sábado, 22 de julho de 2017

Autonomia aos dois anos e meio

Cá em casa, acreditamos na importância da promoção da autonomia nas crianças. 
Enquanto professora de 1º ciclo, esta foi uma competência que procurei sempre desenvolver junto dos meus alunos. Crianças autónomas são crianças mais confiantes e capazes de atuar sobre o mundo que as rodeia, são mais proativas e empreendedoras. E o mundo precisa de pessoas assim! 

Esta ideia tem estado presente na forma como temos educado a nossa filha até aqui.
Por exemplo, quando introduzimos a alimentação complementar inspirando-nos no BLW estávamos a promover a sua autonomia... E muito frequentemente fomos abordados por desconhecidos, quando íamos ao restaurante, pois estranhavam que uma bebé tão pequena soubesse comer sozinha!
Também no dia a dia, procuro não lhe dar ajuda em excesso, mas apenas quando o solicita ou se verifico que está mesmo atrapalhada. Por exemplo, se fazemos um puzzle, não a ajudo a colocar a peça à mínima dificuldade, se está na parede de escalada do parque, fico apenas por trás para prevenir alguma queda mas não a seguro ou digo onde deve posicionar os pés e as mãos, se quer vestir as cuecas sozinha ou despir a camisola deixo que o faça, se quer assoar o nariz com as suas próprias mãos também... Enfim, estas são apenas algumas situações (entre tantas) do dia a dia, que escolhi para que fiquem com uma ideia daquilo que quero transmitir. 

Ultimamente e inevitavelmente (porque a vida acaba por nos levar ao encontro daquilo que buscamos) descobri o método Montessori e fiquei encantada com a quantidade de coisas que se enquadram na minha forma de pensar. A promoção da autonomia é, a meu ver, o ponto central de quem defende esta ideologia.
Aprendi contudo, através das minhas pesquisas e leituras, mas acima de tudo pela observação direta da minha filha e daquilo que ela me revela serem as suas necessidades, que este desejo de autonomia vai muito para além daquilo que eu adulta possa querer transmitir, pois é algo intrínseco à criança, é uma força interior que ela possui. Os bebés nascem com um desejo enorme de nos imitarem e de serem capazes de fazer as mesmas coisas que nós. Frequentemente, os adultos acham-nos pouco capazes e, não só não permitem que ponham à prova as suas capacidades, como inconscientemente lhes vão transmitindo essa mesma ideia de incapacidade e fracasso, acabando por tirar intensidade a essa força interior.


Estando mais consciente disto do que estava anteriormente, tenho procurado respeitar ainda mais os seus desejos de fazer as coisas sozinha e tenho também sugerido a sua participação em algumas atividades do quotidiano que julgo serem adaptadas às suas capacidades. 
Algumas das atividades que revelou querer fazer sem ajuda são: lavar os dentes, lavar as mãos com sabonete, vestir e despir a roupa, calçar-se, limpar o bacio, subir sozinha para a cadeira de segurança do carro, aspirar, colocar a roupa na máquina de lavar (esta há já muito, muito tempo!... era tão bebé!), dar comida ao cão e à gata... Em algumas situações, ainda pede a minha colaboração, noutras já revela uma enorme independência.
Quanto a atividades por mim propostas e que tiveram aceitação imediata, resultando em momentos de grande concentração e empenho, destaco: pôr manteiga no pão, descascar cenouras, despejar água para o copo quando tem sede, dobrar roupa...

É muito gratificante ver como ela faz estas tarefas com gosto e como efetivamente é capaz de as fazer. Entretém-se e concentra-se por maiores períodos de tempo a fazer este tipo de atividades do que habitualmente com os seus brinquedos.
A dificuldade que tenho sentido prende-se com o facto de, por achar que é muito capaz, nem sempre aceitar que determinadas coisas não estão destinadas a ser feitas por ela ou que determinado momento não é o ideal para realizar a atividade que pretende. A titulo de exemplo, neste momento quer lavar os dentes inúmeras vezes ao dia e assim que me distraio lá está ela no bidé a fazê-lo!

Há por aí mais mães (e pais) a seguir esta linha orientadora na educação dos filhos? Como lidam com esta questão que coloquei?

Se clicar nos links seguintes, terei um pequeno ganho sem nenhum custo adicional para si. Desde já, agradeço.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Jogo de correspondência de cores - DIY

Cá em casa, andamos em remodelações e, por isso, fui a uma loja de tintas.
Fiquei maravilhada ao descobrir um expositor dos vários tons de tinta, que era composto por pequenos cartões de amostra que podíamos trazer.
De imediato, me imaginei a fazer um jogo de correspondência de cores que tinha visto há algum tempo na net.
Escolhi as cores que me interessavam e, chegada a casa, pus mãos à obra! Trouxe seis cores diferentes em quatro tonalidades cada.

Medi e cortei os cartões em retângulos de 8 cm por 4 cm.
Cortei seis retângulos de cartolina preta, medindo 18,5 cm de comprimento e 8 cm de largura cada um.
Nesses retângulos, colei os cartões coloridos, deixando meio centímetro de distância entre diferentes tons e nas margens. 


Depois, colei a parte dos cartões coloridos que sobrou a molas de madeira, deixei secar bem e, com a ajuda de um bisturi de artes, retirei o excesso de cartão.


Ficou assim!


Agora, é tempo de brincar! 



quarta-feira, 14 de junho de 2017

Birras - como lidamos com elas?

Cá em casa, vive uma menina de dois anos e meio, na chamada fase dos terrible two, que embora (e felizmente!) não esteja a ser assim tão terrível, de vez em quando, ainda dá azo ao irromper de uma birra qualquer.
 
Em conversa com uma amiga, que tem um filho da mesma idade, ela queixava-se exatamente desta questão, das birras, e de como lidar com elas. Tal levou-me a refletir acerca da forma como o faço ou, pelo menos, procuro fazer.



 
No caso da minha filha, e provavelmente acontecerá com as outras crianças, as birras surgem porque foi contrariada e quer afirmar a sua posição. Associado a isto vem o facto de ser assolada por um sentimento intenso, de desconforto, com o qual não sabe ainda lidar.
Quantas vezes nós adultos não temos reações mais efusivas, que não diferem assim tanto de uma birra (e já cá andamos há tanto tempo!)?
A verdade é que a maioria de nós foi educado no sentido de reprimir a birra, em lugar de entender o que a despoletou... "Ou paras com essa birra imediatamente ou levas uma palmada e aí choras com razão!" lembra-vos alguma coisa?
Se, em lugar de exigirmos às crianças que escondam os seus sentimentos, lhes ensinarmos acerca do que estão a sentir, julgo que aprenderão mais facilmente a autocontrolar-se em situações adversas, tornando-se mais capazes emocionalmente.
Então, creio que a base de tudo é entendermos o que se está a passar interiormente com a criança.

Contudo, percebo que este ver pelos olhos do outro nem sempre é assim tão claro, pois a grande maioria de nós vive numa grande aceleração e com pouca disponibilidade para tal.
A birra porque não se quer calçar surge quando temos cinco minutos para sair de casa se não queremos apanhar trânsito e chegar tarde ao trabalho. A birra porque não quer sentar-se na cadeira de proteção do carro aparece no dia em que já estamos atrasados para um jantar de família. A birra porque não quer arrumar os brinquedos manifesta-se quando já devia estar a dormir há meia hora, temos a casa de pernas para o ar e pela frente uma série de tarefas domésticas inadiáveis.
Contudo, se nos disponibilizamos a tentar entender os seus motivos, percebemos que só não se quer calçar porque aquelas sandálias lhe magoam os pés, não se quer sentar na cadeira porque acha que já é capaz de subir autonomamente para a mesma e quer confirmá-lo, não quer arrumar os brinquedos porque lhe apetece continuar a brincar...
Ou seja, com alguma frequência, as birras surgem porque não temos tempo (e paciência) para escutar as suas motivações e tentamos impor as nossas.

Então, penso que, em primeiro lugar, devemos perguntar à criança porque é que está a reagir daquela maneira. Nem sempre resulta, porque às vezes também ela não o sabe. Mas se o conseguir transmitir, seja de que forma for, pode ser o suficiente para que possamos ceder ou encontrar uma solução que agrade às duas partes, e deste modo a birra nem chega quase a ter lugar.
Pensando nas ideias referidas em cima, podemos (devemos!) calçar-lhe outra coisa, podemos deixá-la tentar subir sozinha para a cadeira ou combinar que o fará no dia seguinte quando estivermos com menos pressa, podemos transformar a arrumação dos brinquedos numa brincadeira, contando quem arruma mais peças (e na verdade, nesse dia, arrumar quase tudo, sem no entanto permitir que se exclua totalmente dessa tarefa)...

Quando não conseguimos evitar a birra e esta já assumiu proporções menos controláveis, devemos antes de mais tentar manter a calma...
Se a criança está mesmo muito enervada, antes de qualquer diálogo, um abraço ou um colinho podem ser mágicos! Ou então afastarmo-nos por um momento, deixando-a sozinha por alguns instantes para se acalmar, e regressando logo de seguida para conversar. Tal depende obviamente da situação e da criança.
Mas o que acredito ser crucial é, como já referi anteriormente, a nossa solidariedade para com o que ela está a sentir. É sermos capazes de lhe dizer que se sente triste, zangada, frustrada, amedrontada, preocupada, enganada, ansiosa... e que não faz mal sentir-se assim, que também nós nos sentimos assim às vezes... Ou seja, é importante dar nomes aos sentimentos e aceitá-los.
O que não é aceite é que a criança reaja a esses sentimentos com determinado tipo de comportamento, como gritar, atirar coisas para o chão, bater ou espernear, e é isso que, num momento seguinte, lhe deve ser explicado, bem como o motivo pelo qual as coisas não puderam ser como desejava.

Por fim, acho que é essencial a coerência. Se a regra é que não come bolachas antes do jantar, não é porque faz birra que lhas vamos dar... Se não vai para o parque sem chapéu na cabeça, não é porque estamos sem paciência para contra-argumentar que devemos ceder... Se antes de sair de casa é importante que faça xixi no penico para não haver descuidos na rua, tal deve ser tornado numa rotina de modo a evitar teimas...


Como referi logo no início, isto é o que procuro fazer com a minha filha. É claro que já tive situações em que não consegui lê-la nem ouvi-la, em que me precipitei numa qualquer atitude que não foi a mais acertada, em que falei alto ou perdi a calma... Mas procuro estar muito consciente de tudo isto, desejando fazer melhor a cada dia que passa.

No outro dia, estava ela a ver uns desenhos animados, mas aproximava-se a hora da sesta. Avisei-a um pouco antes de que iria parar o filme, pois já sabia que tal não seria aceite de ânimo leve, mas, ainda assim, quando o fiz, começou a chorar.
Então, já no caminho para o quarto, disse-lhe:
"Estás triste e zangada, porque estavas a gostar muito dos desenhos animados e não querias parar de os ver. É normal... Eu também me sinto assim quando tenho de interromper uma coisa da qual estou a gostar muito..."
"Não...", respondeu-me ela.
"Não? Não o quê? Não estás triste e zangada?", insisti.
"Não. Estou só triste..."
Parou de chorar...
E eu aqui percebi que estamos no bom caminho... 💖


 
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