círculo" são vocabulário que pode ir escutando e aprendendo a usar de forma espontânea e em contexto.


Imagens para carimbar ponto a ponto


Retirei estas imagens com frutos e folhas de Outono de The Resourceful Mama.
Já tinha cá em casa umas canetas carimbo, que coloquei no tabuleiro.
Pensei que  ela iria gostar muito desta atividade, pois habitualmente gosta muito de usar carimbos, mas depois de preencher a primeira folha não mostrou grande interesse em carimbar as outras. Não é fácil conseguir que a imagem fique bem carimbada, devido à qualidade das canetas, e creio que tal pode ter tido influência na sua desmotivação.


Jogo de correspondência entre folhas e sua sombra


Para criar este jogo, consultei o Guia Ilustrado das 25 Árvores de Lisboa, com o intuito de escolher seis árvores de folha caduca, que seja habitual vermos.
Depois, procurei imagens das folhas destas árvores, copiei-as para um documento word e imprimi-o a cores. Recortei as folhas e plastifiquei-as, criando assim as peças do jogo.
Para fazer a base do mesmo, transformei as imagens do documento word, mudando a sua cor para preto e branco, e escrevi junto delas o nome das árvores a que pertenciam. Imprimi e plastifiquei a folha A4.
Após jogar uma vez, creio que achou o jogo demasiado fácil e só voltou a procurá-lo se incentivada por mim, fazendo a correspondência entre folhas e sombra rapidamente e sem qualquer dificuldade. Talvez pudesse ter tornado o jogo mais desafiante se criasse um tabuleiro A3, com o dobro das folhas.


Jogo dos pares


Este foi o primeiro jogo social jogado pela nossa filha. Encontrei-o em Life Over C's.
Conseguiu interiorizar que as jogadas se fazem por turnos, sendo capaz de esperar pela sua vez quando o outro está a virar as cartas. Percebeu facilmente o objetivo de encontrar pares, revelando uma excelente memória relativamente ao local onde as cartas se encontram.
Como se mostrou tão interessada por este jogo, aproveitei para lhe oferecer um semelhante, com peças de madeira, que já tinha comprado há algum tempo, mas que se encontrava guardado à espera do momento certo. Tem mais peças e é por isso  mais complexo. Ela adora!


Frutos de Outono para cortar e colar

Tendo iniciado a aprendizagem do uso da tesoura e da cola há muito pouco tempo, estes objetos não poderiam ter deixado de estar presentes neste móvel. 
Foi assim uma atividade pela qual revelou muito gosto!
Quando já não havia mais frutos de Outono para cortar, entreteve-se a cortar outros papéis que foi encontrando. Quando já não encontrou mais papéis, lembrou-se de cortar pincéis! Ficámos com uns quantos estragados e pelos pequeninos por toda a parte! Mas, vá lá, não se lembrou de cortar cabelos ou roupa!... por enquanto...


 Jogo de alinhavo


Para fazer este jogo, apanhei duas folhas secas, que plastifiquei e posteriormente furei com um furador. Numa das pontas das lãs, colei fita cola, de modo a torná-las mais firmes e facilitar a passagem pelos buracos.
Embora tenha conseguido com facilidade fazer a lã passar pelos buracos, pois tem boa destreza manual para a sua idade, revelou alguma dificuldade em saber qual o buraco onde deveria inserir o fio. Precisou por isso do meu apoio.
Depois de ter passado a lã a toda a volta, quer numa folha quer na outra, ficou satisfeita com os seus colares de folhas e não quis mais desmanchá-los para repetir a tarefa.


No móvel, coloquei ainda dois livros, cujas histórias se passam no Outono: O senhor mago e a folha e  O esquilo cinzento, um clássico de Gilbert Delahaye. Como ela adora livros e histórias, já lhos li, reli e espero continuar a reler.

domingo, 17 de setembro de 2017

Móvel temático - Animais Selvagens

Cá em casa, vive uma menina que gosta mais de ajudar e participar nas tarefas dos adultos do que propriamente de brincar (especialmente sozinha).
E se tal poderá ser uma mais valia, uma vez que já sabe fazer muitas coisas que alguns meninos da sua idade não sabem (tirar cafés na máquina - a sua preferida atualmente! -, lavar roupa à mão, estendê-la, despejar e lavar o penico, entre outras referidas nesta publicação), há momentos em que tê-la à minha volta me atrapalha... Ou pela atenção que tenho de lhe dar na consecução da tarefa em questão ou pelo facto de (como é óbvio!) não a fazer com a rapidez, destreza e correção com que eu a faço, demoro muito mais tempo e, então agora com o pequenito, nem sempre tenho disponibilidade para tal.

Neste sentido, e especialmente desde que nos mudámos para uma nova casa, há cerca de dois meses, tenho procurado encontrar estratégias que a ajudem (e a mim!) a interessar-se mais por brincar sozinha.

Acreditando que o excesso de brinquedos é um obstáculo a tal, comecei por aproveitar as mudanças para guardar um grande número de brinquedos.
Os peluches desapareceram quase todos, pois limitava-se a espalhá-los pela casa. Ficaram alguns que usa para dormir e, agora sim, em algumas brincadeiras de faz-de-conta.
Outros brinquedos que já não se adequavam à sua faixa etária foram também guardados para futuramente serem usados pelo irmão.
E aquele tipo de bugigangas, que às vezes lhe ofereciam ou que saíam nas bolas (que os avós tinham o hábito de lhe comprar), mas que não têm interesse nenhum ao fim de cinco minutos da primeira utilização, levaram também um sumiço!

Comprei um móvel de prateleiras e uma mesinha com duas cadeiras que coloquei nas sala de estar, para que pudesse estar próxima de nós nas suas brincadeiras.
Depois de ter conversado com ela sobre a minha ideia (inspirada em muito que tenho lido sobre o método Montessori), optei por ir colocando de forma organizada nas prateleiras os seus jogos e brinquedos, fazendo uma rotatividade dos mesmos ao fim de alguns dias. Contudo, não senti que resultasse, pois na maior parte das vezes nem sequer chegava a tocar nos mesmos. Para além disso, algumas vezes pedia-me brinquedos que estavam guardados.

Na passada semana, decidi então manter aqueles brinquedos que suscitam mais o seu interesse sempre disponíveis no seu quarto e criar um móvel temático, onde disponibilizo jogos e atividades novas, bem como alguns brinquedos seus que se enquadram no tema.


Quando acordou e viu o móvel que lhe tinha preparado, sobre os animais selvagens, ficou muito entusiasmada e, em conjunto, estivemos a brincar. Nesse momento, expliquei-lhe como funcionavam as atividades ou jogos que não conhecia.
Ao longo da semana, recorreu mais vezes do que o habitual aos brinquedos do móvel como fonte de brincadeira, ora autonomamente, ora solicitando a minha companhia. E assim sendo parece-me que cumpriram o seu propósito!

O que compõe o móvel?


Puzzle de tiras numerado


Este puzzle foi retirado de 3 Dinosaurs. Imprimi-o e plastifiquei-o.
Quando brincámos em conjunto, depois do puzzle montado, alertei-a para o facto de cada tira ter um número de 1 a 10 e pedi-lhe que me mostrasse o número dos seus anos. Também lhe pedi que apontasse para os animais que eu dizia e, de seguida, que fosse ela a dizer-me o nome dos animais que queria que eu apontasse.


Jogo de combinações de madeira


Já temos este jogo há algum tempo e já jogámos muito com ele. Optei por o colocar no móvel, pois as cinco cabeças de seres que o compõem pertencem a animais selvagens.
Achei interessante que quando quis brincar com ele, começou por categorizar as "roupas de menino e de menina" e só depois "vestiu" os animais.


Labirinto de  madeira


Também já temos este jogo há muito tempo, mas nunca lhe deu grande atenção. Curiosamente, esta semana, foi dos mais procurados. Talvez ainda não tivesse maturidade suficiente para ele e agora tenha começado a compreender o seu sentido. O objetivo é colocar as cabeças dos animais no local correto, sendo que para tal por vezes é necessário encontrar estratégias de movimento das diferentes peças.


Puzzle de animais



Encontrei este puzzle em itsy bitsy fun. Imprimi-o e colei-o numa caixa de cereais de cartão para que ficasse mais resistente.
É um puzzle engraçado, pois para além de permitir a montagem de alguns animais selvagens, permite também criar animais imaginários. Basta para isso misturar diferentes partes destes mesmos animais, já que as peças são compatíveis.


Miniaturas de animais e cartões de identificação


Esta atividade é inspirada no método Montessori, mais especificamente nos cartões de três partes. Estes cartões são compostos por um primeiro contendo uma imagem e a sua denominação (o que usei), um segundo contendo só a imagem e um terceiro apenas com a denominação. Optei por não usar para já o segundo e o terceiro cartão, pois dada a idade da minha filha (e ainda que mostre muito interesse pela leitura e pela escrita) não pretendo ainda fazer um trabalho tão específico de alfabetização.
Usámos os cartões para fazer correspondência com as miniaturas dos animais, falámos acerca do nome de cada um e de algumas características suas, como o facto de o leão ter juba, de a girafa ter um pescoço comprido para conseguir alimentar-se de folhas de árvores e de o tigre ter o pelo riscado.
Mais tarde, por sua iniciativa, ela recorreu aos cartões e às miniaturas fazendo a correspondência destes com os animais do labirinto de madeira. Achei interessante!


Escantilhão com desenhos de animais selvagens


Embora obviamente ela ainda tenha dificuldade em usar o escantilhão (pois ainda nem domina a forma correta de agarrar o lápis), como tinha comprado um conjunto de escantilhões onde este estava incluído, decidi pô-lo à sua disposição.
Divertiu-se a usá-lo como conseguiu e divertimo-nos a colorir alguns animais desenhados por mim.


Tiras de animais para cortar


Já tinha posto anteriormente à sua disposição tiras de papel para cortar com tesoura. Nessa altura, ensinei-a a agarrá-la corretamente e a usá-la e ela cortou as tiras livremente.
Entretanto, tinha lhe dado novas tiras, só que com linhas, para as cortasse nesse sítio. No entanto, ela não quis saber da minha indicação e continuou a cortar onde lhe apetecia e eu obviamente não insisti.
Então, pensei que se arranjasse tiras com imagens ela não quereria estragá-las e iria esforçar-se por as cortar no sítio certo. Como estava a criar este móvel temático, ia criar as tiras, mas encontrei estas em Living Montessori Now.
Não me enganei: ela tentou cortar pelo sítio indicado e, uma vez que foi uma atividade que a interessou bastante, evoluiu muito e já o faz com bastante correção.
Quando já não tinha cortado tudo, aproveitei para a deixar usar cola pela primeira vez.



No móvel, coloquei ainda dois livros da sua coleção: Vamos brincar, senhor Croc? de Jo Lodge, e Animais Selvagens de Seb Braun. São ambos livros pop-up fantásticos com animais selvagens!

Nesse móvel, está também sempre disponível um jarro com água e um copo, para que beba sempre que tem sede, de forma autónoma.

O que acharam? Alguém faz algo semelhante?



segunda-feira, 21 de agosto de 2017

O nascimento do segundo filho

Cá em casa já não somos só três! Somo quatro!
Nasceu o "bebé mano menino", como foi carinhosamente chamado pela mana mais velha durante os meses de gestação.


Foi um bebé planeado e muito desejado por todos, mas devo confessar que ao longo da gravidez tive momentos em que receei não saber amá-lo!
Sentia que a relação que tinha com a minha filha era tão especial e única, tão próxima e intensa, que receava não saber estabelecer uma relação igualmente forte com o bebé que ia nascer. Para além disso, temia que a chegada de um novo membro à família obrigasse a uma menor disponibilidade para a minha filha e que isso mudasse a relação que tínhamos. Acho que cheguei a ter medo que ela pudesse gostar menos de mim!

O facto de ser filha única, que tinha sido determinante na decisão de não querer ter um filho único, estava agora a atrapalhar a minha decisão de querer ter um segundo filho. Devido a essa minha experiência de vida, estava um pouco assustada com a possibilidade de não saber partilhar... Foi aí que uma amiga me fez ver que essa partilha não seria uma divisão mas uma multiplicação!
Não se enganou!

Estou totalmente rendida aos encantos do meu bebé!
E a mana também!

Quer ajudar em tudo...
"O mano boxou! O mano boxou!", grita em alerta vermelho, sempre que ele bolça e eu não estou a olhar. Sabe perfeitamente onde estão as compressas e o soro e traz-mos sempre que solicito, reconhece o creme da cara e o da muda de fralda. Ajuda-nos a dar-lhe banho. Tapa-o com uma fraldinha quando está deitado na espreguiçadeira.
É muito protetora e carinhosa...
Não deixa ninguém mexer na parte de trás da cabeça do mano e informa que têm de ter cuidado com os ossos dele, pois são muito frágeis. "Tudado! Muito tudado!, não se cansa de dizer. Dá-lhe beijinhos a torto e a direito! Logo ela que nunca foi nada beijoqueira e que até mesmo para dar beijos aos avós é só quando está para aí virada!

E, como o mano é um mamão dorminhoco, temos conseguido com alguma facilidade continuar a ter tempo para fazer as nossas atividades a duas. Aproveitamos para brincar na piscina, fazer plasticina, vestir os bonecos, entre outras coisas, durante as sestas do mano, mas também já temos, por exemplo, lido livros, desenhado ou feito puzzles quando ele está no meu colo à maminha!

Pensei que ela tivesse algum ciúme da maminha (que era tão dela!), pois deixou de mamar há cerca de meio ano e, durante a gravidez, às vezes, ainda o pedia, embora eu lhe explicasse que não tinha leite e que só voltaria a ter para o mano. Mas não. Não teve qualquer reação de posse em relação às mesmas. Acho que aceitou que cresceu e que a maminha é para o bebé.
A única situação em que sinto que ficou, até agora, um pouco abalada com a chegada do irmão foi a ida para a cama. Nem sempre consigo deitá-la e contar-lhe a história, pelo que agora esse momento tem sido partilhado com  o pai, mais frequentemente que o habitual. Então, diz meio chorosa que quer que seja mãe a deitá-la, recusa-se a ir para a cama tendo o pai que a convencer em forma de brincadeira e tem demorado mais a adormecer...

Quanto a birras, faz as suas de vez em quando... Acha que é dona da razão e tem dificuldade em aceitar que a contrariemos, mas não acho que isso esteja associado ao nascimento do irmão. Tem uma personalidade forte e...
... dois anos e meio!

sábado, 22 de julho de 2017

Autonomia aos dois anos e meio

Cá em casa, acreditamos na importância da promoção da autonomia nas crianças. 
Enquanto professora de 1º ciclo, esta foi uma competência que procurei sempre desenvolver junto dos meus alunos. Crianças autónomas são crianças mais confiantes e capazes de atuar sobre o mundo que as rodeia, são mais proativas e empreendedoras. E o mundo precisa de pessoas assim! 

Esta ideia tem estado presente na forma como temos educado a nossa filha até aqui.
Por exemplo, quando introduzimos a alimentação complementar inspirando-nos no BLW estávamos a promover a sua autonomia... E muito frequentemente fomos abordados por desconhecidos, quando íamos ao restaurante, pois estranhavam que uma bebé tão pequena soubesse comer sozinha!
Também no dia a dia, procuro não lhe dar ajuda em excesso, mas apenas quando o solicita ou se verifico que está mesmo atrapalhada. Por exemplo, se fazemos um puzzle, não a ajudo a colocar a peça à mínima dificuldade, se está na parede de escalada do parque, fico apenas por trás para prevenir alguma queda mas não a seguro ou digo onde deve posicionar os pés e as mãos, se quer vestir as cuecas sozinha ou despir a camisola deixo que o faça, se quer assoar o nariz com as suas próprias mãos também... Enfim, estas são apenas algumas situações (entre tantas) do dia a dia, que escolhi para que fiquem com uma ideia daquilo que quero transmitir. 

Ultimamente e inevitavelmente (porque a vida acaba por nos levar ao encontro daquilo que buscamos) descobri o método Montessori e fiquei encantada com a quantidade de coisas que se enquadram na minha forma de pensar. A promoção da autonomia é, a meu ver, o ponto central de quem defende esta ideologia.
Aprendi contudo, através das minhas pesquisas e leituras, mas acima de tudo pela observação direta da minha filha e daquilo que ela me revela serem as suas necessidades, que este desejo de autonomia vai muito para além daquilo que eu adulta possa querer transmitir, pois é algo intrínseco à criança, é uma força interior que ela possui. Os bebés nascem com um desejo enorme de nos imitarem e de serem capazes de fazer as mesmas coisas que nós. Frequentemente, os adultos acham-nos pouco capazes e, não só não permitem que ponham à prova as suas capacidades, como inconscientemente lhes vão transmitindo essa mesma ideia de incapacidade e fracasso, acabando por tirar intensidade a essa força interior.


Estando mais consciente disto do que estava anteriormente, tenho procurado respeitar ainda mais os seus desejos de fazer as coisas sozinha e tenho também sugerido a sua participação em algumas atividades do quotidiano que julgo serem adaptadas às suas capacidades. 
Algumas das atividades que revelou querer fazer sem ajuda são: lavar os dentes, lavar as mãos com sabonete, vestir e despir a roupa, calçar-se, limpar o bacio, subir sozinha para a cadeira de segurança do carro, aspirar, colocar a roupa na máquina de lavar (esta há já muito, muito tempo!... era tão bebé!), dar comida ao cão e à gata... Em algumas situações, ainda pede a minha colaboração, noutras já revela uma enorme independência.
Quanto a atividades por mim propostas e que tiveram aceitação imediata, resultando em momentos de grande concentração e empenho, destaco: pôr manteiga no pão, descascar cenouras, despejar água para o copo quando tem sede, dobrar roupa...

É muito gratificante ver como ela faz estas tarefas com gosto e como efetivamente é capaz de as fazer. Entretém-se e concentra-se por maiores períodos de tempo a fazer este tipo de atividades do que habitualmente com os seus brinquedos.
A dificuldade que tenho sentido prende-se com o facto de, por achar que é muito capaz, nem sempre aceitar que determinadas coisas não estão destinadas a ser feitas por ela ou que determinado momento não é o ideal para realizar a atividade que pretende. A titulo de exemplo, neste momento quer lavar os dentes inúmeras vezes ao dia e assim que me distraio lá está ela no bidé a fazê-lo!

Há por aí mais mães (e pais) a seguir esta linha orientadora na educação dos filhos? Como lidam com esta questão que coloquei?

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Birras - como lidamos com elas?

Cá em casa, vive uma menina de dois anos e meio, na chamada fase dos terrible two, que embora (e felizmente!) não esteja a ser assim tão terrível, de vez em quando, ainda dá azo ao irromper de uma birra qualquer.
 
Em conversa com uma amiga, que tem um filho da mesma idade, ela queixava-se exatamente desta questão, das birras, e de como lidar com elas. Tal levou-me a refletir acerca da forma como o faço ou, pelo menos, procuro fazer.



 
No caso da minha filha, e provavelmente acontecerá com as outras crianças, as birras surgem porque foi contrariada e quer afirmar a sua posição. Associado a isto vem o facto de ser assolada por um sentimento intenso, de desconforto, com o qual não sabe ainda lidar.
Quantas vezes nós adultos não temos reações mais efusivas, que não diferem assim tanto de uma birra (e já cá andamos há tanto tempo!)?
A verdade é que a maioria de nós foi educado no sentido de reprimir a birra, em lugar de entender o que a despoletou... "Ou paras com essa birra imediatamente ou levas uma palmada e aí choras com razão!" lembra-vos alguma coisa?
Se, em lugar de exigirmos às crianças que escondam os seus sentimentos, lhes ensinarmos acerca do que estão a sentir, julgo que aprenderão mais facilmente a autocontrolar-se em situações adversas, tornando-se mais capazes emocionalmente.
Então, creio que a base de tudo é entendermos o que se está a passar interiormente com a criança.

Contudo, percebo que este ver pelos olhos do outro nem sempre é assim tão claro, pois a grande maioria de nós vive numa grande aceleração e com pouca disponibilidade para tal.
A birra porque não se quer calçar surge quando temos cinco minutos para sair de casa se não queremos apanhar trânsito e chegar tarde ao trabalho. A birra porque não quer sentar-se na cadeira de proteção do carro aparece no dia em que já estamos atrasados para um jantar de família. A birra porque não quer arrumar os brinquedos manifesta-se quando já devia estar a dormir há meia hora, temos a casa de pernas para o ar e pela frente uma série de tarefas domésticas inadiáveis.
Contudo, se nos disponibilizamos a tentar entender os seus motivos, percebemos que só não se quer calçar porque aquelas sandálias lhe magoam os pés, não se quer sentar na cadeira porque acha que já é capaz de subir autonomamente para a mesma e quer confirmá-lo, não quer arrumar os brinquedos porque lhe apetece continuar a brincar...
Ou seja, com alguma frequência, as birras surgem porque não temos tempo (e paciência) para escutar as suas motivações e tentamos impor as nossas.

Então, penso que, em primeiro lugar, devemos perguntar à criança porque é que está a reagir daquela maneira. Nem sempre resulta, porque às vezes também ela não o sabe. Mas se o conseguir transmitir, seja de que forma for, pode ser o suficiente para que possamos ceder ou encontrar uma solução que agrade às duas partes, e deste modo a birra nem chega quase a ter lugar.
Pensando nas ideias referidas em cima, podemos (devemos!) calçar-lhe outra coisa, podemos deixá-la tentar subir sozinha para a cadeira ou combinar que o fará no dia seguinte quando estivermos com menos pressa, podemos transformar a arrumação dos brinquedos numa brincadeira, contando quem arruma mais peças (e na verdade, nesse dia, arrumar quase tudo, sem no entanto permitir que se exclua totalmente dessa tarefa)...

Quando não conseguimos evitar a birra e esta já assumiu proporções menos controláveis, devemos antes de mais tentar manter a calma...
Se a criança está mesmo muito enervada, antes de qualquer diálogo, um abraço ou um colinho podem ser mágicos! Ou então afastarmo-nos por um momento, deixando-a sozinha por alguns instantes para se acalmar, e regressando logo de seguida para conversar. Tal depende obviamente da situação e da criança.
Mas o que acredito ser crucial é, como já referi anteriormente, a nossa solidariedade para com o que ela está a sentir. É sermos capazes de lhe dizer que se sente triste, zangada, frustrada, amedrontada, preocupada, enganada, ansiosa... e que não faz mal sentir-se assim, que também nós nos sentimos assim às vezes... Ou seja, é importante dar nomes aos sentimentos e aceitá-los.
O que não é aceite é que a criança reaja a esses sentimentos com determinado tipo de comportamento, como gritar, atirar coisas para o chão, bater ou espernear, e é isso que, num momento seguinte, lhe deve ser explicado, bem como o motivo pelo qual as coisas não puderam ser como desejava.

Por fim, acho que é essencial a coerência. Se a regra é que não come bolachas antes do jantar, não é porque faz birra que lhas vamos dar... Se não vai para o parque sem chapéu na cabeça, não é porque estamos sem paciência para contra-argumentar que devemos ceder... Se antes de sair de casa é importante que faça xixi no penico para não haver descuidos na rua, tal deve ser tornado numa rotina de modo a evitar teimas...


Como referi logo no início, isto é o que procuro fazer com a minha filha. É claro que já tive situações em que não consegui lê-la nem ouvi-la, em que me precipitei numa qualquer atitude que não foi a mais acertada, em que falei alto ou perdi a calma... Mas procuro estar muito consciente de tudo isto, desejando fazer melhor a cada dia que passa.

No outro dia, estava ela a ver uns desenhos animados, mas aproximava-se a hora da sesta. Avisei-a um pouco antes de que iria parar o filme, pois já sabia que tal não seria aceite de ânimo leve, mas, ainda assim, quando o fiz, começou a chorar.
Então, já no caminho para o quarto, disse-lhe:
"Estás triste e zangada, porque estavas a gostar muito dos desenhos animados e não querias parar de os ver. É normal... Eu também me sinto assim quando tenho de interromper uma coisa da qual estou a gostar muito..."
"Não...", respondeu-me ela.
"Não? Não o quê? Não estás triste e zangada?", insisti.
"Não. Estou só triste..."
Parou de chorar...
E eu aqui percebi que estamos no bom caminho... 💖


 
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