sábado, 24 de março de 2018

Diário de uma Mãe a Tempo Inteiro - Dia 7

DIA 7 - SÁBADO


Hoje só nos levantámos às 10 horas!!!!! Nem me lembro da última vez que tal aconteceu! A verdade é que ontem já viemos tarde da festa de anos, pelo que os miúdos adormeceram mais tarde, mas ainda assim foi uma surpresa! O Damião acordou às oito e meia, mas dei-lhe maminha e consegui que adormecesse outra vez. Levantei-me para espreitar como estava o tempo, pois tínhamos pensado ir ao Jardim Zoológico ver uma peça de teatro gratuita. Contudo, estava a chover e, com todos a dormir tão bem, decidi enfiar-me na cama outra vez. Foi o bem que fiz!
A Elisa hoje quis papa para o pequeno-almoço, em vez do habitual iogurte com fruta. Eu e o pai verificámos que não tínhamos mais café, pelo que fomos todos vestir-nos para ir à rua com urgência!
Enquanto tratávamos dos últimos pormenores, a Elisa colocou uma manta pelas costas e andou pela casa a fazer de Capuchinho Vermelho. Eu tive de ser o lobo, a avó, a mãe, e só me escapei de ser o caçador pois mandei-a ir ter com o pai!
Decidimos ir a uma pastelaria de que gostamos e aproveitámos para comer pastéis de nata. Compramos também umas amêndoas, que a Elisa comeu pela primeira vez. Eu quis daquelas de licor, em forma de bebé, que a minha avó costumava dar-me mundo eu era criança.
No regresso, passámos pelo supermercado. Aí, o pai encontrou uma amiga e ficou um pouco a conversar. A Elisa subiu para a roda do carrinho do mano, de forma a ficar mais ao alcance deles dois e começou a emitir palavras sem significado, só com o objetivo de perturbar a conversa e chamar a atenção para si. Ultimamente isto tem acontecido com muita frequência, e já tivemos várias conversas com ela sobre isso, mas não está a ser fácil que este seu comportamento se altere. Peguei nela, afastei-a um pouco do local, agachei-me ao seu nível e disse em tom firme: "Eu não permito que estejas interromper a conversa do teu pai com a amiga. Se tens coisas para dizer, esperas que eles acabem de falar.". "Eu não tenho nada para dizer...", respondeu-me ela honestamente. "Então, essa é mais uma razão para ficares em silêncio e escutares o que os outros dizem.", concluí eu. O pai, entretanto terminara a conversa e seguimos às compras. Foi a primeira vez que usei esta abordagem, direta e de poucas palavras, recorrendo à expressão "não permito que...". Vamos ver se resulta...
Já em casa, o Damião dormia, eu fui publicar o diário de ontem, pois ainda não tinha conseguido fazê-lo, e o pai esteve a ler jornais online. A Elisa sentou-se na mesa dos Playmobil e esteve bastante tempo no seu mundo imaginário a brincar com os bonequinhos. Depois, pediu-me para que me juntasse a ela e eu assim fiz.
O Damião acordou e fomos todos almoçar.
Quando terminámos, ela sentou-se junto dele a contar-lhe histórias. Fiquei a escutá-la, sem que se desse conta, cada vez mais maravilhada com a forma como já consegue encadear as ideias e com as expressões que utiliza...
Depois, chegou a hora da sua sesta. Ela queria que eu lhe lesse uma história. Então, como ando interessada no Gato das Botas, fui procurar um livro que sabia ter com este título, embora já não me recordasse do seu conteúdo. Não é a história original, mas gostei muito de o ler. Fiquei um pouco a aconchegá-la e depois vim para a sala.
O Damião, que tinha ficado a brincar com o pai, estava a começar a choramingar. Deite-me no sofá, junto à janela, dei-lhe maminha e fiquei a relaxar olhando as nuvens e os ramos floridos das árvores. Depois de umas trocas de sorrisos safados, adormeceu e eu mudei-o para o carrinho.
Dei um avanço na escrita do diário e fui dobrar roupa.
Quando a Elisa acordou, vinha muito rosada e transpirada. Agarrei-a no meu colo, no sofá, envolvia-a com uma manta e ali ficamos a usufruir do momento. Perguntei-lhe se tinha sonhado e ela respondeu-me, parecendo-me já tão crescida: "Tu sabes que eu não sonho de dia.". De facto, ela já mo tinha dito antes... Depois, lembrou-se do livro do Gato das Botas e foi buscá-lo para que lho lesse novamente. Como sempre, fez imensas perguntas sobre a história e sobre as ilustrações.
Um pouco despois, o mano também despertou.
Ela foi à casa de banho, mas demorou imenso. Percebi porquê quando apareceu com um cachecol e um gorro na cabeça, lançando outro gorro ao ar. "Mãe, não estou a conseguir fazer a magia!". Uma vez, há já bastante tempo, brinquei com ela trocando, sem que se desse conta, o gorro que mandava ao ar por outro, várias vezes seguidas. Estivemos então outra vez nessa brincadeira. Ainda não percebi se ela já sabe como faço ou não...
Depois, esteve a brincar com o seu ursinho, tratando-o como a um bebé e colocando-o inclusivamente no ovo do irmão.
Tínhamos combinado que fazíamos um bolo. Decidi que faríamos um bolo de cenoura e tâmaras. Então, ela descascou as cenouras e eu pu-las a cozer. Enquanto cozinhavam, pediu-me para ver televisão, desta vez um episódio da Princesa Sofia. A seguir, lanchámos e fizemos o resto do bolo.
O pai esteve com o mano e acabou por o adormecer. A Elisa foi brincar com os Playmobil e fazer um desenho. Eu dobrei e arrumei mais alguma roupa, e fiz o jantar.
Depois do jantar, as crianças tomaram banho, outra vez juntas na banheira grande. Adormecemo-las e regressámos à sala. Deixámos o cão entrar um bocado...
Terminando este, que será o último dia deste diário, vou ler um bocadinho, nunca muito porque o sono espreita logo!...
Adorei esta reflexão diária, com a respetiva compilação de fotos... Talvez a venha a repetir...

Diário de uma Mãe a Tempo Inteiro - Dia 6

DIA 6 - SEXTA-FEIRA


Hoje começámos o dia a brincar aos médicos ainda na cama! O Damião teve tratamento completo, desde auscultação, a medição da tensão, xarope, penso, verificação da febre e injeção!
Viemos depois para a sala, tomar o pequeno-almoço.
A Elisa ficou a ver os seus desenhos - uns episódios de Daniel Tigre -, enquanto eu tomei o meu banho, com o Damião no carrinho fazendo de espectador. Quem é mãe sabe que até tomar banho não é tarefa fácil!
Hoje tivemos de nos despachar para sair, pois fomos à escola onde trabalho, matricular a Elisa. Ela começará a frequentá-la já no próximo mês, aquando do meu regresso. Ainda andámos mais de meia hora de carro, o que deu para muitas conversas. Ela queria perceber o que era a Páscoa, e quem tinha sido Jesus, e porque o mataram e quem o matou... Enfim, uma pergunta atrás da outra!
Lá na escola, foi uma animação, teve conversa e brincadeira para toda a gente! Vimos feijões a germinar, na sala de uma colega minha. Então, como também andamos de volta das sementes, decidimos que vamos fazer a mesma experiência cá em casa (depois partilho...). A dada altura, decidiu que queria "ler-nos" um livro e foi procurar na biblioteca dessa sala. A escolha dos livros é que não foi a mais favorável, digamos assim... Começou por uma enciclopédia, passou por um livro pop-up meio destruído e terminou num livrinho de banda desenhada. Não existiriam por lá contos de fadas comuns?! A minha colega deu-lhe uma folha com um ovo da Páscoa, igual aos que os meninos mais crescidos tinham colorido e exposto na parede, que ela começou a pintar na sala e trouxe para casa para concluir.
Depois, fomos buscar a minha mãe ao trabalho e viemos para casa almoçar.
A seguir, fiquei a arrumar a loiça do almoço e a avó foi com os netos para o quarto, mudar a fralda ao Damião e ver como a Elisa já consegue lavar muito bem os dentes sozinha.
A Elisa quis fazer um jogo das bruxas comigo e com a avó e, de seguida, contei-lhe Os Sete Cabritinhos e ela foi dormir.
O Damião ficou a brincar no seu cantinho, muito independente e satisfeito, durante bastante tempo. Depois dormiu um bocadinho.
Eu andei a aspirar e, como é frequente, a avó ajudou-me bastante nas limpezas.
Quando a Elisa acordou, fez sumo das laranjas do nosso quintal e comeu tostas com manteiga.
De seguida, ilustrou um postal para a prima, que hoje fez 19 anos, e eu escrevi uma dedicatória no interior do mesmo. 
O pai entretanto chegou e nós saímos. A prima ainda mora longe e havia jantar lá em casa.
Foi uma noite muito animada, pois para além da família, estava presente uma amiga de infância, que eu não via desde essa altura. Coincidentemente também foi mãe de um menino há uns meses, pelo que encontrámos muito em comum e conversámos imenso a noite toda! Foi muito giro! A Elisa recebeu muitas cartas de dinossauros e um brinquedo parecido ao Lego, que é um unicórnio com uma fada. Ela e o irmão andaram entretidos, recebendo atenção e fazendo as delícias de toda a gente.
Tal como faço sempre que juntamos fora, em casa de familiares, levei os pijamas da Elisa e do Damião. Assim, quando regressámos a casa, já vinham a dormir e não tiveram que despertar... Apenas os transferimos do carro para a cama.
Eu vim escrever o diário... Tem sido muito positivo fazer esta revisão dos meus dias!

quinta-feira, 22 de março de 2018

Diário de uma Mãe a Tempo Inteiro - Dia 5

DIA 5 - QUINTA-FEIRA

Mais uma vez, acordámos ainda com o pai em casa, ou seja, cedo. Ficámos naquele despertar vagaroso, levantámo-nos e vestimo-nos. O Damião estava outra vez molhado. Tem mamado tanto durante a noite, que não há fralda que aguente!
A Elisa quis novamente ir logo para a rua. Esteve a brincar com o cão às corridas e andou de baloiço.
Depois de comermos o habitual pequeno-almoço, composto por fruta, iogurte natural e cereais, eu fiquei a fazer algumas tarefas domésticas. O Damião esteve a explorar os seus brinquedos, com a mana à sua volta a brincar ao faz-de-conta, recriando uns desenhos animados da Barbie e de uma sereia. A seguir, quis desenhar e fez outra árvore, desta vez acompanhada de um sol, um rio e um barco.
Depois, pediu-me para ver a Elena de Avalor na televisão, mas eu queria adormecer o mano. Então sugeri-lhe que pintássemos uns desenhos de um livro de colorir que tem, enquanto eu o embalava no carrinho e lhe cantava canções. Concordou.
Terminada essa atividade, pus-lhe os desenhos que me pediu e aproveitei que o Damião dormia para continuar nas minhas tarefas, que envolviam, claro está, dobrar roupa! Fui interrompida, ao fim de pouco tempo, pois atualmente ele faz sonos muito curtos, pelo que estas tarefas foram sendo feitas em curtos espaços de tempo ao longo do dia.
Brinquei com ele e trocámos mimos.
Depois lembrei-me que gostava de fazer uns hambúrgueres de lentilhas para o almoço e fui procurar uma receita. Segui as primeiras indicações e, enquanto as lentilhas ficaram a cozinhar, convidei a Elisa a irmos lá fora, semear as restantes flores e os tomateiros que comprámos. O Damião esteve no carrinho, mas esteve choroso. Então, vim para dentro, terminar o almoço e, com o barulho do exaustor e das minhas canções, ele adormeceu num instantinho. A Elisa ficou a brincar no quintal. Quando voltou, teve de mudar de roupa, pois estava molhada e cheia de terra. 
O Damião acordou quando íamos sentar-nos à mesa, pelo que fiz também a papa dele e dei-lha. A Elisa quis comer o que sobrou como sobremesa.
Depois, fiquei a arrumar a cozinha e pedi-lhe que fosse lavar os dentes, como habitualmente, para ir fazer a sesta de seguida. Só que, quando cheguei à casa de banho, o bidé estava cheio de água com espuma e ela estava a mergulhar a escova no bidé, algo tanto eu como o pai já lhe explicámos que não se faz. Voltei a explicar-lhe que aquela água estava suja, que não era o sítio ideal para pôr a escova que depois irá colocar dentro da boca. Disse-lhe que confiava no facto de que ela era capaz de lavar os dentes sozinha, mas que aquilo não o demonstrava. Acrescentei que havia outros momentos para brincar com água, como por exemplo quando o fez antes do almoço no quintal, mas que aquele momento era para uma tarefa específica: escovar os dentes. Em jeito de acabar com a conversa, disse-me: "Tenho as mangas molhadas! Ajuda-me a tirar a camisola...". E eu respondi-lhe que essa era uma consequência da sua escolha, que não ia dar-lhe outra roupa para vestir. Ainda fez aquele choramingar forçado, mas eu fui continuando a falar e ela acedeu. Veio deitar-se na cama, junto a mim e do mano, e eu fui lhe explicando todas as nossas escolhas têm consequências, e que estas, por sua vez, podem ser boas ou más. Quis exemplos. Muitos. Dei-lhe alguns, mas agora só me lembro deste: "Posso escolher ir para a rua sem casaco. Se estiver frio, sinto-me desconfortável (consequência má), se estiver calor, sinto-me bem (consequência boa)."
Não estava muito inspirada (tinha gasto toda a inspiração em consequências!), por isso em vez de contar uma história de memória, escolhi ler-lhe alguns contos de Grimm.
Vim com o Damião para a sala, brinquei algum tempo com ele e depois deixei-o entretido com os seus brinquedos e comecei a adiantar o diário.
O momento em que se chateou e quis mamar coincidiu com o momento em que a Elisa também acordou. Então, mais uma vez fiquei com os dois aninhados no meu colo. Ele adormeceu e eu fui deitá-lo na sua cama.
Fiquei com a Elisa a jogar às cartas das bruxas - o jogo do momento! Entretanto, ela lembrou-se que há muito tempo não fazia um puzzle que tem sobre a reprodução dos animais. Estivemos a fazê-lo e depois ajudei-a a separar os animais por classes: mamíferos, peixes, aves, répteis e insetos. Começou a dizer-me que a joaninha se ia transformar em borboleta e então aproveitei para lhe mostrar um livro com umas ilustrações lindíssimas que comprei há uns dias: A butterfly is patient. Traduzi-lhe algumas páginas e guardámos o resto para outro dia.
O Damião acordou, lanchámos e fomos preparar-nos para sair, pois hoje a Elisa tinha aula de ballet. Só que o Damião teve uma crise de choro. Não parava de chorar e eu não estava conseguir acalmá-lo. Mama não era, porque já tinha mamado e até estava a bolsar-se. Talvez fosse má disposição por ter mamado de mais... Eu segurava-o ao colo, tentava aconchegá-lo junto mim, ou distraí-lo, dar-lhe algum brinquedo, pôr-lhe a chucha... Nada estava a resultar! Cada vez chorava mais, muito enervado! E o Damião é um bebé calmo... Isto é algo que não costuma acontecer... Decidi levá-lo para o quintal e acabou por acalmar, mas assim que voltámos para dentro e tentei colocá-lo no ovo, pois íamos de carro, começou novamente a choradeira. Eu já estava nervosa também, apesar de não querer sentir-me assim... Quando saímos definitivamente de casa, acalmou. Fiquei sem ter a certeza do que era realmente, mas senti-me muito desgastada, após esse momento.
Antes da aula de ballet, a Elisa aproveitou para brincar com as amigas. Tentamos ir sempre com alguma antecedência, para ela ter oportunidade de estar com elas. Levou um livro com puzzles, mas não queria que a amiga os montasse com ela. Então, chamei-a ao pé de mim e disse-lhe que ela tinha o direito de não emprestar os seus brinquedos, mas que se tinha levado aquele livro de propósito para mostrar às amigas, não fazia muito sentido que não o partilhasse, que assim sendo mais valia tê-lo deixado em casa... A mãe dessa menina estendeu-lhe uma boneca da filha, ela agarrou-a e já não deu mais importância ao livro, tendo a menina ficado entretida com o mesmo. Estava resolvido o assunto!
Chegados a casa, já o pai cá estava. Foi a rotina do costume: tratar do jantar, banhos e cama da pequenada. Enquanto fiz o jantar, a Elisa ainda esteve ajudar-me a arrumar os talheres na gaveta... Ao jantar, o mano comeu a sopa toda e ainda repetiu. Ela comeu tudo com custo. Depois, a Elisa pediu-nos para tomarem banho juntos e estiveram felicíssimos a brincar na banheira! Eu adormeci o Damião, o pai adormeceu-a a ela. Agora, vim finalizar o diário e não deve faltar muito para também me ir deitar.
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