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quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Despertares noturnos

Cá em casa, a nossa bebé acorda várias vezes durante a noite.
Lembro-me de, nas primeiras consultas de rotina da bebé, a enfermeira perguntar com que regularidade a minha bebé mamava e se, durante a noite, já fazia intervalos maiores... Respondi-lhe que sim, até porque a essa data isso era mesmo verdade! De noite, ela chegava a fazer intervalos de três ou quatro horas, mas de dia era comum mamar a cada duas horas, no máximo.
Na altura, apesar de dar de mamar em livre demanda, acreditava que era normal que, ao fim de pouco tempo, todos os bebés dormissem a noite inteira. Pensava que gradualmente ela iria pedir para mamar menos ao longo da noite, até dormir um sono completo, e que isso aconteceria nos primeiros meses de vida.
Efetivamente, é isso que a maior parte das pessoas espera. Essa é a ideia que está instaurada nas nossas mentes, porque é isso que nos tem sido transmitido...
No meu caso concreto, conta a minha mãe que sempre dormi muito, de dia e de noite. E que, mal cheguei a casa, após uma semana na maternidade (em que os bebés ficavam no berçário durante a noite e não junto das mães), já dormia cerca de sete horas seguidas!

Com a minha bebé isso ainda nunca aconteceu...
Perto dos três meses, chegou a fazer sonos de cinco horas, mas foram a exceção à regra. A seguir, começou a reduzir a duração dos mesmos e passaram a ser mais curtos do que eram ao fim do primeiro mês. Atualmente, com sete meses e meio, o mais comum é acordar a cada duas ou três horas. Mas já teve dias em que desperta ao fim de pouco mais de uma hora...
Estarei à beira de um ataque de nervos? Não...
Acredito agora que o "normal" é os bebés acordarem frequentemente ao longo da noite. Os que não o fazem não têm nada de "anormal", só não são a maioria, como tem sido preconizado.

Porque é que os bebés acordam?
Os motivos vão variando em função das diferentes etapas de desenvolvimento do bebé, uma vez que o sono é um processo evolutivo, que se vai alterando ao longo das nossas vidas. Contudo, fazendo uma abordagem mais geral, destacam-se a necessidade de segurança, de alimento e a adaptação às fases do sono.
Assim, um dos motivos para os seus despertares é a necessidade de saberem que quem cuida deles está por perto. Pensando na carga genética que carregamos, os sobreviventes da nossa espécie foram aqueles que conseguiram manter os seus progenitores por perto para os defender dos perigos.
Também acordam para mamar, estimulando deste modo a produção de leite, já que os níveis se prolactina (hormona responsável pela produção de leite) são mais elevados durante a noite.
Para além disso, os recém-nascidos têm apenas duas fases do sono. Acordam frequentemente na passagem de uma fase para a outra.  Entre os quatro e os sete meses, irão adquirir as cinco fases que caracterizam o sono de um adulto. Passam então por uma etapa de instabilidade, também com vários despertares. Isto explica o porquê de, a dada altura, a minha bebé ter começado a fazer novamente sonos mais curtos, como já referi.
Perguntam-me muitas vezes: "A bebé dá-vos boas noites?" E eu respondo que sim, porque é isso que sinto desde o início.
Deito-a por volta das oito e meia da noite e ela acorda definitivamente perto das nove da manhã. Durante a noite, acorda, mama e adormece. E eu acompanho o seu ritmo! Às vezes mal despertamos. Às vezes, adormeço quando ela ainda está a mamar!
O facto de ter colocado a cama dela, sem uma das grades, encostada à minha facilita muito esta dinâmica.

 

Na maior parte das noites, não me incomoda acordar algumas vezes, nem o sinto como um fator de cansaço. Digo "a maior parte", porque já existiram dias que em que acordei cansada e desejando poder dormir mais de doze horas seguidas! Mas não acontece isso com toda a gente, até mesmo com quem não tem filhos?

Se clicar nos links seguintes, terei um pequeno ganho sem nenhum custo adicional para si. Desde já, agradeço.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Muito se entende antes de se falar!

Cá em casa, sempre falámos muito com a nossa bebé.
 
Há dias, uma amiga minha, que também foi mamã há alguns meses, falou-me que lera ou fora aconselhada, não me recordo bem, a falar frequentemente com o seu bebé, para estimular o desenvolvimento da fala. Respondi-lhe satisfeita que, de forma ora mais ora menos consciente, sempre o fizera desde que a minha filha nasceu.
 
Enquanto faço as tarefas domésticas, sempre andei com ela atrás de mim pela casa, deitada na espreguiçadeira quando era mais pequena, sentada na cadeira da papa ou na cadeirinha de passeio agora que está maior. E habituei-me a ir descrevendo o que estou a fazer... "A mamã agora está a dobrar a tua roupa" ou "Estou a acabar de arrumar a loiça e a seguir vou dar-te miminhos" são apenas dois exemplos do tipo de afirmações que profiro ao longo dos dias...
Ao vesti-la, por exemplo, também criei o hábito de ir falando, pedindo-lhe que me dê o braço para o passar pela manga, ou dizendo-lhe que vou enfiar um pé e depois outro nas pernas das calças.
E, às vezes, ao brincarmos com os peluches, também aproveito para os descrever...
 
Também falo diretamente para ela, não só agora que já reage com sorrisos e respondendo-me na sua linguagem própria, mas também quando era mais pequenina e apenas ficava a olhar para mim
Chamo-lhe nomes fofinhos, alguns inventados por mim (o pai inventa-lhe canções!)... 
Repito os sons do seu palrar ou respondo-lhe com um novo som, fomentando assim o desenrolar de deliciosas conversas só nossas.
De há uns tempos para cá, repito frequentemente determinadas brincadeiras de palavras. "Como é que faz o gato? Miau, miau!", digo enquanto me olha séria. "E como é que faz o cão?", que a faz soltar a primeira gargalhada. "Uoff, uoff, uoffff!!!", e aqui ri, ri...

 
Não sei o que é que ela compreende do que eu digo e quando comecei a falar-lhe não o fiz racionalmente, esperando que entendesse o que quer que fosse. Tendo em conta que passamos todo o dia juntas, fui sentindo necessidade de falar com ela e foi isso que fiz...
Depois comecei a pensar que, se ela aprende através da experiência, ajudá-la-ia a desenvolver a linguagem, se ouvisse frequentemente falar. E então começaram a surgir alguns momentos em que uso a fala mais deliberadamente.
 
Há estudos que indicam que aos seis meses os bebés já são capazes de entender um grande número de palavras, mas há também quem acredite, mesmo que apenas com base empírica, que eles nos entendem desde sempre.
E estas ideias remetem-me para um pensamento que vai um pouco ao encontro do meu último texto, sobre os rótulos que colocamos às crianças. Até que ponto é que aquilo que dizemos sobre os nossos bebés, diante deles, não está a ser captado e processado, mesmo que com algumas limitações, influenciando o decorrer dos acontecimentos?
 
Ou seja, pegando em exemplos práticos...
Porque é que, no fim de semana passado, a minha bebé, que estava tão bem disposta, desatou a chorar ao ir para o colo de uma pessoa amiga, que começou por perguntar se ela iria estranhá-la?
E será que o facto de já ter dito algumas vezes que a minha bebé não está muito entusiasmada com os novos alimentos tem repercussões reais neste seu desinteresse?
E é possível que, por já ter ouvido vários elementos da família dizerem que, quando chora, só a mãe a faz parar, isto se tenha tornado mesmo verdade?
Não sei... Fica aqui a ideia para refletir...

De qualquer modo, acho que a maioria de nós adultos tem este péssimo hábito de falar das crianças como se elas não ouvissem... E isso é algo que quero melhorar!
Falar dela não, falar para ela!
 
 

terça-feira, 28 de julho de 2015

Ao colocarmos rótulos nos nossos filhos influenciamos a pessoa que eles são!


Cá em casa, queremos evitar rótulos!

Mas isto nem sempre é tão fácil como pode parecer de antemão...

Apercebi-me disso pois fui a um encontro sobre Disciplina Positiva, onde nos foi sugerido um pequeno jogo. Em vez de nos apresentarmos, deveríamos escolher um dos nossos filhos e falar no seu lugar, apontando as suas principais características.
Apesar da minha bebé ser tão pequena, foi mais fácil do que imaginava aderir a esta brincadeira. De facto, já consigo caracterizar alguns aspetos da sua personalidade...
Depois de todos os participantes o terem feito, foi nos comunicado o objetivo do exercício: tomarmos consciência do que pensamos dos nossos filhos, dos rótulos que lhes colocamos e de como isso pode afetar quem eles realmente são.
 
Vim para casa a pensar nisto.  Já não algo era novo para mim... Já o tinha lido e ouvido aqui e ali, sendo uma verdade já bastante interiorizada e que eu achava que estaria (e iria continuar) a pôr em prática.

Já estive em situações em que, perante uma criança mais calada e envergonhada ou que se recusa a dar um beijinho aos presentes, os pais justificam o seu comportamento com um "Ele é sempre este bichinho-do-mato!".
Se essa criança já tem tendência para ser tímida, não a ajudará certamente sentir-se exposta e rotulada perante outras pessoas, que ainda por cima lhe são estranhas.
E eu pensei que iria ter muito cuidado para não fazer algo semelhante quando fosse mãe...
Contudo, já dei por mim a fazer algo parecido. Por volta dos três meses, a minha bebé passou por uma fase em que chorava sempre que estava diante de pessoas pouco familiares. Dei por mim, a justificar-me com "Ela é desconfiada" ou "Ela estranha as pessoas".

Também já presenciei momentos em que uma criança tenta fazer prevalecer a sua vontade, mesmo que em algo de pouca importância, sendo  logo apelidada de "teimosa".
Pois ainda esta semana, dei por mim a dizer ao pai, acerca da nossa bebé: "Ela é pequenina, mas já tão teimosa! Olhando para qualquer um de nós, tem a quem sair..."

E quase certamente todos já ouvimos adultos dirigirem-se a crianças ou falarem delas como se não estivessem presentes, com frases deste tipo:
- És uma cabeça-no-ar!
- Despacha-te! És sempre o último!
- É um pisco! Não come nada!
- A irmã é muito mais trabalhadora!
- Matemática não é com ele. Sai ao pai...
Provavelmente, somos agora adultos que conseguem, numa ou noutra situação, reconhecer-se no papel dessas crianças... Todos, em maior ou menor número de situações, fomos (somos!) rotulados!

E isso influenciou a pessoa que nos tornámos? Acredito que sim. Os bons e os maus rótulos...
Se sempre escutei dos meus pais que tinha jeito para escrever, tal motivou-me a escrever cada vez mais, com confiança. A prática e a convicção no meu valor fizeram com que evoluísse na escrita,  aperfeiçoando essa minha habilidade.
Por outro lado, estava a tentar lembrar-me de um rótulo que me tivesse influenciado negativamente e nada me ocorre, pelo que parece que a este nível os meus pais fizeram um bom trabalho! Sou teimosa sim, mas isso não só traz o mau como também o bom!

Acredito que uma criança, ao ouvir constantemente que é mal-educada, chega a um ponto em que já não se esforça por se comportar melhor, pois acredita que é impossível livrar-se da imagem que carrega. Se é rotulada de "molengona" e "preguiçosa", sem que consigam reconhecer o seu esforço por ser mais rápida e despachada, agarrar-se-á ao rótulo que lhe foi dado e agirá cada vez mais em conformidade com ele. Se afirmam frequentemente que não é boa aluna, acabará por acreditar que não vale a pena estudar, pois nunca conseguirá obter boas notas.
E estes são pequenos exemplos entre a enorme diversidade de rótulos, que temos tendência para usar: hiperativo ou demasiado parado, desorganizado ou muito perfeccionista, coscuvilheiro ou indiferente a tudo, que não abre a boca ou é demasiado falador... Enfim...

Não acredito que consigamos não estabelecer uma imagem das pessoas e, mais concretamente dos nossos filhos. É inerente ao ser humano esta capacidade/necessidade de categorização. Ajuda-nos a compreender o mundo em que vivemos e (re)conhecer quem somos.
Mas acredito que estando mais conscientes dessa imagem, possamos escolher o tipo de atitudes e palavras que usamos, de modo a ajudarmos os nossos filhos a desenvolver o que de melhor há no seu caráter e a aprender a lidar com os aspetos menos positivos.

Uma boa maneira de nos consciencializarmos é jogando o referido jogo. Vamos lá?
O meu nome é... Os meus pais chamam-se... E eu sou...

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Livros que recomendo para pais e educadores - Parte 2

Cá em casa, está a aproximar-se o momento em que a bebé deixará de mamar exclusivamente e, naturalmente, tenho procurado informação sobre a introdução dos alimentos sólidos.

A leitura deste livro foi um resultado desta minha busca.
Também desta vez, vou centrar a minha abordagem nos aspetos que foram mais significativos para mim e que ficaram gravados na minha mente, ou seja, nas minhas aprendizagens.

Mi Niño No Me Come, de Carlos González (versão em espanhol)
 
Mais uma vez, o pediatra simplifica o que temos tendência a complicar! Se as crianças não comem mais é porque não precisam... Não há que obrigá-las! E não é por isso que deixam de crescer! O crescimento depende das suas características genéticas e não da quantidade de comida ingerida... Gostei particularmente desta sua afirmação: "Na realidade, não crescemos por termos comido, mas sim comemos porque estamos a crescer".
Achei interessante a sua explicação relativamente à recusa das crianças em comer legumes. Segundo ele, essa recusa não está relacionada com o sabor dos mesmos, mas sim com o facto de ser um alimento pouco calórico. As crianças precisam de alimentos concentrados, ou seja, que tenham muitas calorias em pequenas quantidades, como acontece com o leite materno. A quantidade de verduras que o adulto acha que a criança deve ingerir (pois tem a ideia de que é um alimento saudável, importante na sua dieta) é superior à que ela consegue, pois o seu estômago é bem mais pequeno! Se frequentemente se insiste para que coma mais, é natural que ganhe aversão.
Por volta do primeiro ano de idade, é comum as crianças terem uma perda de apetite ou, pelo menos, não se verificar um aumento da quantidade de comida ingerida até então, contrariamente às expectativas dos pais. Isto acontece pois deixam de crescer ao ritmo avassalador com que estavam a crescer até aí.
O autor também refere que, como qualquer animal, o ser humano não só sabe a quantidade, como o tipo de alimentos de que necessita. Assim, se disponibilizarmos alimentos variados e de qualidade, e dermos liberdade à criança, ela escolherá aqueles de que o seu organismo necessita (podendo haver dias em que se foca num só tipo, mas acabando por variar com o passar do tempo). No fundo, estará só a dar continuidade ao que já fazia quando apenas mamava (em livre demanda, entenda-se!).
E já que falo em amamentação, aproveito para referir que lhe é dada bastante atenção neste livro. Creio que, se o tivessem lido, muitas amigas e mulheres que conheço teriam vivido esta etapa da sua vida com mais tranquilidade e teriam dado de mamar por mais tempo.
González desmistifica ainda a necessidade de respeitar sempre os mesmos horários para as refeições, bem como a permanência no mesmo espaço para as fazer, ou o "problema" de se deixar as crianças petiscarem entre elas...
Também defende que a criança é capaz de comer sozinha, desde que começa a fazê-lo, e que é a falta de autonomia, que na maior parte dos casos lhe é dada, a responsável por, a determinada altura, se desinteressar...
Também neste livro, aponta as condições ideais para o bebé iniciar a alimentação complementar (o leite materno deverá continuar a ser o alimento principal até pelo menos um ano de idade). São elas: conseguir sentar-se sem apoio, ter perdido o reflexo de extrusão (defesa que consiste em expulsar com a língua qualquer objeto estranho), mostrar interesse pela comida dos adultos e ser capaz de mostrar por gestos se tem fome ou está saciado.

Analisando cada uma delas, verifico que... a minha bebé já está pronta! Agora é aguardar que faça seis meses, para começar uma nova aventura: a das texturas, cores e sabores!


terça-feira, 9 de junho de 2015

E quando a bebé chora?


Cá em casa, não acreditamos na velha máxima de que "chorar é bom para os pulmões" (há com cada ideia!).
 
E, por isso, respondemos ao choro da nossa bebé com amor, prontidão e (mais ou menos) paciência (pois somos humanos e nem sempre temos a disponibilidade mental e emocional que gostaríamos!).
Não será isso que qualquer pai faz? Não será o choro do bebé biologicamente programado para ser tão difícil de suportar que qualquer pessoa se sente impelida a reagir de imediato?
 
A verdade é que há muita literatura, alguma de autores pouco conhecidos, outra de pediatras de renome mundial, que defende que não podemos responder sempre aos "caprichos" dos bebés, ensinando até métodos para treinar o seu choro.
E eu decidi escrever este texto há uns dias atrás, quando uma amiga, que está grávida, me falou entusiasmada de um destes métodos. Seria qualquer coisa deste tipo: de cada vez que o bebé chorasse, dever-se-ia aumentar o tempo de resposta e gradualmente o bebé deixaria de chorar "sem razão" e aprenderia a autocontrolar-se.

E porque é que não concordo com isto?

Em primeiro, porque não acredito que um bebé chore sem razão.  O choro é a sua forma de nos comunicar as suas necessidades, por vezes, depois de já ter tentado fazê-lo através de outros sinais, sem ter sido compreendido ou correspondido. E, por necessidades entenda-se fome, fralda suja, sono, ou qualquer outra coisa (igualmente importante) de que sinta falta ou que o esteja a incomodar.
Quantas vezes a minha bebé chora com verdadeiras lágrimas a escorrerem-lhe pela cara, parando de imediato e substituindo-as por um rasgado sorriso quando a seguro ao colo? Algumas! Chorava sem razão? Não! Chorava porque sentia saudades do meu abraço, ou queria sentir o meu calor, ou estava farta de estar na espreguiçadeira e queria ver o mundo da minha perspetiva, ou porque tinha uma dor qualquer que desapareceu quando se distraiu, ou porque... Enfim, na maior parte dos casos não o saberei. Mas sei que alguma coisa foi e, mesmo que a mim não me pareça importante, para ela sê-lo-á certamente e merece ser respeitado.

Em segundo lugar, não acredito que um bebé aprenda a autocontrolar-se. Acredito sim que deixe de chorar por cansaço e para não despender mais energia num comportamento que não está a ter resposta.
No caso especifico da minha bebé, se não houver resposta ao seu choro, este tem tendência a aumentar. Penso que com os outros bebés seja semelhante... Para um método desses resultar, creio que será necessário muito sofrimento por parte do bebé.
Conseguem imaginar-se na pele de um bebé sentindo-se desconfortáveis, e não sabendo quanto tempo esse mal estar durará (ou se será para sempre!), pois estão dependentes de outra pessoa para lhe pôr termo? Deve ser terrível!

Então mas a minha bebé nunca chora? Isso era o sonho de qualquer pai (ou vendo bem, talvez não, pois seria sinónimo de que algo não estava bem na capacidade de comunicação do bebé)... Chora.
E eu consigo sempre evitar que o faça? Não. Há situações, em que pela força das circunstâncias, é inevitável.
Se a coloco no ovinho e não vou logo para a rua, chora. Contudo, eu tenho de fazer aquelas coisas necessárias antes de sair de casa, que não me são possíveis com ela ao colo.
Se estamos a jantar e ela chora, comemos num ápice, levantamo-nos à vez para tentar distraí-la, mas ainda assim durante esses instantes ela chora. Estou desejosa que se possa sentar numa cadeira da papa para nos acompanhar nas refeições, pois esta é uma situação muito recorrente...
Quando lhe coloco a fralda, às vezes, ela sente-se incomodada e chora. Mas eu não posso (ou pelo menos ainda não me convém!) deixá-la andar de rabo ao léu!

Tal como já escrevi anteriormente, neste texto sobre o colo, acredito que respondendo às suas necessidades, estou a criar uma criança mais confiante. Confiante na sua forma de comunicar com os outros (e se for compreendida antes do choro tanto melhor), o que terá impacto na forma como estabelecerá relações... Confiante no mundo que a rodeia, sentindo-o como um lugar bom, o que terá repercussões na sua curiosidade e capacidade para atuar sobre ele...
E uma criança confiante tem já meio caminho percorrido para ser uma criança feliz! Não é isso que todos queremos?...

 

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Livros que recomendo para pais e educadores - Parte 1

Cá em casa, há uma boa coleção de livros...
 
Sempre gostei de ler e, embora atualmente muita da informação que vou recolhendo seja obtida online, não dispenso a leitura de um bom livro (seja romance ou informativo), preferencialmente na versão de papel.
 
Desde o nascimento da minha filha, o meu interesse literário tem se focado naturalmente em temáticas ligadas ao desenvolvimento infantil e educação. Não é algo completamente novo, uma vez que sou professora de profissão, apenas algo que está mais apurado!
 
Das minhas leituras dos últimos tempos (por acaso não em papel), destaco estes dois livros, fazendo referência ao que mais me marcou (isto é, me fez mais sentido, tendo sido espontaneamente interiorizado) na mensagem de cada um deles. Apresento-os pela ordem pela qual os li e não por ordem preferencial.
 
Bésame Mucho, de Carlos González (versão portuguesa)
 
Achei toda a perspetiva deste pediatra extremamente interessante pois, apesar de ter uma visão diferente daquilo a que nos habituámos a ouvir acerca de como se deve cuidar dos bebés, à medida que ia lendo as suas palavras, dava por mim a pensar que tudo aquilo era demasiado óbvio para que até então só tivesse ouvido (e até pensado!) o contrário.
Ao longo do livro, faz muitas vezes referência aos nossos antepassados longínquos, mostrando que estes só conseguiram preservar a sua descendência (nós!) através de uma grande proteção dos bebés e proximidade entre estes e as suas mães. Se fosse suposto deixar os bebés chorar ou sozinhos (nomeadamente para dormir), isto teria sido feito desde sempre. Mas tendo em conta todos os perigos naturais a que estavam expostos no passado, é pouco provável que isso tenha sido aplicado aos bebés que sobreviveram e dos quais possuímos ainda carga genética.
Desmistifica também o facto de que as crianças nasçam com algum tipo de maldade ou manha, fazendo nos perceber que as suas solicitações são sinceras, necessidades sentidas que precisam de resposta.
Para além disso, defende que não se devem aplicar castigos nem se deve bater. As crianças são seres humanos como nós e devem ser respeitadas como tal. Para que entendamos a sua perspetiva, faz algumas vezes a analogia entre uma criança e um adulto na mesma situação de erro e consequente penalização. Se essa penalização aplicada a um adulto nos parece absurda, porque haveremos de a aceitar como normal nas crianças?
O livro não se fica por aqui. Explora mais ideias e, para mim, foi uma porta para uma perspetiva educacional mais significativa.
 
La Crianza Feliz, de Rosa Jové (versão em espanhol)
 
Rosa Jové tem uma visão de como se deve cuidar dos bebés muito semelhante a Carlos González. Ao longo deste livro partilha das mesmas ideias no que toca ao parto, aleitamento materno, sono do bebé, entre outros, mas não senti que este livro fosse  uma mera repetição do outro, até porque a forma como a autora explica e justifica as suas crenças é diferente. Acho que são livros complementares e um não dispensa a leitura do outro.
Para além dos temas que referi, interessou-me também a sua abordagem da introdução dos alimentos sólidos na alimentação dos bebés, que deve dar-se a partir dos seis meses e, segundo ela, ser um complemento do aleitamento materno até ao ano de idade. Ou seja, até essa altura, o leite deve continuar a ser o alimento principal, o que me faz agora todo o sentido, pois assim os bebés podem familiarizar-se com os restantes alimentos sem pressas e sem, como acontece em alguns casos, a consequente aversão!
Em relação aos desfralde, a psicopediatra é da opinião de que se deve retirar simultaneamente as fraldas de dia e de noite, pois assim a criança terá muito mais consciência do que se está a passar. Também defende que não se deve colocar a criança no bacio à espera que faça alguma coisa. No fundo, deve deixar-se a criança sem fralda (e andar de esfregona por perto!), esperando que esta naturalmente consiga dar sinais de ter vontade antes de fazer chichi ou cocó. É preciso alguma paciência e calma, mas parece-me também a melhor abordagem, sem grandes enaltecimentos ou dramas.
Gostei também da sua estratégia para lidar com as birras (embora cá por casa ainda não as haja e por isso ainda não a tenha posto em prática!). Segundo ela, devemos reagir com base em três passos: mostrar que compreendemos a criança (para que fique disponível para nos escutar), ensinar-lhe o que se espera dela nessa situação e, por fim, deixá-la escolher uma solução para o problema. Dá alguns exemplos que ilustram muito bem esta estratégia e que parecem fáceis de aplicar (se conseguirmos manter-nos calmos e pensantes, claro!).
Mais uma vez, o livro não se esgota por aqui. É de fácil leitura (pena que não exista uma versão portuguesa) e está bem organizado por temas. Abriu-me também horizontes para uma forma de educar mais consciente e positiva.


segunda-feira, 4 de maio de 2015

É bom andar ao colo!

colo

Cá em casa, damos muito colo à nossa bebé!

No outro dia, fui beber café com uma amiga que também foi mãe há pouco tempo e, a dada altura, ela comentou que o seu bebé era muito tranquilo, não dava trabalho nenhum, mas que não lhe dava muito colo para não o habituar mal. Não querendo de algum modo julgar a forma de pensar da minha amiga (até porque cada mãe faz o que acredita ser melhor para o seu bebé e o que funciona melhor no seu seio familiar), não pude deixar de ficar a matutar no assunto.
Até porque, verdade seja dita, é isto que me lembro de ouvir toda a vida, não especificamente por parte da minha família, mas ao nível da sociedade em geral.

Contudo, a nossa bebé nasceu e o desejo de a segurar, sentir, abraçar, cheirar foi imediato! Ainda na maternidade, passou muito tempo no nosso colo... E também no colo dos familiares e amigos que nos visitaram... De que é que (quase) toda a gente tem vontade, quando vai conhecer um recém nascido? De lhe pegar!

Já em casa, continuamos a dar-lhe colo sempre que chora, para adormecer ou pura e simplesmente porque queremos dar-lhe mimos, interagir com ela (e ela connosco!).

Ficam guardadas na memória (e no coração) as tardes de chuva e de frio, em que fiquei à lareira com ela, de corpinho tão pequenino, a dormir enroladinha no meu peito!

Ficam guardados no seu inconsciente, acredito que tornando-a mais confiante e tranquila, os momentos em que acorro ao seu choro e a conforto no meu colo. Ou os momentos em que a seguro entre os braços e a levo a passear ao nosso quintal, a encho de beijos, repito os sons do seu palrar ou lhe retribuo o sorriso. O meu colo, acredito, fá-la sentir-se amada e correspondida!

Gostaria de usar mais o sling e o pano que me emprestaram, mas tenho problemas graves de coluna e não aguento muito tempo (até porque ela está cada vez mais pesada!)...
Não é contudo, por isso, que lhe é alguma vez negado o colo. Se me doem as costas por estar de pé, há sempre a opção de lho dar sentada ou de chamar reforços (leia-se pai!).

Se acredito no vício do colo? Não...
A minha bebé é certamente uma criança mais exigente, mas, se o é, é porque sabe que o mundo é um local bom, no qual pode confiar. Sente que nele existem pessoas constantemente preocupadas com o seu bem estar, dispostas a dedicar-lhe atenção e a minorar o seu desconforto (quando é o caso).
O que pode haver de negativo nisto? Porque é que existe o mito de que o excesso de colo (qual é a unidade de medida utilizada?!) pode ser prejudicial?
É preciso que da nossa parte, pais, exista uma grande disponibilidade, é um facto. Mas quando decidi ser mãe, fi-lo no meu todo, de corpo, coração e alma. Foi por isso que não fui mãe mais cedo, quando o meu ser estava ainda demasiado disperso em tantas outras coisas da vida...

Vai haver um dia em que a minha bebé não será mais bebé. Vai haver um dia em que não quererá mais colo... Até lá vou aproveitar!
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