terça-feira, 1 de setembro de 2015

Papas caseiras - Parte 1

Cá em casa, oferecemos papas caseiras à bebé.
Ultimamente são cada vez mais os alertas dados quanto aos malefícios do consumo de açúcar, em especial por parte das crianças. Contudo e surpreendentemente, muitos dos produtos comercializados como sendo adequados para esta faixa etária continuam a incluir açúcar na sua composição. É o caso das papas!
Algumas incluem também sal. No entanto, os rins dos bebés não estão ainda suficientemente desenvolvidos para conseguirem fazer a sua correta filtragem...
Por isso, porque acredito que quanto menos produtos processados a minha bebé consumir melhor, e porque preparar uma papa em casa é mais fácil do que parece à primeira vista, tomei esta decisão!

Introduzi as papas depois dos sete meses, um pouco mais tarde do que o aconselhado pelos médicos, porque queria que a minha filha se habituasse primeiro ao sabor das sopas e dos diversos vegetais e  isso parecia nunca mais acontecer... Como tal tendia a demorar, dadas as dificuldades que já relatei, acabei por decidir dar-lhe papa antes mesmo de ela revelar algum prazer em consumir os referidos alimentos.

Nessa altura, ao fazer as minhas pesquisas, aprendi que era importante que as crianças tivessem contacto com alimentos contendo glúten antes dos sete meses (e depois dos três). Se isso não acontecer (se existir uma predisposição para tal), há uma maior probabilidade de poderem desenvolver a doença celíaca.
A doença celíaca é uma doença auto-imune que se caracteriza por uma intolerância ao glúten. Ao ser consumido, o sistema imunológico é ativado, atacando o intestino delgado. Este fica com lesões que não permitem que seja feita uma correta absorção dos nutrientes.
A minha bebé estava com sete meses e meio, quando soube disto. Por isso, apressei-me a fazer a passagem das papas sem glúten para as com glúten.
Até agora, nenhuma reação negativa! Contudo, os primeiros sinais da doença podem aparecer até aos vinte meses. Há que estar atento a diarreia, barriga inchada, perda de apetite e de peso e irritabilidade, pois são estes os principais sintomas.
Partilho então algumas papas que a bebé já experimentou. Fiz todas elas usando a Bimby, mas podem ser cozinhadas de forma tradicional.

Papa de alfarroba, quinoa e pera (sem glúten)
  • 1 colher de sopa de farinha de alfarroba
  • 1 colher de sopa de quinoa
  • 1 pera
  • 120 g de água


Cozinhar todos os ingredientes 8 min / 90° / vel 1.
Triturar 30 seg / vel 3, 5 , 7.


Esta papa foi a primeira que fiz e teve muito boa aceitação por parte da bebé. Eu, que nunca fui grande fã de papas, também gostei. Penso que, até no caso de crianças mais velhas, pode ser servida como uma sobremesa saudável, pois o seu aspeto é muito semelhante ao de uma mousse de chocolate e o seu sabor é muito adocicado.

Papa de arroz branco, pera e pêssego (sem glúten)
  • 2 colheres (sopa) de arroz branco
  • 1 pera
  • 1/2 pêssego
  • 150 g de água

Pulverizar o arroz 15 s / vel 9.
Juntar a pera e a água, e cozinhar 8 min / 90° / vel 1.
Adicionar o pêssego.
Triturar 30 seg / vel 3, 5 , 7.
Apesar de ter triturado os grãos de arroz, para fazer farinha, houve um ou outro que escapou e ficou maior. Por isso, em algumas colheradas, foi acionando o reflexo gag e, julgo que por esse motivo, ela não gostou tanto desta papa como da anterior.
Mas foi só no primeiro dia, pois já a fiz novamente e ela não se fez rogada!

Papa de aveia, abóbora e pêssego (com glúten)
  • 2 colheres (sopa) de flocos de aveia
  • 125 g de abóbora
  • 1 pêssego
  • 120 g de água

Colocar a água e a abóbora no copo e cozinhar 6 min / 100° / vel 1.
Juntar a aveia e cozinhar mais 8 min / 90° / vel 1.
Adicionar o pêssego.
Triturar 30 seg / vel 3, 5 , 7.

Acabada de regressar a casa de férias, queria fazer uma papa com glúten, para a minha bebé provar. Pensei usar maçã, mas a única fruta que tinha era pêssego. No frigorífico, encontrei um resto de abóbora e decidi arriscar. Quem diria que pela primeira vez a bebé iria comer mais de sete colheres? Surpreendentemente, a tigela ficou vazia! No dia seguinte, comeu outra porção semelhante (tenho dividido a quantidade de cada receita em duas doses, porque ela ainda come muito pouco), desta vez fria, com igual entusiasmo!

E eu também ando entusiasmada com as papas! Tenho percebido que não há limites à criação... Basta pôr a imaginação a funcionar e mãos à obra! Hei de partilhar mais receitas...

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Despertares noturnos

Cá em casa, a nossa bebé acorda várias vezes durante a noite.
Lembro-me de, nas primeiras consultas de rotina da bebé, a enfermeira perguntar com que regularidade a minha bebé mamava e se, durante a noite, já fazia intervalos maiores... Respondi-lhe que sim, até porque a essa data isso era mesmo verdade! De noite, ela chegava a fazer intervalos de três ou quatro horas, mas de dia era comum mamar a cada duas horas, no máximo.
Na altura, apesar de dar de mamar em livre demanda, acreditava que era normal que, ao fim de pouco tempo, todos os bebés dormissem a noite inteira. Pensava que gradualmente ela iria pedir para mamar menos ao longo da noite, até dormir um sono completo, e que isso aconteceria nos primeiros meses de vida.
Efetivamente, é isso que a maior parte das pessoas espera. Essa é a ideia que está instaurada nas nossas mentes, porque é isso que nos tem sido transmitido...
No meu caso concreto, conta a minha mãe que sempre dormi muito, de dia e de noite. E que, mal cheguei a casa, após uma semana na maternidade (em que os bebés ficavam no berçário durante a noite e não junto das mães), já dormia cerca de sete horas seguidas!

Com a minha bebé isso ainda nunca aconteceu...
Perto dos três meses, chegou a fazer sonos de cinco horas, mas foram a exceção à regra. A seguir, começou a reduzir a duração dos mesmos e passaram a ser mais curtos do que eram ao fim do primeiro mês. Atualmente, com sete meses e meio, o mais comum é acordar a cada duas ou três horas. Mas já teve dias em que desperta ao fim de pouco mais de uma hora...
Estarei à beira de um ataque de nervos? Não...
Acredito agora que o "normal" é os bebés acordarem frequentemente ao longo da noite. Os que não o fazem não têm nada de "anormal", só não são a maioria, como tem sido preconizado.

Porque é que os bebés acordam?
Os motivos vão variando em função das diferentes etapas de desenvolvimento do bebé, uma vez que o sono é um processo evolutivo, que se vai alterando ao longo das nossas vidas. Contudo, fazendo uma abordagem mais geral, destacam-se a necessidade de segurança, de alimento e a adaptação às fases do sono.
Assim, um dos motivos para os seus despertares é a necessidade de saberem que quem cuida deles está por perto. Pensando na carga genética que carregamos, os sobreviventes da nossa espécie foram aqueles que conseguiram manter os seus progenitores por perto para os defender dos perigos.
Também acordam para mamar, estimulando deste modo a produção de leite, já que os níveis se prolactina (hormona responsável pela produção de leite) são mais elevados durante a noite.
Para além disso, os recém-nascidos têm apenas duas fases do sono. Acordam frequentemente na passagem de uma fase para a outra.  Entre os quatro e os sete meses, irão adquirir as cinco fases que caracterizam o sono de um adulto. Passam então por uma etapa de instabilidade, também com vários despertares. Isto explica o porquê de, a dada altura, a minha bebé ter começado a fazer novamente sonos mais curtos, como já referi.
Perguntam-me muitas vezes: "A bebé dá-vos boas noites?" E eu respondo que sim, porque é isso que sinto desde o início.
Deito-a por volta das oito e meia da noite e ela acorda definitivamente perto das nove da manhã. Durante a noite, acorda, mama e adormece. E eu acompanho o seu ritmo! Às vezes mal despertamos. Às vezes, adormeço quando ela ainda está a mamar!
O facto de ter colocado a cama dela, sem uma das grades, encostada à minha facilita muito esta dinâmica.

 

Na maior parte das noites, não me incomoda acordar algumas vezes, nem o sinto como um fator de cansaço. Digo "a maior parte", porque já existiram dias que em que acordei cansada e desejando poder dormir mais de doze horas seguidas! Mas não acontece isso com toda a gente, até mesmo com quem não tem filhos?

Se clicar nos links seguintes, terei um pequeno ganho sem nenhum custo adicional para si. Desde já, agradeço.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Baby-Led Weaning e Introdução Alimentar Tradicional - avanços e recuos

Cá em casa, não tem sido fácil a introdução de alimentos sólidos.

Quem acompanhou esta publicação, sabe que tínhamos decidido fazer esta iniciação seguindo o método Baby-Led Weaning, mas que fomos surpreendidos pela falta de interesse da nossa bebé em explorar os alimentos...

O que nos motivou a experimentar este método foi o facto de tanto eu como o pai (tal como grande parte das pessoas!) termos tido grandes lutas às refeições, quando éramos crianças. Lembro-me de ficar tempos sem fim em frente ao prato, no refeitório vazio da escola, enquanto os meus amigos brincavam no pátio. Contam-me que tirei o pio a um canário por bater na gaiola, enquanto a minha avó tentava distrair-me para que comesse um pouco mais. E hoje sou uma pessoa gulosa, que na maior parte das vezes come para além daquilo que precisa efetivamente. No que toca ao pai, não come muito, mas come com pouca qualidade e tem muita dificuldade em aceitar novos sabores.

No Baby-Led Weaning, a criança come sozinha. Assim sendo, habitua-se desde sempre a comer quando tem fome e parar quando está saciada, sendo menos provável que, mais tarde, venha a sofrer de distúrbios alimentares.
As lutas às refeições também deixam de existir, bem como a necessidade de entreter a criança com aviõezinhos ou com desenhos animados. Ninguém vai dar-lhe comida diretamente e muito menos obrigá-la a comer, por isso estas situações deixam de acontecer.
A criança aprende ainda a distinguir o sabor de cada um dos alimentos e desenvolve um paladar mais abrangente. Sabe também que se não gostar de algum alimento, não tem de o comer. Deste modo, mostra maior predisposição para provar novos alimentos ao longo da vida.


Mas as vantagens não ficariam por aqui.
Rapidamente o bebé passa a comer o mesmo que toda a família (sem ser necessário preparar refeições especiais para ele).
O facto de ser o bebé a conduzir a comida à sua boca ajuda ao desenvolvimento da coordenação motora olho-mão.
Como os alimentos não são triturados, também a capacidade de mastigação é desde cedo trabalhada, com repercussões positivas no desenvolvimento da fala.

A maior vantagem, contudo, seria a passagem de um tipo de alimentação para outro, de forma natural, sem traumas associados, mas sim com a alegria e o entusiasmo que caracterizam todos os processos de aprendizagem vividos pelo bebé.

Contudo, a nossa bebé mostrou ser uma bebé atípica! Embora seja muito atenta a tudo o que a rodeia, revele curiosidade e mostre interesse em explorar tudo aquilo com que contacta, os alimentos mostraram ser uma exceção. Depois de os colocar na boca uma primeira vez, a alegria desvanecia-se... Ao fim de alguns dias nisto, o entusiasmo esfumava-se de tal forma, que fazia de conta que nem estava a ver os alimentos em cima do tabuleiro!
Provavelmente não estava ainda preparada para iniciar a alimentação complementar... Mas só tínhamos até ao início de setembro para fazer esta transição (mesmo assim mais tempo do que a maioria dos casos), altura em que regresso ao trabalho.

Numa tentativa de perceber o que se adaptava melhor a ela, fomos alternando entre disponibilizar-lhe os alimentos, tentar dar-lhe sopa à colher e deixá-la explorar a sopa com a colher e com as mãos.

Se de início a banana até lhe suscitou um ligeiro interesse, ao fim de uns dias nem olhava para ela, quanto mais segurá-la! O mesmo aconteceu com a cenoura, na qual se recusa a pegar. Quanto aos brócolos e à couve-flor, por exemplo, desfá-los completamente com as mãos mas não chega a prová-los.
Se num dia ou outro até permitia que lhe colocássemos duas colherzinhas de sopa na boca, no dia seguinte começava a chorar ao fim da primeira tentativa e nós não insistíamos...
Se, nas primeiras vezes em que a deixámos brincar com a colher e com a tigela, ainda comia alguma sopa, passado pouco tempo, começou a atirar as colheres para o chão, mexendo na sopa com as mãos, mas nunca as levando à boca.


Quase um mês depois, estava a ficar verdadeiramente desanimada... Nada estava a resultar! E o que parecia que até tinha resultado ligeiramente num dia rapidamente deixava de ser eficaz!
Mantive sempre a calma exterior em todas as refeições falhadas, mas confesso que interiormente estava a começar a sentir-me desgastada e um pouco perdida.
Deveria obrigá-la a comer? Não acreditava que tal fosse a decisão acertada... Mas se ela também não pegava nos alimentos sozinha, que outras opções existiam?

Ao longo deste tempo e das referidas tentativas, acabei por utilizar à experiências um utensílio, que me foi oferecido por um amigo, quando a bebé nasceu. Chama-se ClevaFeed e é uma espécie de chucha, mas como uma tetina de silicone um pouco maior, perfurada e em cujo interior se colocam os alimentos. À medida que o bebé vai chupando, pedaços dos alimentos vão sendo libertados, passando por esses pequenos furos.


A primeira vez que o usei, disponibilizara um pedaço de pêssego à minha bebé e, assim que ela lhe tocara com os dedos, tinha o ignorado completamente. Então coloquei o mesmo pedaço no ClevaFeed e ela sugou-o com gosto.
Fiquei com a ideia de que, apesar de gostar do sabor, não gostava de sentir sua a textura. Mais tarde, ao vê-la desfazer outros pedaços pêssego com as mãos, percebi que afinal o que ela não queria era despender esforço a agarrar aquela coisa escorregadia!

Tenho feito esta experiência uma ou outra vez, para perceber se ela gosta dos alimentos (e para que ela também o descubra). Contudo, não quero que este instrumento esteja presente em todas as refeições, porque não é um objeto que nós adultos usemos, como a colher ou o garfo, e que ela tenha de aprender a manipular. Para além disso, no caso de alimentos mais fibrosos como é o pêssego, ela só consegue obter o sumo, pois a polpa fica no interior da tetina.

Em alternativa, quando vejo que se desinteressa dos alimentos porque tem dificuldade em segurá-los, agarro-os eu, ela coloca as mãos em volta e aproxima-os da boca a seu gosto.


Neste momento, passou mais de um mês e meio e ela vai petiscando, com as suas mãos, pêssego, melão, melancia, pera, ameixas, abrunhos...
Estava muito recetiva ao pão, mas fez uma reação alérgica e vamos ter de esperar pela consulta de alergologia para o poder voltar a comer.
Também revelou gostar de frango. Há dias, ficou cerca de um quarto de hora com um pedaço na boca! Tanta volta deu que conseguiu desfazê-lo e engoli-lo!

E, surpreendentemente, na semana passada, abriu pela primeira vez a boca com gosto para comer uma colherada de pera cozida! Depois disso, já o fez para comer maçã cozida, pêssego esmagado, papas... Enfim, tudo o que seja doce!


Neste momento faz-me sentido que também coma alguma sopa. Será a avó quem ficará com ela durante o dia, quando eu regressar ao trabalho, e sei que não está muito à vontade para a deixar comer os alimentos inteiros. Para além disso, sem que eu esteja presente para que possa mamar, acredito que a quantidade de alimentos ingerida em BLW não seja suficiente. E como apenas petisca frutas e carne, recusando os legumes inteiros, esta é a forma que encontro de os ir incluindo na sua alimentação.
Assim, tenho lhe dado sopa à colher alternada com fruta, ou misturando as duas na mesma colher. Faz umas caretas, mas vai engolindo... Não vai muito além das seis ou sete colheres (pequeninas!), mas já é um grande progresso!

Que aprendizagens retiro de tudo isto?
Que mais importante do que escolher um método de introdução alimentar, há que iniciar esse processo tranquilamente e ciente de que é possível que nem tudo corra bem à primeira. O mais provável é que seja um longo percurso, cheio de avanços e recuos.
Há que vivenciar os momentos de desinteresse ou recusa do bebé em relação aos novos alimentos de forma paciente, mas não deixando de insistir e acreditando que, mais cedo ou mais tarde, ele há de dar sinais de interesse e aceitação relativamente a algo.
Também acho que não há nada de errado em ir experimentando diferentes formas de dar comida ao bebé, mesmo que em algumas ele tenha um papel mais passivo, ou que difiram um pouco do modo como esse alimento é habitualmente consumido. Para além disso, comidas trituradas fazem tanto parte da nossa dieta alimentar como alimentos inteiros, pelo que não vejo necessidade de excluir totalmente sopas e papas deste processo.

Cá em casa, não estamos portanto a seguir de forma pura o Baby-Led Weaning, embora continuemos a acreditar nos seus benefícios. Em vez disso, estamos a ler os sinais que a nossa bebé nos vai dando diariamente e a articulá-los com aquilo que nós vamos sentindo.
Caramba! Apesar das evidências, nunca me tinha apercebido de que alimentar alguém está de facto  impregnado de uma grande carga sentimental... Não admira que as avós queiram sempre que comamos só mais um bocadinho!

 
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