sábado, 2 de janeiro de 2016

Alergia ao trigo

Cá em casa, já desconfiávamos que a bebé era alérgica ao trigo... Os testes vieram confirmá-lo.


Pouco tempo depois de ter feito seis meses, ao oferecer-lhe um pedaço de pão para morder, apercebi-me de umas manchinhas vermelhas em torno da boca. Não liguei muito, pois pensei que se tivesse arranhado com a côdea. Nessa época, ela não se mostrava minimamente interessada nos alimentos sólidos, mas revelou de imediato grande motivação para experimentar o pão, pelo que fiquei toda entusiasmada e nem me passou pela cabeça que essas manchas fossem algum tipo de reação.

Contudo, à terceira ou quarta vez em que lhe oferecemos pão, a minha atenção foi despertada. Isto porque as manchinhas apareceram uns cinco minutos depois de ela ter largado o pão e eu, que tinha estado a observá-la, sabia que não se tinha arranhado. Constatei também que tinha algumas manchas no peito e barriga.
Ao ligar para a Saúde 24, depois de me colocarem uma série de questões, encaminharam-me para as urgências do hospital.
Entre o tempo de deslocação e de espera no hospital, passou-se mais de uma hora e, quando ela foi atendida, as manchas já tinham desaparecido. Tinha tirado fotos que mostrei à médica...
Perguntei se poderia ser uma reação ao glúten, mas a médica era da opinião que não, pois os sintomas desta intolerância estão mais frequentemente associados a questões intestinais.
Aconselhou-nos a marcar consulta de imunoalergologia e assim o fizemos. Mas, mesmo num hospital privado, só consegui consulta para mais de três meses depois!

Entretanto, com a diversificação alimentar, comecei a inserir as papas na sua alimentação.
Sempre fiz todas as papas em casa, pelo que sei os ingredientes que as compõem...
E foi num dia em que fiz papa de trigo espelta com sêmola de milho que a reação cutânea voltou a ocorrer. Fiquei alerta, mas sem perceber qual dos ingredientes fora o causador, até porque já tinha usado ambos noutras papas (provavelmente em menor quantidade) sem me ter apercebido de nada!
Nos dias seguintes, fiz novas papas, usando estas farinhas em separado e verifiquei que era o trigo o causador das manchas.

No mês passado, fomos finalmente à consulta de imunoalergologia.
Fizeram-lhe os testes habituais, com umas pequenas picadas em ambos os braços e um quarto de hora à espera que as substâncias reagissem. Após 15 minutos a andar com ela, segurando-lhe as mãos de braços esticados, para um lado e para o outro do consultório (felizmente andava toda entusiasmada a querer dar os primeiros passos!), consegui fazer com que tolerasse todo esse tempo sem tocar nas tais substâncias. É claro que sai de lá com uma enorme dor de costas!
Como já esperava, fez uma reação grande ao trigo, mas também de forma mais ligeira ao glúten, à gema e à clara de ovo. A médica aconselhou-me a excluir totalmente o glúten da sua alimentação, para ver se o organismo se "esquece" e deixa de reagir perante a sua presença. Quanto ao ovo, aconselhou-me a fazer a sua introdução gradual, primeiro da gema e depois da clara, como já são as diretrizes dadas a todos os bebés, pois ao ano levará a vacina do sarampo, que pode provocar reações aos bebés alérgicos a este alimento.

Entretanto fez também análises ao sangue e à urina, o que é algo extremamente difícil de se conseguir com uma bebé pequena.
Sofri imenso ao ver como chorava e se contorcia de dores, enquanto a enfermeira lhe espetava a agulha no braço e escarafunchava à procura da veia. E mais sofri ao aperceber-me de que aquele momento seria mais demorado do que eu imaginara, pois para aquela panóplia de exames eram necessárias três seringas cheias!
Depois foram mais quase duas horas na sala de espera do hospital, até que se decidisse a fazer xixi, para o saquinho que trazia colado à pele, por baixo da fralda. Devia estar tão aterrorizada com o que lhe tinham feito que nem xixi fazia! Só quando nos lembrámos de lhe molhar as mãos com água corrente se resolveu!

Na passada semana, tivemos novamente consulta de imunoalergologia.
Os resultados das análises ao sangue não acusam nada. Segundo nos explicou a médica, os testes feitos com as picadas na pele são mais sensíveis, daí ela ter feito as referidas reações. O facto de não se detetar nada nos testes sanguíneos é um bom sinal... É possível que deixe de fazer alergia com o passar do tempo. A evicção total de produtos com trigo e glúten é fundamental para o sucesso deste processo.
Voltaremos a meio deste novo ano, para fazer novos testes e na esperança de que tudo esteja ultrapassado. Até lá, nada de trigo ou glúten!

domingo, 27 de dezembro de 2015

Papas caseiras - Parte 2

Cá em casa, continuamos a apostar na confeção de papas caseiras.

Confesso que, sem a Bimby, não seria tão fácil levar avante esta decisão de dar à nossa bebé uma alimentação mais saudável, sem açúcar, sal e outros aditivos, presentes nas papas industriais. Mas foi maioritariamente a pensar nela que decidimos fazer este (grande!) investimento quando nasceu. E só pela utilização quase diária que dou à Bimby devido às papas, já sinto que compensa.

Hoje partilho mais algumas receitas de papas que a bebé tem comido. Normalmente, cada receita dá para duas doses, pelo que num dia come a papa ainda morna e a restante guardo no frigorífico para o dia seguinte. Ela gosta igualmente de a comer assim fresca.

Tivemos de eliminar o trigo da sua alimentação, pois descobrimos que fazia uma reação alérgica cutânea sempre que o consumia. O mesmo aconteceu com o glúten.


Papa de arroz, pera e dióspiro (sem glúten)

  • 4 colheres de sopa de arroz integral
  • 210 g de água
  • 1 pera
  • 1/2 dióspiro
Colocar o arroz no copo e pulverizar 20 seg / vel 9.
Juntar os restantes ingredientes e cozinhá-los 16 min / 90° / colher inversa.
Triturar 30 seg / vel 3, 5 , 7.
 
Papa de quinoa, alfarroba e maçã reineta (sem glúten)

  • 2 colheres de sopa de farinha de quinoa
  • 2 colheres de sopa de farinha de alfarroba
  • 200 g de água
  • 1 maçã reineta
Cozinhar todos os ingredientes 16 min / 90° / colher inversa.
Triturar 30 seg / vel 3, 5 , 7.


 
 
Papa de farinha 3 ÁS * com pera e maçã (sem glúten)

  • 4 colheres de sopa de farinha 3 ÁS
  • 200 g de água
  • 1 maçã
  • 1 pera
Cozinhar todos os ingredientes 16 min / 90° / colher inversa.
Triturar 30 seg / vel 3, 5 , 7.

* farinha de arroz, alfarroba e araruta (comprei no Celeiro)

Atualmente, após sugestão de uma leitora, cozinho as papas todas a 8 min / 90 ° / colher inversa. Fiz esta alteração porque percebi que este tempo de cozedura é suficiente para dar a consistência necessária às papas.

sábado, 10 de outubro de 2015

A nossa bebé come que dá gosto!

Cá em casa, temos uma bebé que come muito bem!

Contudo, quem nos tem seguido e leu o que escrevi, quando iniciei a alimentação complementar aos seis meses em BLW, e ao fim de um mês de avanços e recuos, sabe que nem sempre assim foi...
De facto, a nossa bebé começou por não revelar qualquer interesse pela comida, nem em experimentar novos sabores... Fomos alternando entre diferentes estratégias relativamente à forma como lhe disponibilizávamos os alimentos, e tentámos não ficar ansiosos pelo facto de os recusar. Para isso, contribuiu de forma fulcral o facto de eu ter prolongado a minha licença, encontrando-me em casa, a acompanhar esta sua fase de transição alimentar a cem por cento e continuando a amamentá-la em livre demanda.
Apesar de quase não comer, como mamava bastante, a minha filha continuou a aumentar o peso de acordo com o esperado e eu sentia-me tranquila em relação ao facto de ela estar a receber todos os nutrientes de que necessitava.
Na verdade, mamou quase em exclusivo até aos sete meses e meio...

 
Entretanto, começou por aceitar algumas frutas, usando as suas mãos para as comer, ora com ora sem a nossa ajuda. A primeira vez que abriu a boca de forma voluntária para comer uma colherada foi igualmente com fruta, mas cozida. Depois começou a aceitar também as papas e só de seguida as sopas. Quando decidi introduzir carne na sopa, houve uma mudança positiva na sua aceitação. E de três ou quatro colheres passou a cinco ou seis, depois a sete ou oito e assim consecutivamente, sem pressas nem pressões, até ao ponto de comer um boião inteiro dos que uso para armazenar e congelar a sopa.
 
E o que come atualmente, com nove meses? Desisti do BLW?
Ao acordar, mama. Come papa caseira a meio da manhã. Ao almoço, sopa de legumes com carne, e fruta.  Mama novamente a meio da tarde uma ou duas vezes. Janta sopa de legumes com peixe, tendo fruta como sobremesa. Mama outra vez ao deitar e nas vezes em que acorda durante a noite.
Pode-se dizer que desisti do BLW, pois a oferta de alimentos inteiros para serem explorados por ela, apesar de não ter sido eliminada das nossas rotinas, passou a ter um lugar menor. De facto, apenas a fruta lhe é dada inteira e não toda. Manga, pêssego, ameixas, melão são alguns exemplos de frutas que ela gosta de comer sozinha. Para além disso, não come a nossa comida e nem sempre come ao mesmo tempo que nós (ela quer jantar antes das sete da tarde!).
No entanto, é ela que decide quando quer comer e em que quantidade. Ninguém a força quando se mostra satisfeita, nem são usados distratores durante as refeições. Os alimentos não são demasiado triturados e alguns são apenas grosseiramente esmagados (não esquecendo os que lhe são dados inteiros), pelo que a sua capacidade de mastigação continua a ser treinada. Também procuro que conheça o sabor dos alimentos individualmente, pelo que quando introduzi o peixe, por exemplo, dei-lho a provar antes de o inserir na sopa (sendo que não se fez rogada!)...


Quando começar a comer um segundo prato, talvez volte a disponibilizar-lhe mais alimentos inteiros...

Por agora, sinto-me satisfeita com a escolha que fizemos em relação à sua alimentação...
Aliás,  não foi sequer uma escolha! Foi uma adaptação aos seus comportamentos, uma experimentação e uma aprendizagem diárias.
E que resultou (até ver!) numa bebé feliz à mesa! Uma bebé que prova tudo o que lhe damos sem receio e que aprecia todos os alimentos que já conhece sem exceção!

É por isto que defendo que todas as mães deveriam ter a oportunidade de acompanhar os seus bebés neste processo, como eu o fiz. A licença de maternidade não só deveria estender-se até aos seis meses, para que os bebés pudessem mamar em exclusivo até essa altura, como é preconizado pela Organização Mundial de Saúde, mas também alargar-se para além disso, permitindo que a introdução dos alimentos sólidos fosse vivida com serenidade e sem pressas, independentemente do método utilizado!

Se clicar nos links seguintes, terei um pequeno ganho sem nenhum custo adicional para si. Desde já, agradeço!
 
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