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sexta-feira, 10 de julho de 2015

Primeiras experiências em Baby-Led Weaning...

Cá em casa, a nossa bebé começou a explorar novos alimentos.

E quando escrevo "explorar" é mesmo a isso que me refiro...
 
Depois de muito ler em livros e outros blogues, recolher opiniões e experiências em grupos na internet, ver vídeos, ouvir a opinião da pediatra e pensar muito, muito, decidimos que a introdução dos alimentos sólidos se faria através do método Baby-Led Weaning.

Baby-Led Weaning?! O que é isso?
Fazendo uma tradução da expressão, será qualquer coisa como "desmame conduzido pelo bebé". Contudo, tal não significa que é o fim da amamentação. Esta continua a ser a fonte do seu alimento principal, mas o bebé tem um papel ativo na iniciação da alimentação complementar com sólidos. Isto acontece pois, em lugar de lhe serem dadas sopas e papas, à boca com uma colher, nas quantidades definidas pelos adultos (normalmente os pediatras), são lhe disponibilizados os alimentos (sem estarem triturados) para que ele os explore com as mãos. É ele que decide o que quer comer e em que quantidade.

Futuramente, penso escrever sobre as vantagens do Baby-Led Weaning (BLW), bem como do que nos motivou a esta escolha, mas, neste momento, vou me centrar em relatar como foram os primeiros contactos da bebé com a comida e em partilhar os meus pensamentos daí emergentes.

No primeiro dia, cortei a cenoura em palitos e cozi a vapor.
Coloquei um palito sobre o tabuleiro da sua cadeira e, como não estava a dar-lhe atenção, peguei nele e ofereci-lho. Ela agarrou-o e levou-o à boca. Partiu-se ao meio (penso que devia tê-lo cozido um pouco menos e talvez não tivesse sido má ideia cortá-lo mais grosso) e ela ficou a explorar uma parte.  Levou-a à boca, várias vezes, até ficar com uns pedacinhos lá dentro, que começou a mastigar. Cuspiu um desses pedacinhos e tentou engolir o outro.
Foi aqui que o reflexo gag entrou em ação! Ficámos a observá-la, tentando permanecer tranquilos, enquanto puxava o vómito. Ao fim de poucos segundos, conseguiu ver-se livre do bocadinho de cenoura, mas acabou por vomitar um pouco de leite que ainda teria no estômago. Tinha mamado enquanto eu fazia o almoço...
Não ficou assustada, continuou bem disposta, mas não mostrou mais interesse em levar as cenouras à boca... Ainda agarrou nelas, uma ou outra vez, agitando as mãos para cima e para baixo, mas nada mais...
Não foi uma experiência muito positiva, mas deu para percebermos que os mecanismos de defesa do bebé são mesmo acionados de modo a evitar que se engasguem (que era o nosso medo!)...


No segundo dia, tínhamos planeado dar-lhe brócolos, mas ela adormeceu, enquanto eu fazia o almoço.
À hora do lanche, estava desperta, pelo que achámos que seria uma boa altura para a introdução de um novo alimento. Já não havia brócolos, pois eu e o pai tínhamo-los comido, mas eu ia comer um pêssego, que partilhei com ela.
Mostrou-se interessada em agarrá-lo, mas, como era muito suculento, fugiu-lhe muitas vezes entre os dedos, antes que o conseguisse levar à boca. A partir do momento em que provou o seu sabor, não mostrou novamente interesse em colocá-lo na boca.
Fiquei a pensar que talvez não estivesse ainda preparada para novos alimentos. Nunca tinha lido nenhum relato de que as crianças desistissem de pôr a comida na boca, depois de tomarem conhecimento do seu sabor. E, em todos os vídeos que vi, elas não perdiam o interesse como aconteceu com a minha bebé. Tinha uma expetativa diferente, mas tentei não desanimar!


No terceiro dia, novamente à hora do lanche, ofereci-lhe melancia.
De início, pareceu outra vez interessada, pegou no pedaço com alguma dificuldade, mas conseguiu levá-lo à boca. Chupou-o, tendo se soltado um pedacinho, que ela ficou a mastigar. O pedaço era mesmo muito pequenino, mas mesmo assim foi o suficiente para que, mais uma vez, o reflexo gag fosse acionado e ela vomitasse, olhando-me com ar aflito.
Não quis mais colocar a melancia na boca, embora tenha permanecido bem disposta. Obviamente não insisti...
Mas fiquei a pensar que queria fazer BLW para que a hora da refeição fosse algo agradável e o facto de ela vomitar não estava a ser de todo agradável! Para além disso, o meu receio de que ela se engasgasse, em vez de desaparecer com o que ia vendo a cada dia, nesse preciso momento tinha aumentado, porque lhe observava muito menos destreza e interesse do que imaginara.

 
 
Então, conversei com o pai, recolhi opiniões junto de outras mães com mais experiência em Baby-Led Weaning, e tomei a decisão de lhe dar sopa à experiência.
Usando as palavras de uma amiga minha, pusemos a hipótese de que a nossa bebé fosse "mais tradicionalista" e gostasse mais que lhe déssemos a comida à colher...
 
Será que pensámos bem?
A primeira colher ainda lhe entrou na boca (talvez julgasse que era o medicamento das cólicas, de sabor adocicado, que tomava quando era mais pequena!)... Fiquei satisfeita porque não se agoniou, apesar das caretas! Contudo, nas vezes seguintes em que estendia a colher,  virou sempre a cara, fazendo-se desinteressada e eu não quis forçá-la
 
Partindo deste princípio de não usar a força, que é fundamental no BLW, e do qual não pretendíamos abdicar, tomámos nova decisão: em alguns momentos vamos oferecer-lhe os alimentos inteiros, noutros iremos oferecer-lhe sopa para que a explore da mesma maneira.
Haverá quem defenda que isto já não é BLW... Não me importo muito com nomenclaturas, mas com aquilo que acredito resultar melhor com a nossa bebé! E afinal, a sopa pode não fazer parte da dieta das mentoras deste método, mas faz parte da nossa! E a mim tranquiliza-me vê-la provar novos alimentos sem se agoniar ou vomitar!
 
Assim, ao almoço tem brincado com a colher e com a tijela da sopa! Nesta brincadeira, acredito que esteja a aprender...  Mesmo não comendo nada visível aos nossos olhos, vai se habituando aos novos sabores e até já conseguiu levar a colher uma vez ou outra com correção à boca (embora se mostre muito mais fã do cabo!).
 
 
 
Ao lanche, temos lhe oferecido fruta e legumes inteiros. A banana foi a que suscitou maior interesse até agora, mas continua a ficar agoniada e emite o som "aaaa", olhando para mim com alguma aflição...
 
 
Estamos a viver tudo isto com tranquilidade e sem pressas, mas tal só está a ser possível porque eu estou com ela em casa e estarei nos próximos dois meses (pedi Licença Parental Alargada, como relato neste texto). Se tivesse ido trabalhar no mês passado, como estava inicialmente previsto, ela estaria ainda menos preparada e nós estaríamos a querer que toda esta mudança acontecesse mais rapidamente.
E isso, infelizmente, é o que acontece com a grande maioria dos pais. O que me leva a pensar que muitos dos problemas associados à alimentação das crianças advém desta passagem abrupta. E isto conduz-me a outro pensamento, que já tenho tido algumas vezes desde que fui mãe: é extremamente injusto que não disponhamos de mais tempo para estar com os nossos bebés!
 
Não sei se esta estratégia que estamos a utilizar resultará. Mas, neste momento, é a que se nos mostra mais conciliável com as características da nossa bebé. O tempo o dirá...
 

sábado, 4 de julho de 2015

Seis meses de aleitamento materno exclusivo!

Cá em casa, a nossa bebé foi amamentada exclusivamente com leite materno até aos seis meses!
 
Quando engravidei e comecei a interessar-me pelo assunto, tornou-se clara para mim a importância da amamentação. Contudo, muitas das minhas amigas tinham deixado de amamentar ao fim de pouco tempo e eu ainda aceitava como natural que isto poderia acontecer-me (embora não o desejasse!). Não me passava pela cabeça que, com o tempo, com acesso a cada vez mais informação e com a vivência da experiência na primeira pessoa, algumas coisas mudariam no meu pensamento, fazendo-me dar ainda mais valor à amamentação.
 
Quem leu este meu texto, sabe que o início não foi fácil... Embora tenha conseguido manter as minhas convicções relativamente à não introdução de leite artificial (e mais uma vez tenho de partilhar a minha gratidão pela neonatologista que me ajudou!), deixei-me formatar no que toca aos horários para dar de mamar. Evitava dar de mamar se não tivesse decorrido um intervalo de pelo menos duas horas (mas a verdade também é que estava a ser tão doloroso que não sei se o poderia ter feito de outra maneira, mesmo sabendo o que sei hoje...) e cheguei a usar uma aplicação do telemóvel para monitorizar a duração e os intervalos entre as mamadas.
Gradualmente fui me desligando deste tipo de controlo e passei a dar de mamar sem olhar o relógio.
Se nós adultos não comemos exatamente às mesmas horas, nem a mesma quantidade em todas as refeições, e nem sempre sentimos fome ao fim do mesmo espaço de tempo, porque é que achamos que os bebés (que ainda se estão a adaptar a tudo) devem funcionar com tanta regularidade? Não faz muito sentido, pois não? Por esse motivo, o fator tempo desapareceu e bebé passou a mamar totalmente em livre demanda...
 
 
No começo, estava bem ciente da importância da amamentação para a saúde física do bebé e tinha uma ténue ideia de que também contribuiria positivamente para o seu bem estar psicológico, fortalecendo o vínculo afetivo com a mãe... Como referi, esta era uma ideia ténue, à qual não tinha dado especial atenção. Para mim, a função primordial da amamentação era alimentar, fornecendo ao bebé todos os nutrientes necessários para o seu desenvolvimento, mas também importantes anticorpos, que não estariam presentes no leite artificial. E era por isso que queria dar de mamar! Sou uma pessoa naturalmente afetuosa, gosto de mimar os que me rodeiam e achei que, tendo em conta estas minhas características, não era por dar de mamar que seria mais carinhosa com a minha bebé.
Mas volvidos estes seis meses, dar de mamar passou a ter uma dimensão muito mais abrangente do que a de simplesmente alimentar. Alimenta o corpo sim, mas talvez tão ou mais importante seja a forma com alimenta a alma! Minha e da bebé!
Se, de início, ela mamava de olhos fechados ou fixando o vazio, e já assim era tão prazeroso observá-la, mais especial se tornou, quando passou a procurar o meu olhar e a parar nele com amor. Um amor tão puro e doce!... Um amor que eu não conhecia e que até hoje só encontrei na inocência do seu olhar!
Se inicialmente ela abocanhava a minha mama instintiva e desajeitadamente, e já assim me deliciava ao vê-la, mais derretida fiquei, no dia em que conscientemente estendeu a sua mão para me tocar no rosto. Também este foi um toque desengonçado, de quem ainda está a aprender controlar os movimentos, mas carregado de uma ternura que não existe em mais nenhumas mãos!
Rendo-me aos seus encantos, nos dias em que dar de mamar se torna uma brincadeira, quando decide abocanhar e largar a mama, com intervalos de sorrisos e olhar maroto!...
Sirvo-lhe de consolo, nos momentos em que não se sente bem, quando só a minha maminha consegue acalmar-lhe o choro ou o mal-estar, e tranquilizá-la até adormecer...
E já que falo nisso, haverá melhor maneira de entrar num sono tranquilo?...

O facto de ter amamentado exclusivamente até agora, tem-nos proporcionado, a mim e à bebé, momentos únicos de união e partilha, que não teriam sido iguais noutros momentos do dia-a-dia...

Por tudo isto (e pelo que ainda vou descobrir!), continuarei a amamentar. Já não de forma exclusiva, porque a nossa bebé entrou numa nova etapa da sua vida, mas mantendo em mente que, até completar um ano, o leite materno deve continuar a ser o seu alimento principal!

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Livros que recomendo para pais e educadores - Parte 2

Cá em casa, está a aproximar-se o momento em que a bebé deixará de mamar exclusivamente e, naturalmente, tenho procurado informação sobre a introdução dos alimentos sólidos.

A leitura deste livro foi um resultado desta minha busca.
Também desta vez, vou centrar a minha abordagem nos aspetos que foram mais significativos para mim e que ficaram gravados na minha mente, ou seja, nas minhas aprendizagens.

Mi Niño No Me Come, de Carlos González (versão em espanhol)
 
Mais uma vez, o pediatra simplifica o que temos tendência a complicar! Se as crianças não comem mais é porque não precisam... Não há que obrigá-las! E não é por isso que deixam de crescer! O crescimento depende das suas características genéticas e não da quantidade de comida ingerida... Gostei particularmente desta sua afirmação: "Na realidade, não crescemos por termos comido, mas sim comemos porque estamos a crescer".
Achei interessante a sua explicação relativamente à recusa das crianças em comer legumes. Segundo ele, essa recusa não está relacionada com o sabor dos mesmos, mas sim com o facto de ser um alimento pouco calórico. As crianças precisam de alimentos concentrados, ou seja, que tenham muitas calorias em pequenas quantidades, como acontece com o leite materno. A quantidade de verduras que o adulto acha que a criança deve ingerir (pois tem a ideia de que é um alimento saudável, importante na sua dieta) é superior à que ela consegue, pois o seu estômago é bem mais pequeno! Se frequentemente se insiste para que coma mais, é natural que ganhe aversão.
Por volta do primeiro ano de idade, é comum as crianças terem uma perda de apetite ou, pelo menos, não se verificar um aumento da quantidade de comida ingerida até então, contrariamente às expectativas dos pais. Isto acontece pois deixam de crescer ao ritmo avassalador com que estavam a crescer até aí.
O autor também refere que, como qualquer animal, o ser humano não só sabe a quantidade, como o tipo de alimentos de que necessita. Assim, se disponibilizarmos alimentos variados e de qualidade, e dermos liberdade à criança, ela escolherá aqueles de que o seu organismo necessita (podendo haver dias em que se foca num só tipo, mas acabando por variar com o passar do tempo). No fundo, estará só a dar continuidade ao que já fazia quando apenas mamava (em livre demanda, entenda-se!).
E já que falo em amamentação, aproveito para referir que lhe é dada bastante atenção neste livro. Creio que, se o tivessem lido, muitas amigas e mulheres que conheço teriam vivido esta etapa da sua vida com mais tranquilidade e teriam dado de mamar por mais tempo.
González desmistifica ainda a necessidade de respeitar sempre os mesmos horários para as refeições, bem como a permanência no mesmo espaço para as fazer, ou o "problema" de se deixar as crianças petiscarem entre elas...
Também defende que a criança é capaz de comer sozinha, desde que começa a fazê-lo, e que é a falta de autonomia, que na maior parte dos casos lhe é dada, a responsável por, a determinada altura, se desinteressar...
Também neste livro, aponta as condições ideais para o bebé iniciar a alimentação complementar (o leite materno deverá continuar a ser o alimento principal até pelo menos um ano de idade). São elas: conseguir sentar-se sem apoio, ter perdido o reflexo de extrusão (defesa que consiste em expulsar com a língua qualquer objeto estranho), mostrar interesse pela comida dos adultos e ser capaz de mostrar por gestos se tem fome ou está saciado.

Analisando cada uma delas, verifico que... a minha bebé já está pronta! Agora é aguardar que faça seis meses, para começar uma nova aventura: a das texturas, cores e sabores!


sexta-feira, 22 de maio de 2015

Livros que recomendo para pais e educadores - Parte 1

Cá em casa, há uma boa coleção de livros...
 
Sempre gostei de ler e, embora atualmente muita da informação que vou recolhendo seja obtida online, não dispenso a leitura de um bom livro (seja romance ou informativo), preferencialmente na versão de papel.
 
Desde o nascimento da minha filha, o meu interesse literário tem se focado naturalmente em temáticas ligadas ao desenvolvimento infantil e educação. Não é algo completamente novo, uma vez que sou professora de profissão, apenas algo que está mais apurado!
 
Das minhas leituras dos últimos tempos (por acaso não em papel), destaco estes dois livros, fazendo referência ao que mais me marcou (isto é, me fez mais sentido, tendo sido espontaneamente interiorizado) na mensagem de cada um deles. Apresento-os pela ordem pela qual os li e não por ordem preferencial.
 
Bésame Mucho, de Carlos González (versão portuguesa)
 
Achei toda a perspetiva deste pediatra extremamente interessante pois, apesar de ter uma visão diferente daquilo a que nos habituámos a ouvir acerca de como se deve cuidar dos bebés, à medida que ia lendo as suas palavras, dava por mim a pensar que tudo aquilo era demasiado óbvio para que até então só tivesse ouvido (e até pensado!) o contrário.
Ao longo do livro, faz muitas vezes referência aos nossos antepassados longínquos, mostrando que estes só conseguiram preservar a sua descendência (nós!) através de uma grande proteção dos bebés e proximidade entre estes e as suas mães. Se fosse suposto deixar os bebés chorar ou sozinhos (nomeadamente para dormir), isto teria sido feito desde sempre. Mas tendo em conta todos os perigos naturais a que estavam expostos no passado, é pouco provável que isso tenha sido aplicado aos bebés que sobreviveram e dos quais possuímos ainda carga genética.
Desmistifica também o facto de que as crianças nasçam com algum tipo de maldade ou manha, fazendo nos perceber que as suas solicitações são sinceras, necessidades sentidas que precisam de resposta.
Para além disso, defende que não se devem aplicar castigos nem se deve bater. As crianças são seres humanos como nós e devem ser respeitadas como tal. Para que entendamos a sua perspetiva, faz algumas vezes a analogia entre uma criança e um adulto na mesma situação de erro e consequente penalização. Se essa penalização aplicada a um adulto nos parece absurda, porque haveremos de a aceitar como normal nas crianças?
O livro não se fica por aqui. Explora mais ideias e, para mim, foi uma porta para uma perspetiva educacional mais significativa.
 
La Crianza Feliz, de Rosa Jové (versão em espanhol)
 
Rosa Jové tem uma visão de como se deve cuidar dos bebés muito semelhante a Carlos González. Ao longo deste livro partilha das mesmas ideias no que toca ao parto, aleitamento materno, sono do bebé, entre outros, mas não senti que este livro fosse  uma mera repetição do outro, até porque a forma como a autora explica e justifica as suas crenças é diferente. Acho que são livros complementares e um não dispensa a leitura do outro.
Para além dos temas que referi, interessou-me também a sua abordagem da introdução dos alimentos sólidos na alimentação dos bebés, que deve dar-se a partir dos seis meses e, segundo ela, ser um complemento do aleitamento materno até ao ano de idade. Ou seja, até essa altura, o leite deve continuar a ser o alimento principal, o que me faz agora todo o sentido, pois assim os bebés podem familiarizar-se com os restantes alimentos sem pressas e sem, como acontece em alguns casos, a consequente aversão!
Em relação aos desfralde, a psicopediatra é da opinião de que se deve retirar simultaneamente as fraldas de dia e de noite, pois assim a criança terá muito mais consciência do que se está a passar. Também defende que não se deve colocar a criança no bacio à espera que faça alguma coisa. No fundo, deve deixar-se a criança sem fralda (e andar de esfregona por perto!), esperando que esta naturalmente consiga dar sinais de ter vontade antes de fazer chichi ou cocó. É preciso alguma paciência e calma, mas parece-me também a melhor abordagem, sem grandes enaltecimentos ou dramas.
Gostei também da sua estratégia para lidar com as birras (embora cá por casa ainda não as haja e por isso ainda não a tenha posto em prática!). Segundo ela, devemos reagir com base em três passos: mostrar que compreendemos a criança (para que fique disponível para nos escutar), ensinar-lhe o que se espera dela nessa situação e, por fim, deixá-la escolher uma solução para o problema. Dá alguns exemplos que ilustram muito bem esta estratégia e que parecem fáceis de aplicar (se conseguirmos manter-nos calmos e pensantes, claro!).
Mais uma vez, o livro não se esgota por aqui. É de fácil leitura (pena que não exista uma versão portuguesa) e está bem organizado por temas. Abriu-me também horizontes para uma forma de educar mais consciente e positiva.


terça-feira, 3 de março de 2015

Amamentação

Cá em casa, a bebé é amamentada exclusivamente com leite materno.
 

E eu andava, já há algum tempo, a pensar se havia ou não de escrever sobre este tema.
 
Entretanto fui a um almoço com umas amigas (já todas com filhos mais crescidos que a minha) e o tema da amamentação veio à baila. Todas elas (e também eu!), num ou noutro momento, tinham sentido constrangimentos associados ao dar de mamar. Constrangimentos estes provocados por pessoas em seu redor, ou seja, familiares, amigas e até profissionais de saúde, que certamente queriam o seu bem e que, partindo da sua experiência e conhecimentos, tentaram aconselhá-las. Estes conselhos surgiram depois de, por uma ou outra razão, essas pessoas concluírem que os bebés tinham fome. Daqui as conversas rapidamente se focaram na quantidade (insuficiente) de leite produzido, passando pela qualidade (fraca) do mesmo e terminando no... (milagroso) suplemento!
 
Esta conversa, juntamente com o facto de uma grande amiga minha ainda hoje sofrer por ter deixado de amamentar precocemente (quando o desejava tanto!), aliado a outros relatos de amigas que também passaram por dificuldades e aos imensos testemunhos de outras mães que tenho lido aqui e ali, fez com que decidisse partilhar a minha experiência.

Quero, no entanto, referir que não considero que o facto de amamentarmos ou não seja o que faz de nós melhores ou piores mães. Quem opta por não o fazer, ou é conduzido a tal pelas mais diversas justificações, poderá ainda assim desempenhar de uma forma fantástica o seu papel de mãe! O amor, esse sim é determinante! E a forma como cada um ama não é medida, no meu entender, pela quantidade de leite materno que disponibiliza ao seu bebé...

Assim, o que me leva a abordar este tema não é o querer convencer ninguém de que deve dar de mamar. É antes verificar que muitas pessoas queriam amamentar e não foram apoiadas para o fazer.

Como é que tudo se passou comigo?


A minha bebé mamou ainda na primeira hora de vida, durante o recobro (esse era um dos pontos do meu plano de parto). Acontece que fui aconselhada pela enfermeira a segurar a mama como na primeira imagem e, embora tivesse aprendido no curso de preparação para o parto que o deveria fazer como está representado na segunda, naquele momento não tive capacidade de pôr em prática estes conhecimentos e confiei no que me foi dito pela profissional de saúde que me estava a acompanhar. Coincidência ou não, a verdade é que a minha bebé não fez uma boa pega e fiquei com o mamilo direito magoado logo aí.

Durante o dia que se seguiu (ela nasceu de madrugada), assim que outra das enfermeiras se apercebeu de como eu tinha a mama, aconselhou-me a usar um bico de silicone. Eu assim o fiz, sem ter na altura muita noção de que tal poderia comprometer a pega que a minha bebé faria do peito.
A bebé foi mamando alternadamente de uma e de outra mama e, provavelmente porque continuei a segurar o peito com os dedos em forma de pinça, o mamilo esquerdo acabou por ficar igualmente com fissuras. 
Nessa altura, eu não sentia isso como um problema. Achei que era algo normal, que estava a acontecer porque a pele dos mamilos é sensível e que entretanto curaria. Estava imensamente feliz e não me sentia nada preocupada com quaisquer questões ligadas à amamentação!
 
Mas entretanto, à medida que as horas iam passando, vários enfermeiros iam passando pelo quarto para nos observar e  colocar as questões que lhes competem, nas quais se incluíam "há quanto tempo mamou?" e "durante quanto tempo?". Isto porque a bebé não poderia estar mais de três horas sem mamar e, se fosse necessário, teria de a acordar... Enfiada num quarto de hospital, quase sem dormir, completamente apaixonada por aquele novo ser e sem qualquer noção do tempo, como queriam que soubesse há quanto tempo e durante quanto tempo tinha mamado?! Tinha mamado na última vez em que acordara a choramingar e enquanto o desejou! A dada altura, dei por mim a tomar notas no telemóvel para não me esquecer... E aqui, sim, comecei a ficar stressada!

Para piorar a situação, à medida que as horas iam passando, mesmo depois de mamar, a bebé continuava com a boca à procura da mama. E, embora lhe oferecesse uma mama depois da outra, continuava a choramingar. Inicialmente eu achava que tal se devia ao facto de estar inquieta por ter recebido muitas visitas ao longo do dia e fiz ouvidos moucos aos comentários das mesmas, de que teria fome... Mas, nessa noite, a situação não teve melhorias, ela não parava de chorar, e uma outra enfermeira sugeriu que lhe dessemos suplemento até que ocorresse a descida do leite, alegando que o meu colostro não estaria a satisfazer a bebé. Comecei por negar (consciente do que tinha aprendido ainda durante a gravidez), mas, ao ver que a bebé continuava insatisfeita e com as normais inseguranças de quem acabou de ser mãe, acabei por ceder. Uma maminha, depois a outra e, se necessário, biberão no final!

E teria saído do hospital neste registo, comprometendo provavelmente todo o processo de amamentação, se não tivesse, na manhã em que tive alta, recebido a visita da neonatologista responsável pela alta da bebé. Se já então acreditava que nada acontece por coincidência, o aparecimento desta médica só veio reforçar a minha crença, pois foi portadora de uma mensagem que alterou de forma crucial o rumo dos acontecimentos.
Deu-me segurança ao relembrar-me que não existem leites fracos, que o colostro que estava a produzir era única e exclusivamente aquilo de que a bebé precisava... Se a bebé se mostrava insatisfeita, era porque não estava a obter todo o leite de que necessitava, em resultado de uma má pega. Quanto ao mamilo de silicone, não nos estava, a mim e à bebé, a ajudar em nada...
Ofereceu-se para me ajudar na mamada seguinte e eu, mesmo já tendo tido alta, permaneci no hospital para que tal acontecesse.
 
 
Ela ensinou-me a agarrar a bebé como na imagem, colocando o seu rabo na parte interior do meu cotovelo (dobrado num ângulo de 90°) e a sua cara apoiada na minha mão. O meu dedo polegar deveria ficar na parte de trás do pescoço da bebé, pronto para o empurrar no momento em que ela estivesse de boca bem aberta, de modo a abocanhar assim toda a auréola da mama. A outra mão seguraria a mama com os dedos polegar e indicador em forma de C.
 
 
Logo nesse momento, a bebé agarrou a mama corretamente. 

Já em casa, usei sempre esta estratégia, até o gesto de dar de mamar se tornar automático quer para mim quer para a bebé. Não voltei a usar o bico de silicone ou a oferecer suplemento à bebé. Ela fica satisfeita depois de mamar e está a crescer bem! As feridas nos mamilos demoraram cerca de três semanas a sarar totalmente (e consegui-o usando uma pomada aconselhada por uma amiga, Cicamel, num número de vezes ao dia superior ao recomendado, admito!). Foi doloroso, mas valeu a pena o esforço.
 
Agora já posso dizer algo que me parecia impossível de início: Adoro dar de mamar!
 
 
 
 

 
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